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Outubro de 1959 · 4 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • O DEUS NU (III)
  • O Partido Comunista deixa marca profunda, cicatriz que não desaparece. Continuam os quadros, a foto-montagem que divulgamos na página, em homenagem especial ao autor. Lógico, o amanhecer irônico. E o simpatizante se tornam condenadores. Os maiores tremem, se escondem, acovardam, choramingam. A reação se envereda por caminhos de violência. É a padronização que rebela o homem, o espírito, a inteligência. O escritor, o artista. Interrogações se multiplicam: condenar a melodia musical burguesa? A arte dissolvente? E o comunismo, linha estética, constituiu no último dia de Stalin a preocupação dos artistas soviéticos. Era preciso: ARTE, MÚSICA, PINTURA são precisamente escritores e militares das classes de maior prestígio na União Soviética. E essa distinção, a ponto que parece esdruxulice, principiou o socialismo. É preciso reeditar a qualidade do escritor comunista, proclamar o prestígio.
  • O riso e a espontaneidade não são vistos aos olhos. A alegria de escrever, o puro divertimento, está proibida. Resta, o argumento último que combatem, o endeusado. Howard Fast demorou a reconhecer esses erros? E não falta apontar caminhos de servidão. O utopismo, motivos únicos, a atitude descreve o drama dos tempos, a terrível luta pela vida, o boicote aos livros. O nome proscrito em grandes editoras comunistas, empregos comunistas, gozam das delícias da vida fácil, não compreendem as agruras do drama e se resumem a simples cansaço, simples fim. Imensa capacidade de renúncia. Realmente, analisamos "O Deus Nu" sob o prisma da tragédia política. Diríamos: vimos o itinerário humano, corajoso e sincero depoente. O menino que criou a sarjeta, o menino que abriu a lágrima e o suor nos caminhos da vida, o menino tinha a alma marcada pelo sofrimento. O dia. Já famoso, viu o "nu" e ninguém. O vento, o ócio, o tempo, o divertimento.
  • O alegre túnel envolve a sela a mil metros de altura, comovo o tempo. Perde-se a noção do tempo: a viagem é etérea. Até as nuvens caminham lá, fazem parte dos minutos que vivemos no bojo do pássaro metálico Varig. A moça loura, fala inglês e alemão e perfuma a suavidade da informação, é anjo migrador. Tem um destino. Pouso etéreo, cadeira em cadeira, oferecendo um sorriso largo aos passageiros que não conseguem dormir. Partimos de Belém à madrugada, cortando duas praias. Neve, tomam o vento fácil e provocam inspiração aos rudes. Não durmo, vejo, tenho pensamento. Porto até a alvorada, chegar o dia. Milagre sideral. Nuvens congestionadas não viram a cela do espaço e, de repente...