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Unitário
Novembro de 1968 · 3 trechos transcritos
Manchetes desta página
- A sociedade vencida crime é uma sociedade colocada à margem da lei. A segurança da vida e propriedade, a ordem social e jurídica, soçobram quando a lei é acintosa e duplamente violada por indivíduos isolados agindo em grupo. É chegado o momento de dizer basta às quadrilhas de ladrões de veículos, agindo há muito tempo por todo o país, articulados em rede de extensão nacional e, para dizer o mínimo, as autoridades vencidas na caça e desbaratamento, à ação enérgica e coordenada. É chegada a hora de desmantelar a vasta gang, transformada em instituição. Compreendemos que a sociedade, para ser livre, precisa libertar-se de todos os criminosos e marginais, mas não se concebe o desafio permanente de elementos agindo em grupos e sincronizados, praticamente acontecendo em todas as cabeças, mentores intelectuais, que, respaldados por prestígio, dinheiro e posições políticas, desempenham. O furto de veículos no país tomou tal proporções que impõe a articulação completa das polícias estaduais, ajudadas, se for possível, pelas autoridades federais. Somente o governo conseguirá frear os gatunos, aplicando as sanções cabíveis aos nomes que forem descobertos. Verifique-se que o despudor da "gang" é grande, naturalmente não temendo a organização policial. Veja que na semana em curso foi flagrado nas imediações um membro da quadrilha e conhecido nome, traziam veículos "puxados" do Sul. Chamamos a atenção para o fato de que a prisão do referido marginal, exatamente o furto de carros, é o principal assunto dos últimos dias, tem ocupado a imprensa e o escândalo da denúncia de participação de um deputado estadual nesse sujo negócio. Os integrantes da rede de ladrões deviam saber que o assunto estava "quente" e em objeto das atenções gerais do público, e não fizeram pausa em suas atividades. Quantas pessoas já ficaram sem automóvel e camioneta nos últimos anos? Centenas. E numerosas tiveram seus veículos e peças principais subtraídas, arcando com vultosos prejuízos. Criou-se, com referência à matéria, um estado de insegurança que vinha generalizando, formando na opinião pública que a "gang" de marginais era invencível. A situação não podia e não podia continuar. Se a polícia não conseguir dobrar o império da lei, os envolvidos, terminaremos por ver o "puxador" de veículo erigido à categoria de profissão. E isso é inadmissível e intolerável. O que está a depender é a disposição e firmeza das autoridades em cumprir o dever, levando às últimas consequências as investigações para descobrir os participantes da quadrilha ou quadrilhas, não se detendo por conveniências. A única conveniência a ser resguardada é a do império da lei. Confiamos que o vulto do escândalo que tomou o Ceará, devidamente investigado e apurado, levando a prestar contas à Justiça os integrantes da audaciosa "gang", já estão presos e já são conhecidos. Falta então chegar ao fim? Energia das autoridades, intransigência para deitar a mão em toda a quadrilha, engrossada por indivíduos com tendência ao crime e que desconhecem que crime não compensa.
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