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O Nordeste
Junho de 1922 · 22 trechos transcritos
Manchetes desta página
- A INAUGURAÇÃO DA REDAÇÃO E OFICINAS D' "O NORDESTE" Ontem, ao circular pela primeira vez o nosso Jornal, tivemos ensejo de receber significativas demonstrações de simpatia e apoio de elementos de relevo no nosso meio social. Não houve solenidades pomposas pelo aparecimento do "O Nordeste". Tudo foi feito com a maior modéstia. Pela manhã, depois de uma missa em ação de graças na Igreja do Rosário, celebrada pelo reverendíssimo Frei Pacífico, e assistida por pessoal da redação, administração e oficinas do jornal, aquele distinto capuchinho deu a bênção de Deus à nossa tenda de trabalhos. Durante o dia recebemos muitas visitas de pessoas amigas, que nos trouxeram, com palavras afetuosas, grande conforto para as árduas lutas da vida de imprensa. Entre outras, estiveram em nosso escritório os distintos sacerdotes monsenhor Tabosa Braga, Vigário Geral desta Arquidiocese, padre Raimundo Hermes, secretário do Arcebispado, Cônego José Quinderé, padres Alberto Pequeno e Otávio de Castro, dr. Barão de Studart, dr. José Lino da Justa, José Meneleu de Pontes, Antônio Ribeiro dos Santos, Acrísio Dantas, Marcos Silva, Francisco Ângelo, dr. José Sombra, dr. Edgard Arruda, Roberto Plóia, administrador das oficinas d' "A Tribuna", Edgard Pinheiro, das oficinas do "Correio do Ceará", comissão do "Círculo de Operários e Trabalhadores - S. José", do "Centro Artístico Cearense" e de várias associações católicas desta capital. Recebemos também a visita pessoal dos nossos amigos srs. A. C. Mendes e dr. Leonardo Moita, respectivamente diretor e redator-chefe do "Correio do Ceará". Os ilustres colegas vieram trazer-nos cumprimentos e votos de felicidade, demorando-se por alguns momentos em agradável palestra em nossa sala de redação. A propósito da circulação d' "O Nordeste" recebemos também os seguintes telegramas: Fortaleza, 29 - Pelo aparecimento d' "O Nordeste" recebam prezados amigos Andrade Furtado, José Martins e Ildefonso Araújo meus sinceros abraços de aplausos com votos no Altíssimo por sua constante prosperidade. Menezes Cimentel Baturité, 29 - Felicitamos vosso aparecimento auspicioso à imprensa do Ceará. Monsenhor Manuel Cândido por si e seus paroquianos, "A Verdade", "Círculo Católico", "Conferências Vicentinas", "Escolas Paroquiais", "Sociedades da Doutrina Cristã", "Obra das Vocações Sacerdotais", "Terceiros Franciscanos". A todos os bons amigos, com efusão de coração, apresentamos o nosso penhorado agradecimento.
- Com vistas à Inspetoria de Veículos Autos em grande velocidade Os nossos chauffeurs, esquecidos dos seus deveres e responsabilidades, infringem diariamente o regulamento da Inspetoria de Veículos, que lhes proíbe terminantemente percorrerem em grande velocidade certos pontos da cidade, onde o movimento de pessoas e carros é intenso e constante. A todo o momento se nos deparam fatos de tal ordem censuráveis, que julgamos, de nós para nós, não existe nesta cidade repartição competente para a fiscalização dos serviços de automóveis e demais veículos. Ontem, tivemos o desprazer de assistir a uma dessas cenas que se repetem com frequência, pondo em sério perigo a vida dos transeuntes. Uma senhora de distinta família aguardava o bonde do Outeiro no poste situado à proximidade do Palácio Arquiepiscopal, justamente onde os bondes da linha fazem a curva. Um auto, de cujo número não nos recordamos agora, vindo da Praça do Ferreira, em carreira vertiginosa, sem dar nenhum sinal, dobrou a referida curva, quase atingindo a aludida senhora. Por uma dessas felicidades que não se explicam, deixou de registrar-se um atropelamento. Não é só. Pela Praça do Ferreira, centro de maior movimento da capital, autos deslizam em velocidade injustificável, sem que se ponha cobro a tamanha irregularidade. Temos certeza que a Inspetoria de Veículos, zelosa dos interesses do público, tomará em devida consideração esta nossa censura cabível e oportuníssima.
- Revisão ou Revolução? Os espíritos refletidos, ao meditar sobre os momentosos problemas que agitam a sociedade contemporânea, não podem deixar, às vezes, de sentir-se apoderados de um profundo desânimo. Grandes impérios que pareciam ter resistido vitoriosamente a vendavais de séculos, de repente, ao menor sopro das ideias revolucionárias modernas, lançam-se na anarquia mais desenfreada. Os seus novos dirigentes, como os russos, sem o menor respeito ao bem da pátria ou aos direitos dos indivíduos, erigem-se em tiranos mais autocratas que todos os Czares do velho Império Moscovita, assassinam friamente os intelectuais e os proprietários, ou apoderam-se dos seus bens; arregimentam operários, e sob a ameaça da baioneta ou da fome, os obrigam aos trabalhos mais pesados nas minas ou nas fábricas; numa palavra, por todos os meios, desorganizam e destroem as forças vivas da nação, semeando por toda a parte a fome, o terror e a morte. Mais perto de nós, Portugal, que tantos laços de parentesco e amizade unem ao Brasil, manifesta sintomas de não menor desorganização social. Por cerca de 11 anos, flutua sem bússola, sem finanças, com intermináveis revoluções e ódios intestinos, precipitando-se no momento histórico em que a pátria portuguesa precisaria dos esforços congregados de todos os seus filhos para lutar no gigantesco certame internacional. E o nosso querido Brasil, perguntam estes incertos espíritos refletidos, não será também atingido brevemente pelo fogo que alastra e ameaça consumir o mundo inteiro? Não terá também chegado à beira de uma decadência sem remédio? Para me servir da frase do vosso egrégio Rui Barbosa, no seu último discurso do Senado, poderá o "reerice" abalar o rumor das vagas despedaçadas nos recifes mais próximos? Eis o problema brasileiro no momento em que a situação universal carrega de pesada obscuridade por toda a parte as questões interiores. Se consultarmos o estado econômico do país, estes mesmos espíritos dirão com o mesmo Rui Barbosa que existe uma completa ruína financeira, que as fontes de receita vão minguando, ou pelo menos não podem satisfazer os novos encargos, os quais aumentam cada ano. Por outro lado, diz ainda Rui Barbosa, existe uma crise geral de moralidade; a honestidade antiga dos costumes públicos e privados vai desaparecendo; a materialização da vida faz esquecer os ideais de dedicação e sacrifício que seriam ainda mais necessários hoje para suportar os maiores embates da vida moderna; os crimes multiplicam-se sem a sanção merecida; o assalto à fortuna dos fracos, das viúvas e dos órfãos, o frenesi dos gozos grosseiros, tudo isto campeia impunemente; numa palavra, a civilização chegou a um tal estado de degradação e embrutecimento que as maiores catástrofes sociais são para temer, sem que se veja bonança sequer de heróis capazes de as enfrentarem e de reagirem contra elas. Nem sequer uma boa parte da sua mocidade, que deveria ser otimista por natureza, escapa a este pessimismo desorientador. Ao passo que uns, impelidos pela intensidade da luta pela vida, se lançam em trabalhos exaustivos e são de pressa eliminados pelas doenças nervosas, outros não se sentem com a força moral suficiente para resistirem ao contágio do ambiente enervante daquela civilização cheia de podridão, e caem como que fatalmente nos laços do vício, tornando-se depressa vítimas da tuberculose e de tantos outros agentes da degenerescência moral e física. Assim cada ano a sociedade brasileira sacrifica inutilmente um enorme contingente humano, em que maiores esperanças depositava. E este sacrifício não se compensa com milhares de contos. Se olharmos para a vida política, outra vez com Rui Barbosa, assistimos a uma crise assombrosa de caráter. Quase em toda a parte aponta um sintoma infalível de decadência: "O horror à responsabilidade!" A triste norma de Luís XV: "Après moi le déluge!" vai-se generalizando cada vez mais. Não raras vezes a imprensa criteriosa se insurge contra os compromissos públicos que virão mais tarde estourar. Erro profundo! Entretanto aqueles mesmos observadores, como Rui Barbosa, sentem rumores subterrâneos que fazem estremecer as mais sólidas instituições republicanas; entretanto o povo turbulento começa a organizar-se para derrubar a ordem social existente. Visto que as doutrinas positivistas e materialistas em voga lhe proíbem pensar num paraíso de além-túmulo, também ele se julga com direito de sentar-se ao banquete da vida. Quem o há de impedir de chegar aos gozos grosseiros que lhe ensinaram serem a lei suprema do ser vivo? A força? Mas, são eles precisamente a força, eles os bíceps musculosos, eles acostumados aos trabalhos pesados das fábricas e das oficinas; eles agora unidos e organizados para a reivindicação dos seus direitos espezinhados pelos regimes atuais. Mas, repito, amedrontam-nos e consideram. Por isso exclama ainda Rui Barbosa: "Ninguém hoje pode invocar a revolução como porto seguro da liberdade nesses surgidoiros insidiosos! Ninguém sabe o que o espera. Massas disformes atulham o acesso à liberdade. Formas estranhas e tenebrosas lhes cercam a entrada. Surgem surpresas terríveis, acidentes monstruosos, como os que de súbito inundaram as mais gigantescas monarquias do mundo..." Então está tudo perdido! exclamará alguém. A desorganização vigente ir-se-á agravando cada vez mais, até chegar ao seu paroxismo, isto é, admitir que venha uma nova Rússia sangrenta, com o completo aniquilamento da ordem e das classes dirigentes e intelectuais! "Tudo está perdido!" A estes pessimistas e desanimados venho dizer bem alto: Não, não está tudo perdido! A estes desenganados da honestidade moderna, a estes espíritos acostumados a assistir a todas as capitulações particulares e públicas diante do dever, enojados de ver tantas vezes desaparecer a consciência coletiva e particular, a estes homens desvairados de ver reinar por toda a parte a abjeta matéria contra os imortais direitos do espírito, venho dizer: "Sursum corda!" Corações acima! Outros povos precederam o Brasil numa decadência, ou foram mais longe ainda do que este, contudo vão retomando a passos de gigante o caminho da ordem! Chegados à beira do precipício, souberam retomar posse de si mesmos e subir vitoriosos o declive que os arrastava para o abismo. Também o Brasil pode realizar o mesmo milagre. Pe. Camilo Torrend.
- Mundo literário A CONFERÊNCIA DO SR. SIMÕES COELHO A intelectualidade do Ceará, desejando homenagear o escritor português José Simões Coelho, atualmente ao serviço do importante jornal de Lisboa "O Século", promove na tarde de domingo, 2, nos salões da Phenix Caixa Rural, uma linda festa que será presidida pelo excelentíssimo sr. dr. Justiniano de Serpa, Presidente do Estado. O programa da festa será o seguinte: 1ª parte - Apresentação do notável professor Ladário Teixeira que executará alguns solos de saxofone, gentilmente acompanhado pela ilustre pianista d. Alice Freire. 2ª parte - Saudação dos intelectuais cearenses, pelo dr. Beni de Carvalho. 3ª parte - Palestra humorística de Simões Coelho, sobre o sugestivo tema "A Arte de Mentir". A palestra terá a colaboração do dr. Leonardo Mota, redator-chefe do "Correio do Ceará" e dos artistas d. Filomena Lima e José Soveral, que cantarão fados e canções. Os ingressos para esta festa serão passados hoje e amanhã por uma comissão composta dos srs. tenente João Bastos representando o sr. Presidente do Estado, e os drs. Leonardo Mota, Ciro Saraiva e Beni de Carvalho. Para o público, os ingressos estarão à venda na Gruta Baiana e no domingo, desde as 13 horas, na Phenix Caixa Rural. O sr. Simões Lopes veio pessoalmente convidar-nos para o seu excelente festival, em que, de bom grado, nos faremos representar.
- DO PAÍS Desmentido do cel. Castro RIO, 20 - O cel. Lima Castro, candidato dos coligidos ao governo de Pernambuco, desmente que o sobrado, onde está estabelecida sua casa de negócios, abrigue cangaceiros, estando de sobreaviso sobre as denúncias de projetados ataques à sua propriedade. Contra a ideada cessão dos rochedos de S. Paulo RIO, 20 - O Jornal combate a ideia de se oferecer a Portugal os rochedos S. Paulo, pois abriria precedentes da cessão de territórios brasileiros, o que a Constituição não permite. O juiz seccional de Recife será candidato de conciliação RIO, 20 - Consta aqui que o dr. Sérgio Lebre, juiz federal em Pernambuco, será candidato de conciliação ao governo daquele Estado. General reformado RIO, 20 - Será reformado, hoje, o general Celestino Bastos, chefe do Estado Maior, constando que será substituído pelo general Tasso Fragoso ou Crispim Ferreira. Desmentido do comandante da Região RIO, 26 - O comandante desta Região, general Carneiro de Fontoura, desmente ter ordenado a prontidão do Exército, no dia da reunião do Clube Militar, com o intuito de diminuir a concorrência à mesma. Homenagem a Floriano RIO, 20 - Os admiradores do marechal Floriano Peixoto celebram homenagens, hoje, em comemoração ao aniversário de sua morte. O caso de Pernambuco em vias de solução RIO, 20 - Noticiam do Recife que, reunidos, no edifício do Círculo Católico, os representantes dos srs. Manuel Borba, Rosa e Silva e Estácio Coimbra, e o deão Pereira Alves, vigário capitular, a fim de promoverem um acordo sobre a questão presidencial, ficou resolvida a adoção de uma candidatura de conciliação. O ministro Muniz Barreto RIO, 29 - O "Correio da Manhã", em sua edição de hoje, ataca a pessoa do dr. Muniz Barreto, ministro do Supremo Tribunal, designado pelo presidente para relator do habeas corpus impetrado pelo dr. J. [...] Brá. Continuam as homenagens a Sacadura Cabral RIO, 29 - A Escola de Aviação Militar ofereceu, na tarde de hoje, um lauto jantar, no Cai [...] dos Alfonsos, aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Os pescadores cariocas honraram o seu padroeiro RIO, 20 - Na enseada de Botafogo, foi celebrada, hoje, sobre um barco, uma missa, assistida pelos pescadores, em honra a São Pedro, padroeiro de sua classe. Falaram, após a encantadora festividade religiosa, o poeta Hermes Fontes e o comandante Frederico Villar. Almoço ao presidente do Espírito Santo RIO, 20 - A representação federal do Espírito Santo ofereceu, no Jockey Club, um almoço ao dr. Nestor Gomes, presidente daquele Estado, e atualmente nesta capital. Romaria à estátua de Floriano RIO, 20 - Realizou-se uma romaria cívica à estátua de Floriano Peixoto, comemorando o aniversário de sua morte.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O NORDESTE, Sexta-feira, 30 de Junho de 1922
- Anúncio ILDEFONSO ARAÚJO & Cia Grande sortimento de livros de moral e ascética, mística e de piedade dos mais notáveis autores. A editora mantém O NORDESTE CATÓLICA. Tibúrcio, n. 156
- Telegrama Os aviadores portugueses irão a Minas Rio, 29 - Os aviadores portugueses irão, por estes dias, a Minas Gerais.
- Telegrama O batismo do hidroavião Foi a cerimônia do batismo do hidroavião que fez o raid a que serviu de madrinha, a bordo do cruzador, e que se denominará Santa Cruz.
- Telegrama A ATACAR [...] ater a usura voraz; e de utilidade social.
- Anúncio VERMIO SALVADOR É o único vermífugo de composição vegetal. [...]
- Nota social DR. CÂNDIDO COSTA Acha-se entre nós o ilustrado escritor, dr. Cândido Costa, residente em Belém do Pará. Apresentamos ao distinto cavalheiro, que é um católico esclarecido e praticante, nossas cordiais saudações.
- Nota social Aniversários Fizeram anos anteontem: O dr. João Bezerra, clínico residente em Mamanguape. O jovem Eurico Eloy, guarda-livros da casa Arthur Bento. A senhorita Edith Torquato, filha do sr. Adolfo Arruda. A senhorita Marta José da Costa, filha de Maria, do Asilo de São Vicente de Paula. Fez anos ontem: A interessante Maria Luíza, estremecida filhinha do sr. coronel Jeremias Arruda. DR. THOMAZ POMPEU Hojé é a data do aniversário natalício do sr. dr. Thomaz Pompeu de Souza Brasil, diretor da Faculdade de Direito do Ceará e cultor dos mais ilustres de nossas letras. "O Nordeste" apresenta ao abalizado mestre do Direito respeitosos parabéns com votos de felicidade.
- Nota social DR. BOANERGES FACÓ Está nesta cidade o dr. Boanerges Facó, que veio de Lavras, devendo seguir na próxima quinzena para o Rio de Janeiro, onde irá assumir um importante cargo, confiado à sua integridade.
- Nota social LUÍS NOGUEIRA Regressou, ontem, de Sobral, onde [...].
- Nota social Vindo de Camocim, onde se encontrava a negócio da firma Jeremias Arruda, de que é gerente, tornou à capital o sr. João Dantas Landim.
- Nota social [...] Luís Nogueira, do Crédito Popular São José. Abraçamo-lo cordialmente.
- Nota social Festa religiosa em Porangaba Promete grande animação este ano os festejos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na vizinha vila de Porangaba. No dia 6 de Julho próximo, terá início o novenário.
- Nota social Despedidas O distinto sacerdote, padre Albino Pequeno, apresentou-nos as suas despedidas por ter de regressar, amanhã, à cidade de Jardim, onde reside. Fazemos votos de boa viagem.
- Nota social Clube dos Diários Efetuou-se uma reunião social do Clube dos Diários, uma das reuniões que [...] para diversos [...]. Brasil. Tel. N. 57.
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- Nota social Viajantes DR. HENRIQUE DE NOVAES Em viagem de inspeção das obras em construção e construídas no sul do Estado, seguiu hoje o sr. dr. Henrique de Novaes, chefe do 1º distrito de Secas.