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O Nordeste
Julho de 1922 · 44 trechos transcritos
Manchetes desta página
- O grave momento político nacional O CLUBE MILITAR FECHADO POR SEIS MESES O marechal Hermes severamente repreendido
- RIO, 2 – Seguiu para Recife o Coronel Waldomiro de Castilho, novo comandante da 6ª Região Militar. Veremos se o ministro da Guerra repreende severamente o marechal, mesmo uma feitoria do Clube Militar.
- RIO, 1 – O 'Jornal do Commercio', comentando a interpelação do ministro da Guerra ao marechal Hermes, diz que, antes da resposta deste, qualquer comentário seria precipitado. Veremos – afirma aquele jornal – depois da resposta do marechal Hermes, se S. Excia. acha mesmo que o princípio da autoridade e a noção da disciplina desapareceram totalmente de nossa terra, ou se o marechal, na sua proverbial ingenuidade, imagina que o Brasil é mesmo uma fritaria do Clube Militar.
- O Clube Militar responde à interpelação do governo, assumindo a responsabilidade do telegrama
- RIO, 1 – Consta que o Clube Militar, tratando da interpelação do governo ao marechal Hermes, respondeu ao Presidente da República, dizendo que o telegrama daquela alta patente ao Cel. Jayme Pessoa foi aprovado unanimemente pela diretoria do Clube, em sessão de 28 de junho último.
- Demite-se o Cel. Jayme Pessoa
- RIO, 1 – O Cel. Jayme Pessoa pediu demissão do comando da 9ª Região Militar. Foi nomeado para substituí-lo o Cel. Waldemiro Castilhos de Lima.
- O ministro da Guerra interpela o marechal Hermes
- Hermes da Fonseca
- RIO, 2 – O ministro da Guerra baixou o seguinte aviso: «Considerando que o militar, pelo fato de estar associado, não se exonera dos deveres de subordinação e disciplina, previstos na legislação que rege as Forças Armadas; Considerando que o marechal Hermes da Fonseca dirigiu à guarnição do Recife um telegrama sobre assunto atinente ao serviço de cumprimento das ordens do governo, sem que para isso, tivesse a competência legal, nem como marechal sem comissão que a isso o autorizasse, nem como presidente do Clube Militar. Considerando que, nesse telegrama, citando o art. 6º da Constituição, insinua que o governo está intervindo no caso de Pernambuco; Considerando ainda que põe em dúvida a palavra de seu superior hierárquico; RESOLVE REPREENDER SEVERAMENTE O MARECHAL HERMES DA FONSECA.»
- Joaquim Osório congratula-se
- RIO, 2 – O deputado Joaquim Osório congratulou-se, na Câmara, com o Clube Militar, por seu telegrama ao comandante da Região de Pernambuco.
- RIO, 1 – O ministro da Guerra enviou uma carta ao marechal Hermes da Fonseca, perguntando se assumia a responsabilidade da assinatura do telegrama passado para Recife, ao Cel. Jayme Pessoa. O marechal deverá responder hoje. Consta que, caso confirme o telegrama, o governo mandará repreendê-lo.
- O chefe de polícia e o comandante da Brigada conferenciam com o Presidente Epitácio
- RIO, 2 – O chefe de polícia, Dr. Geminiano França, e o comandante da Brigada Militar conferenciaram demoradamente com o Sr. Presidente da República, sobre as medidas necessárias no momento.
- O General Napoleão Aché parte para Belo Horizonte
- RIO, 2 – Para Belo Horizonte, partiu o General Napoleão Aché, nomeado comandante da 4ª Região Militar, em substituição ao General Setembrino de Carvalho.
- O General Celestino Bastos foi compulsoriado
- SUBSTITUI-O O GENERAL SETEMBRINO, NA CHEFIA DO ESTADO MAIOR
- RIO, 2 – Foi compulsoriado o General Celestino Bastos. Em vista disso, o governo baixou um ato exonerando-o da chefia do Estado Maior. Para substituí-lo, foi nomeado o General Setembrino de Carvalho, que assim deixa o comando da 4ª Região Militar.
- O banquete ao Dr. Feliciano Sodré
- RIO, 2 – O banquete no 'Assyrio', oferecido ao Dr. Feliciano Sodré, candidato oposicionista ao governo do Estado do Rio, realizou-se ontem. Falaram no mesmo os deputados federais Henrique Borges e Joaquim Moreira. O Dr. Feliciano Sodré leu a sua plataforma de governo.
- A bancada gaúcha solidária com o marechal Hermes
- RIO, 3 – A bancada gaúcha foi à residência do marechal Hermes apresentar-lhe solidariedade, no atual momento.
- O 'JORNAL DO COMMERCIO' VOLTA A TRATAR DO TELEGRAMA DO MARECHAL HERMES
- RIO, 2 – O 'Jornal do Commercio', em sua primeira 'avaria', diz que é necessário saber-se que o governo não está acéfalo, e que quem tem menos autoridade, no Brasil, para falar em intervenções estaduais, é o marechal Hermes, cujo quatriênio foi cheio de intervenções indébitas. No caso de Pernambuco, o governo não deseja tumultuar o reconhecimento de ação a prevenir, com cautela, o que o Clube Militar desejaria ver. Estados, para impedir a posse do reconhecido da República, estendendo sua influência. Tudo, porém, que se fizer para impedir a posse do Dr. Arthur Bernardes, só pode ser crime, atentado ou revolução. O marechal deve lembrar-se de que o Presidente da República tem autoridade para o censurar e prender, se for preciso.
- O GOVERNO MANDA FECHAR O CLUBE MILITAR “O Clube está se transformando em centro de indisciplina militar, agitação política e ameaça à ordem civil.”
- RIO, 2 – O governo mandou fechar o Clube Militar por seis meses. O decreto do governo, que recebeu o nº 15.543, consta de 13 considerandos, onde é exposto o ato de indisciplina do Clube. Termina o decreto por condená-lo à penalidade da suspensão, sem prejuízo do serviço especial de assistência. O governo diz que o Clube se está desviando dos fins dos estatutos, para intervir nas questões da política nacional, arrogando-se um direito que compete a cada um individualmente, mas não aos associados. Diz que o Clube se está convertendo num centro de indisciplina militar, agitação política, perturbação do sossego público, ameaça à ordem civil e coação das forças políticas da Nação!
- Exposição de produtos cearenses
- Quinta-feira próxima, realizar-se-á, provavelmente, no Teatro José de Alencar, a inauguração da exposição de produtos com que a nossa terra se fará representar no grande certame do Centenário. Todos que lá comparecerem apreciarão de perto o grau de inteligência do nosso povo e a riqueza excepcional de uma região tão martirizada pelo flagelo das secas. Produtos há de indústria cearense que honrariam qualquer dos grandes Estados da União. Rendas e bordados magníficos feitos à mão; chapéus que nada deixam a desejar, leques, etc. Há, bem atestam a rara habilidade das nossas patrícias. Estamos certos de que não se verá com indiferença o esforço quase sobre-humano empregado a fim de que o Ceará, no certame do Rio de Janeiro, possua um pavilhão digno do seu nome.
- O caso do roubo simulado
- As notas novamente colhidas na polícia pela nossa reportagem vêm confirmar nossa última notícia sobre o fato de haver o Sr. Zeferino Siqueira simulado um roubo em sua própria casa. Todos os dados que temos fornecido ao público sobre o caso são baseados no inquérito policial. O Sr. Delegado de Polícia adiantou-nos hoje as informações que se seguem: Das pesquisas que aquela autoridade realizou nos bancos desta capital verificou-se que o Sr. Zeferino é arredor de setenta contos de réis e setenta e dois mil réis. Acareadas que foram com o Sr. Zeferino, sua criada e sua filha de criação sustentaram ambas em toda linha os seus depoimentos. O Sr. Zeferino, por intermédio de seu advogado, requereu a desistência do prosseguimento da polícia ao caso do roubo, sob a alegação de querer agir só. Abstenhamo-nos de fazer comentários sobre o caso e entregamo-lo ao público. Sobre o assunto, o ilustre Delegado Dr. Belém de Figueiredo remeteu-nos a carta que a seguir publicamos: Fortaleza, 2 de Julho de 1922 Meu caro Andrade Furtado, Em uma edição do 'O NORDESTE' traz uma notícia sobre o roubo de quarenta e tantos contos de réis de que fora vítima o Sr. Zeferino Siqueira, de causa não muito adiantada. A verdade é que, se não houver retificação antes da vossa postagem que concorre para a desmoralização da fazenda local. Ao contrário de um sem-vergonha que é considerado um criminoso, o Sr. Zeferino não tem a vontade de simular de outro modo um irre- [...]. Nisto, o Sr. Zeferino, com profunda dignidade, pediu a vossa intervenção neste caso, com o objetivo de não haver mais ruído. 'Venda', farei sim o texto de [...]. Mas é o meu dever, como amigo, relatar todas as circunstâncias que não vi de interesse. Tudo isso é para o Sr. Delegado de Polícia e o Sr. Belém de Figueiredo, que se mostraram indiretamente. Uma vez que que impediu a visita e que deveriam ter o compromisso de [...]. Instituto de Colônia.
Anúncios, notas e expediente
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- Expediente Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza, Segunda-feira, 3 de Julho de 1922 NÚM. 4
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- Telegrama Independência. Dr. Biano de Medeiros.
- Telegrama [...]
- Nota social Escola Pio X Primeira comunhão dos alunos
- Nota social Quem já se deu ao trabalho de aprofundar o sentido íntimo desta frase: primeira comunhão de uma criança pobre? Jesus a visitar um homem é maravilha grande. Visitar, porém, uma criança fraca, ignorante, mal trajada, pior ainda, uma criança sem o verniz da educação, cheia de defeitos, de vícios, talvez. É que, como já disse um afamado orador nosso, para quem é grande descer é subir, humilhar-se é crescer. Deus, que é infinito, só baixando até nós pode exaltar e assim, entrando no coração do pobre filho do povo, eleva-se na proporção da distância que O separa do beneficiado. Tais eram as ideias que me atravessavam a inteligência, assistindo à edificante cerimônia da primeira comunhão dos alunos da Escola Pio X. Eram ao todo 104 primeiros comungantes, desde o pequenino de 6 e 7 anos, até o rapaz de 18 e 20 anos. Não envergavam o convencional traje branco, não empunhavam vela, não ostentavam laço de fita ao braço. Eram alunos de uma escola pobre, a viver de esmola. Mas aquela promiscuidade de roupa, de cor, de anos, de condição, mais me fazia admirar a beleza da Religião Católica, escola única de verdadeiro socialismo. Acrescentai aos 104 primeiros comungantes mais 310 renovantes e tereis o número elevado e consolador de 420 futuros católicos práticos, futuros cristãos decididos. Durante toda a missa entoaram os meninos piedosos cânticos, e o dedicadíssimo diretor Frei Marcelino de Milão alternava-os com os atos para antes e depois da comunhão, recitadas compassada e piedosamente. Nada deixou a desejar o comportamento dos alunos, preparados ao grande ato em piedoso retiro de 3 dias pregado por Frei Marcelino. Todas as manhãs, às 5 horas, havia missa no edifício da Escola, seguindo-se a primeira prática; às 6 e meia da noite, tinha lugar a segunda prática. A Escola, graças aos seus generosos benfeitores, pôde fornecer roupa a 110 alunos dos mais necessitados. Preparou-lhes mais uma abundante refeição de café e biscoitos, distribuiu-lhes preciosas lembranças em santos, medalhas e escapulários. Foi uma festa altamente simpática e de grande alcance religioso, social e moral para os filhos do povo de nossa católica Fortaleza.
- Nota social MATRIZ DO PATROCÍNIO A festa do Sagrado Coração de Jesus
- Nota social Anteontem, tiveram fim, na sóbria e elegante matriz do Patrocínio, os exercícios que se vinham ali fazendo em honra do Sagrado Coração de Jesus, a cujo piedoso e imaculado culto era dedicado o mês de Junho transato. Desde o seu início, aquela matriz, que entre as nossas igrejas se destaca pela simplicidade artística de suas linhas arquitetônicas, afluíam, numerosos, os fiéis, tocados, na humildade de seus corações, pelo desejo ardente de venerar o símbolo da bondade, da justiça e da perfeição, eminentemente cristãs. Para maior brilho e realce das festas tributadas ao Coração de Jesus, distintas senhoritas do escol de nossa sociedade, dando mostras de radicados sentimentos religiosos, espontaneamente constituíram um coro, cuja direção foi confiada à competência e comprovado senso artístico da Sra. Dra. Meton de Alencar, pianista exímia e que, agora, se acaba de revelar não menos hábil organista. Várias foram as músicas sacras, dos mais reputados autores, executadas por esse coro, a cuja harmonia das vozes sonoras e aveludadas, as notas reboavam pelo templo em ondas de sons veludosos, plangentes, arrebatando em místicas contemplações as almas dos crentes prostrados. O coro de Santa Cecília, como ficou denominado, compunha-se das seguintes senhoritas: Yayazinha e Maria da Glória Figueiredo, Maria Júlia Rocha, Rita, Carolina, Esther e Laura Campos, Maria e Sophia Marinho, Marielú, Edina e Zulilha de Arruda, Alda e Lygia Ribeiro, Aracy Câmara, Chloris Moraes, Sinhá Almeida e Nina Mesquita. Assim, foi o Coração de Jesus, no Patrocínio, digna, brilhante e solenemente homenageado.
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