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O Nordeste
Julho de 1922 · 47 trechos transcritos
Manchetes desta página
- O levante no Estado de Mato Grosso CIRCUNSTANCIADA NOTÍCIA A RESPEITO O fato em virtude do fracasso da rebelião daqui. O "Jornal do Comércio", em sua edição de hoje, referindo-se aos acontecimentos, aconselha o general Clodoaldo, como aos demais oficiais descontentes, o único caminho que têm a seguir: pedir demissão do Exército, por não poderem cumprir o juramento de obedecerem às autoridades constituídas do governo federal, pelo general Abílio de Noronha, comandante da 2ª Região Militar, com sede em São Paulo. Ciente do movimento de Mato Grosso, o general Abílio de Noronha comunicou imediatamente ao Presidente da República, que o autorizou a tomar as providências. Foram as seguintes forças, comandadas pelo Coronel Luís Furtado, comandante do 4º Batalhão de Caçadores: 4º Batalhão de Caçadores, com quatro estafetas, uma bateria do 4º Regimento de Artilharia Montada e o 2º Batalhão da Força Pública de São Paulo. Essas forças embarcaram sob bordo, em trem especial da E. F. Sorocabana, com destino a Araçatuba e Bauru, no Rio Paraná, onde estacionaram estrategicamente. O general Clodoaldo da Fonseca, antes de partir para Campo Grande, lançou uma proclamação aos povos na qual dizia que não foram ouvidos os apelos insistentes do governo para conseguir a paz da República. Segundo comunicação recebida pelo general Noronha, o 2º Batalhão de Caçadores não aderiu ao movimento revolucionário, continuando os seus oficiais e soldados fiéis ao governo. Com as acertadas providências tomadas pelo comandante da Região Militar de São Paulo e pela administração da E. F. Noroeste, o general Clodoaldo da Fonseca ficou com a sua diminuta força, preso em Mato Grosso, de onde não poderá sair.
- PREGAÇÃO A fé sem obras é morta. Não precisava, dizia o orador, citar texto sagrado, pois a razão e a lógica bastam para sustentar este conceito. Uma ideia, um sentimento que não se concretiza num ato externo, são estéreis. É próprio do homem provar com ações o que lhe vai dentro. Demais, o Evangelho não é somente uma soma de verdades impostas à nossa fé, mas um código de leis promulgado para nossa vida prática. Deve ser, pois, nossa fé, não só racional, mas operosa. 1ª Parte Cita o orador os obstáculos à operosidade de nossas crenças. O amor desordenado de riquezas, amor efêmero, porque o ouro é menos pessoal que um traço de beleza. Compara o orador a uma luxuosa vestimenta que teremos de despir quando formos para o leito extremo, para o sono derradeiro. Houve homens a quem a sede de ouro fez chorar, às ribas oceânicas, porque não lhes restava mais mundos a conquistar. Deus, porém, quando os atirou na poeira da história, não lhes reservou mais que o gelo do túmulo para leito fúnebre. Só a virtude sobrenatural, inspirada pela fé, é inseparável de quem a cultiva. Cita ainda, como impecilho à fé operosa, a ânsia desordenada pelas posições sociais. Não condena as posições elevadas, conquistadas pelo valor, pelo mérito; combate, porém, a ânsia incontida de alcançar que esteriliza a crença, enluta as famílias, ensanguentando a história. Mostra este desejo de posições, impotente até para encher o coração. De Salomão ao último dos monarcas, a vaidade das grandezas foi e será sempre a melancolia particular delas. "Ninguém pode servir a dois senhores". Enfim, o amor sensual, tornando-nos egoístas, é o terceiro e mais forte dos obstáculos da negação precisa para que a crença seja ativa e fecunda. 2ª Parte Mostra o orador a necessidade de tomar nossa fé para ser evangélico. Para a regeneração, Cristo não se contenta com as alegrias de Belém, os louvores das multidões. No Horto, deixa-se nos braços de uma Cruz, dando aos Magdalenas. Não somente os perfumes da sala do festim, são precisas todas as agonias do Calvário; para o perdão de Dimas, foram indispensáveis uma profissão de crença e as dores todas de um patíbulo. O católico deve ser, pois, um reacionário contra tudo que esteriliza e mata a fé. Deve bater à porta ao romance imoral que tira o pudor das donzelas; ao jornal infame que pregoa o crime, ataca a religião, propagando a desordem; ao cinema obsceno, escola de bandidos; ao jogo, charco onde apodrecem as honras; ao boi onde se mercadejam as consciências; às festas ruidosas.
- Contratos O Sr. Joaquim Deodato Martins comunicou-nos que admitiu como seu sócio solidário no comércio de exploração de sal nas salinas de sua propriedade no Rio Ceará, neste Estado, o seu filho Adriano de Castro Martins, ficando legalmente constituída, conforme contrato arquivado na Junta Comercial, a sociedade mercantil, sob a razão social de JOAQUIM DEODATO.
- Selos & Cupons O 1º Batalhão de Infantaria, aquartelado em Cuiabá, entrou em correspondência com o Ministério da Guerra, iniciando a repressão do movimento. O governo conseguiu dominar completamente o movimento, restituindo o Estado de Mato Grosso à normalidade.
- Cartaz indecente e acintoso Um antro de libertinagem Quem quer que passe pela Praça do Ferreira, centro principal da vida urbana, há de, forçosamente, notar, em tintas berrantes, um cartaz imoralíssimo, que faz reclame da sujeira moral que é um tal Bar Cearense. Nesse convite acintoso à mocidade incauta, a polícia ainda não descobriu o grande perigo que o mesmo deixa transparecer. O Bar, ao que nos informam, é uma casa de vício e perdição, onde jogadores, bêbados e mulheres airadas se entregam a uma verdadeira bacanal. Que a polícia, zelosa no cumprimento dos seus deveres, retire, quanto antes, da Praça do Ferreira o cartaz indecente e, para bem da moral e das famílias, tranque as portas do centro de libertinagem que é o referido Bar.
- Hoje, recebemos reclamação e queixas justíssimas de distintos cavalheiros residentes no bairro Jacarecanga, narrando-nos as desordens praticadas pelos sambadores de todos os dias. Disparos de revólver, gritos, palavras indecorosas estão a perturbar constantemente o sossego dos lares, que, em má hora, se acham localizados às proximidades do terrível antro. Tal indecência, verdadeiro insulto às famílias de Fortaleza, não pode persistir. Urge a ação enérgica da polícia.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O NORDESTE, Quinta-feira, 13 de Julho de 1922
- Telegrama TELEGRAMAS RIO, 12. [...] completamente sufocada. [...] O general Abílio de Noronha [...]
- Telegrama O resultado do pleito no Rio. [...] ao coronel José Alvarenga.
- Telegrama Rio. Para Niterói. [...]
- Telegrama Rio, 12. Está assentado que a vice-presidência da República caberá ao Dr. Estácio Coimbra ou ao Dr. Justiniano de Serpa.
- Telegrama Rio, 12. Um grupo de sargentos do Exército prendeu, ontem, em Pavuna, no Estado do Rio, na fronteira do Rio com Mato Grosso. [...]
- Telegrama RIO, 12. O Sr. Raphael Artzaga, novo ministro do Equador, entregará, hoje, ao Presidente da República, as suas credenciais.
- Telegrama RIO, 12. Corre que o Senado interpretará a carta do Sr. Nilo Peçanha como uma renúncia do seu mandato de senador, visto como, renunciando ele às imunidades inerentes ao cargo, tem, de fato, renunciado ao mandato.
- Telegrama RIO, 12. O Dr. Borges de Medeiros telegrafou ao deputado Carlos Pennaforte, mandando-o declarar, da tribuna da Câmara, que se havia desligado de qualquer compromisso com a dissidência, condenando os processos subversivos da ordem pública. O Dr. Borges de Medeiros, no mesmo telegrama, destitui o J. Octávio Rocha das funções de líder.
- Telegrama A ELEIÇÃO FLUMINENSE RIO, 12. "O Combate" ataca os deputados Luís Guaraná e Norival de Freitas, por terem, apesar de oposicionistas, protegido a eleição do Sr. Raul Fernandes.
- Telegrama RIO, 12. Chegou, ontem, o corpo embalsamado do engenheiro Álvaro Chaves, que estava em Londres estudando por conta do governo.
- Telegrama RIO, 12. A bordo do "Mália", embarcou para a Europa o Dr. Alcebíades de Castro, diretor da Faculdade de Medicina, que vai tomar parte nos trabalhos da Liga das Nações.
- Telegrama Outros militares presos RIO, 12. Foram presos, ontem, os seguintes militares: capitão Rubem Silveira, tenentes Aníbal Escobar, Arthur de Souza Figueiredo, Arcy Nobreça, capitão Leopoldo Nery da Fonseca, tenente Estácio Cato de Albuquerque e Thales Villas Boas e major Carlos Alencourt de Oliveira.
- Telegrama O federalismo gaúcho organiza-se RIO, 12. Os chefes do federalismo gaúcho estão cogitando da organização de novo diretório. Está assentado que disputarão a presidência do Estado, contra o Sr. Borges de Medeiros, apresentando, talvez, a candidatura do general Fábio Azambuja, atual comandante daquela região militar.
- Telegrama Manifestação de oficiais RIO, 12. Os oficiais do Estado-Maior fizeram, ontem, uma manifestação ao médico do Exército, Rabello Pestana. Os manifestantes entregaram-lhe as platinas de major, posto a que foi recentemente promovido.
- Telegrama A Câmara baiana e os últimos acontecimentos BAHIA, 12. Na Câmara estadual, um deputado apresentou uma moção nos seguintes termos: "A Câmara dos Deputados reafirma a sua inteira solidariedade com o Dr. J. L. Seabra, benemérito governador efetivo da Bahia, e faz votos pela manutenção da ordem pública em todo o País". O deputado Raphael Spínola apresentou uma moção de aplausos ao presidente Epitácio, que não foi julgada objeto de deliberação. O Senado estadual aprovou também uma moção semelhante à da Câmara. O deputado Cosmo Farias requereu a transcrição nos anais da Câmara, da carta do Sr. Nilo Peçanha, não renunciando às imunidades parlamentares.
- Telegrama Sobre a sedição de Mato Grosso BELO HORIZONTE, 12. Sobre a sedição de Mato Grosso, o órgão oficial publica o seguinte telegrama: "Rio, 11. O general Clodoaldo da Fonseca, inspetor da circunscrição militar de Mato Grosso, como se sabe, sublevou parte da guarnição daquele Estado. Avisados, o governo paulista e o federal mandaram tropas, no total de 3 mil homens, ao seu encontro. O general Clodoaldo desistiu, porém, de prosseguir na luta, entregando as armas e dizendo que [...]"
- Telegrama RIO, 12. O tenente Bento Ribeiro desmente que tenha tido qualquer participação no movimento sedicioso do dia 5, contra o governo da República.
- Telegrama Felicitações ao Dr. Epitácio RIO, 12. A firma Pereira Carneiro dirigiu um telegrama ao presidente Epitácio, felicitando-o. [...]
- Telegrama Oficiais presos RIO, 12. Foram presos o capitão Godofredo Vasconcelos e os tenentes Armando Mexia e capitão Newton Braga, todos pertencentes à Escola de Aviação, e implicados no movimento revoltoso.
- Telegrama Nomeado RIO, 12. O major Affonso Faria Simões foi nomeado chefe da 2ª divisão do Departamento Central do Exército.
- Telegrama A vice-presidência da República Rio, 12. O "Correio da Manhã" afixa o seguinte resultado do pleito presidencial fluminense: Dr. Raul Fernandes, 20.146 votos. Dr. Feliciano Sodré, 11.431 votos.
- Telegrama Um coronel preso por sargentos.
- Telegrama A sedição de Mato Grosso inteiramente dominada Rio, 12. Seguiram, ontem, para Niterói, três companhias de metralhadoras, o 1º batalhão de caçadores e o 1º grupo de artilharia montada, que acantonará na ponte da Armação.
- Telegrama RIO, 12. Está completamente abafada a sedição de parte da guarnição militar de Mato Grosso, capitaneada pelo general Clodoaldo da Fonseca. Este, intimado a entregar-se à prisão pelo general Abílio Noronha, comandante da Região de São Paulo, não resistiu. Foram tomadas, pelo governo, outras providências a respeito.
- Nota social ECOS A propósito da nossa local, o Sr. Jorge Araripe enviou-nos uma carta, que, por acúmulo de matéria, não podemos publicar hoje. [...]
- Nota social Cremos, informam ainda que o governo federal expediu. [...] de funcionário da Rede de Viação Cearense, encontrada nas ruas desta capital.
- Nota social A gentil menina Cecy Peixoto Guedes ofereceu-nos [...] para a Obra da Seda Infantil.
- Nota social Ao mesmo tempo, do frade Mato. A interessante Beatrizinha, filha de nosso amigo Francisco Batata da Silva.
- Nota social O Sr. Joaquim Deodato Martins comunicou-nos que admitiu como seu sócio solidário no comércio [...]
- Nota social O Sr. Randolpho Serrano Berena enviou-nos cumprimentos e votos de felicidade pelo aparecimento d'"O Nordeste". Agradecidos pela delicadeza.
- Nota social O nosso amigo, Sr. Leoncio Magno de Canindé, dirigiu-nos o seguinte postal, fineza à qual nos confessamos gratos: "Aos ilustres jornalistas Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues, dignos redatores d'"O Nordeste", novo diário de orientação católica, apresento os meus sinceros parabéns pela feição atraente que deram ao nosso paladino da imprensa cearense e ao qual desejo vida longa." O postal aludido estampa a vista geral de Canindé, salientando-se a rica basílica de São Francisco. Nos quatro ângulos figuram os retratos de Sua Eminência o Cardeal Arcoverde, Dom Manuel, Dr. Epitácio Pessoa e Dr. Justiniano de Serpa. No alto veem-se as armas do Ceará e as datas 1822-1922, seguidas dos seguintes dizeres: "Canindé Comemorando o 1º Centenário da Independência do Brasil". É um trabalho finíssimo, mandado executar na Alemanha pelo [...]
- Nota social A pequena Cecy Peixoto Guedes enviou-nos 40 entradas da Exposição para a Santa Casa de Misericórdia. Da excelentíssima Senhora Jacintha d’Oliveira Paiva recebemos 20 entradas da Exposição em benefício da Santa Casa de Misericórdia.
- Nota social Visitantes Fez-nos uma visita pessoal o distinto [...] jovem João Cruz Ata.
- Nota social RELIGIÃO Matriz do Carmo.
- Anúncio A CASA PARENTE Convida a sua distinta freguesia a fazer uma visita à exposição de saldos, os quais serão vendidos a preços de ocasião. [...]
- Nota social Aniversários O ilustre Dr. Alcides Medrado, inspetor e excelente professor do Liceu do Estado.
- Telegrama Credenciais [...]
- Nota social Viajantes João Cruz de Alencar, [...] seguiu com [...] ao procurador do Estado e uma família.
- Anúncio Recital A Filó, a qual manterá nesta capital, à Rua Major Facundo, 102, um escritório para todas as suas transações.
- Nota social Recital [...] o recital de [...] ao piano particular do excelentíssimo Sr. Dr. Justiniano de Serpa, em comemoração ao seu aniversário. O repertório primoroso, de peças de elevado valor, representou as altas escolas. A aplaudida virtuose é, realmente, uma organizadora perfeita de orquestra, até dominadora da difícil arte. Ao piano, ela tocou com perfeito domínio, evocando a vida e a morte, o tema, e a paixão. Foi muito justo o entusiasmo com que a assistência aplaudiu a jovem virtuose, cuja atuação foi um triunfo. Ao piano, o acompanhamento foi a maestrina Didi Santos de Castelo Branco, por impecável domínio, dignos elogios. Após o recital, organizaram-se modas e danças. Aos presentes foram unidos brindes de flores e muito [...]