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O Nordeste
Julho de 1922 · 23 trechos transcritos
Manchetes desta página
- CIRCULAR Aos Revdmos. Párocos e mais Sacerdotes da Arquidiocese da Fortaleza. Sr. Presidente do Estado, e possa cumprir sua árdua missão o Ilmo. sr. Professor Lourenço Filho, Diretor Geral da Instrução Pública, é necessário que possam contar com a boa vontade de todos e com o auxílio daqueles que de qualquer maneira podem cooperar para a reforma da instrução. Entre estes últimos está incontestavelmente o Clero cearense, não só pela influência que exerce entre o povo, mas pelo amor que sempre tem mostrado à instrução, que muito lhe deve no Ceará. Por isso, parece ser desnecessário recomendar aos Revdmos. Sacerdotes da Arquidiocese da Fortaleza que prestem seu concurso ao Ilmo. sr. Professor Lourenço Filho, não só auxiliando-o a organizar nas várias freguesias o cadastro escolar, mas ainda tomando parte nas comissões municipais, fazendo propaganda da matrícula espontânea nas escolas e velando para que os meninos de suas paróquias frequentem as aulas. Assim fazendo, prestará o Revd. Clero um relevante serviço ao Ceará, cumprindo ao mesmo tempo um dos deveres de nosso ministério sacerdotal. Fortaleza, 25 de Julho de 1922. + Manoel, Arcebispo Metropolitano da Fortaleza.
- [...] o ilustre engenheiro, dr. E. Velloso, em artigo sugestivo de apelo ao governo do Estado, em favor da conservação das estradas de rodagem, construídas pela Inspetoria de Obras Federal Contra as Secas, são sobremaneira eloquentes e reclamam a atenção do Chefe do Executivo Cearense e da Assembleia Legislativa para problema de tão real interesse coletivo. Não é concebível que os 550 quilômetros de estradas, em boas condições técnicas, já terminados e perfeitamente trafegáveis, fiquem expostos ao abandono e à ruína, quando constituem um benefício de alto alcance para esta terra pobre e sujeita às duras provações das crises climatéricas. As vias de comunicação representam, como se sabe, eficazes fatores de progresso. Cumpre ao Estado zelar pela sua conservação, o que redunda, aliás, em proveito indiscutível das próprias rendas públicas. Extraordinário serviço ao Ceará poderia, ainda, prestar o governo, se, para facilidade de transportes, mandasse construir pontes sobre os rios, nas passagens dos caminhos de concorrido trânsito, já que não é possível aumentar a rede de estradas de rodagem, e cortar o interior de vias de transportes. As pontes tornariam os quilômetros de estradas carroçáveis, atualmente em tráfego, verdadeiras artérias comerciais. Esperamos que o governo do Estado volte suas vistas para este assunto, de tão alta importância para a prosperidade da nossa terra.
- Telegramas DO PAÍS O deputado Mario Brant responde ao sr. Carlos Pennafel Um paralelo entre Minas e o Rio Grande RIO, 25—Na Câmara, o deputado mineiro Mario Brant respondeu a um discurso pronunciado, há dias, pelo deputado gaúcho Carlos Pennafel, e no qual há conceitos depreciativos do valor moral, econômico e social de Minas. O orador diz que o sr. Pennafel declarara que cabe a Minas a responsabilidade do assassínio de Pinheiro Machado, e contesta energicamente essa asserção leviana. Ainda afirmara o orador gaúcho que a população do seu Estado cresce mais rapidamente do que a mineira, que a porcentagem do analfabetismo é menor no Rio Grande do que em Minas e, finalmente, que o riograndense, considerado como homem econômico, produz por três mineiros. Mario Brant analisa e contesta, um por um, os itens do discurso do líder gaúcho. O orador demonstra que a arrecadação do Rio Grande depende, na maior parte, das populações do Rio da Prata, de Santa Catarina, do Paraná e de Mato Grosso. Mas, se tomarmos este critério para base das avaliações, então chegaríamos ao absurdo de que o Amazonas ocuparia o terceiro lugar entre os Estados de maior valor econômico, ao passo que Minas ficaria no décimo nono. As únicas classes de renda— continuou o financista mineiro— que podem ser comparadas, para tais cálculos, são as arrecadadas pelas coletorias. E, assim, veríamos que o Rio Grande contribui anualmente, com UM milhão de contos, e Minas com TRÊS milhões e quinhentos mil contos.
- A Câmara e o monumento a Santos Dumont RIO, 25 - O deputado Ephigenio Salles apresentou um projeto, na Câmara, mandando que o governo erija um monumento a Santos Dumont, abrindo, para isso, os necessários créditos.
- Falou o sr. Torquato Moreira: o sr. Seabra não recebeu a carta do deputado Mario Hermes RIO, 25—O deputado Torquato Moreira, líder da bancada baiana, contestou, da tribuna da Câmara, que o governador Seabra houvesse recebido a carta do deputado Mario Hermes. Endereçou S. S. um apelo ao deputado Bittencourt Filho, para que este desse divulgação à carta, de modo a que a bancada baiana pudesse responder às acusações que na mesma se contêm. O sr. Bittencourt Filho respondeu, dizendo que a carta fora registrada no correio, sendo certamente extraviada. Assim, ia pedir autorização ao sr. Mario Hermes para lê-la, da tribuna da Câmara.
- Continua dissidente... RIO, 25—O sr. Mendes Leme, político carioca e ex-deputado [...], declarou que acompanhou a dissidência desde agora, mas que recusa o apoio dado ao novo estado de coisas.
- As eleições municipais RIO, 25—No Conselho Municipal, o sr. França Leite apresentou uma indicação pedindo que a mesa mande adiar as eleições municipais.
- O SR. SAMPAIO CORREIA - CHEFIARÁ A ALIANÇA RIO, 25—Há todas as probabilidades de que o senador Sampaio Correia venha a chefiar a Aliança Republicana, dadas as incompatibilidades do senador Paulo Frontin.
- A independência argentina RIO, 25—Entrou, hoje, neste porto, o cruzador «Barroso», que representou o Brasil nas festas do aniversário da Independência da Argentina.
- A mensagem do presidente, em favor das vítimas da sedição RIO, 25—Foi lida, na Câmara, a anunciada mensagem do presidente da República, solicitando medidas para amparar as famílias dos oficiais e praças, mortos na defesa da legalidade.
- A tentativa de sedição em Niterói RIO, 26—Foi remetido à 5ª circunscrição militar o processo a que responde o major Achilles Mariano, que tentou revoltar a força federal de Niterói.
- Moção do congresso mineiro RIO, 26—O Congresso estadual de Minas votou uma moção de solidariedade com os presidentes Epitácio e Bernardes.
- Santos Dumont, o pai da navegação aérea RIO, 26—Santos Dumont partirá de Paris para esta capital, na próxima semana. Segundo notícias dali enviadas, o aviador brasileiro ofereceu, no Palácio dos Embaixadores, um jantar aos seus admiradores. Falaram Dumont e Plandin e Besançon, presidente e secretário do Aero Club de França, os quais lhe chamaram «pai da aviação».
- A exportação de algodão, café e açúcar para a França RIO, 26 – Várias firmas estabelecidas no Havre entraram em combinação com o consulado brasileiro, a fim de negociarem diretamente com os exportadores brasileiros de café, açúcar e algodão, estabelecidos no Rio, Santos e Recife.
- Ajudante de ordens RIO, 26—O tenente Luís Barbosa foi nomeado ajudante de ordens da 3ª Região Militar.
- Diretor da Usina de Asfalto RIO, 26—O prefeito Ortolani Sampaio nomeou o engenheiro [...].
- Sobre o tempo progressista e [...]. O que é [...] frutos... Operou a longo [...]. O inc. Souberam desprender [...] dos lábios do [...]. Não se nos [...] argumento, [...] do tribuno egre. [...] de seguir a [...] Lopes a humildade. E o semblante [...] evangélica. A bondade de Sua [...] pela terra. Dom Antônio de [...]: nasceu em São Campos, no Estado [...] e Outubro de [...]. Bispo de Tabas [...]. 1907, sendo [...] para [...] com direção [...] Novembro de 1918 para a Arquidiocese, cujas províncias são Penedo e Sergipe. D. Manuel Lopes, um Prelado de [...]. Fundou o semanário «O Semeador», depois em Maceió, promoveu notável surto de [...] diocese. Sua saúde precária, os [...] múnus episcopal exigiu-lhe atos heroicos, assim, um exemplo de virtudes apostólicas. Este rende, nestas linhas, homenagem de junto à memória do [...]. E significa o seu pe. Metropolitano. 27. Faleceu D. Manuel Lopes em Maceió. Deu-se às [...] profunda consternação [...] e admiravam [...] o digno Prelado. 27 - Sabemos será às [...] horas o enterramento de Manuel Lopes, saindo da igreja da Sé onde [...].
- Extraordinária Estátua a Rui Barbosa [...] que quer [...] empréstimos.
- Jubileu da Porciúncula É uma indulgência plenária aplicável às almas do Purgatório, como todas as indulgências pontifícias, que se pode lucrar no dia 2 de agosto, tantas vezes quantas se cumpram as condições requeridas. Essas condições são de três espécies: atos, tempo e lugar. Atos.—São a confissão, a comunhão e a visita a uma igreja determinada. A confissão pode ser feita desde o dia 25 de julho, até o dia 9 de agosto; a comunhão, porém, desde 31 de julho até 9 de agosto. As pessoas que costumam confessar-se ao menos duas vezes por mês, e comungam diariamente, posto que um dia ou outro na semana deixem de comungar, não precisam de fazer uma confissão especial para ganhar a indulgência da Porciúncula. A visita consiste em entrar na igreja em que se haja de ganhar a indulgência e ali demorar-se em oração por algum tempo. Não vale por visita a ida à igreja por motivos outros, como admirar a ornamentação e estrutura do templo, ou apreciar a concorrência dos fiéis. Também não é a visita requerida ir à igreja para ouvir a missa dominical, onde não haja outra igreja onde se possa cumprir o preceito, porque então essa visita seria obrigatória em virtude do preceito de ouvir missa no domingo. Podem os confessores comutar em outras obras a visita à igreja, em favor das pessoas legitimamente impedidas. As preces, que ficam à escolha de cada um, se hão de fazer na intenção do Sumo Pontífice, o qual é, em geral, a paz entre os príncipes cristãos, a extirpação das heresias e a exaltação da Santa Madre Igreja. Mas, quanto coligir-se pode do Motu Proprio de 9 de junho de 1919, devem os fiéis orar pelo mesmo Sumo Pontífice, pelos Ministros do Santuário e por toda a Igreja militante. As preces podem ser feitas em comum e alternadamente, quando várias pessoas fazem a visita coletivamente. Não valem como preces para ganhar a indulgência, orações impostas por outro motivo, como a penitência sacramental, a recitação do breviário ou a celebração da Missa pro populo. Os mudos ganharão a indulgência, fazendo a visita e acompanhando as orações dos outros, em espírito ou orando mentalmente. Tempo.— O tempo útil para nele se lucrar a indulgência é o de meio-dia de 1º de agosto à meia-noite de 2; ou de meio-dia de sábado, à meia-noite de domingo, quando para o domingo seguinte tiver sido pelo Ordinário transferida a Porciúncula. Quem não tiver podido confessar-se até o dia 2 de agosto, fará a visita nesse dia, e a confissão e comunhão, em algum dos oito dias seguintes. As pessoas que ganharam a indulgência no dia 2, não a lucrarão de novo no domingo para a qual tenha sido transferida em outra Igreja. Lugar.— São lugares próprios para ganhar-se a Porciúncula, as igrejas dos franciscanos, mas pode o Ordinário estender o privilégio a outras capelas de comunidades religiosas e oratórios. O exmo. sr. Arcebispo Metropolitano determina todas as Matrizes da Arquidiocese nesta capital; além das Matrizes, as Igrejas da Prainha, do Sagrado Coração de Jesus e a do Pequeno Grande; as capelas da Santa Casa e das Irmãs Doroteias, para as pessoas de casa. Padre Antônio Tibau, Vigário Geral. Fortaleza, 21 de julho de 1922.
- GOVERNO ARQUIDIOCESANO O diretor da Instrução Pública dirige um apelo ao Chefe da Igreja Cearense RESPOSTA E A CIRCULAR DE S. EXC., ao chefe da Arquidiocese O diretor da Instrução Pública existentes, já acoroçoando a pública, dr. Bergström Lourenço Filho, acaba de dirigir ao exmo. sr. D. Manuel, Arcebispo Metropolitano, criterioso ofício, solicitando o apoio de Sua Excia. e do Clero para a grande empresa da reforma da instrução pública do Ceará. Eis, na sua íntegra, o documento aludido: «DIRETORIA GERAL DA INSTRUÇÃO PÚBLICA A frequência às aulas. Conforme o Exmo. Sr. Presidente do Estado denunciou, em mensagem à Assembleia do Estado, o Ceará tem o aparelho escolar menos eficiente do mundo, por falta da frequência regular às aulas. O Clero poderá também muitíssimo nesse ponto. E, tanto assim o entendemos, que a ele pediremos apoio direto, mais tarde, com a constituição dos conselhos municipais de educação, onde se reserva um lugar ao vigário da localidade. Filho de outro Estado, como somos, mas amando como brasileiro a heroica terra cearense; tendo vindo até aqui, não por ideia de lucros materiais, ou interesses menos dignos, mas por amor à grande Pátria comum; e conhecendo também, de longa data, as excelsas virtudes do coração do chefe da Igreja no Ceará, é que nos animamos a tornar a atenção de Vossa Excia. Revdma., a quem pedimos escusas, ao mesmo tempo que apresentamos os protestos da mais alta estima e consideração. Bergström Lourenço Filho Diretor Geral. O exmo. sr. D. Manuel dirigiu ao Diretor da Instrução Pública a resposta que abaixo estampamos, seguida da patriótica circular que foi expedida por Sua Excia. a todos os Vigários desta Arquidiocese: Fortaleza, 25 de Julho de 1922. Ilmo. sr. Professor Lourenço Filho, D. D. Diretor Geral da Instrução Pública. Recebemos o ofício, com que V. S. se dignou comunicar-nos ter sido reinstalada a Diretoria Geral da Instrução Pública no Ceará, e nos pedia recomendássemos ao Revd. Clero da Arquidiocese da Fortaleza que, com sua incontestável influência, cooperasse na reforma tão necessária da instrução pública entre nós. Com grande prazer podemos afirmar a V. S. que encontrará nos Sacerdotes cearenses preciosos auxiliares, pois consideram como um dever de seu ministério a propagação da instrução, continuando assim a gloriosa tradição que herdaram dos que os precederam no Sacerdócio católico. Assim, em várias paróquias, funcionam escolas gratuitas, exclusivamente mantidas pela atividade e pela influência dos vigários. Correspondendo aos desejos de V. S. e de muito bom grado, enviamos aos Revdmos. Sacerdotes da Arquidiocese da Fortaleza uma Circular em que lhe recomendamos cooperem com V. S. na obra patriótica a que se propõe, o que de certo farão satisfeitos, pois se trata de uma obra que consideram como de seu próprio ministério. Desta Circular enviamos a V. S. uma cópia autêntica.
Anúncios, notas e expediente
- Telegrama É grave a situação política da Polônia VARSÓVIA, 24 – O desentendimento entre Korlanty, chefe do gabinete, e o presidente da República, ameaça degenerar numa guerra civil. O partido radical, chefiado pelo presidente da República, está disposto a lutar, enquanto os nacionalistas têm a supremacia no parlamento. Diz-se que o presidente dissolveu o Congresso, mas este não se sujeitará ao ato por considerar-se o representante genuíno da Nação, e forçará o presidente a [...].
- Telegrama NUM. 28
- Expediente Nordeste Nunca erramos o caminho da felicidade, quando nos guiamos pelo itinerário da virtude. MARQUEZ DE MAHICA ANNO I Redação: drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza-Quinta-feira, 27 de Julho de 1922 NUM. 25