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O Nordeste

Agosto de 1922 · 19 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • GOVERNO ARQUIDIOCESANO [...] com as Conferências do Circular Dom Manoel da Silva Gomes, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Arcebispo Metropolitano da Fortaleza. Tendo de se realizar no Rio de Janeiro, para comemorar o primeiro Centenário da Independência do Brasil, um Congresso Eucarístico, e convindo que essa comemoração, tão de acordo com os sentimentos da grande maioria dos brasileiros, tome o caráter de nacional, recomendamos que todas as Ordens Religiosas, congregações, colégios, Irmandades, associações e instituições católicas desta Arquidiocese, desde já enviem ao referido Congresso sua adesão. Para melhor ordem, enviem essas adesões para serem encaminhadas pela Secretaria Eclesiástica. Recomendamos a todas as associações pias, e aos fiéis em geral, que façam ardentes preces a Deus pelo bom êxito desse Congresso, do qual muito bem poderá advir para nossa amada Pátria. Fortaleza, 28 de julho de 1922, + Manoel, Arcebispo Metropolitano da Fortaleza.
  • E, se o governo quer funcionários zelosos, como é natural, é óbvio que deve pôr em dia os pagamentos do Estado, não só quanto aos deste ano, ainda em atraso de três meses, mas igualmente quanto aos dois meses de 1920, até agora não saldados. E, com esta providência, estaria de todo regularizada, a contento seu, dos que para ele trabalham e de todos em geral, a vida administrativa do Estado.
  • O sr. dr. Serpa e a “defesa da honra do Ceará” Ao zelo do correspondente político do «Diário do Ceará», deve o público desta terra o conhecimento dos trechos mais interessantes do discurso proferido pelo sr. Presidente do Estado, ao agradecer a manifestação que lhe promoveram os membros do poder legislativo cearense. Por motivos com que não atinamos, a imprensa local manteve religioso silêncio sobre essa peça oratória. Essa conspiração é tanto mais de estranhar, quanto, em geral, as manifestações públicas do pensamento do sr. dr. Serpa são invariavelmente acompanhadas de elogios sistemáticos dos seus amigos, ou atacados, por princípio, por seus adversários, mesmo quando elas se limitam às cortesias banais a que se veem obrigados os chefes de governo. Desta vez, no discurso do dr. Justiniano de Serpa, não temos somente a admirar os rasgos de eloquência do tribuno empolgante que abriu caminho na vida pública a golpes de palavras e de talento. Os tópicos do discurso, ultimamente divulgado, encerram ideias que seriam comuns em um jornalista desabusado; merecem, porém, os mais lisonjeiros comentários, por partirem do cidadão que enfeixa a maior soma de responsabilidade no momento político cearense. Na oração, em que agradeceu as acostumadas ”provas inequívocas de solidariedade" da Assembleia Estadual, não se limitou S. Excia. às referências de praxe à harmonia dos dois importantes poderes públicos, aos apelos vagos e insignificantes para que continue cada vez mais perfeito o entendimento entre S. Excia. e os nossos Licurgos, e a outras banalidades que o público não mais lê nem ouve com atenção, porque, à força de serem repetidas, o são sem sentimento. Entre outros trechos, o que mais nos feriu a atenção e, estamos certos, há de causar profunda sensação no espírito público, tal a gravidade das asserções corajosas e patrioticamente emitidas: "Ela (a política de conciliação) nos permitirá resolver, intra muros, todas as nossas questões internas. É preciso acabar com o hábito, em tudo contrário à essência do regime e da própria nobreza do Estado, de ir tatear lá fora a solução dos nossos casos políticos. Trinta anos de prática do sistema nos deverá ter ensinado a procurar em nós mesmos a inspiração e conselho de unidade e sabedoria, para bem governar a nossa terra. Nesse sentido toda intransigência é meritória e louvável. O político cearense que, à falta de valor na vida local pretender dirigir o Estado em nome de elementos políticos estranhos, deve ser repelido em nome da honra e dos interesses de nossa terra. Neste terreno não podemos fazer concessões. Não as faz São Paulo, nem Minas, nem Rio Grande do Sul, nem os outros grandes Estados. Não temos razões para constituir exceção". O sr. dr. Serpa, frequentemente, deixa-se arrastar pela eloquência das suas idealizações, deixa-se dominar pela sua euforia por um mundo melhor do que o real, e presenteia-nos, de quando em quando, essa literatura patriótica inspirada no bem, que tanto tem ecoado fora do Estado. Se outro efeito não tivesse nas expressões do seu lirismo político, serviriam no mínimo para a satisfação de certos intelectuais, que preferem um bom discurso às melhores realizações políticas. Desses arroubos que não são hipócritas, porque estão de acordo com todos os seus discursos públicos, desde a mocidade até hoje, desses desapegos da vida real, temos um exemplo típico nas frases vigorosas a que aludimos. Cearense verdadeiramente digno desse nome pode haver que, no ler a palavra oficial, não sinta o ardente desejo de bater palmas aos conceitos que todos sentimos e que ninguém, entre os políticos de responsabilidade, teve ainda a coragem de defender publicamente? Quantas vezes não temos todos nós experimentado as mais dolorosas humilhações, ao ouvirmos os acres comentários feitos pelo resto do país à maneira por que dirigimos as coisas públicas da nossa terra, transformada em campo predileto da politicalha miserável, que nos diminua a ponto de não podermos vencer as mais fracas resistências das intervenções indevidas de qualquer ambicioso, que se queira aproveitar das nossas lutas mesquinhas para fundamentar prestígio à custa da nossa dignidade? Quem, conhecedor das brilhantes tradições de altivez e dignidade dos cearenses, não sente confranger-se o coração, ante o declínio intelectual e moral desta terra, outrora respeitada e admirada, e que, nos últimos tempos, teve que suportar sem protesto a ofensa de se ver representada por cidadãos alheios à nossa vida, um dos quais nunca nos deu a honra de uma visita, nem antes nem depois de eleito? Terá, porventura, direito à existência autônoma um Estado que suporta abusos dessa natureza e ainda se considera apuado? honrado com o insulto que se lhe atira? Contra esse estado de revolta-se agora o sr. dr. Serpa, e o Ceará inteiro cobre de aplausos as mais nobres palavras, sonhando com o despertar do Estado para os elevados destinos a que tem direito pelos brilhantes exemplos de civismo, irrigados por nossos dignos antepassados. Conformar-se-á, porém, o sr. dr. Serpa com as reações em contrário que o mundo que o cerca lhe há de contrapor, ou estará disposto a levar até a realização os seus altos ideais de dignificação da política cearense, de repulsa às infamantes "injunções de fora"? Resistirá com firmeza, ligando assim à sua fama de orador republicano a de homem de ação, ou deixará mais uma vez os ódios ambientes, que nada edificam, vencerem os seus ideais de concórdia, que farão a felicidade interna do Estado, e os sentimentos de autonomia, que nos reabilitarão no conceito nacional? Pelas palavras que pronunciou, S. Excia. fez jus à transcendência; faz-se preciso, porém, nesta época de ceticismo, que os atos confirmem os pensamentos. Até lá ficaremos, com o público, em expectativa, prontos a não regatear aplausos ao Chefe de Estado que, em "defesa da honra do Ceará", tem a coragem de se propor a resistir à avalanche de servilismo que ameaça asfixiar o caráter de nosso povo. M. Q.
  • A situação do funcionalismo estadual O presidente do Estado, conforme já noticiamos ontem, assinou um decreto, em data de 1º do corrente, reduzindo de 10% para 2%, como vigorava antigamente, a taxa que incidia sobre os vencimentos do funcionalismo público estadual, a partir de 1º de julho último. É uma assinalada vitória dos servidores do Estado, que, assim, veem melhoradas as suas precárias condições financeiras, nos apertos da vida atual. Os vencimentos da magistratura estão em vias de ser elevados, se a assembleia, num ato de boa inspiração, atender às razões do memorial que a mesma enviou ao presidente Serpa, e já por este remetido à consideração dos legisladores cearenses. Por outro lado, segundo a carta do prof. Lourenço Filho, que em outra parte estampamos, é pensamento do governo aumentar, na próxima lei orçamentária do Estado, os vencimentos do magistério, para que melhor possa ele dar cumprimento às suas funções. De fato, como acentuara o nosso colaborador, A. AL, com ordenados deficientes, não há método ou ciência pedagógica que consiga levar a instrução pública ao grau a que precisa chegar. A orientação do governo, com relação aos seus servidores, evidenciada nos atos acima enumerados, minorando-lhes a precariedade de sua situação, é não só a mais justa, como também a mais econômica. O Estado precisa de funcionários operosos, trabalhadores e cumpridores conscientes de seus deveres. E não os encontrará, certamente, se lhes pagar mal o serviço, na instrução, magistratura, ou em quaisquer dos departamentos administrativos. Por isso, a sua melhor política seria, realmente, quanto aos funcionários do Estado, a que preconiza a carta do diretor de Instrução: pagar bem a quem trabalha bem, e não pagar a funcionários relapsos, porque de nada adianta pagar bem se não trabalham.
  • Centenário no “Círculo Católico de Fortaleza” Temos, hoje, a satisfação de transmitir aos nossos leitores a notícia de como se acham organizadas as Conferências em comemoração do Centenário, promovidas pelo «O Nordeste» e que se realizarão sob o patrocínio do ‘Círculo Católico de Fortaleza’, no salão nobre daquela benemérita sociedade. José de Anchieta, o apóstolo do Sul, e Antonio Vieira, o apóstolo do Norte. Damos a seguir a ordem em que se realizarão as Conferências do Centenário e os assuntos sobre que versarão as mesmas: 1º de Agosto — Padre Manuel Soares: «A influência do Catolicismo na formação da nossa nacionalidade». 21 de Agosto — Frei Marcelino de Milão: «A boa imprensa como fator de civilização na formação cristã da Pátria Brasileira». 24 de Agosto — Dr. José Lino da Justa: «A Religião Católica como vínculo da unidade e grandeza territorial do Brasil». 26 de Agosto — Dr. Mozart Pinto: «A aspiração de liberdade na poesia nacional». 30 de Agosto — Dr. Álvaro Fernandes: «O tipo nordestino-brasílico pré-colombiano. Suas origens asiáticas. Fonte mediterrânea ou de povos migrados por esse caminho até a beira continental do Atlântico americano: Tupis. Fonte hindu-oceânica, isto é, de povos migrados pelo Pacífico». 5 de Setembro — Mons. Tabosa Braga: «A Instrução e a Educação — garantias da Independência Nacional».
  • Uma carta do diretor da Instrução Pública à redação do «O Nordeste» Recebemos, na data de ontem, com respeito ao artigo de A. M. sobre Ensino Mal-dotado e sem casas, a seguinte carta do diretor da Instrução Pública, dr. Lourenço Filho, à qual damos publicidade com a maior satisfação: «Sr. Redator. Vemos, com o máximo prazer que o seu conceituado jornal dedica grande atenção ao problema do ensino, vindo prestando a esta Diretoria, na presente campanha de reforma, não pequeno auxílio. Por isso mesmo, achamo-nos no dever de ir ao encontro das considerações do seu brilhante colaborador sr. A. M., que tem subscrito alguns artigos muito interessantes sobre as reais necessidades da Instrução no Ceará. Nos seus comentários de ontem, por exemplo, o sr. A. AL trata de duas questões que reputamos máximas na reorganização que pretendemos: a das casas escolares e a dos ordenados das senhoras professoras. São duas questões conexas, que dizem respeito ao conforto e à estabilidade dos funcionários do ensino e, portanto, à própria segurança dos resultados do trabalho escolar. A Diretoria da Instrução cogita seriamente de ambas. E tanto compreende a sua importância, sr. Redator, que já tomou e está tomando providências de seguro alcance. É bem verdade que «criar escolas não é só nomear e transferir professoras». Por essa razão é que é forçoso levantar o cadastro escolar, e entre os dados que ele deve colher, a propósito de cada povoado ou arraial, não esquecer estas indicações preciosas: «Alguém facilita a localização da escola? Quem dá casa? Quem dá pensão ao professor? Quem dá terreno para a construção da futura escola? Nas vilas e cidades, a própria lei da reforma já resolveu a questão facilitando a criação dos grupos escolares e escolas reunidas, com prédio fornecido pela municipalidade. É preciso, porém, que uma grande e intensa propaganda se faça, permanentemente, pela construção de prédios escolares higiênicos, embora simples e modestos, por toda parte onde deva haver uma escola. Infelizmente, nem a própria capital possui prédios escolares, estando esta Diretoria em sérias dificuldades para instalação dos Grupos do Benfica e do Matadouro, por falta de casas, facilmente adaptáveis. A segunda questão, a dos ordenados, pela sua importância, não necessita sequer de ser discutida. É evidente, e mais que evidente, impressionante. Com satisfação muito cordial, pois, sr. Redator, é que podemos desde já tornar público que o sr. dr. Justiniano de Serpa aumentará os vencimentos das professoras no orçamento do próximo ano. Desde que se conclua o trabalho que já iniciamos, corajosamente e coibindo os abusos, eliminando as classes que nunca produziram e nem poderão produzir, dadas as suas condições específicas, esse aumento poderá ser feito mesmo sem elevar o quantum que se destina a cada ano à instrução. O programa administrativo que mais convém atualmente ao ensino no Ceará, é este: deixar de pagar aos que não trabalham para poder pagar melhor aos que sempre cumpriram com os seus deveres. É este o pensamento do Exmo. sr. Presidente do Estado que, cada dia mais nos convence, deixará o seu nome imperecivelmente ligado à instrução do Ceará, como Caetano de Campos deixou o seu ligado à de São Paulo. O seu governo será o governo da instrução. Trabalhamos com redobrado entusiasmo, verdadeiramente honrado de prestarmos a nossa modesta parcela de trabalho a tão belo programa administrativo — o mais oportuno, o mais urgente e o mais humano, neste período histórico do Brasil. Muito grato, sr. Redator, pela inserção destas linhas, somos Atencioso venerador e patrício amigo, Bergström Lourenço Filho.
  • A construção de casas para as escolas, e o aumento dos vencimentos do magistério
  • A febre amarela no Ceará Publicaremos, amanhã, alguns comentários em torno da entrevista do dr. Gavião Gonzaga, concedida ao «Correio do Ceará».

Anúncios, notas e expediente

  • Telegrama Nordeste
  • Telegrama Orgulho humano, qual és tu mais feroz, estúpido ou ridículo? A HERCULANO.
  • Expediente Redação: drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza-Sexta-feira, 4 de Agosto de 1922 NÚM. 32
  • Nota social ENTRADAS DA EXPOSIÇÃO O pequeno Paulo Amaral, filhinho do sr. João Ribeiro do Amaral, ofereceu-nos 20 cupons para a Santa Casa de Misericórdia. Também para a Santa Casa recebemos as entradas da Exposição, oferecidas pelo pequeno José Militão, filhinho do sr. Júlio Nogueira Militão.
  • Telegrama TELEGRAMAS DO PAÍS
  • Telegrama Reabrem-se as Escolas Militar e de Aperfeiçoamento RIO, 2 — Reabriram-se, ontem, a Escola Militar e a de Aperfeiçoamento de oficiais, comparecendo todos os alunos não implicados na sedição. O coronel Mariante, novo comandante da Escola Militar, proferiu ligeira alocução, salientando o gesto dos alunos fiéis à legalidade. A Escola de Aviação Militar reiniciará o curso, ainda esta semana.
  • Telegrama Algumas notícias de Minas BELO HORIZONTE, 1 — Seguiu para Sergipe, em visita a pessoas de sua família, o exmo. sr. bispo desta diocese. — Acha-se aqui o pintor alagoano Virgílio Maurício, que tem recebido muitas manifestações. — Realizaram-se animadas festas dançantes nas residências dos coronéis Virgílio Machado e Jorge Davis.
  • Telegrama Congresso de criadores PELOTAS, 2 — Reuniu-se, em Porto Alegre, um congresso de criadores para defesa da pecuária, sendo nomeada uma comissão para se entender, a respeito, com o governo federal. Essa comissão se compõe dos srs. Assis Brasil, Simões Lopes e Carlos Correia.
  • Telegrama Assalto a um banco PELOTAS, 2 — Em Passo Fundo, neste Estado, foi assaltado o Banco Pelotense, que teve o cofre dinamitado.
  • Telegrama Um jornal perigoso. Prisão de um reservista do Exército PELOTAS, 2 — O general Fábio Azambuja denunciou os diretores do jornal «O Separatista», editado em Santa Maria. O referido órgão prega abertamente a separação do Estado e injuria a língua e a bandeira nacionais, incitando, também, os reservistas convocados a não se incorporarem. Foi ordenada a prisão do reservista dr. Júlio Aragão, a quem se atribui a autoria dos artigos insultuosos. [...]
  • Telegrama Ceará