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O Nordeste
Agosto de 1922 · 20 trechos transcritos
Manchetes desta página
- O Nordeste e os católicos Com a devida vênia, transcrevemos do jornal «A Verdade», de Baturité, o seguinte artigo e agradecemos os lisonjeiros conceitos nele externados a propósito da circulação do 'O Nordeste': Acaba de surgir em Fortaleza um novo diário — «O Nordeste» que se propõe à defesa da Pátria e da Religião. É a Boa Imprensa que vai sair quotidianamente a percorrer céleres as terras do Ceará, e quiçá do Brasil inteiro semeando o bem. Hojé, o aparecimento de um órgão da opinião pública é um fato da mais alta importância social, para o qual se voltam interessadas todas as vistas. A sociedade compreendeu a força estupenda que se oculta dentro das páginas de um jornal e se curva submissa e reverente ante essa potência assombrosa que revoluciona as ideias, criando convicções, destruindo e formando opiniões. Entende-se aqui o jornal sério, honesto, desapaixonado com o seu programa definido, e inalterável, e baseado em um ideal nobre que se harmoniza com o bem comum. «O Nordeste» preenche perfeitamente estes requisitos: é o que se depreende dos seus primeiros números. Postas à parte as vicissitudes humanas, não podemos esperar senão que ele execute sempre desta forma o seu traçado programa. Surge na arena jornalística trazendo no seu frontispício o ideal por excelência que resume as mais belas aspirações do espírito humano e buscando verdadeira felicidade, que só se encontram na religião. Grande regozijo deve transparecer nos arraiais católicos pelo aparecimento de um jornal que propaga e defende sua religião. Como os humildes pastores de Belém e os reis Magos, nós, católicos, devemos acorrer presurosos com as nossas homenagens sinceras a esse novo Messias, a esse novo apóstolo da Verdade — o jornal católico. Jesus percorreu não somente as cidades e terras da Palestina; o jornal percorre o mundo inteiro, entra em todos os lares, insinua-se com suavidade nas inteligências, instrui, discute, argumenta, insiste «oportuna e importunamente», penetra nos recônditos das consciências, volta todos os dias a bater à porta dos corações, e acaba enfim por fazer o milagre de mudar convicções, transformar ideias, curar os aleijões morais e dar vida aos mortos. A observação dos fatos na história contemporânea vem ao encontro destas verdades. Todos os povos, todas as agremiações do mundo civilizado já se advertiram deste fato e procuram escudar-se nesta nova potência para garantir os seus princípios vitais e fortalecer os elementos constitutivos de sua ativa Igreja Católica, guarda vigilante da nossa fé e dos bons costumes, já deu sua ordem de comando. Confiou à boa imprensa, ao bom jornal, esse novo apostolado que há de continuar sobre a terra a divina missão de Jesus Cristo. Aos católicos, morfinizados na indiferença e que se [...] ainda desta grave necessidade social, apresenta as [...]: «O povo mais religioso do mundo, o mais submisso à [...] que [...] jornais, ainda que todos os dias cercasse o púlpito, aos 30 anos, transformaria num povo de ímpios e [...] humanamente falando, não há escudo que valha contra a imprensa...» E ainda há católicos que se quedam indiferentes ao jornal católico! Porque a populaça esbraveja tanto, saqueando redações, empastelando tipografias? Outrora essas devastações se dirigiam somente contra os conventos, contra os sacerdotes, os frades e as freiras, porque eram estes os esteios da fé, os mais intemeratos inimigos do crime e da irreligião. Hojé, o ódio de Satanás se volta de preferência contra a boa imprensa, porque ele sabe que esta é o baluarte inexpugnável construído em defesa dos conventos, dos padres e da Igreja de Deus. Ele sabe que o bom jornal arregimenta as coortes de Cristo, confunde os ímpios e vence o inferno. Combate o bom jornal, porque ali está Cristo. «O Nordeste» é nosso, é dos católicos: amemos o que é nosso. O. H. Blai.
- Escola Pio X 14º aniversário A um encantador festival dramático tivemos ocasião de assistir anteontem, na «Escola Pio X», mantida pelos abnegados capuchinhos, em comemoração do 14º aniversário daquele tão útil educandário da pobreza. Dito festival, que começou às 7 horas da noite, constou do seguinte programa: 1ª PARTE Hino da Escola, cantado pelos meninos. 2ª PARTE Discurso comemorativo 3ª PARTE Cena dramática — «O anjo da meia-noite» 4ª PARTE O [...] (comédia) 5ª PARTE [...] Por causa de um chapéu (comédia) Os salões estavam repletos de inúmeras famílias. Nos entreactos uma magnífica orquestra executou diversos números de música. Os papéis foram executados com perfeita perícia e todos os que tomaram parte nesta representação foram merecida e calorosamente aplaudidos. A «Escola Pio X», como se sabe, ministra ensino a centenas de meninos pobres, que com as lições preliminares de instrução recebem ali educação cristã. Há duas seções: uma noturna para meninos e outra que funciona durante o dia para meninas. O festival comemorativo do 14º aniversário daquele modesto, mas proveitosíssimo educandário, foi organizado sob a [...] dignos projetores da escola. Atualmente nos [...] representações [...]. Deus continue a proteger e abençoar aquela eficaz [...] de [...] os [...] aprendem a ler e, sobretudo, obtêm sólidos conhecimentos de [...] civil.
- Vibrante ordem do dia do ministro da Guerra “A grande força militar da Nação não colabora em tramas e conluios, nem é o joguete de interesses e ambições” (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 5 — O ministro da Guerra baixou vibrante ordem do dia, em louvor aos defensores da legalidade. Começa dizendo que não há glória, nem brilho, nem alegria. Sobre os irmãos alucinados, paira, em nosso ânimo, a tristeza, ao evocar a tragédia polarizada na Vila Militar e em Copacabana. Um ensinamento e um conforto resultam, porém, do exame dos fatos: Isto é, a grande força militar da Nação não colabora em tramas e conluios, nem é o joguete de interesses e ambições pessoais. No momento preciso da voz dos chefes, a força reagia digna e conscientemente contra os desnorteados e executou, firme e disciplinada, o solene compromisso inicial. Entre aqueles que tombaram na dolorosa prova, destaca-se a figura impávida e resoluta do capitão Barbosa Monteiro, morto ao articular a primeira frase de reação legal, prostrado traiçoeiramente, ao erguer-se, impetuoso para acenar aos seus comandados a trilha do dever militar. O ministro da Guerra elogia, em seguida, os generais Setembrino de Carvalho, Neiva Figueiredo, Ferreira do Amaral, Tasso Fragoso, Albuquerque Sousa, Cândido Rondon e Carneiro Fontoura.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O Nordeste 3 ANO I Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza-Segunda-feira, 7 de Agosto de 1922 RUA MAJOR FACUNDO, 55
- Nota social O respeito humano Como classificar as pessoas que zombam do homem que externiza a sua fé e põe as obras de acordo com a sua crença? Temos nós o direito de nos aviltar aos nossos próprios olhos, de renegar a liberdade de nosso pensamento e de sacrificar a tranquilidade de nossa consciência, só porque o último dos imbecis ou o último dos malcriados se permitiu zombar de nós? Não temos meios mais que suficientes para fazer valer a nossa liberdade? Examinemos a loucura do respeito humano. Pelo respeito humano, pretende-se acaso contentar toda a gente? Evidentemente não. A sociedade não é constituída apenas por livres pensadores, demolidores do sentimento religioso. Em política, moral e religião, não há uma única matéria sobre a qual a opinião pública seja unânime; João diz sim, Francisco diz não, e Manuel nem diz sim nem não. A opinião de hoje não é a de ontem, não será a de amanhã, e muitas vezes o que é crido e afirmado ao romper do dia, é rejeitado e negado ao cair da noite. Apagarmos a nossa personalidade para andarmos ao reboque da pública opinião é colocarmo-nos na situação daquela instrutiva fábula do velho, do rapaz e do jumento. Quer levem o burro às costas, quer vão montados nele, que o rapaz siga por seu pé, quer o velho vá na albarda, hão de encontrar sempre quem os censure ou escarneça. Um homem acompanha sua mulher que vai visitar o [...] mas, para obedecer a respeitos humanos, não entra na igreja e vai para uma loja vizinha conversar, até que a mulher saia: eu o chamo de um poltrão, um jacobino chama-lhe um espírito superior. Mas esse homem despreza o respeito humano, entra na igreja, toma água benta, persigna-se, ajoelha, ora, manifesta sua piedade: chamo-lhe um bom caráter, e o jacobino o menos que lhe dirá é tolo. É preciso que todos nos acostumemos a estas resmungadelas da opinião pública, como nos acostumamos à chiadeira de uma roldana. Ter medo da opinião é querer contentar toda a gente, é querer um impossível. E no fim de contas, o que é a opinião pública em si mesma? «Da matéria, diz Gibler, fez o idólatra um Deus. Tal é a opinião, uma [...] que nós forjamos, e diante da qual nos pomos a tremer.» Obedeçamos a Deus e à consciência, cumpramos o nosso dever: a opinião dos homens, essa pouco importa. Um homem de fé é um homem de bem; e um homem de bem não mendiga a sua liberdade, toma-a e, se lhe a perturbam, defende-a. Ele não admite que a fé, a justiça e a liberdade se calem e sofram em silêncio todas as opressões. Saibamos falar, protestar, queixar-nos, vingar os direitos de Deus e da nossa consciência; e o melhor meio de defender a fé, a justiça e a liberdade, é praticá-las. Um dia no campo de batalha, queimado pelo sol ardente da África, o general Bedeau, diante dos seus oficiais e dos seus soldados, aos pés do capelão militar, confessa-se e, quando depois de fazer o ato de contrição se levanta, volta-se para a sua gente e diz-lhe: «Aqueles que precisarem, façam como eu». Na vida social, o indivíduo é um foco de energias: ora, o exemplo é a forma mais direta e mais eficaz de atuarmos sobre os nossos semelhantes. Para o cristão, o respeito humano é o pior dos crimes, porque, pela prática dele, o homem renuncia ao benefício da redenção: «Aquele que corar de mim perante os homens» — diz Jesus Cristo — «desse eu corarei perante meu Pai, no dia do julgamento». M. Abundio da Silva (Do «O Dever» presente)
- Telegrama Telegramas DO PAÍS A imprensa de Londres elogia o presidente RIO, 5 — Telegramas de Madrid informam que, entre os órgãos da imprensa daquela cidade, figura «El Imparcial», que transcreveu os principais tópicos da mensagem do presidente Bernardes ao congresso mineiro, a que atribui a mais alta importância. Também de Londres noticiam que a imprensa, estampando um telegrama sobre o reconhecimento do Dr. Raul Soares para presidente de Minas, recorda a administração do Dr. Artur Bernardes, como uma das mais fecundas para aquele Estado, e refere-se à sua última mensagem, já publicada em resumo por vários jornais, de que se destacam o «Financial News» e o «South America Journal».
- Telegrama Fala Irineu Machado, que se diz conservador e amigo da ordem... Galeão. RIO, 5 — No Senado, falou o Sr. Irineu Machado em favor do protesto do Sr. Lauro Müller, para não serem votadas as emendas atabalhoadamente. Devemos acabar com os processos de compressão, justamente quando o sol se apaga. Possuo — afirmou — um espírito conservador (?). Sou pela ordem do regime, mas tenho também um incorrigível amor pela liberdade. Do mesmo modo por que votam, hoje, os orçamentos, quererão votar, amanhã, a lei da imprensa.
- Telegrama O Incremento da ação religiosa no Brasil RIO, 5 — De Paris dizem que a «Semana Religiosa», órgão do arcebispado, se regozija com o movimento religioso que se nota, atualmente no Brasil, com a ação católica das classes trabalhadoras e com a instrução religiosa por meio de conferências nos círculos paroquiais. Congratula-se com a Igreja pelo lugar reservado à religião nas festas do Centenário do Brasil.
- Telegrama Missão do Vaticano RIO, 5 — Partiu de Roma para Gênova, onde embarcará para o Brasil, a bordo do «Principessa Mafalda», a embaixada que vem representar o Vaticano nas festas do Centenário, presidida por Monsenhor Cherubini. O chefe da missão pontifical acrescentou que em sua visita à embaixada brasileira recebera tantas provas de simpatia e de amizade, que lhe faziam augurar o melhor acolhimento no Rio não só das autoridades como do povo brasileiro. Monsenhor Cherubini sentiu-se extremamente honrado com a missão que lhe foi confiada e que o Santo Padre considerava da máxima importância. Era efetivamente a delegação mais numerosa que o Vaticano jamais enviara à América. Na ocasião — concluiu o embaixador do Vaticano — em que recebeu a missão, em audiência de despedida, o Sumo Pontífice disse quanto o Brasil era caro ao seu coração; e, ao dar-nos a bênção, tornou-a extensiva ao país em que o vamos representar.
- Telegrama A sedição de abril RIO, 5 — A auditoria da marinha reuniu o conselho de justiça militar, a que respondem os aviadores implicados na sedição de 29 de abril, por ocasião da volta do Presidente Epitácio.
- Telegrama «A TRIBUNA» RIO, 6 — Dr. Belisário de Sousa, ex-diretor do «O País», assumia agora a direção da «A Tribuna».
- Telegrama Estação radiográfica RIO, 6 — O ministro da Viação mandou retirar a estação radiográfica que estava sendo montada no Corcovado.
- Telegrama S. Paulo e o projeto Adolfo Gordo RIO, 5 — O Sr. Carlos Garcia, representante paulista, falou na Câmara, dizendo-se de acordo com o projeto Adolfo Gordo, sob o ponto de vista geral. Desejava que o mesmo fosse convenientemente ventilado e estudado em sucessivos debates, a fim de serem desprezados os aleijões e aprovados os artigos convenientes. O Sr. Palmeira Ripper aparteou-o dizendo que o [...] paulista estava inteiramente de acordo com o orador. O Sr. Carlos Garcia concluiu dizendo que o projeto Adolfo Gordo era a base para o estudo da [...], sendo da responsabilidade do Partido Paulista.
- Telegrama Favores aos agentes fiscais RIO, 5 — O deputado José Bonifácio apresentou um projeto estendendo aos agentes fiscais do imposto de consumo o direito à aposentadoria.
- Telegrama Novo imortal RIO, 5 — A Academia Brasileira de Letras elegeu o Sr. Eduardo Ramos para seu novo membro.
- Telegrama Museu Histórico Nacional RIO, 5 — O presidente da República assinou o decreto criando o Museu Histórico Nacional.
- Telegrama Empréstimo da Paraíba RIO, 6 — Será lançado hoje, nesta praça, o empréstimo interno da Paraíba.
- Telegrama Voto de pesar RIO, 5 — O Sr. Azevedo [...] requereu, na Câmara, um voto de pesar pela morte do político [...] cujo [...]
- Nota social Liga das Senhoras Católicas Mês de Colônia (agenda dos assuntos que vão discutir). A Diretoria da Liga das Senhoras Católicas convida a todas as sócias para assistirem à reunião mensal, a ser realizada no dia 10 de novembro.
- Nota social Círculo Católico de Fortaleza Não tendo havido a sessão marcada para sábado, ficam convocados para uma junta mensal os membros da Diretoria. Compareçam.