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O Nordeste

Setembro de 1922 · 13 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Mercado do café, açúcar e algodão RIO, 17 — O mercado do café abriu regulando os preços em alta. O do açúcar esteve semivelozmente frouxo. Houve 4.330 sacos entrados, 9.231 saídos, ficando em estoque 19.854. Preço do cristal, $520 o quilo. No mercado do algodão, houve 234 fardos saídos, ficando em depósito 7.980.
  • Publicações O Amazonas e os Terrenos de Marinha Recebemos bem elaborado opúsculo, da lavra do ilustre advogado cearense, residente em Manaus, Dr. Virgílio Barbosa, trabalho intitulado «O Amazonas e os Terrenos de Marinha». Foi intermediário da oferta que nos fez o autor, o nosso distinto amigo, Dr. Carlos Ribeiro. É um estudo excelente, como tudo que sai da pena do ilustrado e talentoso causídico cearense, que ocupa, incontestavelmente, um lugar de brilho, entre os representantes da moderna geração de intelectuais de nossa terra. Muito agradecemos a gentileza da oferta.
  • Pelo Mundo Os Srs. Lima & Albuquerque, estabelecidos com representações nesta praça, ofereceram-nos um exemplar da revista ilustrada «Pelo Mundo», editada no Rio de Janeiro, sob a direção de Castro Moura. É uma publicação em papel finíssimo e de execução material excelente. É pena que, entre as gravuras numerosas e sobremodo belas, notem-se algumas inconvenientes. O texto é farto em colaborações interessantes e notícias várias. Agradecemos aos Srs. Lima & Albuquerque a fineza da oferta.
  • Instrução pública As escolas públicas e as festas do Centenário A propósito das festas comemorativas do Centenário, em que tão brilhantemente cooperaram as escolas públicas, recebeu o Dr. Prof. Lourenço Filho, Diretor da Instrução, o seguinte ofício do Exmo. Sr. Dr. Justiniano de Serpa, Presidente do Estado: «Tenho a satisfação de vos manifestar os meus sinceros agradecimentos pelo concurso altamente patriótico que prestastes aos festejos realizados em comemoração da gloriosa data do primeiro Centenário da Independência do Brasil, para cujo brilhantismo muito cooperaram as diretoras e professoras dos estabelecimentos públicos e particulares de Instrução, que atenderam ao vosso convite e estiveram sob a vossa sábia orientação. Transmitindo-vos a minha impressão a respeito, determino-vos que agradeçais às referidas diretoras e professoras o precioso serviço que prestaram ao Estado, louvando-as por sua dedicação, e às crianças pelo encanto que deram aos festejos da grande data. Saudações. (a) Justiniano de Serpa.»
  • O autorizado líder da imprensa católica, «A União», de que é diretor o nosso venerando mestre Dr. Felício dos Santos, publica as seguintes notas sobre o Ceará atual, cumprindo-nos agradecer as elogiosas referências feitas a esta folha, no correr das mesmas: «Tem a capital do heroico Ceará um diário católico, mais feliz portanto do que a Capital da República dos Estados Unidos do Brasil!... Já noticiamos, com abundância de coração, o aparecimento desse diário — «O Nordeste», de que são redatores os ilustrados católicos Dra. Andrade Furtado e J. Martins Rodrigues, assíduo colaborador Mons. Tabosa e administrador o nosso Ildefonso Araújo. Recebemos os números publicados até a saída do último vapor, e deles vemos que não nos enganamos augurando pleno sucesso. Noticioso e criterioso na apreciação dos fatos e na propaganda católica, sem esquecer os interesses peculiares do Estado e do Norte e da Ação Social. Vem «O Nordeste» nos informar da situação do Ceará na vida nacional. E é lisonjeira, em [geral], essa situação, sob o atual governo, que tem prestigiado a ação moralizadora do Catolicismo. Ainda bem! Temos notícias, entre outras, dos progressos da Liga das Senhoras Católicas Brasileiras, que mantém o Patronato das Operárias, da Associação das Senhoras de Caridade de S. Vicente de Paulo, da Sociedade dos Confrades da mesma invocação, sob a direção do Barão de Studart, da Liga dos Moços Católicos Cavalheiros de Cristo, do Asilo de Alienados de Porangaba de S. Vicente de Paulo, da colocação da pedra fundamental da Coluna do Centenário ao Cristo Redentor, da inauguração das oficinas do Círculo de S. José, das utilíssimas conferências católicas e sociais promovidas pelo «O Nordeste» no Círculo Católico, do Banco Popular do Ceará, etc. Às festas referentes a essas instituições, sempre com a bênção do venerando arcebispo D. Manuel, compareceu sempre o Presidente do Estado, demonstrando-se assim a feliz harmonia da autoridade civil com a religiosa. Entre as ideias aventadas pelo «O Nordeste», impressionou-nos muito agradavelmente a que apresentou Mons. Tabosa para comemorar o Centenário, com entusiasmo, uma árvore frondosa. Os transeuntes, ao passarem, no porvir, diante daquelas árvores, irão repetindo aos seus companheiros de jornada: «Estas árvores comemoram o dia 7 de setembro de 1922. Quanta beleza não envolvem tradições tão sagradas e preciosas? Os pais irão repetindo aos filhos e, mais tarde, os avós aos netos — «Estas árvores foram plantadas em homenagem à nossa Independência». Passados oitenta ou cem anos, dirá alguém às gerações futuras: «A linha principal da minha casa foi feita de uma árvore do Centenário, e, como perpetuidade de tão grandioso acontecimento, plantei outra em seu lugar». Avante! Patrícios muito amados! Plantemos as 12 árvores comemorativas do Centenário da nossa Independência». [De] grande utilidade e sem dispêndio dos cofres públicos: «Que cada cearense plante, no dia 7 de setembro, 12 árvores que sirvam para início do reflorestamento das preciosas e fecundíssimas terras do Estado». «Que sejam de madeira de construção e outras como a mangueira, canafístula, joazeiro, etc.». Eis alguns conceitos do ilustrado sacerdote; bem se aplicam eles a todo o Brasil: «Não se pensa entre nós na utilidade das florestas, nos benefícios imensos das árvores. Todos os dias gozamos dos favores do reino vegetal e não lhe consagramos um esforço da vontade, um movimento da inteligência. Como somos ingratos! As florestas influem poderosamente nas mudanças climáticas, na garantia das chuvas e no saneamento das zonas. Informa-nos «O Nordeste» da laudabilíssima preocupação do Governo em combater o analfabetismo. Para esse fim, procurou o diretor da instrução a colaboração do clero, dirigindo-se ao arcebispo D. Manuel. Sua excelência reverendíssima respondeu, enviando aos vigários uma circular recomendando o assunto. Trata-se de decretar a obrigatoriedade do ensino, e ninguém melhor do que os párocos pode persuadir aos pais da conveniência da instrução. Pensou bem o Sr. Presidente em reorganizar a Escola Normal, cujo edifício já está em construção e criar a Escola Modelo, já inaugurada. De São Paulo foram instruções e material escolar, e um professor paulista está entregue à direção da instrução. Conta o Governo cearense com o concurso do ensino particular. Deveria, porém, subvencioná-lo, conforme o número de alunos preparados. É uma lacuna sensível na reforma projetada o esquecimento dessa medida, cuja eficácia não precisa ser demonstrada: tanto mais quanto confessa o Presidente Serpa o estado miserando da cultura intelectual no povo cearense. De fato: sendo a população do Estado 1.319.228, calculai? Em 28% ou 263.800 a população em idade escolar. Pois bem: há apenas matriculados 9.360 e a frequência é só de 10.137! Mas afirma o Presidente que o algarismo da idade escolar é de 300.000 pelo menos, o que dá uma porcentagem de 6,5%. Lembra o Sr. Serpa a iminência da criação de oficinas de artes e ofícios para os alunos que completam a educação escolar. Será um incentivo para a frequência. A ideia é realmente ótima. Falta, porém, a principal ideia na reforma: a educação religiosa... Entusiástica saudação do Ministro do Exterior de Portugal ao Brasil (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 18 — O Ministro do Exterior de Portugal, Dr. Barbosa Magalhães, que acompanha o Presidente Almeida, dirigiu ao povo brasileiro a seguinte mensagem: «Com a alma embriagada e presa de encantação deliciosa, a custo venço o torpor intelectual que as fortes emoções desta manhã me produziram, para vir até junto à generosa e galharda imprensa carioca, através dela e por sua gentileza, renovar, perante o mundo, as íntimas e carinhosas saudações da Pátria Portuguesa à Pátria Brasileira, sua irmã. País de sonho e de idealismo, o Brasil desde logo seduziu o espírito de aventura dos que, primeiros, a esta costa aportaram e nelas cravaram, com a Cruz de Cristo, o padrão imorredouro da sua Fé e da sua glória. País de belezas e de maravilhas, para sempre atraiu o espírito romântico e místico dos descendentes dos nautas ousados, que nele vieram estabelecer o seu lar, edificar a sua Igreja e mais tarde criar as suas escolas, espalhando, por todo o litoral e para o interior, até violar as suas extensíssimas e formidáveis florestas, a vida civilizada. País de riquezas e abundância, para sempre fixou em seu solo feracíssimo — banhado pelo mar oceano, e que se alargava para o horizonte e ia em contacto com o mundo antigo pela estrada de Deus que as naus e caravanas não cessaram de percorrer — gerações sucessivas daqueles arrojados pioneiros. E essa vida e essa civilização tanto se intensificaram que três séculos foram bastantes para fazer deste país nação livre e independente; e, depois, tão veloz e inteligentemente progrediram que um século apenas bastou para desta nação fazer uma potência mundial. Durante esses cem anos, que não são nada na vida de uma nação, têm sido desvendados, aproveitados, valorizados os seus esplêndidos recursos centrais, têm sido postos em relevo as suas extraordinárias belezas; a ação dos seus estadistas, de seus diplomatas, dos seus sábios, dos seus literatos, do seu povo, tem sido tão notável que conseguiu colocá-la no elevado grau de civilização em que se encontra e que lhe dá o incontestável direito de — como disse um grande escritor — de ser considerada a Grande América, herdeira maior da espiritualidade latina. A alma portuguesa prende-se neste momento com a alma brasileira, e — como disse o genial Junqueiro — nossas pátrias se desligaram para melhor se casarem. Essa união foi tão íntima, tão perfeita, tão completa, como nesta hora em que os nossos corações vibram intensamente, as nossas almas comungam o mesmo sentimento indefinível, misto de prazer e de admiração, de reconhecimento e de orgulho, de saudade e de amor.
  • diversos egiptólogos, para pôr em relevo os trabalhos notáveis de Champollion, a que precedeu a invenção da pedra de Roseta, pela comissão científica que acompanhou. [A] imprensa e o Centenário. Numa terra, como a nossa, cheia de um sol abrasador e de um firmamento sem nuvens, como refrigera uma sombra, como [...]. O Centenário da decifração dos hieróglifos O Dr. Gilberto Câmara realizou, sexta-feira última, no salão nobre do «Círculo Católico», a sua anunciada conferência sobre o Centenário da decifração dos hieróglifos, por Champollion, em setembro de 1822. Compareceu à conferência uma assistência numerosa, seleta, que foi ouvir a palavra fluente daquele distinto confrade. A banda de música do 23º tocou, em frente ao edifício, belos trechos de música. O conferencista tratou magistralmente do assunto, sob todos os seus curiosos aspectos, estudando as modalidades dos caracteres gráficos dos antigos egípcios, na época dos faraós. Referiu-se às diversas tentativas, sempre resultando inúteis, dos [egiptólogos]. Foi, aliás, pelo exame da pedra de Roseta que Champollion conseguiu chegar ao resultado desejado, descobrindo, pelo cartucho do nome de Ptolomeu, ali contido, o de Cleópatra, e, sucessivamente, todas as inscrições. O orador acentuou, afinal, na sua curiosa palestra, que decorreu tão amena e, em assunto de si árido, teve artes de encantar e prender o auditório, que a decifração dos hieróglifos dos monumentos, segundo as expressas declarações de Champollion, veio corroborar a história do Antigo Testamento, em tudo o que se relaciona com o Egito, não só na verdade dos fatos como na sua exata cronologia. Damos cordiais parabéns ao Dr. Gilberto Câmara pelo brilho de sua palestra e pelo justo êxito que logrou.
  • A imprensa do nosso Estado celebrou, dignamente, a passagem do Centenário da Independência do Brasil. O cunho patriótico de todos os jornais cearenses, na edição comemorativa daquela grande data nacional, bem revela a elevada cultura cívica dos que mourejam, entre nós, na cruzada árdua e civilizadora da imprensa. Em notas rápidas, registramos a seguir os órgãos de publicidade deste Estado, que circularam em homenagem à memorável efeméride: CORREIO DO CEARÁ - Edição de 20 páginas, em duas cores. Abundante matéria sobre a data de 7 de Setembro e várias ilustrações. DIÁRIO DO CEARÁ - Edição ilustrada, com 12 páginas, impressão em duas cores. A TRIBUNA — Edição ilustrada, com 8 páginas. O IMPARCIAL - Edição colorida em homenagem ao dia. A PHOENIX - Revista Ilustrada e com 16 páginas. O MERCEEIRO - Edição de 12 páginas e ilustrada. À ESCOLA - Revista do «Grêmio Literário Padre Tabosa», fundada pelos alunos do «Instituto S. Luiz». Bela capa em tricromia, 40 páginas, muitas ilustrações e magnífica colaboração. REVISTA ONZE DE AGOSTO, órgão do «Centro Acadêmico», com 20 páginas, excelente colaboração e algumas ilustrações. A VERDADE, órgão do «Círculo Católico de Baturité», ilustrado de várias gravuras. O CENTENÁRIO de Quixadá, publicado em comemoração da DO PAÍS Uma boa cabeça não justifica um mau coração. Marquês de Maricá magna efeméride, 8 páginas, colaboração variada e o programa das imponentes festas locais. A REGIÃO — Semanário católico que se edita na cidade do Crato. Edição de 6 páginas e várias gravuras. GAZETA DO CARIRI - Semanário independente, que se publica na cidade do Crato. Edição de 12 páginas, em duas cores, várias ilustrações. O ECHO - Jornalzinho dos alunos do colégio «S. Luiz» de Pacoty, com artigos patrióticos e o programa das festas locais. SANTUÁRIO DE S. FRANCISCO DE CANINDÉ - Órgão católico e ilustrado. A ORDEM — Semanário político, de Sobral, edição de 10 páginas, com ilustrações.

Anúncios, notas e expediente

  • Anúncio EDISON 3 BRILHANTES PARA AUTOMÓVEIS [...] mundial a reduzida [...] não só por seu [...], de sua fábrica, mais econômica.
  • Expediente ANO I O CEARÁ Redação: Dra. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza — Terça-feira, 19 de Setembro de 1922
  • Anúncio ACCUAB & SILVA [...] Hamburgo Importadores de fabricação alemã: [ferragens], cimento, artigos de [louça], brinquedos, artigos [diversos]. [Endereço], N. 220 Ceará [...]
  • Anúncio E por efetivos, pesos, a gasolina. [E] em Fortaleza, preferência [1] no Ceará, [para] as [condições] do terreno. [...] 8 SEDAN 18 [...] 21A. 80 [...]
  • Nota social Selos & Cupons As mimosas Graciella, Alba, Giselda e Liliza Cysne, pela data do aniversário de sua mamãe D. Lygia Frota Cysne, enviaram 1.000 cupons de bonde para os pobres do Asilo de Mendicidade. O Sr. Antônio Baptista Vieira, em regozijo pela passagem de seu aniversário hoje, ofereceu 325 cupons para a Sociedade Vicentina. Um «cupom» de bonde vale um real. Guarde-o para os pobres da Sociedade Vicentina.
  • Telegrama Telegramas A VIAGEM DO PRESIDENTE DE PORTUGAL Quando chegará Sua Excelência? RIO, 16 — Radiograma de bordo do «Porto» diz que o referido navio está navegando à altura da Bahia, esperando chegar, domingo pela manhã, a este porto. RIO, 17 — O Presidente Antônio José de Almeida passou, de bordo, o seguinte telegrama aos jornais: «Peço transmitir à grande e querida nação brasileira meus sinceros e elevados votos pelo seu progresso, e também a expressão da minha gratidão pelas manifestas provas de afeto que tem dispensado ao emissário de um povo irmão, o qual exulta de júbilo, sentindo próximo o momento de pisar a terra de Santa Cruz.» Todas as forças desta região, acrescidas de tropas da Armada e da Polícia, prestarão continências ao Presidente Almeida. Uma divisão de destroyers comboiará o «Porto» de fora da barra até o ancoradouro. O Senado designou a seguinte comissão de vinte e um membros para a recepção ao Presidente de Portugal: Lopes Gonçalves, Lauro Sodré, Godofredo Viana, Félix Pacheco, João Thomé, Eloy de Sousa, Antônio Massa, Manuel Borba, Eusébio de Andrade, Moniz Sodré, Jerônimo Monteiro, Miguel de Carvalho, Adolfo Gordo, Olegário Pinto, Generoso Marques, Vidal Ramos, Soares dos Santos e Irineu Machado. A requerimento deste, o Senado resolveu suspender as sessões por três dias. A «Gazeta de Notícias» atacou o requerimento do senador carioca, dizendo que ele visa estorvar a votação do projeto que adia as eleições municipais do Distrito. RIO, 17 — Segundo radiograma de bordo do «Porto», o Presidente Almeida está enfermo, sendo provável que não chegue amanhã, pois seus médicos lhe aconselham o máximo repouso. RIO, 17 — O paquete «Porto» chegará hoje à meia-noite, mas só entrará na baía amanhã, desembarcando o Presidente Almeida às 10 horas, depois de receber a visita do Ministro do Exterior. O Presidente de Portugal será hospedado no Palácio Guanabara. Manifestação ao Brasil RIO, 17 — Dizem de Genebra que o povo dali está promovendo grande manifestação de solidariedade ao Brasil. O Dr. Rangel de Castro realizará uma conferência sobre a evolução do Brasil. O Itamaraty e os congressistas RIO, 17 — Na Câmara, o Sr. Joaquim Sales atacou a nota que o Itamaraty enviou àquela Casa a propósito do convite aos congressistas para as festas e recepções do Centenário. O Sr. Gonçalves Maia tratou, longamente, do mesmo assunto.