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O Nordeste
Outubro de 1922 · 22 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Telegramas DO PAÍS O Presidente Epitácio esperado em Minas BELO HORIZONTE, 5 — Ontem, de manhã, o Presidente Epitácio, que depois de inaugurar o Ofício da delegacia fiscal, visitará as obras federais e seguirá para Pirapora, a fim de inaugurar uma ponte sobre o rio São Francisco e um hospital de profilaxia rural. Depois de regressar, Sua Excelência visitará um trecho do ramal de Montes Claros e o ramal de Ouro Preto a Ponte Nova. O chefe da Nação, na estação da Central, será saudado, em nome do povo desta capital, pelo deputado Nelson de Senna, que lhe oferecerá rico e artístico bronze. O órgão oficial do Estado, noticiando sua próxima chegada e exaltando-lhe as qualidades de administrador, assim se exprime sobre as obras do Nordeste: «Conhecendo profundamente as necessidades legítimas e os anseios de progredir dos brasileiros, logo que assumiu o cargo de primeiro magistrado da Nação, deu notável impulso aos serviços de construção de vias-férreas e portos, ao mesmo tempo que remodelava inúmeros outros, de modo a pô-los de acordo com as aspirações do país. As grandes obras do Nordeste, que, uma vez concluídas, virão contribuir fortemente para que aquela extensa e rica região, periodicamente assolada pelas secas, venha a ser elemento de riqueza e prosperidade, estão muito adiantadas, e a sua execução se deve à energia do ilustre estadista, que está realizando uma obra humanitária em favor dos nossos patrícios, obrigados, pela inclemência daqueles fenômenos, às mais dolorosas provações.
- JULIA LOPES FESTEJADA NA ARGENTINA RIO, 5 — A escritora brasileira Júlia Lopes de Almeida recebeu grandes manifestações de apreço em Buenos Aires, onde se encontra atualmente.
- COMPANHIA MULTADA RIO, 5 — A Companhia Magasins Généraux foi multada em 60 contos, por infração ao regulamento das taxas de selo.
- Ajudante do Estado Maior RIO, 6 — O ministro da Guerra nomeou o major Reis Netto para ajudante do Estado Maior.
- O Presidente Epitácio chega a BELO HORIZONTE, 6 — Às 11h30 de hoje, chegou a esta capital, tendo estrondosa recepção, o Dr. Epitácio Pessoa, Presidente da República.
- O Vice-Presidente de São Paulo RIO, 6 — Seguiram para São Paulo os convencionais que vão escolher o candidato à vice-presidência do Estado, na vaga do Sr. Virgílio Rodrigues [...].
- O Ministro da Marinha vai a Santos RIO, 6 — Seguirá, breve, para Santos, o couraçado «São Paulo». Talvez vá a seu bordo o ministro da Marinha, Dr. Veiga Miranda, a fim de inaugurar, ali, um polo de aviação naval.
- Justa homenagem Em Aracati foi, sábado último, alvo de merecida homenagem, o excelentíssimo monsenhor Bruno de Figueiredo, vigário daquela paróquia e um dos vultos de reconhecido valor do clero cearense. O preclaro sacerdote, pelas suas grandes virtudes e notável erudição, é um dos expoentes legítimos da cultura do nosso meio mental. Monsenhor Bruno de Figueiredo exerceu com muita idoneidade o cargo de Vigário Geral desta Arquidiocese, militou longos anos no magistério, prestando altos serviços à mocidade estudiosa, é latinista provecto e abalizado filólogo. A sua modéstia invejável dá o maior realce às suas privilegiadas qualidades de espírito. No árduo desempenho do seu ministério sagrado, septuagenário e alquebrado de trabalhos que honram a Igreja e a Pátria, o eminente amigo não cessa de apostolizar e derramar a sementeira da Verdade, do púlpito, de que é um luminar. «O Nordeste» associa-se ao povo de Aracati, na justa homenagem de veneração e estima tributada ao piedosíssimo amigo e mestre, em quem vemos uma autoridade de sumo mérito não somente em assuntos eclesiásticos, em que é versadíssimo, mas em glotologia, em que tem dado provas inabaláveis de sua competência.
- O PRESIDENTE EPITÁCIO PARTIU PARA MINAS RIO, 6 — Só ontem, o Presidente Epitácio partiu para Minas Gerais, tendo um embarque concorridíssimo. Em Belo Horizonte, Sua Excelência será recebido pelo presidente do Estado, que o acompanhará até Pirapora. A comitiva do Presidente Epitácio é constituída pelo Dr. Pires do Rio, ministro da Viação, Dr. Assis Ribeiro, diretor da Central do Brasil, deputados Pessoa de Queiroz, Ascendino Cunha e Armando Burlamaqui, e general Hastímphilo de Moura.
- A ESTÁTUA DE CRISTO REDENTOR RIO, 6 — Conta já as assinaturas de numerosos deputados o projeto que manda o governo auxiliar, com 200 contos, a estátua a Cristo Redentor, no Corcovado.
- NA CÂMARA RIO, 6 — Na sessão da Câmara, o Sr. Otávio Rocha requereu a inserção de um voto de congratulações com Portugal, pelo aniversário da República. O Sr. Evaristo Amaral protestou contra a forma por que é exercida a censura da imprensa. O Sr. Cunha Machado foi eleito vice-presidente da Câmara.
- O PRESIDENTE EPITÁCIO SEGUE PARA PIRAPORA BELO HORIZONTE, 6 — Depois de ter recebido as mais expressivas provas de carinho e admiração do povo mineiro, o Presidente Epitácio seguiu, ontem, com a sua comitiva, com destino a Pirapora.
- ESTUDANTES PERNAMBUCANOS RIO, 6 — Regressaram de São Paulo os estudantes pernambucanos, que aqui vieram tomar parte no Congresso de sua classe.
- BANQUETE AOS REPRESENTANTES NAVAIS RIO, 6 — O almirante Frontin ofereceu um banquete aos representantes navais estrangeiros.
- «O Imparcial» e o Arcebispo de São Paulo RIO, 6 — «O Imparcial» publicou o seguinte tópico sobre o arcebispo de São Paulo: «Regressou, ontem, a São Paulo, o eminente arcebispo Dom Duarte Leopoldo, que viera ao Rio para participar dos trabalhos do Congresso Eucarístico. Coube ao ilustre prelado a insigne honra de levar à adoração, no grande cortejo de domingo transato, a Hóstia Sagrada. Referindo ao Cardeal Arcoverde as suas impressões desse espetáculo extraordinário, que foi uma estupenda demonstração católica, o arcebispo de São Paulo confessou que pôde, então, alcançar e compreender o alto grau de civilização e cultura da população carioca. Poderíamos, por nossa vez, acrescentar a esse conceito do ilustre prelado este outro que, do corpo episcopal brasileiro, forma a Nação: — que está ele à altura da sua honrosa missão, correspondendo, em tudo, à elevação de sentimentos morais e ao civismo do povo brasileiro. E, entre os chefes da Igreja, dos que mais se distinguem por suas virtudes, inteligência e cultura notável, está o arcebispo de São Paulo».
- Uma circular do Inspetor dos Bancos RIO, 6 — O Sr. Nuno Pinheiro, inspetor dos bancos, baixou uma circular, declarando que as casas bancárias do Rio e dos Estados são obrigadas a remeter à inspetoria de Bancos, até o dia 20 de cada mês, o balancete das operações do mês anterior.
- O empréstimo externo Foi de uma ingenuidade inefável «Diário do Ceará», quando afirmou, categoricamente, que o jornalismo não tem o direito de discutir negociações de empréstimo. É um assunto sagrado, cujo tema só pode ser discutido nos bastidores do Palácio do Governo. Quando, em Nova Iorque, em 1920, houve uma conferência financeira, o Sr. John J. Arnold salientou, em notável discurso, comentado pelos jornais do sul, a urgente necessidade dos «líderes dos bancos e do comércio do mundo», auxiliados pela imprensa, de estudar os recursos e as responsabilidades de todos os países para a reorganização das finanças, evitando o que ele, claramente, definiu — o imperialismo financeiro. Além dos ditames da boa razão, com esta doutrina abalizada, não tem razão de ser o temor previsto pelo «Diário do Ceará» de uma crítica mais ou menos apaixonada por parte da imprensa livre, capaz de abalar o crédito do País ou do Estado. E pelo fato de ser um empréstimo assunto delicado, é que a população do Estado, representada, neste caso, pela imprensa, tem o direito de o discutir antes de realizado. Uma vez consumado o ato, que poderá adiantar a imprensa, visto que seu papel não é somente entoar hinos de vitória ou fazer as vezes de carpideira? É ilógico que em plena democracia o jornalismo não tenha o direito de discutir, em tempo, assunto tão importante. Podem nossos homens públicos ser o expoente da infalibilidade, mas da livre manifestação pela Imprensa, advirão ideias inspiradoras capazes de orientarem o próprio governo. Este tem o direito de rejeitar o que for prejudicial e de acatar o que for razoável e justo. O momento oportuno da imprensa discutir o empréstimo é na fase da negociação do mesmo e não depois de tudo efetuado. Não será por causa de uma apreciação judiciosa ou pela exigência da imprensa, no afã de informar ao público, que viria a fracassar o empréstimo dos dois milhões de dólares. Sílvio Percival
- ALMOÇO NO PALÁCIO DA LIBERDADE (Do nosso serviço telegráfico) BELO HORIZONTE, 7 — O Presidente Epitácio chegou, ontem, a esta capital, após receber manifestações em todas as estações. Sua chegada foi imponentíssima, sendo Sua Excelência delirantemente aclamado pela multidão. Esperavam-no, na estação, o Dr. Artur Bernardes, futuro Presidente da República, o Dr. Raul Soares, presidente do Estado, o senador Francisco Sá, os secretários de Estado, prefeito da cidade, presidentes do Senado, da Câmara e do Tribunal de Justiça, deputados estaduais e federais. O deputado Nelson de Senna saudou-o, em nome do povo mineiro, entregando-lhe uma estatueta, oferta do Estado de Minas. O Presidente Epitácio respondeu em vibrante improviso. Disse que as manifestações calorosas e entusiásticas de que acabava de ser alvo, por parte da população da formosa capital mineira, não o surpreendiam. Desde muito, conhecia, por experiência própria, a delicadeza, o carinho, a hospitalidade mineira, que se esmera em requintes de gentileza sem par e cuidados para todos que ali chegam. Mas, naquele momento, sentia não ser só a hospitalidade de Minas e o apoio e solidariedade que A SAUDAÇÃO DO DR. RAUL SOARES o governo e a representação do Estado lhe davam; sentia que, ao impulso de hospitalidade, se vinha juntar o apoio caloroso do povo ao governo que soube manter ilesa a dignidade nacional, contra as arremetidas de políticos sem patriotismo, que pensavam na ignomínia de plantar o novo governo do Brasil sobre a torpeza de documentos falsificados contra a honra de um homem de bem! Invocou a circunstância de ter impedido a consumação de um crime contra a Pátria — que o foi o último movimento revolucionário — para acentuar que, depois dessa ameaça, a Nação mais solidária ficara com o governo que bem defendia a integridade de seus brios. Mas por essa atitude nada lhe deve o País: outro qualquer, no seu lugar, teria feito o mesmo. A seguir, lembrou que, sendo aquela a primeira vez que, depois dos referidos acontecimentos, se dirigia ao povo, tendo a felicidade de se achar em contato com os filhos daquelas montanhas altivas, aproveitava o momento para congratular-se com a República, pela vitória que veio preservar a Nação assim do seu desprestígio interno, como da sua humilhação no estrangeiro. Mostrou o orador que nada absolutamente justificava o movimento impatriótico de julho. Nenhum ato, nenhuma palavra tivera o governo que o incompatibilizasse com a Nação nem com as classes armadas do País, cuja missão era proteger a ordem e garantir os poderes públicos. A censura imposta a um chefe militar que deveria ser o primeiro a não querer o desprestígio do governo, e a prisão desse mesmo chefe, eram das que representavam, no momento, o máximo da [...] e o mínimo do rigor. Passou a mostrar que a intervenção em [...] prefeito [...] o ato de [...].
Anúncios, notas e expediente
- Expediente Redação: Dra. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza, Segunda-feira, 9 de Outubro de 1922 NUM. 85
- Telegrama O mais belo, o mais moral dos sentimentos do homem é o amor de Pátria, — lei milagrosa, sempre subsistente que, por um ímã invencível, liga os pés de cada pessoa ao seu solo natal. CHATEAUBRIAND.
- Telegrama Os aliados e turcos assinam um acordo As condições estipuladas no mesmo (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 6 — Informam de Paris que «Le Figaro» assegura que, pelo acordo de Mudanya, os turcos e gregos evacuarão a zona neutra, ficando os primeiros em Galípoli. O exército grego evacuará a Trácia, dentro em dez dias. Os aliados bloquearão os portos gregos, caso a Grécia se negue a efetuar a evacuação no prazo marcado. — O governo inglês recebeu uma nota de Mustafá Paxá, propondo uma reunião, para uma conferência, em Esmirna, a 20 do corrente. — Os representantes aliados e turcos chegaram a um acordo total, assinando-se um protocolo. Os delegados gregos negaram-se a assiná-lo, sob o pretexto de esperarem instruções de Atenas. As cláusulas principais do acordo são: Evacuação recíproca, pelos turcos e gregos, da zona neutra; ocupação interaliada de Constantinopla, durante a conferência da paz; instalação dos governos kemalistas nos departamentos de Constantinopla e Çanakkale; evacuação, pelos gregos, da Trácia. Os aliados iniciaram as negociações para forçar a Grécia a cumprir as cláusulas do acordo. — O gabinete inglês, reunido, tratou da questão do Oriente. Sua opinião é desfavorável à conferência de Esmirna. — Telegrama de Calcutá diz que o comitê dos califados oferecerá um aeroplano a Mustafá Kemal. — Venizelos seguiu para Paris, a fim de conferenciar com Poincaré.
- Telegrama OS POETAS CEARENSES NO CENTENÁRIO Amor Ponto do maior mal e bem supremo, Causa de toda glória e desventura, O amor nos leva, ora à reluzente altura, Ora nos arroja às profundezas do inferno! Depois de oásis deleitoso e terno Para a vida e dar-nos a ventura, Transforma-o, rindo, em tórrida planura, Martirizada por um sol eterno! De polo a polo a nos jogar só ri: — A vida, a morte, a treva, a luz, o fundo Abismo — tudo ao nosso olhar descerra — Mortal não há que à sua lei se esquive: — Vem do amor todo o riso que há no mundo. — Vem do amor todo o pranto que há na terra!.. Irineu FILHO