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O Nordeste

Outubro de 1922 · 17 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Quem é mais culpado? Faz pouco mais de um ano que assisti a uma respeitável reunião de elementos distintos da sociedade carioca, onde se trataram de assuntos que interessavam muito de perto àquele meio digno de melhor sorte. Os bons costumes e os seus fatores foram os temas que todos tangiam com maior ou menor perícia; ninguém deixou de indicar planos gigantescos de reforma social. Notei uma preocupação quase unânime contra a moda, com os seus decotes atrevidos, com as suas saias curtas e com os seus braços nus; todos censuravam, com desassombro, os exageros da mulher brasileira na aceitação das modas que suspeitos meios estrangeiros nos impõem com grande facilidade e com estrondosa profusão. Vi que todos arremetiam contra a vaidade e a teimosia das mulheres. Não quero advogar-lhes a inocência, confesso lealmente que pesa sobre elas a grande responsabilidade desses desatinos; mas os homens têm a maior culpa, são os maiores responsáveis pelas loucuras da moda extravagante e a antiestética que vem adotando a sociedade moderna. Não podemos negar que a mulher brasileira — virtuosa como o é geralmente — não deixa de aceitar a lógica dos bons conselhos, é muito acessível à obediência, tem um espírito cordato e amigo da harmonia. Soubessem se impor os pais de família, os maridos e os irmãos mais velhos, e não consentiriam que as suas filhas, as suas esposas e as suas irmãs se expusessem ao ridículo dos trajes inconvenientes e indignos de pessoas que se prezam, trajes que envergonham os homens sérios na mesma proporção que excitam a curiosidade das almas vis e mal-educadas. A mulher, com os pedidos insistentes e justíssimos dos seus esposos, dos seus pais e dos seus irmãos, acabaria por cobrir a repugnante nudez que a moda tresloucada favorece. Não sei como o homem cheio da experiência da vida, conhecedor mais ou menos profundo da sociedade dos nossos dias, não abre campanha renhida contra o desassombro perigosíssimo da moda, contra estas urgências, doutrinas do despótico moralismo social. Não vê o homem, a atualidade estúpida derramada sobre o santo onde lhe narra? E este veneno, se derramado em grande porção, deixará de empenhar, rirão mais ou menos, se difunde e se apropriado veículo, notificação, fomenta-o por todo o país, afirmam. Ouvimos o honrado, vencido sempre pela própria estipulação, o de e dos seus banqueiros ao justo tempo que o vem favorável, dado em afastar enquadrar numa de certos meios perigosos anteriores, que infeccionam com e unicamente.
  • A campanha em favor do Inquilinato A redação do “O Nordeste” à disposição dos inquilinos, para quaisquer informações. O público, em edição anterior, cientificou-se dos termos do parecer da Comissão de Justiça da Câmara, sobre esta questão do inquilinato. A interpretação da lei 4.403, ali posta de acordo com o verdadeiro espírito do referido decreto, afasta qualquer vexame que pudesse pesar sobre os inquilinos, explicando a comissão no seu parecer que, das intimações que se estão fazendo, não pode absolutamente resultar o despejo, como também apresentando um projeto em que se fixa o verdadeiro modo de contar o prazo de um ano, estabelecido no aludido § 1º do mesmo artigo. Há quem argua que o projeto da comissão não tem efeito retroativo e, portanto, não prejudica as medidas tomadas de acordo com a lei 4.403. Mas a questão é que o projeto é, simplesmente, uma interpretação da lei 4.403, assim declarado pela Comissão de Justiça, interpretação autêntica por partir do mesmo poder que elaborou o dispositivo; e é máxima certa de hermenêutica que a lei interpretativa não é uma nova lei, mas faz parte integrante da lei interpretada, devendo considerar-se como se votada na mesma data. O novo projeto da comissão, a essa hora já talvez feito lei, veio pôr termo à exploração de muitos senhorios, que, aproveitando-se da pretendida brecha do § 1º do art. 1º, queriam impor aos inquilinos os preços que entendessem, aumentando até, como tem sucedido, de 100 ou mais por cento os aluguéis de suas casas. Posta a coisa assim nos devidos termos, e, influindo no ânimo dos moradores pelo terror da notificação e despejo que anunciam, têm, mesmo em Fortaleza, levado muitos deles a assinarem contratos absurdos e impiedosos. Não temos má vontade aos proprietários; apenas, lastimando que tantos se deixem dominar por excessivo egoísmo, nos pomos ao lado dos mais fracos e a estes aconselhamos que não transijam no que é de estrito direito seu. Ninguém deve assinar esses contratos impostos sob uma coação moral absolutamente censurável, contratos que são verdadeiras ciladas à boa fé dos inquilinos. Para estorvar essas explorações desumanas, é que damos os esclarecimentos precisos ao público em geral, e já recomendamos a nosso correspondente no Rio que nos enviasse os mais detalhados informes sobre a momentosa questão do inquilinato. Esta redação, além dos esclarecimentos escritos, dispõe-se a atender, verbalmente, a quaisquer informações de que venham a precisar os inquilinos, para completa ciência dos seus direitos.
  • DO INTERIOR A estada do Dr. Lourenço Filho no Cariri. Discurso de S. S. CRATO, 22 — Causou excelente impressão o discurso do Dr. Lourenço Filho, diretor da Instrução Pública, na festa que houve em honra sua e do Dr. Otávio Gonzaga. Perorando sua feliz oração, de que já enviamos breve resumo, o professor paulista, impressionando vivamente a auditoria, mostrou que o Brasil vive pedindo ao estrangeiro a imigração que até aqui mesmo, no Ceará, mal avulta. «Mas — exclamou S. S. — em que difere o nacional do estrangeiro? Em que este é forte e culto, não de corpo e de mentalidade, preparado melhor para as lutas da vida. O segredo de tornar o nacional igual ao estrangeiro está no saneamento e na educação popular, serviços que mutuamente se auxiliam». Terminou S. S. mostrando a importância econômica da região do Cariri, as suas grandes responsabilidades na obra do renascimento do Ceará, porque tanto se empenha o estadista que ora dirige os destinos do Estado, com muita agudeza de vistas. O professor Lourenço foi muito aplaudido. S. S. visitou o Seminário. Diocesana a casa de D. Bárbara e o excedente prédio doado pela prefeitura, para a instalação de um grupo escolar. O diretor da instrução seguiu para Barbalha.
  • DO PAÍS O Presidente Epitácio RIO, 23 — A bordo do «S. Paulo», o presidente Epitácio regressou de Santos. Para os torcedores do Caramulo RIO, 23 — O senador Benjamin Barroso apresentará um projeto concedendo 50 contos, como prêmio aos jogadores brasileiros que venceram o campeonato sul-americano de «football». Pela Câmara RIO, 23 — Na Câmara, o sr. Americano Brasil justificou o seu projeto sobre as medidas práticas que o governo deve tomar para a construção definitiva da futura capital da República. O sr. Octávio Rocha combateu o projeto que autoriza o governo a abrir o crédito especial de 10 mil contos, para fazer face às despesas com as obras e custeio da Exposição. A borracha sobe de preço RIO, 23 — A borracha subiu repentinamente de preço, aumentando mil réis em toda.
  • Notícias de Pelotas PELOTAS, 23 — Os vicentinos celebraram, ontem, o 50º aniversário da fundação das conferências no Brasil. D. Joaquim celebrou uma missa em ação de graças, havendo comunhão geral dos confrades e socorridos. Houve um festival em benefício dos pobres socorridos, em que tocou uma orquestra e a banda de música do 9º batalhão. Também se realizou um banquete aos mesmos, presidido por D. Joaquim e servido por senhorinhas pelotenses. No festival, realizado no Ginásio Gonzaga, foi feita a distribuição de roupas e esmolas. O sr. Antônio Motola discursou sobre a obra vicentina. — Encerraram-se as missões na Matriz do Coração de Jesus. — O Exmo. Sr. Bispo prossegue na sua visita pastoral, indo agora a Bagé e Lavras, acompanhado do Pe. Sylvano de Sousa e dos padres redentoristas. — O chá de caridade em favor do Asilo dos Desvalidos rendeu 500$000.
  • O «Bagé» foi sequestrado pelo governo francês RIO, 22 — Notícias de última hora, para «A Noite», diz que a França sequestrou o navio brasileiro «Bagé», ex-alemão, que lhe estivera arrendado, a pretexto da falta de pagamento pelo Lloyd, de vultuosa quantia, devida por fornecimentos ao mesmo paquete. O governo brasileiro teria protestado. Ainda não veio confirmação dessa notícia.
  • A discussão em torno da situação financeira Uma entrevista do inspetor dos bancos (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 23 — Continuam as discussões em torno da situação financeira. O sr. Custódio Coelho, diretor da Carteira Cambial, é acusado da depreciação da nossa moeda. Sobre o assunto, o «Rio Jornal» entrevistou o fiscal dos bancos. Este estranhou que o diretor da Carteira Cambial tenha atribuído ao Congresso o estado de depreciação da moeda brasileira, quando, ao mesmo tempo, diz ter o Banco do Brasil, na sua gestão na Carteira, auferido, este ano, um lucro de 25 mil contos e ainda a renda de 35 mil contos ao Tesouro Nacional. A inspetoria dos bancos criou para o Banco do Brasil uma situação privilegiada; mas não cabia à inspetoria fixar ou promover a alta ou baixa do câmbio, porquanto essa função pertence ao diretor da Carteira Cambial. Aconteceu, porém, que este orientou a ação visando dar lucro ao Banco do Brasil, cujos acionistas tiveram agradáveis dividendos, percebendo o Tesouro lucros vantajosos. O entrevistado trata, ainda, dos verdadeiros fins da fiscalização dos bancos e da ação da inspetoria a seu cargo para defesa do governo em qualquer operação que os bancos realizem. A intervenção da inspetoria limita-se à especulação dos bancos e à fiscalização do selo. Chama a atenção para o papel e benefícios da inspetoria, interferindo nas falências e salvaguardando os capitais brasileiros. Acha o entrevistado que a inspetoria deve ser bancária e não cambial. Terminando, propôs que seja feita uma legislação bancária, aumentando os poderes da inspetoria, mas restringindo a sua influência sobre o movimento cambial. Nos círculos financeiros, comentam elogiosamente a entrevista do inspetor dos bancos.
  • Incêndio do edifício do «O País» RIO, 24 — No momento em que telegrafo, manifestou-se um princípio de incêndio no edifício do «O País». Os bombeiros estão trabalhando para extinguir o fogo.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Redação: Dra. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo
  • Expediente ANO I Fortaleza, Quarta-feira, 25 de Outubro de 1922
  • Anúncio VENDEM-SE nesta redação cautelas da grande Tombola do Centenário em benefício do Patrimônio do «Dispensário dos Pobres» e do «Patronato das Operárias», mantidos pela «Liga das Senhoras Católicas Brasileiras».
  • Telegrama Muito mais nos importa como nos aparecemos ante nós mesmos, do que como nos consideram os outros. SÊNECA. RUA 99
  • Telegrama OS POETAS CEARENSES NO CENTENÁRIO Dublado O Sol quis ver a Terra, hoje. A inércia Só uma nuvem formou no firmamento; Queria vê-la, ao menos um momento, Mas mesmo esse momento não podia. Porque o sombrio, o tonto, o pardacento Dessa nuvem ao Sol não permitia Ver uma flor, sequer. Passou-se o dia Quase que num perfeito enlutamento. Quis ver a Terra, mas a tarde veio, Depois a noite, que o ocultou no meio Dos seus escuros e tristonhos folhos... Maria, eu sou direito esse suposto: Há dias em que a nuvem de um desgosto Não quer que eu veja a terra dos teus olhos!.. Quintino CUNHA
  • Telegrama Telegramas O prazo de um ano deve contar-se da data da publicação, quando a locação, sem contrato escrito, tiver sido feita antes de sua publicação; e da locação, quando esta se der após a publicação da lei. Não pode ser despejado o que estiver em dia com o aluguel; se estragar a casa, se utilizar para banquetes, ou ainda, se o proprietário quiser residir. A favor do inquilino. Não resulta o despejo. A Comissão de Justiça assistia o recato antes do véu da licença. Os ambientes da asfixiante, não vê a expulsão do santo onde lhe narra? E este veneno, se derramado em grande porção, deixará de empenhar, rirão mais ou menos, se difunde e se apropriado veículo, notificação, fomenta-o por todo o país, afirmam. Ouvimos o honrado, vencido sempre pela própria estipulação, o de e dos seus banqueiros ao justo tempo que o vem favorável, dado em afastar enquadrar numa de certos meios perigosos anteriores, que infeccionam com e unicamente. O prato quente. O proprietário pode pedir, que só despachadamente se se enquadra nas hipóteses do onde não se sacrifica. Quanto ao aumento, o inquilino, mas a vida, para se sustentar. Não existe dignas, após a notificação. São estes os esclarecimentos que o público mais difusor vai estranhar, intenta para, por sua precisa notícia e esta verdade, dirimirmos a publicação. Oferecemos ao agradável. O Padre Cristo Redentor. Operários Católicos. Há um colunista, publicada em Aracati, de amor real. Imóveis do aumento de aluguel.
  • Nota social Ecos Desde o dia 10 de outubro corrente que desapareceu do Calçamento de Mecetena nº 833, o rapazinho de nome Joaquim Araújo, filho de D. Josefa Araújo, e empregado da loja «A Cearense». Trajava roupa de brim pardo, sapatos brancos, chapéu de palhinha. Joaquim é alvo, corado, olhos pretos. Presume-se que, estando doente e não o querendo confessar em casa, tenha por isso fugido ao lar. Toda a sua família, vivamente aflita, tem empregado todos os esforços para lhe descobrir o paradeiro, o que, até agora, foi em vão. É por nosso intermédio, solicita a todos que dele tiverem notícia a caridade de a avisarem. Aqui fica o apelo.
  • Anúncio Tenho o prazer de comunicar a V. Exa. que acabo de mudar o meu estabelecimento comercial denominado «Casa Jayme», para o número 146 da mesma rua (Floriano Peixoto), antiga «Casa Colombo». Aproveito a oportunidade solicitando sua preciosa atenção à grande variedade de artigos e novidades para homens, senhoras e crianças que estou recebendo atualmente. Contando desde já com as atenções de que tenho sido alvo por parte de V. Exa., bem como do público em geral, reitero os meus protestos da mais cordial estima. De V. Exa. Amigo atento, Jayme M. Campos. Do estimável cavalheiro Jayme Campos, proprietário da «Casa Jayme», recebemos a seguinte comunicação: «Pela presente tenho o prazer...
  • Telegrama A obra da revolução ATENAS, 23 — Realizou-se um grande comício para reafirmar a confiança na obra da revolução. No meio do comício, Manuel Jonathas proferiu o severo castigo para os que são responsáveis pelo desastre grego na Ásia Menor.