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O Nordeste
Dezembro de 1922 · 56 trechos transcritos
Manchetes desta página
- O Juiz de Direito [...] por todos.
- As emendas ao orçamento da Receita.
- A lista dos produtos que sofreram majoração nos Impostos.
- RIO, 20 — Somente agora, foram publicadas as emendas ao orçamento da receita, aumentando os impostos. O "Correio da Manhã", comentando os aumentos, registra que os congressistas lançaram-se com fúria sobre as tributações, conservando, porém, todas as regalias. Diz que o Congresso age com vergonhosa inconsciência, pois taxa escandalosamente os contribuintes, mas não discute as causas da miséria nem chama os responsáveis a prestar contas. Pergunta se pode o Congresso só exigir sacrifício do povo, deixando os criminosos gozar tranquilamente a fortuna desonesta que adquiriram. Entre outros, há os seguintes impostos aumentados: Selo de petições, R$ 1.000; ingresso em casas de diversões, R$ 100 por R$ 1.000; manteiga, 250 gramas, R$ 200; café, idem; chocolate, R$ 050; móveis, do custo de R$ 5.000, R$ 1.100, do custo de R$ 200, R$ 2; cigarros, de R$ 200, [...]; de R$ 400, R$ 100; charutos, idem. As bebidas foram majoradas na proporção de R$ 100 por garrafa; vidro de perfume no preço de R$ 10, pagará R$ 1.500; do preço de R$ 17, R$ 3.000; lã de algodão, ou do linho, metro, R$ 200; lã pura, R$ 250; tecidos, de barra de seda e lisos, R$ 300; lavrados, R$ 400; colarinhos de algodão, R$ 100; de lã ou linho, R$ 200, de seda, R$ 500; punhos, par, de algodão puro, R$ 200; de lã, R$ 300; de seda, R$ 1; camisas, peito de algodão puro, R$ 200; de linho, R$ 600; de seda, R$ 1.500; meia, 2%; sapatos, até R$ 18.000, conforme o comprimento. Isenções dos direitos alfandegários.
- O sr. Borges de Medeiros e o tribunal de honra.
- Faleceu, em São Paulo, um sírio riquíssimo.
- SÃO PAULO, 21 — Faleceu, neste Estado, o sírio João Isac, proprietário de 14 fazendas na comarca do Jaú, com 2.400.000 pés de café. Começara a vida como simples mascate, e possuía uma fortuna calculada em 10 mil contos, contava 41 anos de idade. Deixa mulher e quatro filhos.
- Banquete ao senador Bernardo Monteiro.
- RIO, 21 — O senador Ponde Modesto Leal ofereceu, no palacete de sua residência, um grande almoço ao senador Bernardo Monteiro e excelentíssima família, comparecendo ao mesmo grande número de políticos, autoridades e amigos.
- A colação de grau dos médicos de 1922.
- BAHIA, 21 — Com imponente solenidade, realizou-se o ato da colação de grau dos doutorandos de 1922. Falou, em nome dos alunos, o sr. Sá Oliveira; e, pela congregação, o professor Eduardo Diniz. Houve missa solene, em ação de graças.
- A sessão do Senado.
- RIO, 22 — A sessão do Senado prolongou-se até a noite, tratando-se da questão dos orçamentos e dos projetos de lei do inquilinato e da imprensa.
- A decisão do caso gaúcho.
- RIO, 21 — O "Rio Jornal" diz ter a certeza de que o dr. Borges de Medeiros respondeu ao telegrama do dr. Assis Brasil, aceitando o tribunal de honra, mas estabelecendo a condição indispensável de que o árbitro único seja o presidente Bernardo. O "Rio Jornal" adianta que o dr. Assis Brasil aceitará a arbitragem do presidente da República.
- Notícias de Minas.
- BELO HORIZONTE, 21 — Faleceu o desembargador Continenti. — Regressou do interior do Estado o dr. Alfredo Sá, chefe de polícia. — Estreou, ontem, no "Municipal", a companhia Pina Gíoni, tendo assistido ao espetáculo, com sua família, o presidente Raul Soares. — O governo do Estado, por decreto de ontem, deu a denominação de "Barão do Caxingó" ao aprendizado agrícola recentemente criado em Ouro Preto.
- Câmara.
- RIO, 22 — Na Câmara, o sr. Daniel Carneiro defendeu as taxas do imposto de consumo e do selo adesivo, dizendo serem falsas as acusações feitas a eles mesmos, perante o Senado. O sr. Augusto de Lima tratou da necessidade da aprovação do projeto do sr. Carvalho Netto, uniformizando o Código do Direito Processual. O sr. João Cabral criticou alguns dos impostos projetados no novo orçamento. O sr. Salles Filho leu um artigo de Heitor Lima sobre o processo do deputado Macedo Soares, dizendo que o lia por ser o único meio de divulgá-lo, devido a que a censura não permitia a sua publicação nos jornais.
- Banquetes em homenagem aos ministros da Fazenda e da Agricultura.
- RIO, 22 — As classes conservadoras oferecem, hoje, um banquete aos doutores Miguel Calmon e Sampaio Vidal, aquele ministro da Agricultura, e este da Fazenda. Foram promotoras dessa homenagem as seguintes sociedades: Federação da Associação Comercial do Brasil, Associação Bancária, Câmara de Comércio Internacional do Rio, Centro de Fiação e Tecelagem do Algodão, Sociedade Nacional de Agricultura, Centro Industrial, Centro do Comércio do Café, Liga do Comércio, Centro Comercial dos Cereais, Associação dos Empregados no Comércio e União Comercial dos Varejistas. O banquete realiza-se no Clube dos Diários, emprestando-se grande significação ao mesmo.
- As condições que o sr. Borges de Medeiros exige para aceitar a arbitragem.
- RIO, 22 — O "País" publica o telegrama do dr. Borges de Medeiros, aceitando o tribunal de honra. O chefe gaúcho declara aceitar, em princípio, a arbitragem; mas, em vez de um tribunal, propõe a instituição de um juízo arbitral singular, submetendo-se o pleito ao arbitramento único e supremo do presidente da República. O sr. Borges de Medeiros estabelece os seguintes itens, indispensáveis à sua aceitação do tribunal: 1º — A Assembleia do Estado fará a apuração do pleito e, se reconhecer e proclamar reeleito o presidente atual, este se empossará no cargo a 25 de janeiro próximo. 2º — Terminada a apuração, imediatamente o respectivo processo, com seus anexos, inclusive a contestação escrita e os debates, serão enviados e apresentados à revisão do juízo arbitral. 3º — O árbitro decidirá, dentro de um prazo fixado, se o presidente reconhecido e empossado no governo do Estado alcançou realmente, ou não, os três quartos dos sufrágios do eleitorado que concorreu às urnas. 4º — Se o laudo arbitral decidir que o presidente não obteve o quociente eleitoral, a que se refere a cláusula antecedente, renunciará ele as suas funções, assim que receber a notificação oficial da decisão. 5º — Se, ao contrário, o laudo arbitral reconhecer e declarar que reuniu o presidente a votação indicada na cláusula 3ª, continuará ele no exercício do cargo, com a obrigação, para o candidato vencido e seus partidários, de lhe obedecerem à autoridade. 6º — O árbitro decidirá segundo as regras e formas legais, como juiz de fato e de direito. 7º — Será de 90 dias, contados do momento em que forem entregues ao árbitro, os documentos mencionados na cláusula 2ª, o prazo em que deve ser dada a sentença arbitral. 8º — Ficam os compromitentes obrigados a aceitar, sem recurso, a decisão arbitral.
- O parecer Lindolfo Pessoa.
- Licença para processar o deputado Macedo Soares.
- RIO, 22 — A Comissão de Justiça da Câmara tratou, ontem, do parecer Lindolfo Pessoa, sobre a licença para ser processado o deputado Macedo Soares.
- nome dos autos. O sr. Arthur Lemos leu, também, uma declaração de voto, afirmando que é necessária, somente, uma manifestação de qualquer das coisas do Congresso, para processar algum dos seus membros. O sr. José Barreto manifestou-se de acordo com Arthur Lemos. Finalmente, o parecer concedendo o pedido de licença foi assinado por todos os membros da comissão, sendo dois de acordo, totalmente, com os seus termos, e cinco com restrições quanto aos fundamentos do mesmo.
- Providências do ministro da Marinha sobre contratos do governo anterior.
- RIO, 22 — O ministro da Marinha resolveu anular vários contratos reservados, feitos na gestão do dr. Veiga de Miranda, por julgá-los prejudiciais ao ministério. Ordenou o mesmo que os contratantes que já tenham recebido qualquer quantia, por conta dos mesmos, devem restituí-las, em prazo que será determinado, findo o qual, não sendo restituídas, agirá perante os tribunais para conseguir o reembolso.
- A missão naval americana.
- RIO, 22 — Chegou, ontem, a missão naval americana, a qual vem composta do almirante Vogelgesang, quatro capitães de mar e guerra, oito capitães de fragata, dois capitães de corveta, cinco capitães-tenentes e 15 suboficiais. Compareceram ao seu desembarque o representante do ministro da Marinha e numerosos oficiais. Amanhã, os membros da missão americana visitarão os principais navios da esquadra.
- O Senado discute a questão do inquilinato.
- RIO, 22 — Na sessão do Senado, o sr. Frontin requereu urgência para entrar, imediatamente em discussão, o novo projeto, relativo às ações de despejo de prédios. O sr. Miguel Carvalho fundamentou um requerimento, no sentido de ser ouvida a Comissão de Constituição, sob a alegação de se tratar de matéria já rejeitada pelo Senado. O sr. Irineu Machado combateu o requerimento, declarando que o mesmo visava apenas retardar a passagem do projeto, que vem em socorro da população ameaçada de despejo, conforme as notificações feitas pelos senhorios, que desejam aumentar os respectivos aluguéis. O sr. Eusébio de Andrade salientou que o novo projeto nada tem de comum com o artigo rejeitado pelo Senado, fazendo notar que se trata, apenas de uma lei de emergência que suspende a execução de despejos durante um certo tempo. O sr. Adolfo Gordo declarou divergir de certos pontos do projeto, mas não apresentava emendas a fim de não retardar a passagem do mesmo. O sr. Tobias Monteiro combateu o projeto, apreciando-o sob o aspecto constitucional e jurídico, e dizendo que o mesmo atenta contra o direito de propriedade, assegurado pela Constituição. O sr. Irineu Machado, voltando à tribuna, refutou os argumentos de Tobias Monteiro. A sessão se prolongará até a noite.
- Cotações do algodão e açúcar.
- RIO, 22 — O algodão está cotado aos seguintes preços: sertão, R$ 55; primeira sorte, R$ 53; mediano, R$ 51. Saídas: 697 fardos. Em 'stock': 11.970. Não houve entradas. Cotações do açúcar: Branco e cristal, máximo, R$ 760; segundo jato, R$ 020. Mascavinho, R$ 560; mascavo, R$ 420. Entradas, 3.150 cocos; saídas, 2.740; em 'stock', 245.250.
- Relatório do Crédito Popular.
- Orna nossa bancada de trabalho um exemplar do Relatório apresentado à Assembleia Geral do "Crédito Popular São José", no dia 10 de março do corrente ano, pelo presidente daquela próspera e acreditada sociedade, sr. A. Ildefonso de Araújo. A leitura deste substancioso documento deixa a quem quer que o folheie excelente impressão. O "Crédito Popular São José" é uma sociedade de orientação católica, que vai realizando uma soma enorme de benefícios às classes pobres da nossa terra. Dia a dia mais se desenvolve e alarga o âmbito das suas operações, em bem dos seus associados. Ainda agora foi modificada a tabela das taxas dos pequenos empréstimos, tornando ainda mais favoráveis, de janeiro próximo em diante, as transações com os pobres. Outrossim, acaba de adquirir terreno destinado à construção de uma vila operária, o que representa um real benefício para as classes proletárias de nossa capital. Folheamos com muito interesse o magnífico relatório e ficamos altamente satisfeitos com a prosperidade crescente dessa obra social católica de grande alcance e que tanto deve merecer o apoio dos bons cearenses.
- A fraternidade continental.
- O sr. Angel Galhardo, ministro das Relações Exteriores da Argentina, passou, recentemente, pelo Rio, em trânsito para Buenos Aires, onde vai assumir o posto que lhe cometeu o presidente Alvear. A estadia de sua excelência foi ocasião para que o chanceler brasileiro lhe fizesse as mais vivas demonstrações do afeto fraternal que une as duas nações vizinhas, procurando convencê-lo de que a recente atitude da Argentina, na questão da conferência preliminar, francamente irritante, em nada prejudicou a cordialidade das relações com o Brasil. Foi todo nesse tom o discurso de saudação do ministro Felix Pacheco. Por outro lado, o sr. Gallardo não quis perder o ensejo de desfazer, com belas palavras, a impressão de desagrado e desconfiança que a Argentina deixou quando das fracassadas conversações sobre a questão do desarmamento. O discurso do sr. Gallardo, veemente, entusiástico, influído de um nobre sentimento de fraternidade americana, a ponto de não querer ver na América Austral senão uma pátria englobada — a pátria continental — é uma eloquente reparação das intrigas, dos insultos, da má vontade, com que ainda há pouco nos vimos tratados pela imprensa portenha, e ao pouco caso que a chancelaria de Buenos Aires ligou à proposta do Brasil, ao ponto de recusá-la sem razões aceitáveis. Deus queira que o sr. Gallardo leve, realmente, para a [...].
Anúncios, notas e expediente
- Telegrama [...] acondiciona. [...] Filho. Filho. [...] Capital Federal. [...] com van-plexias, dores reconhecidas. O por J. Arthur. [...] branco, verde e azul. [...]
- Expediente Administração: A. Ildefonso de Araújo
- Expediente ANO I. Fortaleza, Terça-feira, 26 de Dezembro de 1922.
- Telegrama [...]
- Expediente Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues.
- Nota social TELEGRAMAS de Julio Maciel Eu cismo em vão, em vão eu investigo, Sondo e revolvo todo o meu passado: Deve de ser pecado muito antigo Meu negro, tremendíssimo pecado. Apenas me ergo, após haver tombado, A alma reanimo, o coração instigo. Tombo de novo ao peso do castigo, — Tombo como um demônio fulminado. Amigo: Entre saudoso e apavorado, Disse-me adeus o derradeiro amigo, Ao ver que contra mim peleja um Fado. Ah! Na refrega insana que prossigo, Quando o último reduto for tomado, Só tu, meu Sonho, morrerás comigo.
- Telegrama Publicações Novas taxas, findo o tempo marcado. 2.740; em 'stock', 245.250. R$ 150. Das mercadorias sujeitas às novas taxas, findo o tempo marcado, senão apresentados os 'stocks', a fim de ser paga a diferença de impostos. Foram abolidas todas as isenções. [...] volta às suas [...] Janeiro de 1921.
- Telegrama O alfaiate, residente na rua [...] n. 107, para comunicar-vos que os Maria e Vasco Rios, um expeltro 200, afora ou extraordinário o vosso. Rios! Faço-vos entregar-vos os meus [...] e ao mesmo tempo o conhecimento das leis para fazer desvios e credos. (Ass.) Rios.
- Anúncio Vermífugo purga. Infalível e inofensivo. Sírias do Brasil. Março, 149 e 151. [...] italiano, francês. Falsificações, exige.
- Anúncio Rios. Coelho & Cia. TANEJOS Guimarães & Cia. [...] conhecido. Combinações com os do [...] & Cia. a 71. [...] é capaz de [...] não se. Urna recebidas de [...] e à publicação de [...]. [...] portador, seis [...] que me pede, seu medicamento e mostra ter, para gosto de ver-me. FEDERAL Limitada. Blsen — Rio. S. JOSÉ. Borax: com 5% de [...]. De 40 a 100%.
- Nota social A vida de todos nós é uma responsabilidade, e somos culpados, não somente do mal que fazemos, como do bem que deixamos de fazer. LESEUR.
- Expediente Número 148.
- Nota social As "Inconveniências" do aviador Martins, de que se comentam, até criminosamente, as faladas modas de dar certos, em que andou, em Aracaju, o já glorioso aviador brasileiro, Euclydes Lins Martins. Os telegramas dali noticiaram que Martins estivera bissexto, calado, retraído, nas festas em sua honra, mal respondendo, por monossílabos, às perguntas que lhe faziam. Citara um correspondente, depois de acentuar as gentilezas de Hilton e de George Rua, que Martins, perguntado se, de fato, nascera em Camocim, respondera apenas: "Quase que não nasci: saí de lá com três meses." Por tudo isso, as iniquidades caíram sobre o aviador destemido, ao ponto de lhe porem um apelido engraçado: a voante... Ora, minha gente! É preciso ser mais razoável nas coisas. É preciso refletir que Martins devia estar fatigadíssimo de uma acidentada viagem, que tantas vezes esteve a pique de fracassar, preocupado com a continuação da mesma e com as condições más do aparelho em que corre o drama. Junte-se a isso uma boa dose de natural engorgilhamento de [...].
- Nota social festas? Feitas na Guiana, feitas em Belém, ainda feitas no Maranhão, mas feitas em Camocim e, por fim, feitas também em Aracati! Como não há de aborrecer, a quem está doido para repousar, tamanhas e tão continuadas festas enfadam? Demais, se as perguntas a que Martins respondeu secamente: "[...]."
- Nota social foram as que o correspondente do Correio registra, convenhamos em que a tolice das mesmas justificava o enfado do aviador. Imagine-se o riso que nos causariam impertinências como estas: "O senhor teve muitas férias em Camocim?"; ou: "É verdade que o senhor nasceu em Camocim?" E os impertinentes ainda se zangam porque Martins declarara que quase não nasceu, porque saiu dali com três meses. Convenhamos, afinal, em que, se Martins respondeu inconvenientemente, a culpa está na impertinência das perguntas...
- Telegrama Um cupom de bônus vale um real. Guarde-o para os pobres de São Vicente de Paulo.
- Telegrama [...]