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O Nordeste
Janeiro de 1923 · 11 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Aviso Eclesiástico De ordem do exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano, comunico aos interessados que, segundo diz o Direito Canônico, cânon 788, o sacramento da Confirmação ou o Crisma só poderá ser administrado às pessoas que já tenham cerca de sete anos de idade. Em vista disto, o exmo. e revmo. Sr. Arcebispo torna público que não mais crismará crianças menores de sete anos, e espera que os fiéis se conformem com as prescrições da Igreja, evitando obter dispensas que não se justificam. Câmara Arquiepiscopal de Fortaleza, 10 de Janeiro de 1923. Padre Octávio de Castro Secretário interino do Arcebispado.
- O Dr. Jackson de Figueiredo acaba de dar publicidade a novo livro de sua lavra, intitulado «A Reação do Bom Senso». O ilustre publicista brasileiro, neste excelente trabalho de orientação social, afirma-se o mesmo espírito equilibrado e reto que tem despertado tanta admiração e tantos aplausos ao debater questões filosóficas de alta repercussão no mundo mental. «A Reação do Bom Senso» é um livro de combate ao demagogismo e à anarquia militar. São múltiplos os assuntos versados; mas, no seu conjunto, há perfeita ligação e, no conceito do autor, em todo ponto exato, as páginas coligidas neste volume, formam um livro, na rigorosa significação da palavra. Jackson de Figueiredo combate a onda de insubmissão e o espírito de revolta, desencadeados pela paixão de políticos sem escrúpulos, de que iam resultando consequências as mais funestas para a paz da família nacional. É um esforço cívico digno de todo o encômio dos patriotas sinceros, dos que desejam em primeiro lugar a prosperidade do Brasil e não a mera satisfação de subalternas aspirações pessoais. Pugna pelo decidido respeito à Lei na vida da nossa nacionalidade, fortificando, por todos os meios, o sentimento da Autoridade, no domínio da nossa existência política. E esse estudo sério é feito à luz da doutrina católica, com a prévia demonstração documentada de que a Igreja se constituiu, em todos os tempos, pela voz dos seus grandes luminares, a autorizada pregoeira do ideal contrário à obra da Revolução. O Catolicismo foi sempre, de fato, o combate aberto à absurda liberdade para o mal, e nisto está um dos seus mais salutares benefícios aos homens e aos povos. Não há fundamento mais sólido, alicerce mais resistente, para base do edifício social do que esta pedra, contra as quais são impotentes as cóleras infernais. Jackson de Figueiredo, na exposição nítida do seu ponto de vista, esclarece magistralmente questão tão grave e que de tão perto entende com o futuro do nosso país. No Brasil, como alhures, há dois caminhos a seguir: Catolicismo com a vitória da legalidade e da ordem, ou revolução, com o triunfo dos baixos intuitos anarquizadores dos que disputam o mando custe o que custar. O livro do brilhante publicista patrício é, pois, um trabalho de atualidade, digno de leitura profunda, serena e meditada. As suas teses são defesas magníficas ao patrimônio moral e às tradições honrosas deste povo, que sempre se revelou magnânimo nos seus sentimentos e somente quer progredir por vias pacíficas, postos à margem métodos violentos e processos desumanos, que têm sido a ruína irreparável de tantos povos incautos. Estas páginas vibrantes valem como uma análise criteriosa da última campanha presidencial, de que somente resta a muitos dos chefes de tumultos, com as «apodrecidas desilusões» do mal que não vingou, o «remorso social», de que devem tirar proveito na prática da vida pública. Recomendamos aos leitores o esplêndido volume do pensador católico, certo de que «A Reação do Bom Senso» é uma obra de educação cívica, absolutamente necessária ao nosso povo que deve ser encaminhado para os altos destinos que aguardam a querida terra brasileira. Livro que preza o renascimento espiritual da Pátria, faz jus à maior divulgação, em bem da própria coletividade.
- Exportação de caroço de algodão e os produtos, em mãos dos intermediários que não se poupam de meios para elevar-lhes o valor, com cuja diferença aumentam o seu lucro. Nem, sequer, a alta desse preço serve de estímulo ao maior desenvolvimento da cultura agrícola, pois que, todos nós ainda sabemos que na próxima futura safra, a colheita será, como sempre, a isenção de direitos com fins proibitórios da exportação do caroço do algodão. Acontece, a mínima. Quem se opõe a tão acertada medida governamental, vende caroço à comissão; e, quanto mais alto for o preço do gênero, melhor o lucro que auferem. Quanto a nós, trabalhamos para a baixa do custo das coisas, para o barateamento da vida, para o progresso e engrandecimento da pecuária, riqueza comum do Estado, que precisa da assistência do governo para a sua subsistência e conservação. A mesma ideia, o mesmo pensamento e o mesmo raciocínio tiveram outros Estados da Federação, onde São Paulo, que, pela Lei n. 1.528 de 28 de Dezembro de 1916 criou a proibição da exportação dos subprodutos do algodão, utilizados pela pecuária. Entre nós, presentemente, o caroço de algodão atingiu preços só comparáveis aos das calamidades das secas gerais, e nunca registrados nos anos regulares de invernia. Essa alta escandalosa do custo do caroço, ou é devida à falta do produto ou à especulação desenfreada dos detentores. Tanto num, como em outro caso, o governo tem a obrigação de contrariar, dentro da Lei, as causas que a determinam, procurando aliviar os efeitos dos mesmos especuladores de hoje serão os compradores de amanhã, usando de meios contrários para a obtenção de estoques destinados à valorização. Desse modo, vê-se claramente que não existe nenhum fundamento patriótico nas ideias dos que advogam a alta do preço do caroço do algodão, sendo, ao contrário, impatriótica a tarefa de perseguir uma indústria respeitável, como a da pecuária, que interessa o povo todo e representa a maior fortuna pública do Estado. Felizmente, porém, não encontra guarida a opinião contrária à boa norma administrativa posta em execução pelo atual governo, que está fazendo apenas o que outros Estados têm feito, procurando colocar-nos à altura da civilização, que em grau elevado gozam aqueles a quem estamos imitando. E, quanto a nós, pomos ponto final no assunto, esquivando-nos de repetir conceitos sobre coisa da mais elementar visão administrativa, e que, conhecidos de todos, nenhuma vantagem poderão trazer aos leitores. D. T.
- Um exemplo aos políticos. Golias Porto, presidente interino da Câmara Municipal, pronunciou, há dias, no encerramento dos trabalhos da mesma, deixou-nos a mais lisonjeira impressão da altivez de ânimo daquele cidadão, que, eleito por um partido, nem assim se sujeita a todas as imposições que lhe queiram fazer em nome do mesmo, violando a sua consciência e ofendendo o bem-estar da coletividade. A oração do Sr. Golias Porto, que, por escassez de espaço, lemos o prazer de publicar [ilegível] na íntegra, é a justificação da sua atitude no exercício do mandato de vereador. E explica toda sua vida política, desde que de Pernambuco, chegou ao Ceará; a sua filiação ao partido democrata; a sua primeira eleição para a Câmara, quando não se quis empossar, com mais três companheiros, visto na realidade dada haverem sido esbulhados do seu mandato, ao tempo da [...], e, por fim, a sua investidura de vereador, na atual legislatura. Trata de sua atitude no seio da Câmara Municipal, sempre coerente com os seus princípios e inflexível no reto caminho de sua consciência. Por fim, chega à votação da Lei n. 73, de dezembro último, unanimemente aprovado pela Câmara, lei de interesse público que determinava o único modo decente por que a administração municipal devia fazer os contratos de locação das pedras do mercado. Refere-se, então, ao veto do prefeito ao mesmo projeto, afirmando que votara pela [lei] citada, porque entendia que era o bem público, e assim recusara o seu apoio ao veto. Entendia que o partido, a que pertencia, não podia fazer questão de honra da aprovação do [projeto], nem ele de modo nenhum se sujeitava a imposições dessa ordem, que implicavam desvios de sua consciência. Este rápido transunto do discurso do Sr. Porto, ninguém pense que nos animassem quaisquer interesses de lisonjear a S. S., de quem em outras questões temos estado até em acordo e temos censurado atitudes. Apenas quisemos salientar a atitude correta de S. S. no seio da Câmara, frisando os conceitos sobre a dignidade e consciência dos homens políticos, a quem não cabe o direito de, fugindo ao seu dever e desviando-se dos interesses coletivos, obedecer apenas aos interesses dos partidos, tantas vezes demasiado estreitos.
- MOVIMENTO DE VEÍCULOS A propósito das [medidas] tomadas pela Inspetoria de Veículos, no sentido de regularizar o movimento de automóveis, recebemos a carta infra. Submetemos os dizeres da mesma à atenção da aludida Inspetoria. A lei foi feita para todos e não há razão para exceções, com mais venia em casos, como esse, em que da inobservância das prescrições estabelecidas, podem ocorrer resultados funestos à vida dos transeuntes. Eis a carta a que nos referimos: «Ceará, 10 de janeiro de 1923. Ilmos. Srs. Redatores d'«O Nordeste», Tomo a liberdade de dirigir-lhes a presente, com o intuito de aplaudir a sua [nota] de ontem, sobre as providências tomadas pela Inspetoria de Veículos com relação ao trânsito de automóveis pela Praça do Ferreira, solicitando: Quero me referir ao modo irregular pelo qual transitam ou circulam os automóveis oficiais ou semi-oficiais (são assim classificados os que conduzem pessoas da família do Exmo. Sr. Presidente do Estado). Esses carros, se não estão a [ilegível] sujeitos às leis da polícia, transitando contra a mão, subindo ou descendo ruas em movimentos contrários aos determinados pela Polícia, com grave risco de abalroamentos e consequentes desastres de lamentáveis consequências. Ainda num dos últimos dias feriados, íamos sendo vítimas de um desses automóveis semi-oficiais, que absolutamente nos recusou a mão, na linha do [ilegível]. [ilegível] para não incomodar os seus passageiros, retirando-se dos trilhos de [Light], como lhe competia fazer. Várias vezes temos presenciado os automóveis palacianos descerem, em sentido contrário, a Praça José de Alencar, com grave risco de um encontro com outro carro, na curva da Travessa do Mercado, onde não há espaço que permita um desvio rápido que possa evitar um desastre. Estes fatos, cremos, são muito sérios, e deviam ser de preferência olhados pela Inspetoria de Veículos, pois o fato de fazer parar os automóveis na Praça do Ferreira, não é justificável, nem nas cidades grandemente movimentadas do Sul, onde essa medida extrema só é aplicada para descongestionamento do tráfego. A passagem em marcha lenta, sim, justifica-se e torna-se mesmo necessário. Um grande serviço que essa ilustrada Redação prestaria também a Fortaleza, seria uma campanha sistemática contra o trânsito de pessoas pelo meio das ruas, deixando em abandono as calçadas apropriadas a esse fim. É incalculável o número de transeuntes distraídos, que se encontram pelas ruas de Fortaleza, e nem sempre os automóveis devem ser os acusados pelos repetidos desastres que ocorrem. O público deve receber lições da melhor forma de andar nas ruas, pois se o nosso movimento de veículos aumentar progressivamente, os desastres poderão repetir-se-ão em proporção assustadora, ou a polícia ver-se-á na contingência de... proibir o tráfego de automóveis. Creiam-me com a maior estima, seu constante leitor
Anúncios, notas e expediente
- Expediente ANO I O NORDESTE Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza-Quinta-feira, 11 de Janeiro de 1923
- Telegrama [...] O purga. [...] ino-Brasil. 49 e 151 no, fran. [...], exi- > a Cia. O Federal tom van-ás, dores condiciona OS. A Cia. A Cia. CS 000. 00.5000, y artador o sidente à V 000. 1000.5000, erior que aes ii/i e sifilítico, etc. nutre as [...] bravas, tantas vic-feilos ma- losea que [...] Indi* Agentes e 4ª. 61ª. [...] IOS não (II) preço de as Bene[...]. Jor Alen-L 692 e I Viscon-raça lo sé 10/1
- Nota social Círculo Católico Reúne-se hoje, às 19 horas, no local do costume, a diretoria do «Círculo Católico de Fortaleza». E. Salgado Duarte.
- Telegrama Telegramas DO PAÍS Um Instituto Franco-Brasileiro na Universidade do Rio RIO, 9 — Foi sancionada a solução legislativa que concede uma subvenção de 50 contos anuais, para ser fundado, na universidade desta capital, um instituto franco-brasileiro de alta cultura literária e científica, de acordo com negociações entabuladas entre o nosso governo e o governo francês. Os que se despedem do presidente Bernardes RIO, 9 — Esteve ontem no Catete, apresentando suas despedidas ao presidente da República, o ministro da Bolívia. — Também se despediu do presidente da República o Dr. Egomás de Vasconcelos, novo governador do Acre. Escola de Aplicação RIO, 9 — Realizou-se, em Niterói, a inauguração da Escola de Aplicação, anexa à Escola Normal. O banditismo no Piauí RIO, 9 — O governador do Piauí, impotente para reprimir o banditismo no interior do Estado, telegrafou à bancada federal, pedindo obter do governo da República que auxilie a ação estadual. Foi dissolvido o Tiro de Campos RIO, 9 — O ministro da Guerra mandou dissolver o Tiro de Campos e recolher o equipamento e munição do mesmo. O processo dos sediciosos RIO, 9 — De acordo com a resolução do Supremo Tribunal, no julgamento dos últimos habeas corpus, o processo contra os militares sediciosos será avocado pelo juiz da 1ª Vara Federal. Mil felicitações a Felício dos Santos RIO, 9 — De todo o país, principalmente do interior de Minas, têm chegado numerosos telegramas de felicitações ao Dr. Felício dos Santos. A estátua dos [ilegível] no Brasil RIO, 9 — A diretoria de [...].
- Nota social Danças Reproduzimos o trecho abaixo, publicado numa folha carioca: «A sociedade é um organismo complexo, difícil de ser compreendido e de compreender. Ela é, por vezes, cega. Muitos males que a moral individual repele, a sociedade não enxerga. Os seus excessos convencionalistas desaparecem em presença de certas práticas que o mínimo pudor não aceitaria. O critério coletivo sobre o que é moral, difere imensamente do critério individual. Assim, por exemplo, seria um escândalo se uma moça, na rua, agarrasse um rapaz. Entretanto, em um baile, fazem-se coisas piores do que isso. Os requebros de ancas, os remeximentos de pernas, a junção íntima dos corpos, e há quem ache não ser isso imoral. Os pais assistem impassíveis a essas «cenas degradantes a que se entregam as filhas». Não têm eles consciência de que estas moças de hoje, amanhã esposas, preparam nos bailes a festa, no instituto [ilegível] todo o pudor da moça. [ilegível] aproveitar o partido, e dali um [ilegível] de montão de graças imorais, que a referida moça, em vez de repelir, consentia que ele dissesse. O [ilegível] Tudo isso, resultado do modernismo, das danças indesejáveis, que lentamente vão arrolando todas as moças a um tal estado de sentimento francamente imperdoável, desmoralizador, corruptor, ofensivo à pureza do sexo e à honestidade que deve ser o alvor luminoso onde a mulher se eleva digna pelos seus atos superiores e pela sua conduta.
- Telegrama FELÍCIO DOS SANTOS RIO, 11 — Teve real [...] senão que se revelou boa [...], no [...] [...].