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O Nordeste
Janeiro de 1923 · 17 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Publicaremos na próxima edição: [...] Exportação do caroço de algodão, por F. Moreira. [...] Fuinha Entrevista do dr. Rompeu, [...] Filho ao jornal A Noite [...].
- RELIGIÃO [...] dava dois ou três almudes. Disse-lhes Jesus: "Enchei de água as talhas." E encheram-nas até cima. Então lhes disse Jesus: "Tirai agora. Levai ao arquitriclino." E eles lha levaram. E o que era o arquitriclino, quando provou a água, que se fizera vinho, e não sabia de onde lhe viera (porém, os serventes, que tinham tirado a água, o sabiam), chamou ao noivo e disse-lhe: "Todo homem põe primeiro o bom vinho, e quando já os convidados têm bebido bastante, então apresenta o inferior; tu, ao contrário, guardaste o bom vinho até agora." (São João, cap. 2, v. 1).
- 2º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA (Carta de São Paulo aos Romanos, cap. 12, v. 6). Irmãos, temos dons diferentes, segundo a graça que nos foi dada, segundo a proporção da fé. Se é ministério em doutrina, que o exerça com diligência. Se é para exortar, que o faça com fervor. Se é para dar, que o faça com simplicidade. Se é para presidir, que o faça com solicitude. Se é para exercer misericórdia, que o faça com alegria. O amor seja sem fingimento. Aborrecei o mal, apegai-vos ao bem. Amai-vos uns aos outros com caridade fraternal, preferindo-vos uns aos outros na honra. Não sejais indolentes no zelo, mas fervorosos no espírito, servindo ao Senhor. Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração. Socorrei as necessidades dos santos, praticai a hospitalidade. Abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram. Tende um mesmo sentimento uns para com os outros; não ambicioneis coisas altivas, mas acomodai-vos às humildes. Não vos julgueis sábios em vós mesmos.
- opinião mesma dos amigos do governo, que só por hipocrisia não se manifestam, que aquele moço, inteiramente desconhecido em nosso meio, apesar de finamente educado na Europa, de membro de importante família e de primar pelo seu critério e pela sua energia, não está no caso de exercer o cargo de secretário da justiça, de tamanhas e tão graves responsabilidades. Se o cargo exige a confiança do governo, exige também, certo, competência e ilustração. Demais, é possível, entre os homens do Estado, mesmo entre os políticos que o apoiam, o presidente não encontrasse um que satisfizesse as condições de confiança e capacidade necessárias?
- A entrega da correspondência ao administrador dos Correios é uma providência, em prol dos interesses do comércio desta praça, seriamente lesados com a demora da distribuição da correspondência, vinda do interior do Estado, providência que consiste em regularizar a entrega da aludida correspondência nas primeiras horas do dia, como se dava antigamente. Aos sábados, sobretudo, em que os bancos encerram as suas transações às 13 horas, há grande atropelo em se receberem conhecimentos vindos do sertão pelo correio, às 10 horas e às vezes mais tarde, como tem sucedido. Se a correspondência chegasse às 8 e meia horas, haveria tempo para se ultimarem as operações, sem perda para os interessados. Às 10 horas, entretanto, já não há meio de ultimar os negócios que decorrem da recepção de cartas, desde que as casas bancárias, como dissemos, encerram os seus trabalhos às 13 horas. É possível que o senhor administrador possa remediar esse inconveniente da demora da entrega da correspondência, com o que muito lucrará o comércio desta capital.
- Aí está porque o "Diário" entende que não perdemos oportunidade de demonstrar o nosso pouco amor à situação política do Estado. Engana-se. Nós não temos pouco amor à situação política do Estado, porque, na verdade, não temos nenhum amor à situação política nenhuma, tanto assim que, muitas vezes, temos sido vítimas também das zangas da oposição, quando, porventura, não concordamos. O nosso amor, a nossa dedicação, é sempre pelo bem-estar público, pelos interesses superiores do Estado, pela moralidade e correção administrativa, na política, tão chafurdada e enlameada por ela, que nem mesmo admite que haja quem dela se vicie, ao menos por propósitos de moral, quem, como os outros, não se contamine e macule no seu pantanal. Então, em regra de opinião, [...] pública, e ainda mais difícil que tudo isso é nonada, quando está em jogo a estreita conveniência partidária, o mesquinho interesse de triunfar custe o que custar, por quaisquer meios, que acomodam pessoas, e não de princípios, de qualquer agremiação política. Examinando de fora, como quem não tem interesse direto na causa, todos os atos políticos, e somente estes que podem repercutir na vida coletiva do Estado. Até hoje, a nossa função na imprensa não se afastou, na análise dos mesmos, de uma absoluta e inflexível serenidade, apesar dos insultos que, não poucas vezes, temos recebido daqueles que se ofendem com os nossos comentários, porque veem ferir os seus interesses particulares ou partidários. Tem sido essa a nossa política, a política dos que não têm ideais sem princípios e sem desapego. Como se oposição é criticar os erros da administração pública. Tudo, então, todas as vezes que o quisermos, podem considerar nossa oposição, mas [...]. O que sucede, agora, com o convite, feito ao senhor Otto Nogueira de Caldas, possivelmente (como o intitula o "Diário"), para o exercício do cargo de secretário da justiça. Continuamos a pensar, com a maioria da opinião pública, com a [...] acreditada [...] dirigida a [...].
- O caso de fissão política sem ideais. Quanto a nós, continuaremos onde sempre estivemos, satisfeitos com o critério que os homens de bem hão de fazer da nossa atitude franca, decidida e coerente, preferindo estar em posição simpática ante o público a abdicarmos da nossa dignidade e independência de vistas, ante a autoridade, simplesmente porque dispõe de quase todos os poderes do Estado.
- Pormenores da saída do dr. Raul Fernandes. — A posse do interventor. Proclamação do dr. Aurelino. (Do nosso serviço telegráfico) Rio, 11 — Para garantir o dr. Aurelino Leal, interventor federal no Estado do Rio, e que acaba de assumir o cargo, foi ordenado que à disposição do mesmo fique o 2º Batalhão de Caçadores, que tem sua sede em Niterói, bem como a força policial do Estado, sob o comando de oficiais daquela unidade do Exército. Para as funções de chefe de polícia do Estado, o interventor escolheu o dr. Salvador Conceição, que estava em comissão servindo na polícia desta capital, como 1º delegado auxiliar. Desde cedo, hoje, já era conhecida, em Niterói, a decisão do presidente da República, nomeando o dr. Aurelino Leal para interventor. O ambiente ali é de expectativa, pouco se tendo alterado a sua vida. Apenas, quem estiver habituado à sua costumeira calma, notará que, nas proximidades da Cantareira, há um pouco mais de movimento, o que também se nota em relação à travessia das barcas, vendo-se, não raro, que estão em comunicação entre esta e aquela capital algumas figuras das mais representativas de sua política. Pouco antes do meio-dia, o dr. Raul Fernandes chegou a Niterói, dirigindo-se ao Ingá, em companhia dos deputados Ramiro Braga e Veríssimo de Melo. Ali chegou sua excelência ao meio-dia, para se despedir dos funcionários do Palácio e para agradecer às forças que guardavam o edifício, tendo-se retirado, logo em seguida, em companhia dos parlamentares referidos e mais do deputado Francisco Marcondes, jornalistas e pessoas gradas. Na barca "Terceira", posta à sua disposição, seguiu para Niterói, às 12 horas, o dr. Aurelino Leal. A barca desfraldava as insígnias de chefe de Estado, indo na mesma influentes políticos fluminenses, dentre os quais os deputados federais Henrique Borges, Galdino Valle e Luís Guaraná e os deputados estaduais drs. Thiers Cardoso, Arthur Sousa e outros, o cel. Santa Cruz, representando o presidente da República, o capitão Carlos Reis e diversos oficiais do Exército. Às 12h40, a barca atracou, na estação de Niterói. A banda de música do 2º Batalhão executou um dobrado. A estação das barcas estava guardada por praças do Exército. Com a sua comitiva, o dr. Aurelino Leal dirigiu-se para o Ingá, no automóvel do Estado, que o esperava, sendo prolongadamente vivado por compacta multidão. Entre as pessoas que aguardavam a chegada do interventor, viam-se os senhores Norival de Freitas, deputado federal, dr. Alfredo Backer, major Feliciano Sodré e outros vultos da política do Rio. Também estava na estação das barcas o dr. Maurício de Medeiros, secretário do governo Raul Fernandes. O dr. Aurelino dirigiu uma proclamação ao povo fluminense, dizendo desejar que a sua rápida passagem pelo governo, entregue provisoriamente ao "controle" da União, se assinale pelo restabelecimento imediato da ordem. Sua excelência acrescentou crer que, decretada a intervenção, não haverá quem se anime a perturbá-la, pois que traz o propósito de servir aos direitos dos cidadãos. A esses fazia a declaração de que é inabalável a sua resolução de impor o domínio da lei, pronta e rigorosamente, quando dela se afastarem. No Palácio do Ingá, o dr. Aurelino foi saudado pelo major Sodré, que, em longo discurso, apresentou as boas-vindas a sua excelência, em nome dos oposicionistas fluminenses. O dr. Aurelino respondeu. As continências ao interventor, no Ingá, foram feitas pelo 2º de Caçadores.
- Um comerciante desta praça recebeu ontem o seguinte telegrama, sobre o caso de Missão Velha: Acaba de ser oferecida denúncia pelo dr. promotor de justiça contra José Dantas de Araújo, Felismino Mendonça, vulgo Bindá Matuto, e Manuel Paulo, já estando preventivamente presos os dois últimos, implicados com o primeiro no assassinato de José Pequeno. A população mostra-se mal impressionada com a ação do advogado Correia Lima, que vai requerer "habeas corpus" em favor desses assassinos. Por este despacho que nos foi mostrado, vemos que a justiça vai fazendo o que lhe cumpre, no sentido de punir os responsáveis pelo crime revoltante e bárbaro da estrada de Arraial.
- Atropelamento por automóvel Ontem, pelas 15h30, o menor Inácio Ratts, na praça José de Alencar, em frente à Casa Frota & Gentil, foi apanhado pelo automóvel particular do senhor Meton Gadelha, proprietário da Litografia Gadelha. Logo após o desastre foi conduzido no mesmo automóvel. Ratts ficou ligeiramente contundido na perna.
- Um mártir da Eucaristia Traduzido especialmente para o "O NORDESTE" [...] pelo augusto Sacramento dos nossos altares era admirável. Era santo fulminado no caminho de padre e apóstolo, e ele adorava com amor o Divino Prisioneiro, invejando a humilde Consagrava-Lhe sua pena e [...]. Era o jovem barão Arthur de [...], filho de um rico senhor protestante, que visitava como turista as principais cidades da Europa, onde [...]. [...] expiação pelos ultrajes feitos [...]. De repente desapareceu a tua de seu rosto, substituindo-a pelos de ricos uma palidez mortal, enquanto o padre esplêndido que cai de joelhos e uma torrente de lágrimas jorra de seus olhos. Que terá acontecido? O jovem protestante que no-lo vai contar. [...] pelo clero e leigos. Enquanto eu fitava com um olhar incrédulo o centro do ostensório, pareceu-me que o Salvador Jesus lançava sobre mim um olhar indizível de doçura, de tristeza e de reprovação. Puse-me então em meu ser, e uma coisa indescritível: caí de joelhos, e adorei. Seus superiores, idos de Roma, o haviam enviado, em caráter de auxiliar, a um velho cura, em uma paróquia nas montanhas da Sabina, particularmente infestadas, nessa época, por bandos de ladrões. Uma noite, muito tarde, o vigário foi chamado a visitar um doente. O padre S., querendo esperar sua volta, contemplava da janela o magnífico céu da Itália, no majestoso e inalterável silêncio da noite. A modesta igreja, situada a alguns passos do presbitério, atraía o seu coração, a lâmpada do santuário que projetava sua doce luz através das vidraças. Súbito, ele julga ver uma sombra se mover no lugar santo. Corre à igreja, cuja porta se achava entreaberta. Ao distinguir o altar, fica gelado de terror: dois ladrões estão perto do tabernáculo aberto e se dispõem a roubar o precioso cibório que encerra as sagradas Partículas. Que fazer? Ele sabe que, num recanto da igreja, há trancas à sua disposição; por um momento pensa em apoderar-se delas para subjugar os sacrílegos. Não, pensou depois, a mão que consagra o Pão da vida não se levantará sobre esses infelizes. Adianta-se devagarinho e, antes que os malfeitores se apercebam de sua presença, passa junto a eles, sobe no altar e apodera-se do santo Cibório. Estupefatos, atordoados, os ladrões procuram fugir, mas, vendo-se à frente de um só homem, não querem perder a ocasião e lançam-se sobre o padre, a fim de lhe arrancar o sagrado depósito. Apoiado contra o altar e apertando sobre o peito o Cibório, o padre S. fez de seu corpo uma muralha e, apesar dos golpes que recebe, não se move, não enfraquece. Numa raiva impotente contra aquela força sobre-humana, os sacrílegos desfecham-lhe a pistola na cabeça. O generoso padre, ferido mortalmente, por um esforço supremo aperta ainda em suas mãos o tesouro divino. "Senhor! Socorro!", exclama. "As forças me abandonam." Nesse instante, entram na igreja o cura e o sacristão, com dois homens que os tinham acompanhado naquele curso noturno. Os ladrões têm pressa em fugir. Mas que espetáculo se apresenta aos olhos do velho pároco e dos seus companheiros!... Ao pé do altar está estendido quase sem vida, aquele que deixaram em plena saúde uma hora antes: tem na cabeça uma larga ferida, donde jorra uma onda de sangue, e suas mãos desfalecidas cerram ainda ao coração o santo Cibório. Um sorriso celeste aflora-lhe aos lábios, quando o entrega ao cura, sufocado pela emoção. "Não choreis, meu amigo", disse-lhe o moribundo com uma expressão radiosa, "o desejo mais veemente de minha vida cumpriu-se agora; morro pelo Deus cativo em nossos tabernáculos." Apressaram-se em socorrê-lo; mas os traços do santo religioso começaram a se alterar, e sua fisionomia revestiu-se dessas aparências da morte próxima, que ninguém pode desconhecer. Ao pé do mesmo altar, ele recebeu em Viático o Deus que se fez vítima por nosso amor, e antes que o sol iluminasse o Oriente com seus primeiros fulgores, o glorioso mártir adorava sem véu Aquele a quem tanto amara sobre a terra.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O NORDESTE. Sábado, 13 de Janeiro de 1923
- Telegrama Cemitério Navegantes de São João (F. 0 1/2). Matriz de Como M. A. Asilo de Mendicidade. 0 1/2. 7 1/2 horas; 8 1/2 horas.
- Anúncio Colégio da Imaculada Conceição No próximo dia 1º de fevereiro, reabre suas aulas este conceituado estabelecimento de ensino, equiparado ao Estado.
- Telegrama Telegramas (Do nosso serviço telegráfico) Falecimento BAHIA, 11 — Faleceu aqui o dr. Arthur Espínola, irmão dos drs. Gambetta Espínola, inspetor da polícia do porto, e Clóvis Celso e d. Otília Paula Lima, residente aí; e bem assim cunhado do senhor Júlio Montenegro.
- Telegrama POLÍTICA baiana A chapa para deputados e senadores BAHIA, 11 — O governador Seabra procurou o deputado Pedro Lago, com o fim de obter deste um acordo com respeito à chapa de deputados estaduais e senadores. Lago, porém, deu-lhe resposta negativa, recusando qualquer acordo e declarando-se disposto à luta. Faria a campanha quem tivesse prestígio eleitoral. O governo apresentou a chapa de deputados, deixando o terço à minoria. Também foi apresentada a chapa dos oposicionistas.
- Telegrama Novo diretor da Escola Normal BAHIA, 11 — Acaba de ser nomeado diretor da Escola Normal o dr. Alfredo Magalhães.