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O Nordeste
Janeiro de 1923 · 16 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Aviso Eclesiástico Da Secretaria do Arcebispado pedem-nos a publicação do seguinte: «Aproximando-se o tempo do Retiro Eclesiástico chamamos a atenção dos Revdmos. Srs. Sacerdotes da Arquidiocese da Fortaleza para a Circular do Exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano, publicada no Boletim Arquidiocesano de Novembro último, e que aqui reproduzimos: Circular n. 41 Ao Revdmo. Clero da Arquidiocese de Fortaleza. Convocamos a todos os Revdmos. Srs. Sacerdotes da Arquidiocese de Fortaleza, para o Retiro Eclesiástico, que deverá começar no dia 28 de Janeiro do próximo ano. Recomendamos aos Revdmos. Vigários que procurem percorrer, imediatamente, antes de partirem para o Retiro, suas freguesias, para confessarem os enfermos, avisando a todos os paroquianos de sua ausência por mais de uma semana. Fortaleza, 17 de Novembro de 1922. + Manoel, Arcebispo de Fortaleza.
- Cristianismo e Teosofismo O excelente diário parisiense «La Croix» publicou um resumo da «Nouvelle Teosofia» de L. Orandmaison. Neste trabalho fica evidente, de maneira incontestável, que há «uma oposição não apenas relativa e acidental, mas profunda e absoluta entre o Cristianismo e a Teosofia». Eis o sumário dos argumentos expostos: 1º O Cristianismo é, antes de tudo, a religião de um Deus pessoal, Pai, Filho e Espírito Santo. A teosofia ensina que este Deus não existe. «Críticos pouco atilados, escreveu o velho Olcott (colaborador da senhora Blavatsky) acusaram-me de crer em um Deus pessoal. Seria impossível a quem quer que fosse, apontar, em apoio dessa acusação, uma só palavra escrita ou dita por mim». Quanto à Santíssima Trindade, um curto número de teósofos e a própria senhora Besant pretenderam, por vezes, em benefício dos interesses da causa que defendem, admitir a sua existência. Há nisso, entretanto, uma pura dissimulação. Quando chegam à explicação, não tratam jamais das pessoas divinas, mas de forças ou energias impessoais, agrupadas em tríades e simbolizadas por nomes. Assim, a senhora Besant confunde a Trindade dos cristãos com a Trimurti dos hindus e nela descobre as três noções fundamentais dos materialistas: causa, energia e matéria. 2º O Cristianismo afirma-se uma religião revelada por Jesus Cristo, Filho de Deus, mediador único entre seu Pai e os homens. Redentor. Esses dogmas, que formam a substância da nossa Fé, são todos negados, como inexistentes, impossíveis e imorais, pelos teosofistas. Sobre a pessoa do Messias, os teosofistas começam, invariavelmente, rejeitando de modo absoluto o testemunho dos Evangelhos. Colocando-se, assim, em posição cômoda para com a História, e desejosos de salvaguardar, além disso, os cristãos ingênuos, que repugnariam admitir em vez da completa apostasia, uma sombra de Cristianismo, os teosofistas se dignam conceder a um Cristo mais ou menos mitológico, uma existência e uma autoridade que cada um explica a seu modo e gradua à vontade. O que importa ainda mais, é o lugar atribuído ao Cristo por esses teosofistas que mantêm Jesus de Nazaré no número dos «grandes iniciados». Esse lugar, inferior ao de Buda Gautama, é, sensivelmente o ocupado por outros mestres ou instrutores, aos quais os escritores das Lojas cultuam generosamente: «Trata-se de Mitra, Krishna, Baco, Osíris, o Cristo, escreve a senhora Besant, apenas o nome varia»... Se da pessoa adorável de Jesus Cristo, passamos, notadamente, à sua obra divina, à Redenção, não são mais simples negações ou divagações que encontraremos entre os mestres da teosofia, porém, anátemas. «Este dogma cruel e idiota ... não é somente um sonho de egoísmo, é um pesadelo da inteligência humana»! (Blavatsky). Não se vejam simplesmente aqui os furores de uma mulher desvairada. É bem a doutrina oficial das Lojas Teosóficas, doutrina somente ligada aos princípios da salvação pelo homem mesmo, da self-made destiny. Mais hábil, diante de um dos auditórios europeus, a senhora Besant apresenta uma interpretação do dogma da Redenção. Ei-la: «Que é a doutrina da Redenção, no ponto de vista teosófico? É a declaração de que a Redenção consumada pelo Cristo, não consiste na substituição de um indivíduo por outro, mas na identidade de natureza entre o homem divino e os homens que se elevam à divindade, que a divindade mesma do Cristo lhe permite, graças a essa Identidade, espalhar sua força e seu auxílio pelos seus irmãos, divinos como ele, mas que não lograram atingir ainda a sua estatura». O único sentido plausível dessa fraseologia capciosa e deliberadamente equívoca é que a Redenção consiste na evolução, (sobre o modelo e com o auxílio do Cristo divinizado, chegado ao Nirvana) do gérmen divino que é, por identidade, o mesmo em cada um de nós, como era no Cristo... Se se quer qualificar de cristão uma explicação deste gênero, abertamente panteísta e reduzindo, à maneira humana, a divindade de Jesus Cristo, é que se não entende o que aí ficou dito ou não se compreende o próprio eu. Parece-nos inútil levar até adiante essa pesquisa. A teosofia hinduística em seu princípio, que é o panteísmo emanatista, no que ela afirma; Karma automático, reencarnações, Nirvana e cosmogonia e história, igualmente, fantásticas; no que ela nega: preces, sacrifício, graça, sobrenatural, redenção, divindade pessoal do Cristo; no seu termo, enfim, que visa a dissolução de toda fé positiva, é absoluta e manifestamente incompatível com a Fé Católica.
- De repente, interrompendo-se, disse: Na próxima semana teremos um eclipse de sol, visível em Paris. A Lua estará em conjunção com o sol, e este não poderá perfeitamente atingir a Terra. Nesse dia, pois, meus senhores.
- Um dia o célebre Arago, grande astrônomo francês, explicando ao público as grandes leis da mecânica celeste, fazia considerar a perfeita regularidade do movimento dos astros, e a ordem que preside à marcha dos astros, fantásticas; no que ela nega: preces, sacrifício, graça, sobrenatural, redenção, divindade pessoal do Cristo; no seu termo, enfim, que visa a dissolução de toda fé positiva, é absoluta e manifestamente incompatível com a Fé Católica. Acrescentando: Na criação, só o homem é que lhe é rebelde. Artífice: Deus.
- A filha do célebre político inglês Gladstone narra no seu livro «Nossa Herança» o seguinte: «Meu pai notava com frequência que não seria o que era sem a sua leal observância do domingo. Física, intelectual e espiritualmente os seus domingos foram para ele de uma inapreciável bênção. Todos os que entraram no domingo no seu gabinete de ministro, mesmo que seja no período álgido de uma legislatura, ficam assombrados pela atmosfera de repouso que ali se respira: a mesa de trabalho deserta, sem pasta, sem periódicos, só com alguns livros abertos. Do sábado à noite até segunda-feira de manhã põe de parte todos os negócios mundanos, e abisma-se nos seus pensamentos e leituras do domingo. Ao domingo nunca saiu, a não ser para visitar algum amigo doente, e nunca viajou».
- O Departamento da Saúde Pública quer combater, de verdade, a febre amarela (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 19—O diretor da Saúde Pública declarou que o governo providenciou no sentido de serem imediatamente iniciados os serviços de profilaxia da febre amarela. Afirmou que, conquanto sejam esporádicos os casos de febre amarela, no norte, notadamente na Bahia e no Ceará, não deixarão de alarmar a população, receosa de uma possível epidemia da moléstia. O governo aproveitará, no combate ao mal, os próprios elementos do serviço de profilaxia rural. Afirmou ainda o Dr. Carlos Chagas que a administração sanitária federal atuará sem interrupção no combate àquela doença, até que os focos sejam extintos.
- Foro Comercial [...] O Dr. Velisíamo Norberto presidiu, ontem, à assembleia dos credores da viúva Simão Jerusalém, às 13 horas. [...]
- [...] Exposição de flores e frutas que se realizará no recinto da Exposição, de 1º a 10 de fevereiro próximo
- Vai ser oferecido um banquete ao ministro Felix Pacheco RIO, 19 [...]
- Demitiu-se [...]
- UM EPISÓDIO HISTÓRICO! TRADUZIDO ESPECIALMENTE PARA O NORDESTE! Foi em Madri, no ano de 1880. Uma carroagem, por oficiais e soldados, avançava a galope. Subitamente parou e dela desceram dois homens: um, idoso já, era o duque de Montpensier, o outro, muito jovem, era o rei Afonso XII. Ajoelharam-se sobre o pavimento, em plena rua, enquanto um sacerdote que levava o santo cibório, subia a carroagem, que continuou a andar seguida pelo rei e pelo príncipe, ambos a pé e de cabeça descoberta. Como alguém testemunhasse admiração, o oficial que comandava a escolta exclamou: —Como? Não deveria causar maior estranheza ver o rei escoltado em carruagem, enquanto fosse a pé aquele que vai conduzindo Deus?! Dois dias após, Afonso XII, que apesar das mil preocupações da política e do governo, encontrava sempre alguns instantes para entreter-se em boas obras, fazia uma visita aos prisioneiros, acompanhado do duque de Montpensier. Enquanto os detentos aclamavam os reais personagens, um guarda exclamou de repente: —De joelhos, senhores!—(De joelhos! Senhores!) O Santo Sacramento passava, levado pelo capelão a um condenado à morte, a quem a moléstia não deixa ao carrasco o tempo de cumprir sua obra. Perdôo-o, disse o rei. Um condenado à morte, a demente, quase em voz baixa, [...] eu também te perdoo. Se recobrares a saúde, terás a vida! O rei e seu séquito penetraram na cela do prisioneiro. O padre animou o moribundo e lhe deu o sagrado Viático. Então, o duque de Montpensier levantou-se, abraçou a fronte do condenado e lhe disse: Que Deus te perdoe! Por sua vez Afonso XII aproximou-se; estava pálido, comovido: sentia-se que em seu ser perpassava aquele frêmito que precede, no homem, todo o ato de poder soberano e do qual Jesus Cristo não se excluiu no túmulo de Lázaro: [...] Como Jesus Cristo lhe proporcionando seus dons aos seus, e confessando, na magnífica linguagem desse ato, que a glória dos grandes e dos pequenos, neste mundo, é amar, respeitar e imitar o Deus da Eucaristia! Cerca de dois meses, depois deste episódio, lia-se no jornal La Correspondencia, que o agraciado pelo rei, tendo recuperado a saúde, saíra da prisão
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O Nordeste Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues. Administração: A. Ildefonso de Araújo [...] POUJOULAT ANO I Fortaleza-Sábado, 20 de Janeiro de 1923 NÚM. 168
- Nota social Atualidades de Julio Maciel (10) Os luzeiros da Fé Num artigo sobre o centenário de Pasteur, a «A União» lembra o seguinte fato: Um sábio inglês foi a Paris para conhecer o velho Pasteur. Querendo surpreendê-lo na visita, dirigiu-se uma manhã à sua casa. A criada que o recebeu disse-lhe que seu amo, a essa hora matinal, costumava passear no jardim. O inglês entrou e foi procurá-lo ali. Achou-o sentado num banco de pedra. Levantando-se Pasteur, pôs no bolso do jaleco alguma coisa, mas, notando a curiosidade do visitante para saber que objeto era aquele, apresentou-o dizendo: —É o meu rosário. Costumo rezá-lo aqui no jardim.
- Telegrama UM CRIME DE LESA-LÊNIN — Os membros da mesa do Congresso pan-russo, de médicos e cirurgiões, que se reuniu em importante cidade da Rússia, foram chamados à prisão por ordem de Zinovieff. Informa o Poslednia Novosti, que o motivo desta medida foi que a mesa do Congresso, sendo convidada por Zinovieff a enviar um telegrama de felicitações a Lênin por ocasião da abertura do Congresso e do restabelecimento de sua saúde, não o fez, e nem mesmo consultou sobre isso a assembleia. O Czar não exigia tantos respeitos... comenta o «La Croix».
- Nota social PARA QUE SERVE O CONFESSIONÁRIO—É ainda o «La Croix» que nos informa o seguinte: Há pouco tempo foi restituída, por intermédio do confessionário, uma soma de 10.000 francos a um banco de Aurillac. Um fato análogo acaba de se passar na Bélgica, onde uma soma de 70.000 francos foi roubada ao Sr. Lievens, perto de Gante. O ladrão não tinha sido descoberto. A vítima do roubo acaba de entrar em posse do seu haver, por intermédio dos Beneditinos de S. André, que foram escolhidos para agentes da restituição pelo ladrão arrependido. É pena não se convencerem disto os anticlericais: que a pequena grade onde o pecador expande a sua consciência no confessionário é uma barreira mais sólida contra os assaltos da tentação que a que separa o cofre dos visitantes pouco escrupulosos.
- Telegrama Telegramas (Do nosso serviço telegráfico) DO PAÍS [...] RIO, 13 [...]