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O Nordeste
Janeiro de 1923 · 19 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Severas referências à enfermaria da Faculdade de Medicina RIO, 27. — O dr. Paulino de Sousa fez, hoje, severas referências à enfermaria da Faculdade de Medicina, nestes termos: «Quando os cirurgiões notáveis do estrangeiro chegam ao Rio, e desejam ser operadores, os que se prezam, os que têm algum amor ao País procuram esquivar-se, mau grado as instâncias, tanto os envergonha a simples lembrança de que não poderão ser levadas a sério as imundas enfermarias da Casa da Misericórdia, as quais só prestam para desaparecer, como disse por ironia e espírito o dr. Lauri, quando aqui esteve. É fácil de imaginar-se a situação em que ficam os médicos e professores do país, porque, como os visitantes ilustres e curiosos não conhecem a causa especialíssima das recusas e o escrúpulo patriótico que as determina, são levados naturalmente a supor, não raro, que é a incompetência profissional que se esquiva. Dizendo isto, não tenho de modo algum, o mais leve intuito de agredir ou sequer criticar a Casa da Misericórdia, que cede as enfermarias para os serviços de clínica na Faculdade. Quero, apenas, evidenciar o estado lamentável a que chegamos sem hospitais próprios; e apenas com enfermarias que disto só têm o nome, e laboratórios desaparelhados de todo e qualquer material indispensável. A que vexames não nos sujeitaríamos nós que operamos levando para ali os sábios estrangeiros? Poderiam eles encarar como sério o nosso trabalho, o nosso estudo e ensino, em semelhante meio, desprovido de tudo? É vergonha, sobre a qual não quero insistir, visitar as enfermarias da Faculdade de Medicina. Nas enfermarias e laboratórios, há mictórios vizinhos, com ângulos de janelas tapadas por pequenos biombos.»
- A França oferece à Academia de Letras o seu pavilhão RIO, 27. — A França, num gesto fidalgo, marcando o seu grau de estima ao nosso país, acaba de oferecer o lindo palácio do seu pavilhão de honra, na Avenida das Nações, na Exposição, para sede da Academia Brasileira de Letras. Como se sabe, o Pavilhão da França é uma miniatura do Petit Trianon, dispondo de salas magníficas, em que se acentuam os estigmas do gênio arquitetural daquele país. A oferta será a portas fechadas, isto é, com todos os objetos de arte que o adornam. Quem quer que tenha visitado o pavilhão francês, sabe o que vale essa coleção artística, formada por telas famosas, gobelins riquíssimos, jarrões de Limoges e mobiliário do mais puro gosto histórico. A circunstância de se encontrar na chefia do gabinete que promove a homenagem, o sr. Poincaré, membro da Academia Francesa, empresta maior relevo ainda a esse ato fidalgo.
- Protesto do marechal Pires Ferreira RIO, 27. — O marechal Pires Ferreira enviou ao 3º procurador da República um protesto contra o preenchimento da vaga de senador pelo Piauí, cadeira que era ocupada pelo dr. Félix Pacheco. O peticionário argumenta, longamente, em favor dos seus direitos, terminando por afirmar que a vaga lhe pertence.
- Realizou-se, ontem, a procissão de São Sebastião RIO, 27. — Depois de amanhã haverá a procissão de São Sebastião que foi adiada de domingo último, por causa das chuvas que caíram durante a tarde, as quais impediram que a procissão saísse à rua.
- Por causa do carnaval RIO, 27 — Para atender ao movimento do carnaval, aqui, a Central do Brasil fará correr 416 trens especiais, durante os três dias.
- Para todos lerem A extinção da mendicância O Dispensário dos Pobres pede, por nosso intermédio, encarecidamente, às pessoas que subscreveram mensalidades em favor da ideia moralizadora e altamente louvável da extinção da mendicância em nossa capital, que não façam a cobradora dar duas, três e mais viagens para receber a quota subscrita. Tendo-se de promover, mensalmente, o recebimento de centenas de donativos, tornar-se-á um trabalho inexequível a arrecadação das aludidas mensalidades. Atualmente sobem a trezentos os subscritores, e, se para o recebimento dos donativos, a cobradora tiver de procurar duas, três ou mais vezes cada contribuinte, não poderão arrecadar as aludidas quotas no decurso de um mês. Outrossim, recomenda a diretoria do Dispensário aos subscritores, um pouco mais de paciência, pois a mendicância não poderá ser extinta de um momento para outro, sem organização cuidadosa, sem sindicância. Para que o resultado seja favorável e os pobres não venham a sofrer, ao iniciar-se o serviço de assistência aos indigentes, será recomendável que os comerciantes e os particulares comecem a se abster de dar esmolas à porta. Os pobres, naturalmente, procurarão o Dispensário, e ali serão alistados, depois de feita a necessária sindicância. No começo de março vindouro será definitivamente extinta, conforme é de esperar, a mendicância nas ruas de nossa capital. Para isso é necessário o decidido concurso e inteira boa vontade de todas as classes sociais.
- Com a polícia Alguns moradores da rua Rosário, no quarteirão compreendido entre o Palácio da Presidência e a praça dos Voluntários, procuraram-nos para que chamemos a atenção da polícia contra o modo imoral como se portam algumas meretrizes, que ali estão localizadas, incomodando os habitantes daquele trecho urbano. Enquanto não se fizer a localização do meretrício, em Fortaleza, teremos que lamentar as afrontas às famílias cearenses.
- Protecionismo escandaloso bem me associo [ilegível] honrosa [...] e [ilegível] contido do povo quanto à nossa população. Custa a crer talvez, por [ilegível] além, que em pleno século XX, o Ceará adote ainda a prática da superioridade dos seus produtos e modicidade de preços, proveito ao Estado, para a sua manutenção econômica, um dever de [ilegível], isso é inqualificável. A honrada classe retalhista conhece [ilegível] de nossa população, por [ilegível]. Não tenhais medo de ser bons! Eis um erro muito espalhado e redobra a audácia dos maus. Não proclameis vossa bondade, mas não a oculteis, por causa do exemplo. Ao artigo do sr. Rosendo Ribeiro, publicado neste jornal, sobre a nova lei do imposto de consumo do Estado, um sr. A. A., certamente industrial, houve por bem fazer alguns comentários do nosso povo, em defesa da absurda selagem do macarrão, comprometendo, porém, ainda mais a sua indefensável causa. A "Associação de Mercearia" já deu o grito de alarma e agindo em defesa das [ilegível] do imoral monopólio do [ilegível], fazendo o seu preço baixar de 3$000 para $600 o kg. O arrojado articulista, parece que quis mais fazer ironia do que mesmo demonstrar a razão de ser de tão imoral imposto. Transcrevendo a lei n. 2036, de 11 de novembro de 1922, que o sr. A. A. desastradamente prova que, «em virtude de a mesma autorizar o governo a distribuir 80% do imposto arrecadado, aos fabricantes de cigarros, doces, macarrão e outras massas alimentícias, sabão e sola..., verifica-se, que o referido imposto de consumo, além de ficar mais reduzido, vem proteger aos nossos industriais, contra a competência de iguais produtos de outros Estados.» O sr. A. A. não fez outra coisa, com esse seu argumento, senão atestar a iniquidade de uma lei espoliadora do povo, não em proveito do Estado, mas em benefício da nossa pequena classe industrial. A diminuição desse imposto só beneficia aos fabricantes daqueles produtos. A tal linha vem apenas estabelecer uma escandalosa proteção a certas indústrias cearenses, com enorme ônus para o povo; mas pagar-se pesadíssimo tributo a industriais para acumularem grandes fortunas, [ilegível] estrangeiras. O povo cearense confia, pois, que o exmo. sr. dr. Justiniano Serpa, cujo nome se acha ligado ao mais memorável dos nossos feitos, a emancipação do elemento servil — não consentirá que, no seu governo, assinalado por serviços valiosos, se realize a escravização econômica dos filhos desta terra mártir à ganância insaciável de interesses inconfessáveis. Abaixo os monopólios e privilégios odiosos, incompatíveis com a nossa época!
- de processos próprios da remota época colonial, quando a imoral instituição dos monopólios e dos privilégios dispunha da vida e da fortuna do povo, em proveito de certas classes felizardas. Como se admitir que, neste século de tanta luz, de tantas conquistas liberais, saiam do seio de uma assembleia que legisla em nome do povo, leis monstruosas contra esse mesmo povo, para beneficiar meia dúzia de opulentos cidadãos? O deputado que elaborou o iníquo projeto da lei do imposto de consumo para o corrente exercício fez jus à eterna maldição do povo cearense. Traindo a confiança deste povo, que o fez seu representante para defender os seus legítimos interesses, fez-se advogado de conveniências de uma minúscula parcela da sociedade, tornando o Estado mero caixeiro de cobrança dos senhores industriais. O fisco estadual arrecada o tal imposto, e, descontando do seu produto a comissão de 20%, entrega o restante aos ricos industriais da terra, a título de prêmio. Qual a razão de tão absurdo protecionismo à indústria cearense? Acaso ela está periclitando em virtude da invasão dos produtos de outros Estados? Os produtos cearenses não têm consumo suficiente? Pelo contrário, a produção não satisfaz o consumo do Estado. Agora, se os senhores industriais temem de futuro a concorrência dos outros Estados, pela [ilegível] que pagam impostos, a ciência e a maneira dos tributos. É esse um erro antigo. A lei bela do [ilegível] de modo reforçado este ano, selar impiedosamente, artífices não pagam selos. Não suportam mesmo o adesivo. Selar não procurem fazer concorrência pelos meios legítimos. Não. Concedemos. A população do Ceará, hoje, em 1924, é computada em 1.200.900 habitantes, e que não pode, nem se deve, submeter a essa extorsão. Que se pague imposto razoável aos responsáveis das [ilegível] dos Santos, fazem.
Anúncios, notas e expediente
- Anúncio 12 BICHAS [...] Cia. [ilegível] no colhoso resultado denominado C. A. Rios, [ilegível] de 4 vezes, e este iria e mais 1 dar segunda [ilegível] metro e os pedaços dele, também [ilegível] este surrentor de tão [ilegível] dele, isso que lhes [ilegível] Velloso. [ilegível] purga. [ilegível] e [ilegível] do Brasil. 0, 149 e 151 italiano, francês, [ilegível], exil. (28)
- Expediente O Nordeste [ilegível] ANO I Fortaleza-Terça-feira, 30 de Janeiro de 1923 NÚM. 176
- Anúncio Filho & Cia. [ilegível] Ital Federal. A [ilegível] com [ilegível], dores [ilegível]. NEJOS [ilegível] & Cia. [ilegível] & Cia. [ilegível] e sífilis, [ilegível] emético, etc. [ilegível] que nutre as [ilegível] cauterizaria as feridas bravas, [ilegível] tantas [ilegível] aos efeitos [ilegível] que [ilegível] com as [ilegível]. Agentes. A (25, 4s, 6s). e [ilegível] [ilegível] cujo número de alunos é: de 7 do curso do curso. Os diretores [ilegível] e [ilegível]. (28)
- Telegrama [ilegível]
- Telegrama TELEGRAMAS DO PAÍS O sr. Borges comunica sua posse RIO, 28. — O dr. Borges de Medeiros dirigiu o seguinte telegrama ao presidente da República: PORTO ALEGRE, 25. Tenho a honra de comunicar a V. Exa. que, reconhecido e proclamado presidente reeleito do Estado para o quinquênio de 1923 a 1928, acabo de renovar, solenemente, o compromisso constitucional, perante a assembleia dos representantes. Reiterando as minhas homenagens, serei feliz em cooperar, quanto em mim estiver, para a maior grandeza da República e prosperidade do seu governo. Atenciosas saudações.
- Expediente Os telegramas continuam na segunda página.
- Nota social Progresso da política cearense Dúvidas e inquietações a evitar no fim do atual governo Neste mundo de meu Deus, purgatório dos justos e paraíso dos malvados, poderão existir muitas democracias, fazendo a felicidade ou desgraça dos povos: mas original e pacífica como a nossa, particularmente, a do Ceará, não se encontrará nem na Norte América, nem na Suíça, nem na Rússia, nem mesmo nas terras dos bons negócios, a velha China. O regime democrático na Terra da Luz é o suco do que há de mais adiantado na arte de governar os mansos, para não dizer os tolos, e contentar os sonhadores, poetas e músicos, que mantêm sempre acesa a chama sagrada do nosso patriotismo. Os personagens chamados à cena política são figuras de tão grande relevo, que, à sua passagem, parece estar de joelhos a multidão que os contempla. São caracteres de granito, consciências de cristal, almas de bronze, e, por isto, não suportam os seus leais incensadores que, sobre os atos de tão puros e imaculados estadistas, paire a menor sombra de dúvida ou desconfiança. Tudo quanto fazem, sejam quais forem as consequências, está muito bem feito, porque de outro modo não poderia ser... Não há, portanto, maior sacrilégio cometido contra a democracia do que falar-se em contas, balancetes e relatórios, velharias próprias do antigo regime, que não podem ser imitadas... Ao povo só compete pagar e aplaudir; prestar-lhe esclarecimentos quaisquer seria baixeza que a dignidade democrática sabiamente não permite. É justo, pois, que os altos dirigentes das coisas públicas hão de gozar de toda sorte de imunidades, para que sua honra esteja sempre a coberto de alguma mancha. Entre nós já se chegou a este ponto, tal tem sido o uso e abuso dos jornalistas desta venturosa situação. Ele não é somente o administrador tolerante, inteligente e fecundo que conhecemos: é também o chefe real do partido situacionista, composto da invicta canoa do Rabelismo, do casco em concerto do Acciolismo e da balsa desconjuntada dos Marretas. Sob a direção suprema do grande artista que é o sr. Serpa, vão singrando, rio abaixo, rio acima, nas águas da política cearense, essas duas naus acompanhadas daqueles pobres náufragos que se vão tornando quase indesejáveis. O caso faz-nos lembrar o apólogo das duas panelas — uma de ferro, outra de barro — que se lançaram no rio, numa aventura muito fácil de saber como acabaria. Não sabemos qual das duas naus, ou melhor, panelas, a Rabelista e Acciolista, julgará ser a de ferro. O mais certo é que ambas são de barro, pilotadas uma por José Accioly, e a outra por Moreira da Rocha. Não temos palavras com que elogiar a habilidade do comandante Serpa na direção desses barcos até a chegada dele ao Senado, porto onde pretende descansar, garantido no resto de sua poética existência. Passando o comando ao seu sucessor, que aliás, já está nomeado, surgirá, certamente, uma situação cheia de dúvidas e inquietações, que porão em sobressalto a família cearense, pela qual todos eles morrem de amores. Tudo dependerá da consistência dos barcos e da prudência e tática do futuro presidente. Suponhamos que o ministro Sá consiga transformar o fragílimo barro em duro ferro... Ficará o piloto rabelista em plano inferior, sujeito a um zilurnamento a propósito, que lhe será fatal. O chefe democrata não pode dormir sobre o caso e, se ainda lhe restam forças para realizar novas nomeações, deve tratar quanto antes de sugerir os nomes e o desiderato infalíveis dos dez futuros deputados, cuja eleição se aproxima. É, pois, loucura tentar estudar, comparar a gestão dos governos, por isto que, sendo cada qual o melhor, nunca se chegará a descobrir, nunca, qual deles o mais ruim. Aliás, essa missão ingrata é privilégio das assembleias unânimes, que, frequentemente, no fim de cada legislatura, não sabem o que mais lhes mereça louvores: se a resignação e felicidade dos governados ou a sabedoria do governador, a quem vão, incorporados, prestar homenagens e garantir completa solidariedade. É, de progresso em progresso, os insignes paredros da política cearense acabam de adotar um novo sistema de eleição, com o fim de livrar o eleitorado da forte maçada de ir às urnas. De benefícios não conhecemos um tão importante, nestes últimos tempos. Somente quem não souber o que eram as eleições entre nós, em que das urnas tinha de espirrar a verdade, desse no que disse... deixará de agradecer e aplaudir a reforma, por meio da qual logramos conhecer, um, dois, três anos antes de qualquer vaga, o nome do felizardo que terá de preenchê-la. E o que é de admirar, sem favor, é que tudo isto fora engendrado para que continue na melhor harmonia e tranquilidade o querido circuito cearense. Pelo novo sistema, já temos um deputado federal, três senadores e um presidente para o futuro quatriênio. É muita vantagem! Coube a glória de presidir os destinos do Estado, nesta época de humana fecundidade dos nossos políticos, ao dr. Justiniano Serpa, para quem já não encontramos adjetivação que satisfaça. Serpa é presidente, sendo improachável, por caso algum, lembrar o nome do redator chefe do "Correio do Ceará", cujos serviços seria ingratidão não recompensar. É, demais, a futura Câmara precisa de um deputado de coragem, que, rompendo com fúteis preconceitos, inicie o alistamento e o uso dos distintivos recentemente criados para tornar conhecidos os beneméritos pais da pátria. Reflita o [ilegível] Moreira sobre estas futilidades, e se convençam que é precária a vida do partido, que se deve recear mais dos amigos que dos próprios adversários.
- Expediente N/A — Desta vez nos falta tempo e espaço para responder aos amigos do "Diário do Ceará" e no grosseirão do "Correio", a quem "O Nordeste" já tem dado importância de sobra...
- Telegrama Sua Homenagem Tendo os srs. José Pinto do Carmo & Filho, comerciantes em Baturité, telegrafado ao sr. ministro da Viação, doutor Francisco Sá, solicitando licença para ser inaugurado na estação daquela cidade, o retrato do amado e distinto cel. Antônio Ribeiro Brasil Montenegro, receberam em resposta o seguinte telegrama: "Rio, 27. Com maior satisfação dou consentimento ao pedido no telegrama de vinte e cinco para inaugurar na estação da estrada de ferro o retrato do agente aposentado Antônio Ribeiro Brasil Montenegro e também bem prestada por essa cidade ao velho funcionário cuja vida se identificou com a daquela via-férrea e cujos serviços constituem belo exemplo de integridade, zelo e dedicação ao dever. Francisco Sá, Ministro da Viação."
- Telegrama 3 MAR. janelas.