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O Nordeste

Fevereiro de 1923 · 39 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • OS NOVOS IMPOSTOS Em prol dos interesses do povo Sem a agricultura, a indústria não poderá progredir, nem mesmo existir. A base da riqueza nacional está, incontestavelmente, na agricultura, sem o que nenhum povo poderá ter vida própria. Sem o necessário cultivo do solo, como será possível fornecer-se matéria-prima à indústria? Por conseguinte, todo governo verdadeiramente patriota deve amparar, auxiliar, proteger a agricultura, como também favorecer a indústria, mas com restrição a fim de não acarretar graves prejuízos para o povo e para a paz das nações. Somos socialistas, sim, mas socialistas católicos, segundo os moldes definidos pelo sábio e santo Pontífice, o imortal Leão XIII, de saudosíssima memória. Somos inimigos do bolchevismo e, por isso mesmo, é que nos insurgimos contra a sua propaganda em nosso meio, feita pelos próprios industriais protegidos pelo Estado. Os verdadeiros propagandistas do advento do regime dos sovietes no Brasil são os estadistas desta adorável República, em conluio indecente com os exploradores do povo, os organizadores de trustes e de monopólios. Os nossos operários não são uns imbecis e torpes, como os supõem os advogados dos interesses desmedidos dos industriais, para que não saibam quais são, neste momento, os seus verdadeiros defensores. A lei imoral que os pseudos representantes do povo criaram, para proteger a indústria local, não veio favorecer somente a manufatura do fumo. Não nos batemos contra o imposto sobre este produto, porquanto somos de opinião que os governos devem carregar a mão, não somente sobre o fumo, mas também sobre o álcool. O que nos indignou foi a taxação pesadíssima sobre gêneros alimentícios e outros artigos de largo consumo, como por exemplo o macarrão, a massa de milho, o sabão, o doce, a manteiga, etc., etc. Vejamos mais uma vez o absurdo protecionismo à indústria estadual: — Se um pobre operário quiser comprar um quilo de macarrão ou massa, para o seu alimento e de sua família, tem de pagar o tributo de $300, sendo $240 para o fabricante daquele artigo e $060 para o seu caixeiro — o Estado. No entanto, se qualquer abastado quiser adquirir um chapéu de sol de luxo, de 20$ até 00$, pagará $200 de selo! Se uma mulher do povo quiser lavar a sua roupa, tem de contribuir com $050 de selo por um quilo de sabão, sendo $040 para o fabricante e $010 para o Estado. No entanto, se a filha ou mulher de um deputado qualquer, político profissional, que vive à custa do povo, quiser comprar um vidro de extrato, loção, água de colônia, pós para o rosto, sabonetes em forma, em barra, ou em pó, paga apenas $030 de selo por cada unidade de mais de 5$000 até 20$ a dúzia; $050 por unidade de mais de 20$ até 50$ a dúzia, e finalmente $200 por unidade de mais de 120$000 a dúzia! Por aí se poderá muito bem aquilatar o ato patriótico e necessário para as finanças do Estado que a nossa Assembleia Legislativa criou, aliás qualificado de mau feito e absurdo, por pessoas de representação na governança do Estado. A atual carestia da vida tem sua origem na desorganização do trabalho em consequência da última guerra mundial, que foi obra do industrialismo e do capitalismo, e também na organização dos trustes e monopólios vergonhosos, que, depois daquela catástrofe, se vêm formando. Nos Estados cujos administradores se compenetram dos seus deveres de zelarem pelos interesses do povo, se faz como em S. Paulo, por exemplo, cujo governo, segundo telegrama publicado no “Correio do Ceará”, de 13 do corrente, acaba de instalar muitos açougues em vários pontos da capital, a fim de proteger as classes menos favorecidas contra a ganância dos exploradores do povo. Contra fatos não há argumento, diz a sabedoria popular. Deixem-se de ideias e palavrórios fofos, cheios de flores de retórica, que o povo sabe muito bem quem são os seus algozes, quem o leva a praticar vandalismos. Não basta ainda. Mas, em todo caso, fiquemos também, por aqui, confiantes, aguardando a palavra do chefe do Estado, de cuja ilustração e patriotismo só podemos esperar um gesto de apoio à causa do povo sofredor de sua terra natal.
  • EXPLORAÇÃO Este cavalheiro pede-nos que previnamos ao público haver revoltante exploração, da parte de algumas pessoas, que andam, de porta em porta, a tirar esmolas para as vítimas do desabamento, havido anteontem, na [...]. A aludida firma construtora está tratando, a suas expensas, os feridos e fornecendo-lhes refeições para a manutenção de suas famílias. A viúva do pobre patrício nosso, que morreu esmagado, nos escombros, vai receber igualmente um auxílio em dinheiro e uma casinha para residir. Os que estão explorando a caridade do povo não são, absolutamente, pessoas das famílias dos feridos! São meros trapaceiros que querem locupletar à custa do suor alheio. Ainda bem que o «Dispensário dos Pobres», do dia 17 em diante, vai extinguir definitivamente a mendicância nas ruas de nossa capital. É de louvar o procedimento generoso dos aludidos construtores, cercando de amparo as vítimas do desastre, três das quais já tiveram alta, ontem.
  • Propaganda Injustificável Trata-se de mostrar-nos um anúncio altamente prejudicial, feito à máquina de escrever, e remetido pelo correio a chefes de família de nossa terra. Trata-se da recomendação de um medicamento que causa a esterilidade, e que constitui uma propaganda do desvitalizamento da raça, um atentado de lesa-pátria. Todos estão a par dos tremendos estragos causados em países da Europa pelo malthusianismo, esse cancro que reduz as nações mais fortes e cheias de vida às tristes condições de povos decrépitos, povos que retrogradam, apresentando em suas estatísticas o atestado evidente do seu definhamento, da sua morte lenta. O Brasil não pode tomar o exemplo desses processos vergonhosos, condenados não somente pelos austeros preceitos da Moral, como pelo sentimento de verdadeiro e esclarecido civismo. O anúncio a que aludimos não pode ser lido no recesso dos lares, tal a sua linguagem repugnante e afronta a pureza do ambiente doméstico. Devia haver uma polícia de costumes que evitasse tais desatinos e punisse os infratores das regras de moralidade social. Os pais de família, a quem foram dirigido o papelucho imoral, devem inutilizá-lo, como há de lhes ter aconselhado a consciência, tomada de asco ante tão reprovável indignidade.
  • A carência de pessoal na C.F. de [...] [...]

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Nordeste Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo CARLOS DE ANO I Fortaleza - Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 1923 NÚM. 190
  • Nota social ESPÍRITOS emanados daqueles homens, cujo espírito não tem materiais sólidos para uma construção sófica e religiosa, e que, com crenças, limitam sua triste tarefa de anulá-las nos outros.
  • Telegrama TELEGRAMAS DO PAÍS A viúva de Roosevelt passa pelo Recife RECIFE, 14 — Passou por este porto a viúva do Sr. Theodoro Roosevelt. Foi a mesma cumprimentada, a bordo do «Poconé», pelo representante do governador. A Sra. Roosevelt teve palavras elogiosas para com o Recife, e recordou Joaquim Nabuco, que fora um grande amigo de sua pátria.
  • Telegrama O carnaval no Rio RIO, 14 — Devido ao carnaval, não funcionou, ontem, o comércio, nem circulou nenhum jornal vespertino. Hoje, apenas dois jornais saíram. Os préstitos dos grandes clubes carnavalescos não corresponderam à expectativa do povo, que, apesar do tempo ameaçador, afluiu em massa para a Avenida Rio Branco.
  • Telegrama Mercado da borracha em Paris RIO, 14 — A Câmara de Comércio de Paris — segundo despachos dali — aprovou uma moção altamente favorável à criação do mercado da borracha naquela capital.
  • Telegrama DO EXTERIOR Ocupação francesa BERLIM, 12 — Dizem de Herne que, próximo a Bochum, os franceses dissolveram um grupo de manifestantes alemães, na frente de um café em que estavam oficiais franceses. Foram presos muitos rapazes que participavam do grupo. Foi mandada para ali forte patrulha francesa.
  • Telegrama — Despacho de Bochum diz que, devido a terem dois soldados franceses insultado alguns transeuntes, um grupo popular desarmou um deles e feriu gravemente a outro, a faca.
  • Telegrama — Noticia-se dali que os franceses prenderam o diretor geral das minas de Hoppstadetter, depois de haver circulado a notícia de que os mineiros se declararam em greve, atitude em que permanecerão até amanhã.
  • Telegrama — Despachos de Dusseldorf informam que os franceses prenderam, ontem, 13 alemães, em poder de quem foram encontrados fundos destinados aos ferroviários em greve.
  • Telegrama BERLIM, 12 — Comunicam de Herne que os franceses apreenderam meio milhão de marcos ali e 60 milhões em Mogúncia, a fim de impedir que os alemães dediquem o dinheiro ao pagamento dos agentes alemães que distribuem dinheiro aos grevistas.
  • Telegrama Alemanha BERLIM, 12 — Em Essen, 10 soldados da polícia alemã foram presos, por se recusarem a fazer continência às autoridades francesas.
  • Telegrama — As negociações entre os ferroviários alemães e franceses foram interrompidas.
  • Telegrama — De Essen informam que os franceses vão requerer novas acomodações para uma divisão inteira, que deve chegar ali brevemente.
  • Telegrama — Dizem dali, também, que os aviadores franceses voam muito baixo sobre a cidade, espalhando fotografias das minas de carvão.
  • Telegrama — Informações de Mogúncia dizem que os franceses, na semana finda, prenderam 13 pagadores dos ferroviários alemães, quando pagavam os salários aos trabalhadores em greve. Acrescenta-se que os franceses confiscaram 61 milhões de marcos que os mesmos traziam.
  • Telegrama — A Alemanha acaba de enviar uma nota à França e à Bélgica, protestando, vigorosamente, contra a ocupação de Offenburg e Apenweir, e assegurando que a invasão dessas cidades constitui um desrespeito flagrante à convenção da Renânia. A nota pormenoriza, exaustivamente, os acontecimentos.
  • Telegrama BERLIM, 12 — A imprensa noticia que os diretores das minas de Constantin, próximo a Bochum, foram expulsos da área ocupada, por haverem desobedecido às ordens das autoridades francesas.
  • Telegrama BERLIM, 12 — O presidente Ebert vai hoje, a Karlsruhe, a fim de estudar, com o governo e as autoridades locais, a situação criada em Offenburg e Apenweir.
  • Telegrama — As autoridades aliadas de Recklinghausen receberam uma delegação dos habitantes da cidade, que lhes pediu a revogação da proibição de circularem depois das 21 horas. As autoridades afirmaram que a ordem será mantida, enquanto os negociantes se recusarem a vender gêneros aos franceses e belgas.
  • Telegrama — Grande número de jornais alemães, que se publicam na região do Reno, foram suspensos, por haverem inserido artigos de "incitamento à resistência contra os franceses". Os jornais berlinenses também não podem circular na zona ocupada. — Telegramas da Prússia Oriental dizem haver-se formado, naquele distrito, uma organização secreta, cujos membros se multiplicam rapidamente e se reúnem regularmente em lugares clandestinos.
  • Telegrama França PARIS, 12 — Os jornais noticiam que se acham os franceses e belgas prestes a ter em mãos a exploração total das estradas de ferro do Ruhr, permitindo que os operários alemães trabalhem, caso desejem fazê-lo. Se o não quiserem, serão substituídos por operários belgas e franceses.
  • Telegrama PARIS, 12 — Está oficialmente anunciado que a França não deseja, absolutamente, impedir a exportação do carvão do Ruhr. Antes, é intenção sua exportá-lo para outros países aliados e mesmo para a zona desocupada da Alemanha, sob a condição de que os exportadores paguem a taxa dos representantes da Entente contra a ordem de retirada dos navios.
  • Telegrama de 28%. PARIS, 12 — Telegramas de Colônia informam que os jornalistas estrangeiros não puderam transmitir, ontem, o noticiário telegráfico, porque os alemães tinham inutilizado, em vários pontos, as linhas para Dusseldorf e Paris.
  • Telegrama Inglaterra LONDRES, 12 — A França pediu à Inglaterra que entregasse às autoridades francesas parte da zona britânica do Reno, para facilitar a passagem de tropas e controle. De fonte segura, diz-se que Bonar Law recusara aceder a essa solicitação.
  • Telegrama A questão do Oriente Inglaterra Aliados "versus" Turquia LONDRES, 12 — Uma nota da agência Reuter informa que o Foreign Office não recebeu, até agora, nenhuma notícia direta sobre o novo ultimato que se diz terem os turcos enviado aos aliados, com relação aos navios de guerra que estão no porto de [...].
  • Telegrama França PARIS, 12 — Informa-se que a atitude da França, na questão turca, mudou. Os círculos oficiais ignoram quando expirará o ultimato turco. Segundo notícias recebidas, Mustapha Kemal, chefe nacionalista turco, acha-se em Smyrna.
  • Telegrama Romênia BUCARESTE, 12 — Aproveitando a passagem da delegação turca por esta capital, o governo romeno aconselhou Izmet Pacha a assumir uma atitude conciliatória, no interesse da paz geral.
  • Telegrama Turquia CONSTANTINOPLA, 2 — Segundo corre nas rodas políticas, a intransigência dos delegados turcos na conferência da paz deu em resultado a organização de um bloco em favor da Alemanha, chefiado pelo antigo ministro da guerra e chefe do exército otomano durante a guerra, Enver Pacha. O plano consiste na união íntima da Turquia, Rússia e Alemanha contra as nações ocidentais da Europa.
  • Telegrama Grécia ATENAS, 12 — 11 cruzadores aliados acham-se no porto de Smyrna, e 2 super-dreadnoughts britânicos, 2 destroyers e 2 caça-minas estacionam em Ciambaka.
  • Telegrama ATENAS, 12 — Por intermédio da legação espanhola, o governo grego fez saber ao da Turquia que, caso fossem expulsos da Ásia Menor alguns cidadãos gregos, a Grécia procederia identicamente, nos seus territórios, com relação aos turcos.
  • Telegrama ATENAS, 12 — Como medida de precaução, as companhias de navegação gregas foram advertidas dos grandes perigos que corre, agora, a travessia dos Dardanelos. Por isso, foram adiadas, indefinidamente, todas as partidas de navios para Constantinopla.
  • Nota social AMOR DE AVE Pálida Virgem de sereno aspecto, Arcanjo bom dos pássaros, Maria Tinha um canário, um músico perfeito, Pequeno bardo que a cantar vivia. A moça, enferma, prostra-se no leito; Aquele encanto se desfaz num dia! O canário, talvez por seu respeito, Cessa de vez a límpida harmonia. Maria cerra os olhos para o mundo... Tudo a pranteia num pesar profundo, Quando na sala, transformada em horto, No esquife azul, de súbito, pousado, Abre o canário o bico num trinado E cai lá dentro, inanimado e morto! Ramos NETTO
  • Anúncio Sebo Tupinambi
  • Telegrama Um cupom de bonde vale um real. Guardai-o para os pobres de S. Vicente de Paulo.
  • Telegrama A nota afirma haver motivos para acreditar que a situação não se agravou, [...] que a resposta verbal dos Conferencistas do S. Vicente de Paulo [...] susceptível [...] do Paulo. Um cupom [...] conciliada com o [...] um real. Guardai cupons para os [...] Conferências do S. Vicente de Paulo.