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O Nordeste
Fevereiro de 1923 · 22 trechos transcritos
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- INEDITORIAIS Assassinato do Cel. Gustavo Lima.
- Serviço Marítimo A secretaria da Rede de Viação Cearense enviou-nos a seguinte nota: Chuvas caídas à margem da Estrada de Ferro de Baturité no dia 11 do corrente: Soure, boa chuva — duração 45 minutos; Acarape, 15 milímetros e 6 décimos; Junco, 60 milímetros; Uruquê, 24 milímetros e 2 décimos; Itapajé, 13 milímetros e 8 décimos; Orós, chuva boa — 15 minutos; Canindé, 11 milímetros e 9 décimos; F. Holanda, 2 horas de chuva; V. Conceição, boa chuva — 30 minutos; Baú, 15 milímetros. DIA 12 Água Verde, 10 milímetros; Itaxiras, muita chuva; Aurora, chuva torrencial à noite; São João, choveu durante a noite; Aracoiaba, 44 milímetros; J. Alencar, 10 milímetros; Itapajé, 15 milímetros; Mondubim, 18 milímetros; Acarape, 14 milímetros; Uruquê, 2 milímetros e 2 décimos; Junco, 40 milímetros; Canindé, 1 milímetro e 9 décimos; Cedro, 7 milímetros; Iguatu, chuva fina; Cangaty, 7 milímetros e 4 décimos; Baturité, 11 milímetros e 3 décimos; Quixadá, 10 milímetros e 2 décimos; P. Moraes, 38 milímetros; S. Lacerda, chuva regular durante a noite; Iguatu, chuva fina; Cangaty, 16 milímetros e 4 décimos; Porangaba, 65 milímetros e 9 décimos; Baturité, 2 milímetros; Maracanaú, 3 horas de chuva; B. Vermelho, 55 milímetros; Soure, 75 milímetros; Boqueirão, chuva boa durante uma hora; Guaiúba, chuva regular durante 2 horas; Lavras, 36 milímetros. DIA 13 São Pompeu, chuva torrencial durante a noite; Parada 302, chuva torrencial; Uruquê, 10 milímetros e 7 décimos; J. Alencar, 4 milímetros; Acarape, 8 milímetros e 2 décimos; Itapajé, 3 milímetros e 0 décimos; Canindé, 7 milímetros e 2 décimos; [...] chuva fina durante a noite; [...] chuva regular; Água Fria, 2 horas de chuva fina; Baú, chuva fina das 19 horas às 21; A. Penna, 14 milímetros; M. Grande, 17 milímetros. Chuvas caídas à margem da Estrada de Ferro de Sobral, no dia 12 do corrente: Camocim, 0 milímetros; Granja, 17 milímetros; Ipú, 17 milímetros; Ipueiras, 19 milímetros; Nova Russas, 32 milímetros; Pinheiro, 22 milímetros; Ibiapaba, 5 milímetros; Cariré, 3 horas; Pires, 5 minutos.
- Depoimentos. Publicação feita pelo Dr. Gomes de Mattos. TESTEMUNHA - João Vicente Machado disse: que na noite do crime não se encontrava na Praça do Ferreira e, portanto, não presenciou e nem soube como se teria dado esse crime; que teve conhecimento do mesmo na sua casa com a volta de um hóspede, de seu passeio à rua; que esse hóspede, José Cavalcante de Albuquerque, por sua vez não presenciou o fato, tendo apenas ouvido os tiros; que, pouco depois, um outro hóspede chegou e disse que o Coronel Gustavo Lima, segundo ouvira dizer por pessoas, na Praça, fora ferido a tiros de revólver; que é filho de Lavras e reside há muitos anos nesta capital, tendo, por isso, sempre curiosidade em saber dos acontecimentos dessa cidade; que, quanto aos antecedentes do fato ocorrido na Praça do Ferreira, no dia vinte e oito de Janeiro último, sabe o seguinte: que no dia dois de Março do ano próximo passado, à noite, das dezenove para as vinte horas, estando na casa de Roldão de Aquino e presente este, ouviu ao denunciado Raymundo, seu irmão, que havia de vingar a morte de seu pai Eusébio, porquanto só assim ficaria satisfeito; que essa vingança só seria satisfatória com a morte do Coronel Gustavo, por ele Raymundo; que na mesma ocasião perguntou o denunciado ao depoente qual o número da casa do Coronel Gustavo; que, temendo a realização da ameaça de Raymundo, se recusou a fazer a indicação pedida; que então lhe disse o denunciado, que igual pedido havia feito a Ildefonso Correia, genro do Coronel Gustavo, tendo idêntica recusa; que dias antes desta conversa, chegara o denunciado de Lavras em companhia do Coronel José Leite e de um irmão de nome Francisco, hospedando-se os três na Pensão Rendal, onde o depoente os visitou; que tendo Raymundo regressado a Lavras e de lá tendo ido a Juazeiro, retornou a esta capital em fins de Dezembro último, hospedando-se em casa do seu irmão Roldão, residente à Praça Castro Carreira número três, desta capital; que ignora em companhia de quem chegou ele; que da chegada até a noite do crime permaneceu hospedado na casa de Roldão; que se verificando o fato descrito na denúncia, estabeleceu logo a testemunha, mentalmente, que o crime fora a prática do propósito lhe manifestado pelo denunciado, em Março, de matar o Coronel Gustavo; que devido ao seu conhecimento com o denunciado, estava às vezes com ele em encontros de ruas e mesmo nas idas do denunciado à casa do depoente e nunca ouviu mais de sua parte, manifestações no sentido de matar aquele Coronel, conservando-se, pelo contrário, retraído e calmo; que não sabe se chegou a espreitar o Coronel Gustavo ou alguém por ele; que também nunca o viu armado; que depois do crime de vinte e oito de Janeiro, não conversou mais com o denunciado; que, por ouvir dizer, sabe que, atingido pelos tiros disparados pelo denunciado, foi o Coronel Gustavo recolhido à Santa Casa, ali permaneceu em tratamento e veio a falecer em consequência dos ferimentos recebidos; que conhecia muito bem ao Coronel Gustavo e sabe que ele era um homem forte e de resistência física; que ignora se o ferido estava armado na ocasião do fato, assim também se fez reação à agressão sofrida. Às perguntas do Dr. Promotor de Justiça, respondeu: que sabe, por ouvir dizer, geralmente, que o denunciado deu os tiros no Coronel Gustavo pelas costas, no momento em que este viajava em um bonde em companhia de duas filhas; que na noite do crime, passou pela porta da casa do depoente a senhora D. Dadá, mulher de Roldão de Aquino, de quem o depoente ouviu as seguintes palavras: "cortada a árvore pelo tronco, está tudo salvo". Às perguntas do advogado Raymundo Arraes, responde: que conhecia muito bem Gustavo Lima e José Leite, tendo relações de amizade com ambos; que faz um conceito muito favorável do caráter do Coronel Gustavo; que jamais soube ter o mesmo, como chefe político ali, mandado assassinar ou espancar alguém; que o tinha como um cidadão pacífico; que o Coronel Gustavo era altamente apreciado pela maioria da população de Lavras, tendo feito àquele município grandes benefícios; que Lavras muito perdeu com o passamento do Coronel Gustavo; que conhece o Coronel José Leite, fazendo dele também muito bom conceito, sendo comerciante muito estimado no município; que não conhece muito bem os costumes dos filhos do Coronel Gustavo; que o Major Eusébio de Aquino, pai do denunciado, era um homem muito trabalhador, honrado e pacífico, lamentando ele, testemunha, que o Major Eusébio tenha, incidentemente, sido envolvido na luta em que foi vitimado; que José Leite Filho era um moço muito distinto, mas era muito violento, tinha pouco juízo e, conforme ouviu dizer ele, testemunha, foi ele com Raymundo Augusto e Gentil Lima os que promoveram o conflito de nove de Janeiro, que é pensamento pessoal seu, que o conflito de nove de Janeiro do ano passado, em Lavras, foi inesperado; que diz ter sido inesperado, no sentido de não ter havido combinação prévia, sendo o resultado de uma inimizade entre Raymundo Augusto Lima e seu irmão Gentil, da qual veio a ser parte, mais tarde, José Leite Filho como amigo e auxiliar ostensivo de Gentil, a quem auxiliava até com dinheiro na luta contra o seu irmão; que tem, de ciência própria, absoluta certeza de não ter o Coronel Gustavo concorrido para os fatos desenrolados em Lavras no dia nove de Janeiro, pois, a este tempo, ele se encontrava acamado nesta capital e que ela, testemunha, teve de visitá-lo muitas vezes nas proximidades do conflito referido, sabendo que o Coronel Gustavo por muitas vezes se dirigira ao Dr. Justiniano de Serpa, a fim de que este ordenasse ao Dr. Chefe de Polícia que mandasse permanecer em Lavras um oficial enérgico e imparcial, capaz de garantir a todos; que isto fazia o Coronel Gustavo em vista dos telegramas diariamente recebidos de Lavras e firmados pelo seu filho Raymundo Augusto de Lima, então Prefeito Municipal, nos quais este encarecia a seu pai que conseguisse do Governo medidas capazes de assegurar a ordem ameaçada de ser conturbada por Gentil Lima, pois José Leite Filho, aproveitando-se da inimizade inexistente, instigava diariamente Gentil contra ele Raymundo Augusto; que ela, testemunha, recebeu diversos telegramas dos que acima aludiu, passando recibo nos mesmos por ordem do Coronel Gustavo que estava doente; que o Coronel Gustavo se afligia muito com esses fatos e muitas vezes mandou ela, testemunha, levar um cartão ao Dr. Manoel Theóphilo, na Secretaria da Fazenda, pedindo a este que entregasse ao Dr. Justiniano de Serpa aquele cartão; que o Coronel Gustavo lhe prevenira que se não encontrasse o Dr. Manoel Theóphilo, levasse o cartão ao Dr. Paricampus, para o mesmo fim; que antes do cartão ser posto no envelope, pelo Coronel Gustavo Lima, foi lido para ele, testemunha; que no mesmo cartão o Coronel pedia insistentemente e com grande urgência ao Dr. Justiniano de Serpa que, para evitar conflitos na sua terra, mandasse para ali um oficial capaz de manter a ordem agravada; que após os acontecimentos de Lavras, estando em casa do Coronel Gustavo, ouviu este lamentar profundamente a morte de Eusébio, a quem chamava velho honrado, dizendo que tudo que ocorrera quanto a Eusébio, devia-se ao Coronel José Leite, em mandar chamar em sua casa para envolvê-lo nesse conflito; que sabe ter vindo o réu, antes do conflito da Praça do Ferreira, do Juazeiro e que os irmãos dele, denunciado, lhe disseram que o denunciado estivera sempre em companhia do Coronel José Leite, que ignora ter o Coronel José Leite auxiliado o acusado na prática do crime; que visitando o Coronel José Leite, este lhe declarara que vivera muito tempo em Lavras sem que tivesse a menor inimizade com o Coronel Gustavo, tendo Gustavo sempre o respeitado e ele a Gustavo, sendo que agradecia tudo quanto acontecera aos filhos do Coronel Gustavo e dele Leite, principalmente a Raymundo Augusto, que era o chefe político. Às perguntas do Dr. Rocha Lima, respondeu: que quando Dona Dadá passava em frente da casa do depoente, dizendo: "cortada a árvore pelo tronco, estamos salvos", não sabe a testemunha a quem se referiam aqueles dizeres; que Francisco Cunha dissera à testemunha, que ouvira dizer que tinha havido um tiroteio e que o Coronel Gustavo saíra ferido. Ao Dr. Gomes de Mattos, respondeu: que em fins do ano de mil novecentos e vinte e um o Major Eusébio de Aquino, pai do acusado, vindo de Lavras, demorou nesta capital, mais de um mês, hóspede do seu filho Roldão de Aquino, na Praça da Estação; que Eusébio ia quase diariamente a Palácio, levado pelo braço de Monsenhor Salazar e que o fim dessas suas visitas a Palácio, era pedir ao Dr. Justiniano de Serpa, Presidente do Estado, uma carta de recomendação para as autoridades de Lavras, no sentido dele Eusébio não ser perseguido, como vinha sendo, por José Burrego que lhe movia uma ação comercial fantástica, pois que não havia letra ou documento para o seu fundamento legal; que Eusébio, por ser partidário da oposição ali, não confiava nas autoridades, sendo duvidoso para o depoente se conseguiu ou não a carta pedida ao Presidente do Estado; que o acusado, como seus irmãos, depois da hecatombe de Lavras, isto é, dos fatos de nove de Janeiro do ano passado, sempre fez público em toda a parte e em presença do depoente que havia de vingar a morte de seu pai. Pelo réu foi dito, contestando o depoimento da testemunha, que nem a este nem a ninguém, manifestou seu desígnio de matar o Coronel Gustavo e muito menos solicitou ao depoente que lhe fizesse a indicação da residência do mesmo Coronel, e que não é verdade que o Coronel Gustavo tivesse alguma vez lamentado a morte do pai do contestante, que também não é exato ter sido o genitor do réu, algum tempo, correligionário político do Coronel Gustavo que sempre viveu perseguindo-o, apesar da sua qualidade de primo legítimo. Pela testemunha foi confirmado o seu depoimento. NOTA - Cópia extraída pelo escrivão interino Raul Olrão.
- Gatunos de Encanamentos Os gatunos de encanamentos voltaram esta noite a funcionar, visitando a chácara do advogado Francisco Queirós, no Prado Velho, donde carregaram encanamentos e torneiras. Pedimos providências à polícia.
- Cinemas & Teatros Majestic Sessão de arte, às 7 e 1/2: "A fatalidade da hora doze e dez", em 6 atos, por Marie Doro. "A rainha dos brilhantes", 5ª parte, em 2 episódios e 4 partes (reprise). Polytheama Hoje, às 7 horas: "O mistério da doca americana", por Max Landa.
Anúncios, notas e expediente
- Nota social Aniversário Decorre, hoje, o aniversário natalício de Raymundo Façanha, zeloso tesoureiro do Centro Artístico Cearense.
- Nota social Visitantes DR. EDUARDO DIAS - A bordo do paquete "Santos", acaba de chegar da Bahia, acompanhado de sua excelentíssima família, o nosso distinto amigo Dr. Eduardo Dias, conceituado médico e escritor apreciadíssimo. O Dr. Eduardo Dias vem fixar sua residência nesta capital, estabelecendo aqui o seu consultório clínico. O ilustrado facultativo é um católico de direita e altamente estimado pelas suas excelentes qualidades morais. O "Nordeste" o visita cordialmente, apresentando-lhe cumprimentos de boas-vindas e desejando-lhe feliz permanência em nossa terra, que o recebe com grande satisfação em seu convívio social.
- Nota social - ADALBERTO A. BEZERRA - Acha-se nesta capital a passeio, acompanhado de sua digna esposa, D. Maria de S. José Bezerra, o nosso distinto amigo, Sr. Adalberto Alves Bezerra, comerciante em Aurora. Visitamo-lo cordialmente.
- Nota social Nascimentos WALDEGLACE - O lar do nosso amigo Francisco Cyrino dos Santos, impressor desta folha, e de D. Raimunda Júnior dos Santos, foi enriquecido com o nascimento da interessante pequerrucha Waldeglace. À mimosa petiza, os nossos votos de felicidade.
- Expediente O NORDESTE, Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 1923
- Telegrama [...]
- Anúncio DESAPARECEM em pouco tempo as SARDAS, ESPINHAS e MANCHAS, com o uso do Leite de Colônia. O rosto torna-se macio e claro.
- Nota social Thereza Saraiva Pedro Lindolpho Saraiva, filhos e noras. Emílio de Guerreiro e família, João Soares e família (ausentes), José Martins Aguiar e família, José Joaquim de Paiva Filho, e família, Rosa de Oliveira Paiva e filhos, penhorados, agradecem a todos os parentes e amigos que acompanharam o enterro de sua esposa, mãe, irmã, cunhada e tia D. THEREZA SARAIVA, e ao mesmo tempo convidam para assistirem à missa do sétimo dia de seu passamento, sexta-feira, 16 do corrente, às 6 e 1/2 horas da manhã, na Matriz do Patrocínio. Por este ato de caridade e religião confessam-se inteiramente gratos.
- Telegrama Juízo de Direito de Casamento da Comarca de Fortaleza EDITAL N. 32 Faço saber que pretendem casar-se Jayme Pereira Braga, solteiro, residente nesta Capital, funcionário público, nascido em Porangaba, deste Estado, no dia 29 de Setembro de 1878, filho legítimo de Francisco Ferreira Braga e de D. Rufina Pereira Braga, residentes em Porangaba; e J. Adélia Rosa de Gouveia, solteira, nascida nesta Capital, onde é residente, no dia 18 de Setembro de 1899, filha legítima de Ricardo Viviano de Gouveia e de D. Clotilde Soares de Gouveia, residentes nesta Cidade. Apresentaram os documentos exigidos pela lei. "Se alguém tiver conhecimento de existir algum impedimento legal, acuse-o para os fins de direito." E para constar e chegar este ao conhecimento de todos, lavro o presente, para ser afixado no lugar do costume e publicado pela imprensa. Fortaleza, 6 de Fevereiro de 1923. O Oficial do Registro João de Deus Cavalcanti
- Telegrama EDITAL N. 33 Faço saber que pretendem casar-se José Victor de Araújo, solteiro, residente nesta Capital, agricultor, nascido em Baú, deste Estado, no dia 12 de Abril de 1899, filho legítimo de João Capistrano de Araújo, falecido no ano de 1910, e de D. Joanna Teixeira de Araújo, nascida no ano de 1872, residente nesta Cidade, e D. Maria Vieira da Silva, solteira, residente nesta Capital, nascida em Baú, no dia 9 de Setembro de 1900, filha legítima de Francisco Vieira da Silva e de D. Joanna Vieira da Silva, nascidos respectivamente nos anos de 1872 e 1875, residentes em Baú. Apresentaram os documentos exigidos pela lei. "Se alguém tiver conhecimento de existir algum impedimento legal, acuse-o para os fins de direito". E para constar e chegar este ao conhecimento de todos, lavro o presente, para ser afixado no lugar do costume e publicado pela imprensa. Fortaleza, 6 de Fevereiro de 1923. O Oficial do Registro João de Deus Cavalcanti
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