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O Nordeste
Fevereiro de 1923 · 25 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Alemanha BERLIM, 22 — Os jornais asseveram que o governo está firmemente disposto a empregar todos os meios para ajudar a população do Ruhr a opor-se, pacificamente, à invasão francesa. Até agora, já o governo pagou duzentos milhões de marcos em bônus aos empregados que se recusam a trabalhar para os franceses. Os mineiros do Ruhr, e todo o distrito, recebem quantia três vezes superior ao seu salário diário. O governo está providenciando com energia para abastecer a população daquela zona com gêneros alimentícios, carne e outros comestíveis vindos da Suíça. As encomendas de gêneros feitas na Suíça já sobem à soma de 200 mil dólares. — O chanceler Cuno, em conversa com amigos, declarou estar convencido da vitória da Alemanha, na atual contenda com a França. Acrescentou que isso não quer dizer que a Alemanha não mais colaborará com a França na reconstrução das regiões devastadas. — Na dieta prussiana, deu-se, ontem, violento conflito entre os comunistas e os socialistas, devido à atitude assumida pelos primeiros, de irredutível oposição à limitação dos debates. Estabeleceu-se séria luta entre os dois grupos, acabando por saírem dois comunistas expulsos a pontapés, escadas abaixo. O presidente da Dieta, impotente para acalmar os ânimos, abandonou o recinto. Terminada a luta, havia pelo chão várias roupas rasgadas pelos combatentes. — Informam de Wurtemberg que o ex-chanceler Wirth, num discurso, fez alusões à possibilidade de novas negociações entre a Alemanha e a França. — O governo do Reich ordenou aos funcionários do Ruhr que cortem a água e a eletricidade para os escritórios ocupados pelos franceses, para fins administrativos.
- Cinemas & Teatros Majestic Hojé, às 7 horas: 'Ídolos de Barro', 8 atos, por Mac Murray. Polytheama 'Eu não me casarei', em 7 atos, por Wanda Hawley. Cinema S. José Quinta-feira, às 7 e 1/2: 'Pelas Alturas', em 7 atos, da 'Fox', por Tom Mix.
- A questão da fazenda Jerichó
- Autores: José Galdino Saraiva Leite e sua mulher. Réus: Vicente Alves de Almeida Castro e sua mulher. Diz a 2ª testemunha: 'Que conhece a fazenda 'Jerichó' no ano de mil novecentos e vinte, quando esteve com sua família em Sebastião de Lacerda. Teve ocasião de PASSAR algumas vezes pela referida fazenda' (fls. 113). Diz a 4ª testemunha: 'Que só esteve na fazenda 'Jerichó' uma vez, ou seja, precisamente, na época a que acima se referiu; que, nessa ocasião, teve de demorar-se, na referida fazenda, o espaço, mais ou menos, de uma hora' (fls. 119 v. e 120). Convém acrescentar que as 2ª e 4ª testemunhas, bem como a 3ª, residem nesta capital (fls. 112 v, 116 v. e 118 v.). Mas, como podem tais testemunhas afirmar que a fazenda 'Jerichó' pode dividir-se, não sofre, com a divisão, desvalorização nas suas partes, quando não têm tido contato frequente com a mesma, morando, como moram, uma muito longe dela, outras nesta capital, conhecendo-a, umas apenas de passagem, outra por lá ter estado o espaço, mais ou menos, de uma hora? Como, portanto, podem prevalecer, neste particular, as afirmativas analisadas, hoje, que as testemunhas não se contam, mas se pesam? (João Mon. obr. cit., 2º vol. § 168, nota 4, pág. 268). Dir-se-á que entre as coisas indivisíveis, previstas na al. II do art. 53 do Código Civil, incluem-se as que, pela divisão, tornar-se-iam impróprias ao seu destino (Cód. Civil, art. 632). E acrescentar-se-á: tal não acontece com a fazenda 'Jerichó', que, assim, será divisível. Esta objeção não pode prevalecer no caso dos autos, como veremos pelo ensino de Clóvis Beviláqua, em comentário ao referido art. 632 e com a aplicação do dito ensino à hipótese em controvérsia. Comentando, de fato, o art. 632 do Cód. Civil, diz o ilustre tratadista: 'Coisas Indivisíveis, definiu o art. 53, do: I, as que se não podem partir, sem alteração na substância; II, as que, embora naturalmente divisíveis, se consideram indivisíveis por lei ou vontade das partes.' Essa indivisibilidade dos móveis não tem interesse na relação jurídica de condomínio, porque não costuma recair sobre um deles a comunhão; mas, quando recaia, aplica-se a regra do artigo. O interesse da questão assenta, principalmente, na indivisibilidade dos imóveis rurais ou urbanos, principalmente nos primeiros. É a eles que se refere o Código Civil, quando prevê a possibilidade de o bem se tornar, pela divisão, impróprio ao seu destino. Suponha-se um estabelecimento agrícola, onde há maquinismos, terrenos apropriados a várias culturas e trechos isolados; ou uma fazenda de gado, com uma só aguada (Cód. Civil Com., vol. 3º, pág. 104 e 165). Ora, como vimos e decorre da prova testemunhal produzida, trata-se, precisamente, de uma fazenda que constitui, sem dúvida, um estabelecimento agrícola, com engenho de ferro, terrenos cultivados e terrenos incultos, cafezais, da mesma forma que se tem em foco, como também não deixa margem a dúvidas a prova testemunhal, uma fazenda de criação, na qual existe um só açude ou uma única aguada apropriada à sustentação dos gados. Sendo assim, como pode haver dúvida sobre a indivisibilidade da fazenda 'Jerichó', à qual calha, com precisão absoluta, até o exemplo, a respeito figurado por Clóvis Beviláqua? (O Nordeste, 26 de fevereiro de 1923)
- Vindo de Fortaleza, aonde fora tomar parte nos exercícios espirituais do clero, voltou a esta cidade, no dia 7 do mês corrente, o reverendíssimo padre Nelson Terceiro de Farias, zeloso vigário desta paróquia. Foi muito festiva a recepção que lhe prepararam os habitantes desta freguesia, por ocasião de sua chegada. Vários cavalheiros de nossa sociedade foram, em automóveis, ao seu encontro, enquanto que na casa de sua residência se achavam autoridades federais, estaduais e municipais, representantes do comércio e diversas famílias de escol, aguardando-o com visível ansiedade. À chegada dos automóveis, a banda de música local executou harmoniosa peça, ao passo que numeroso grupo de crianças arremessavam copiosa chuva de flores naturais sobre o padre Nelson, desde a sua despedida até a sala de recepção, onde a graça dos enfeites condizia com o júbilo intenso e unânime dos homenageantes. Discursaram, nesse momento, o Dr. Gilberto Studart, criterioso juiz municipal, e duas crianças, os quais, traduzindo o sentir de toda a população uniense, alegraram-se por ver regressar ao meio de seu rebanho o dedicado e incansável pastor. O padre Nelson, vivamente comovido, agradeceu, com palavras tocantes e cheias de gratidão, a honrosa manifestação de que era alvo, tecendo, ao mesmo tempo, merecidos elogios ao Dr. Gilberto Studart. É digno de nota o modo espontâneo como se organizaram estas homenagens. Elementos de todas as classes unienses para ali afluíram, apesar do mau tempo que fazia, constantes ameaças de chuva, para levarem as suas boas-vindas ao seu já tão bemquisto vigário, padre Nelson. (Do Correspondente.)
- A Itália no Congresso de Educação Mundial ROMA, 22 — O ministro da instrução pública nomeou a princesa Santa Borghese para representar a Itália no Congresso de Educação Mundial, que se vai realizar em Oakland, na Califórnia, em julho. Durante sua viagem aos Estados Unidos, a princesa fará uma série de conferências em seis das principais cidades, sobre a Itália moderna, e em seis das mais importantes universidades norte-americanas, sobre assuntos culturais.
- Criminosos políticos LISBOA, 22 — Os oficiais que dirigiram a sedição de 11 de outubro foram absolvidos. O julgamento revestiu-se de máximo interesse. No dia 1º de março próximo, terá iniciado o julgamento do cabo da marinha, Abel Olímpio, alcunhado Dente de Ouro, chefe dos morticínios de outubro.
- Distúrbios na praça do Carmo Ontem, às 9 horas, na praça do Carmo, perto da 'Associação dos Merceeiros', Olímpio Simão de Carvalho, por motivos de velha rixa, disparou três tiros contra João Batista Ferreira, Luís Gonzaga de Moura e Francisco de Assis Campos. Os projéteis não atingiram a ninguém. Na polícia, Olímpio Simão, que é empregado do Sr. Raul de Sousa Carvalho, disse que, apenas, atirara para espantar os três que queriam agredi-lo a cacete.
- BENEFICENTE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE FORTALEZA A Mesa Administrativa da 'Beneficente da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza', em sessão de 22 do corrente, aprovou por unanimidade que fosse inserido na respectiva ata um voto de louvor e agradecimento, e expedido o diploma de sócio remido ao Dr. Manolito Moreira, chefe da Clínica do Hospital da Santa Casa, pela doação que fez de seus honorários vencidos e a vencer-se em benefício do mesmo estabelecimento e da Maternidade 'João Moreira', divididos em partes iguais. Foi nomeado Chefe de Clínica da enfermaria dos homens na Santa Casa de Misericórdia o Dr. Eduardo Dias.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O NORDESTE, Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 1923
- Anúncio A pasta da Polônia é a melhor para cutis tornando-a sedosa e radiante. Tira as sardas, panos, espinhas e cravos.
- Telegrama DR. GENTIL PEDREIRA
- Nota social Sarau literário Mais uma vez tivemos o prazer todo espiritual de assistir a um dos bem organizados saraus literários, que se realizam de quando em vez na residência do venerando bardo Juvenal Galeno. A hora literária de ontem à noite, cuja assistência era seleta, foi de indizível encanto. Era uma homenagem à Dra. Henriqueta Galeno, por motivo do seu aniversário. Iniciou-se o ilustrado professor Lourenço Filho, lendo, com dicção impecável, uma agradável e interessante palestra sobre 'As Mentiras'. Lourenço Filho, que é um perfeito orador, interessou o auditório cerca de três quartos de hora. Começou por atinar que não existe somente a mentira social das rodas elegantes, o que é quase um desporto nos tempos atuais, mas existem as mentiras 'científicas'. A ciência quase toda está cheia de grossas mentiras. Desde Lavoisier, que afirmou, convictamente, o clássico 'na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma', até Einstein, que revoluciona os conhecimentos modernos com descobertas ininteligíveis, todos mentem. A natureza também tem o seu culto à mentira. Existem plantas e animais que enganam a quem está de longe, que têm cores diferentes do que se pensa, enfim que sabem disfarçar à primeira vista, mentirosamente. O conferencista leu um conto de João do Norte, cuja moral mostra que, muitas vezes, quem diz verdades sofre dissabores. Molière, no 'Misantropo', tem um tipo, Alceste, que, pelo hábito de dizer sempre verdades, cai em verdadeiro mal-estar, transtornos, dissabores, por onde anda, por onde passa. Perorando, o orador aconselhou as senhoras e senhoritas a dizerem sempre a verdade, embora causassem desinteligências, e antes de se penitenciarem das mentiras que praticam, fizessem ainda uma última mentirinha, aplaudindo-lhe a conferência... Muitas palmas ecoaram no salão. Seguiram-se números de música executados por D. Carmen Barroso Lima, e recitativos a cargo de diversos intelectuais: Beni Carvalho disse quadras de José Albino; Eduardo Dias, uma poesia: 'Os Retirantes'; Gamaliel Mendonça recitou versos próprios; Sobreira Filho, um soneto; Aldo Prado, 'Quem criou o beijo da mulher', de V. de Carvalho; Abital Sampaio, versos próprios. Por fim foi encenado 'O último Pierrot', de Sobreira Filho, acompanhado ao piano e violino, respectivamente, pela Sra. D. Carmen Barroso Lima e Sr. Edgard Nunes. Encerrou o sarau a Sra. D. Carmen Barroso tocando, magistralmente, a Fantasia sobre o Hino Nacional, de Gottschalk. Seguiram-se animadas danças, que se prolongaram até tarde da noite. A todos os presentes foi servida uma mesa de bolos e doces. A família Galeno foi pródiga em gentilezas para com todos.
- Nota social Octávio José da Costa Corina Bravo da Costa e filhos, Ror. e no Bravo e família, José Severiano de Castro Filho e família, Joaquim Alves Cavalcanti e família, Virgílio Bravo, Júlio Bravo e família (ausentes), mulher, filhos e cunhados do falecido, convidam os parentes, amigos e colegas para assistirem na Matriz do Patrocínio, pelas 6 e 1/2 horas do dia 27 do corrente (terça-feira), à Missa do 7º dia que mandam rezar por alma do mesmo falecido, pelo que se confessam desde já sumamente gratos. 26/2
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- Nota social Aniversários Sábado último fez anos o Sr. Francisco Valentim de Menezes, filho do Dr. Antônio Valentim de Menezes e de D. Maria Batista de Menezes. Parabéns. — Faz anos, hoje, D. Neninha de Paula Arruda, digna esposa do Sr. Cesário de Arruda, capitão, médico do Colégio Militar.
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- Nota social Visitantes LIOS A. MACEDO Fez-nos a atenção de visitar-nos, acompanhado do tenente Carlos, o nosso estimável cidadão Luís Antônio Macedo, acreditado comerciante em Missão Velha, onde goza de grande estima. Gratos à sua atenção, desejamos-lhe feliz estadia entre nós.
- Nota social Despedidas Carlos HERDADE — Fez-nos uma visita de despedida o Sr. Carlos Herdade, representante da Companhia Antártica Paulista, por ter de seguir para o norte do país, em excursão comercial. Acompanhou-o a esta redação o acreditado capitalista e comerciante nesta praça, Sr. Luís Severiano Ribeiro. Desejamos ao Sr. Carlos Herdade feliz viagem.
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