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O Nordeste

Março de 1923 · 32 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • O mausoléu que, segundo desejo da família, deverá ser provisório ao túmulo de Afonso Pena.
  • Profilaxia. pelo dr. Sou [...].
  • Os últimos momentos do grande brasileiro, A sua morte piedosa RIO, 2—Dizem de Petrópolis: Antes de falecer, o conselheiro Ruy Barbosa recebeu todos os sacramentos da Igreja, administrados por Frei Celso Breding, franciscano de Petrópolis e particular amigo do grande brasileiro. O eminente estadista recebeu os sacramentos às 4h e 1/2 da tarde de ontem. Concluída a confissão, o conselheiro pediu que lhe fossem ministrados os Santos Óleos, sendo-lhe satisfeito o desejo. O ilustre enfermo não pôde, porém, receber a comunhão, por causa da paralisia. Frei Celso, porém, despedindo-se do conselheiro, prometeu-lhe voltar. Num gesto de aquiescência e agradecimento, o conselheiro apertou-lhe reconhecidamente as mãos. Nesta ocasião tinha o grande estadista uma Cruz sobre o peito, que afagava repetidas vezes, com indizível satisfação. À noite, Frei Celso voltou e assistiu aos derradeiros momentos do conselheiro. Em palestra com os representantes da imprensa, Frei Celso declarou que se orgulhava de possuir a amizade do conselheiro Ruy Barbosa.
  • O presidente Bernardes recebe pêsames RIO, 3—O dr. Artur Bernardes, presidente da República, recebeu o seguinte telegrama: MONTEVIDÉU, 2 - Recebi com profundo pesar a notícia do luto do Brasil, que perde com Ruy Barbosa, não somente um dos seus cidadãos mais ilustres, mas também uma eminente personalidade universal, consagrada pelos postulados da humanidade. Aceite V. Excia. as expressões da minha amizade leal e sincera. José Serrato, presidente da República Oriental do Uruguai.
  • O itinerário do préstito fúnebre RIO, 4 Hoje, às 15 horas, realizar-se-á a trasladação dos restos mortais do senador Ruy Barbosa para o cemitério de São João Batista, saindo o cortejo fúnebre do edifício da Biblioteca Nacional. O cortejo obedecerá ao seguinte itinerário: Avenida Rio Branco, Avenida Beira Mar, rua Ruy Barbosa, rua D. Mariana e general Polidoro, até a necrópole. As ruas, por onde ele passar, receberão forças de terra e mar, estendidas em linha desenvolvida, e que prestarão as continências da pragmática nos enterros de chefes de Estado. Uma vez chegado o cortejo fúnebre ao cemitério de São João, a urna será levada para a necrópole, onde ficará depositada até a construção do mausoléu que a guardará definitivamente. A urna será conduzida pelo decano do corpo diplomático estrangeiro, representantes do Senado Federal, representantes da Câmara dos Deputados, representantes do Supremo Tribunal Federal, ministro da Justiça, representante do presidente da República e pessoas da família do pranteado extinto.
  • Reclamações dos criadores à administração da E. F. de Baturité Esteve em nossa redação, há poucos dias, abastado criador em nossos sertões, para pedir que reclamássemos da administração da E. F. de Baturité uma providência severa, no sentido de os maquinistas não continuarem a matar o gado, o que parece fazerem de propósito, desde que não dão por isso satisfação a ninguém. O número de reses sacrificadas pelas locomotivas da Baturité já assume cifra considerável. É uma verdadeira epizootia, de consequências deploráveis para a pecuária no Estado. Nos quilômetros 404 a 406, proximidades de Iguatu, têm sido constantes os morticínios. Há algum tempo, os criadores dali fizeram uma reclamação à passada diretoria da Estrada e foram postas em prática medidas salutares, evitando-se a continuação da calamidade. Houve, então, o plano de ataque aos trens, o que, felizmente, fracassou graças à intervenção de distinto fazendeiro dali. O dr. Couto Fernandes, que teve conhecimento de tudo, abriu inquérito e veio a apurar a responsabilidade dos maquinistas. Agora, na atual administração, de novo recrudesceu a mortandade de gado, havendo, de último, numa fazenda, somente, perdas avaliadas em mais de dois contos de réis, em alguns meses. Entretanto, em Miguel Calmon não se registram desses fatos, porque lá os fazendeiros reagem como já o fizeram, alvejando uma locomotiva a bala de rifle. Em Salva-Vidas, há igualmente a intenção dos maquinistas de matar o gado. Ainda há pouco, no pontilhão em frente à casa da fazenda, um trem que vinha em marcha lenta, matou uma vaca do sr. Eugênio Porto, simplesmente para não parar a máquina alguns passos antes do aludido pontilhão. A rês, espremida entre o trem e o pontilhão, teria fatalmente de ser esmagada. Isso é uma coisa, realmente, revoltante e cumpre à administração da «Baturité» pôr em prática uma medida combativa de tais abusos. Não é possível que aos fazendeiros faltem inteiramente garantias para criarem nos nossos sertões e pelas reses mortas não tenham a menor indenização. Confiamos que a diretoria da E. F. de Baturité atenderá, como é de seu dever, esse justo apelo de que somos eco.
  • A câmara ardente cheia de coroas de flores RIO, 3—A quantidade de coroas, principalmente de flores naturais, que enchem a câmara ardente em que se encontram os despojos de Ruy Barbosa, era hoje excepcional como nas últimas homenagens aos seus admiradores e amigos, associações, confrarias, altos políticos e todas as classes sociais. Para as coroas já não dispunha a sala de espaço. À tarde, calculava-se em centenas de contos as encomendas feitas aos estabelecimentos de especialistas. De todas as cidades do interior do Estado do Rio, Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, ainda hoje chegaram vagões cheios de flores, com o mesmo destino de serem prestadas homenagens ao ilustre morto.
  • As escolas superiores e o enterro RIO, 4 —Foram convocados todos os alunos das escolas secundárias e superiores desta capital para comparecerem à cerimônia do enterro de Ruy Barbosa.
  • O aspecto da Biblioteca. Incalculável número de visitantes RIO, 4—O aspecto da dependência da Biblioteca Nacional, onde está exposto o corpo de Ruy à visita do público, parecia, às primeiras horas de ontem, mais grave e de menor extensão. Concorria para isso o número elevado de grandes coroas fúnebres, que para lá foram conduzidas, expressando as homenagens do governo, repartições públicas, instituições públicas e particulares, e simples amigos do senador baiano. O número de pessoas que visitaram a câmara mortuária foi incalculável, como na noite anterior. Silenciosos, guiados por um cordão especial de guardas civis, passavam todos juntos à urna funerária, contemplando o rosto do morto, por um instante, através do vidro de limpa do esquife.
  • As homenagens do governo baiano BAHIA, 3—O governador do Estado deliberou prestar excepcionais homenagens à memória do conselheiro Ruy Barbosa. A cidade está totalmente coberta de luto. Esgotaram-se as edições de todos os jornais que tratam da morte do conselheiro. Todo o comércio, inclusive o varejo, continua de portas cerradas; todas as repartições públicas, casas de ensino, agremiações e sociedades conservam a bandeira em funeral. Hoje, no momento do saimento fúnebre no Rio, o povo se reunirá na praça Rio Branco, desta cidade, e falará, então, um orador sobre a personalidade do grande baiano. Tocarão funeral duas bandas de música. O povo conservar-se-á em profundo silêncio, associando-se ao cortejo. O exmo. sr. Arcebispo ordenou que dobrem todos os sinos da Capital, em sinal de pesar. Determinou ainda a suspensão do expediente eclesiástico, e telegrafou à família Ruy Barbosa, dando-lhe pêsames.
  • O representante do presidente da República no enterro RIO, 4 —O Presidente da República será representado, na cerimônia da trasladação do corpo do senador Ruy Barbosa, pelo general Santa Cruz, chefe da Casa Militar da Presidência.
  • O enterro de Ruy. Constâncio Alves falará pela Academia de Letras RIO, 3—O enterro do conselheiro Ruy Barbosa está definitivamente marcado para amanhã, às 15 horas, saindo para o cemitério de São João Batista. À saída do corpo, da Biblioteca Nacional, falará o sr. Constâncio Alves, em nome da Academia Brasileira de Letras, o qual para esse fim foi designado pelo sr. Afrânio Peixoto, presidente dessa agremiação. O corpo do eminente patrício será depositado na capela do cemitério.
  • O enterro. Salva regulamentar RIO, 4—O grupo do 2º regimento de artilharia montada fará a salva regulamentar por ocasião do cortejo fúnebre se movimentar. Esse grupo estará postado na avenida Beira Mar, a fim de facilitar o transporte das forças restantes. Todo o material desse grupo foi transportado, ontem, do quartel para o centro da cidade. Na mesma ocasião em que ele salvar, todas as fortalezas e fortes darão as respectivas salvas. A salva da infantaria será dada por uma companhia de marinha.
  • Ruy não deixou testamento escrito. Os bens imóveis que S. Excia. deixa RIO, 4 Ao contrário do que se tem afirmado, o conselheiro Ruy Barbosa não deixou testamento escrito. Os bens imóveis que deixa o senador baiano são apenas 3 prédios: a residência efetiva da família, à rua Ruy Barbosa, nº 134, nesta Capital; e 2 em Petrópolis: um à Avenida Ipiranga, 405, onde ocorreu o óbito, e outro à Avenida 7 de Abril, nº 21.
  • O presidente de Portugal associa-se ao luto do Brasil RIO, 4 —O presidente de Portugal, dr. Antônio José de Almeida, telegrafou à viúva do conselheiro Ruy Barbosa, ao dr. Artur Bernardes e ao dr. Epitácio Pessoa, apresentando-lhes condolências pela morte do grande brasileiro.
  • Os pêsames da Argentina RIO, 4 — O sr. Angel Gallardo, ministro do Exterior da Argentina, enviou um telegrama ao sr. Antônio Mora y Araújo, ministro argentino junto ao governo brasileiro, para que apresente, pessoalmente, pêsames ao dr. Artur Bernardes, pela morte de Ruy, e deposite uma coroa, em nome do seu governo, sobre o féretro do grande pioneiro da justiça. Determinou também que o ministro argentino tome parte no enterramento do eminente brasileiro.
  • A ordem do cortejo fúnebre RIO, 4 — O préstito fúnebre, que conduzirá ao cemitério o corpo de Ruy, será constituído pelo representante do presidente da República, corpo diplomático estrangeiro, comissões do legislativo federal e municipal, comissões do poder judiciário, membros do governo brasileiro, altas autoridades civis e militares, representantes de todas as associações públicas e particulares, pessoas das relações do extinto e a massa popular. O cortejo fúnebre obedecerá rigorosamente à seguinte ordem e precedência: escolta de honra, carro conduzindo o sacerdote que vai encomendar o corpo, o coche fúnebre, carro da família do finado, carro dos embaixadores estrangeiros, carro do vice-presidente do Senado Federal, carros conduzindo as comissões do Senado, carro do presidente da Câmara, carros conduzindo as comissões da Câmara, carro conduzindo o presidente do Supremo Tribunal, carros com as comissões de ministros do Supremo Tribunal, carro do ministro da Justiça, carro do representante do presidente da República, carros dos ministros plenipotenciários estrangeiros, carros dos ministros de Estado, carro do governador da cidade, carros avulsos conduzindo senadores e deputados, carros conduzindo os membros do Supremo, carro conduzindo os encarregados dos negócios estrangeiros, carro do chefe de polícia, carros conduzindo as altas autoridades civis e militares, carros de representações das comissões estaduais, carros de corporações civis e religiosas e de diversas associações, e carros de pessoas em caráter oficial.
  • NUMEROSOS CHEFES DE ESTADO APRESENTAM CONDOLÊNCIAS AO NOSSO GOVERNO RIO, 4 Dentre os numerosos telegramas de todos os pontos recebidos pelo presidente da República, dando pêsames pela morte de Ruy, destacam-se estes: • MÉXICO, 3 — Em nome do povo mexicano, e no meu próprio, rogo a V. Excia. se digne aceitar, para si e para o povo brasileiro, a expressão da nossa condolência muito sincera pela perda irreparável que sofre o Brasil, com o falecimento do eminente cidadão Ruy Barbosa. A. Obregón, presidente do México. • BUENOS AIRES, 4—A morte de Ruy Barbosa produziu a mais dolorosa impressão no povo argentino, que conhecia a imensa obra de cultura e confraternidade do representativo da poderosa nação irmã, e expoente da mais alta intelectualidade da América. Desejo traduzir esses sentimentos, nos pêsames que apresento a V. Excia. e, por seu digno intermédio, à Nação amiga, com a expressão dos meus respeitos e sentimentos amistosos. Marcelo T. Alvear, presidente da República. • LIMA, 3 —Queira V. Excia. aceitar a expressão da minha mais profunda condolência, pelo falecimento do eminente cidadão Ruy Barbosa, cujo desaparecimento enluta não só a grande pátria em que nasceu, senão também a todo o nosso continente. A. B. Leguía, presidente do Peru. • LISBOA, 3 — Em nome da nação portuguesa envio a V. Excia. e ao Brasil as mais sentidas condolências, pelo falecimento do eminente brasileiro dr. Ruy Barbosa, honra e glória da nossa raça. Antônio José de Almeida.
  • Como foi recebida, em Washington, a lutuosa notícia WASHINGTON, 2—A notícia da morte de Ruy Barbosa, publicada hoje pelos jornais de todo o país, foi recebida com grande emoção nos círculos literários e diplomáticos desta capital. Leo S. Rowe, diretor da União Pan-Americana, declarou à imprensa que a morte de Ruy Barbosa é uma grande perda para todo o continente americano. A sua preponderância e influência sobre os juristas do mundo inteiro deu-lhe um prestígio tal, que há de ser, para sempre, o orgulho do Brasil.
  • O sr. Hughes telegrafa à família Ruy Barbosa WASHINGTON, 3-O ministro das relações exteriores, sr. Charles Evan Hughes, foi informado da morte do conselheiro Ruy Barbosa pela United Press. Manifestando profundo pesar, sr. Hughes ordenou, imediatamente, ao seu secretário que enviasse telegrama à embaixada norte-americana no Rio de Janeiro, concebido nos seguintes termos: «Queira apresentar à família do conselheiro Ruy Barbosa as minhas condolências pessoais pelo passamento do notável estadista a quem tive o prazer de conhecer, por ocasião de minha visita ao Rio de Janeiro. Sei quanto a sua morte será sentida pelos seus compatriotas e que os seus grandes serviços à Pátria nunca serão esquecidos».
  • A Imprensa francesa e a morte do grande brasileiro PARIS, 4 — Le Matin coloca em lugar de relevo a notícia do falecimento do conselheiro Ruy Barbosa, recebida em telegrama do Rio. Comentando o passamento do grande brasileiro, aquele jornal diz: «O conselheiro Ruy Barbosa era, provavelmente, a mais ilustre figura brasileira, sendo considerado, por muitos europeus, como o principal orador e escritor da língua portuguesa». Os jornais afirmam que a morte de Ruy Barbosa constitui não só uma calamidade para o Brasil, mas para todo o mundo. E lembram os serviços prestados pelo grande morto à causa dos aliados, durante a guerra, dirigindo a campanha contra a neutralidade, no Brasil.
  • As homenagens do Chile. Um editorial de "El Mercúrio" SANTIAGO, 4 — El Mercurio, em editorial de hoje, analisa a individualidade do conselheiro Ruy Barbosa, cuja obra — salienta — ultrapassou o país, para se irradiar pelo mundo, onde quer que haja a liberdade e o direito. O editorial termina, dizendo que o grande extinto pertenceu à legião dos criadores de nacionalidades, a qual glorifica os povos e as raças; e que o mesmo, desaparecendo, lega à sua pátria e à América alguma coisa de grandioso, que é o exemplo de sua gloriosa existência.
  • A repercussão em Lisboa LISBOA, 4— A embaixada do Brasil nesta capital tem recebido inúmeros telegramas, cartas e cartões de condolências pelo passamento do senador Ruy Barbosa.
  • A Câmara argentina comemora a morte de Ruy BUENOS AIRES, 4- Na sessão de hoje, da Câmara dos Deputados, foi comemorada a morte do conselheiro Ruy Barbosa. Também prestou homenagens à memória de Ruy, o conselho deliberativo municipal.
  • INEDITORIAIS TRABALHOS FORENSES Alegações apresentadas em autos pelo advogado Raymundo Arraes Emérito Julgador
  • A justiça pública da comarca, por seu órgão competente, denunciou a Raymundo Augusto de Lima, Anselmo Ferrer, Oswaldo Ferrer e Andrelino Jacob do Nascimento, como incursos na sanção do art. 294 § 1º e 294 e 13 do Código Penal da República, combinados com os arts. 18 §§ 1º e 3º, 21 § 1º e 66§ 1º, do mesmo Código. Para justificar a aplicabilidade da sanção pedida, alega o ilustre órgão da justiça: a) Que no dia 9 de janeiro p. passado, às 13 horas, na esquina da rua do Comércio, Raymundo Augusto de Lima e José Leite de Oliveira travaram-se de uma forte discussão; b) Que tal discussão não teria consequências se Simplício Augusto Leite, não se tem precipitado sobre Raymundo Augusto de Lima, desfechando-lhe um tiro pelas costas; c) Que disparado o primeiro tiro, Raymundo Augusto de Lima, apesar de gravemente ferido, sacou do revólver, disparando-o em seguida por diversas vezes; d) Que nesta ocasião é que José Leite Oliveira consegue entrar no seu estabelecimento, does.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente 2 O NORDESTE, Segunda-feira, 5 de Março de 1923
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