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O Nordeste

Março de 1923 · 17 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Grande Tômbola do Centenário, em Fortaleza [...] ao público que, no dia 9 de Março, foi resolvido em sessão solene da «Liga das Senhoras Católicas Brasileiras» que a Grande Tômbola do Centenário — destinada à formação de um patrimônio para o «Patronato Maria Auxiliadora» e para o «Dispensário dos Pobres» — correrá no dia 15 de Agosto do corrente ano. A lista dos bilhetes premiados será enviada a todas as paróquias e será publicada n'«O Nordeste», em lugar bem patente, para que a vejam todos os interessados. Ainda uma vez peço aos Cearenses que façam a esmola de comprar bilhetes; pois ainda estão por colocar milhares. Quase toda pessoa pode ficar com um bilhete, concorrendo, sem sacrifício, para uma obra de grande alcance moral e de benefícios espirituais incalculáveis. A obra não é somente caridosa, é uma tentativa altamente patriótica. Devemos trabalhar para a melhora dos nossos semelhantes; não podemos desprezar o nosso próximo que sofre. Avante, Cearenses, fazei mais um pequeno sacrifício — comprai um bilhete da Grande Tômbola do Centenário. Deus pagará a vossa esmola. Padre Tabosa
  • Convém ir à Escola No intuito de melhorar dia a dia a matrícula e a frequência dos grupos escolares desta capital, a Diretoria da Instrução estabelece prêmios trimestrais aos alunos mais assíduos das respectivas classes. Para isso, o professor Lourenço Filho forneceu ontem cinquenta volumes de histórias apropriadas aos alunos dos grupos, oferta sua aos mesmos, bem como providenciou para que fossem entregues para o mesmo fim dez volumes a cada um desses estabelecimentos, dos seguintes livros: «O que o cidadão deve saber» e «Como se aprende a língua». Sabemos que a matrícula nos grupos da capital já é maior agora do que a dos grupos do ano passado no fim do ano, o que é animador, pois demonstra que o povo compreende o esforço que o governo está fazendo para a elevação do ensino. Nalguns estabelecimentos, é notável também a ação da «Caixa Escolar», que tem levado à matrícula numerosas crianças indigentes, às quais já está fornecendo todo o material.
  • O Nordeste Seguiu para o interior do Estado, como nosso representante, o distinto moço, Sr. Walter Fernandes, que leva plenos poderes para tratar dos interesses comerciais da empresa d'«O Nordeste». Recomendamo-lo aos novos bons e dedicados correligionários, esperando que lhe facilitem, quanto possível, a ação de propaganda desta folha.
  • VAI SER INSTALADA AQUI UMA AGÊNCIA DA "A PREDIAL" [...] o estimado Sr. Carlos Fernandes, inspetor geral da sociedade [...] filial a fim [...] toda a verdade que repercutiria. O Nordeste

Anúncios, notas e expediente

  • Anúncio Agosto de 1920. [...] Ferreira, [...] a todos [...] que me prestou. Grande e poderoso [...], envio-vos [...] meu filho Sebastião. [...], dávamos a ele todo o sacrifício. Muito atacado de um vidro do VERMIOL. [...] uma enorme [...] sofreu das [...] do VERMIOL de [...] santo [...]. Do amigo grato.
  • Expediente O Nordeste Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Ano I Fortaleza — Quarta-feira, 7 de Março de 1923 NÚM. 207
  • Nota social DEUS nos dá sempre o que merecemos. Já [...] era pouca a graça, [...] erguia as mãos ao Céu, de abrir os olhos à realidade evidente da [...] impotência e poder recolher as [...] navegante desenganado, antes que o naufrágio me arrancasse da bandeira sagrada. [...].
  • Anúncio Vermífugo purga-infalível e [...] do Brasil. [...], 149 e 151. [...], italiano, [...], falsificações, [...]. R. Coelho & Cia.
  • Anúncio 3 [...] que [...] 15 oftalmias, [...] córnea e [...]. [...] [...]: [...] [...] 310 [...] & Cia.
  • Telegrama Ofícios da Semana Santa Sexta-Feira de Passos Procissão às 4 horas da tarde; oficiante, Mons. João A. Furtado; diácono, Cônego José A. Quinderé; subdiácono, Pe. Dr. Zaul Pedreira. Domingo de Ramos Assistência Pontifical, às 9 1/2 horas; oficiante, Mons. João A. Furtado; diácono, Pe. Barbosa Magalhães; subdiácono, Pe. Edgard Saraiva. Assistentes ao Sólio Presbítero assistente, Mons. Liberato D. da Costa; 1º diácono, Pe. Guilherme Waessen; 2º diácono, Pe. Pedro Zingerlé. Quinta-Feira Santa Missa Pontifical, às 7 horas da manhã; diácono, Mons. Liberato D. da Costa; subdiácono, Pe. Octávio de Castro. Assistentes ao Sólio Pe. assistente, Mons. Vigário Geral; 1º diácono, Pe. Guilherme Waessen; 2º diácono, Pe. Pedro Zingerlé. Benção dos Santos Óleos Mons. Pedro Hermes, Mons. Dantas, Mons. Pinto, Mons. Furtado, Cônego Quinderé, Pe. Barbosa, Pe. Barbosa de Magalhães, Pe. Dr. Zaul, Pe. Edgard, Pe. Geminiano Bezerra. Sexta-Feira Santa Missa, às 8 horas; Assistência Pontifical; celebrante, Mons. Liberato D. da Costa; diácono, Pe. José B. de Jesus; subdiácono, Pe. Edgard Saraiva. Assistentes ao Sólio Pe. assistente, Mons. Vigário Geral; 1º diácono, Pe. Guilherme Waessen; 2º diácono, Pe. Pedro Zingerlé. Procissão, às 4 1/2 horas da tarde Oficiante, Mons. Dantas; diácono e subdiácono, os mesmos da Missa. Sábado Santo Assistência Pontifical, às 7 horas; celebrante, Mons. Tabosa; diácono, Pe. Dr. Zaul Pedreira; subdiácono, Pe. José B. Magalhães. Assistentes ao Sólio Pe. assistente, Mons. Liberato; 1º diácono, Pe. Guilherme Waessen; 2º diácono, Pe. Pedro Zingerlé. Domingo da Ressurreição Missa Pontifical, às 8 horas; diácono, Cônego Quinderé; subdiácono, Pe. Edgard Saraiva. Assistentes ao Sólio Presb. assistente, Mons. Liberato; 1º diácono, Pe. Guilherme Waessen; 2º diácono, Pe. Pedro Zingerlé. Fortaleza, 5 de Março de 1923. Pe. Raimundo Hermes Monteiro, secretário do Arcebispo. Visto. Fortaleza, 5 de Março de 1923. † Manuel, Arcebispo Metropolitano.
  • Nota social A riqueza do governo e os bons amigos O auspicioso aumento das rendas do Estado é um fato que honra a atual administração, à qual não podemos regatear louvores merecidos. Sempre dissemos, e agora é chegada a ocasião de prová-lo, nenhum prurido de oposição jamais nos inspirou os conceitos que tivemos, por diversas vezes, de externar nas colunas d'«O Nordeste», sobre os atos do governo. O clamor e censuras, porventura ácres, que nos provocavam certas faltas, como a irregularidade dos pagamentos e o modo pouco equitativo como se faziam ao funcionalismo público, foram julgados por espíritos afeitos à politicagem, como manifestações de velada oposição ao presidente Serpa. Oposição? Porque o para que se pretendentes não fomos, nem seremos, querendo Deus, à coisa alguma da situação? À nossa péssima educação política, devemos atribuir essa como desorientação da opinião pública que, na imprensa, não vê senão amigos ou inimigos dos governos, não admitindo que acima de todos, devem pairar os interesses da coletividade. Por este são princípio vem se batendo o jornal católico, e com ele o seu humilde colaborador, que, hoje, sem se arrepender, nem se penitenciar de sua campanha em prol dos funcionários e principalmente das senhoras professoras, vem congratular-se com os mesmos e com o próprio governo, pelo restabelecimento dos pagamentos em dia, acontecimentos que merecem aplausos. [...] isto não basta para pôr à prova o desinteresse, sinceridade de que as adulações e não as censuras, são a desgraça de quase todos os governos. Bons amigos não faltarão nunca para cercarem os governantes; o que lhes falta, são amigos que também sejam do povo ou da terra que governam para contê-los nos excessos, e abrir-lhes os olhos nas dificuldades... Com os primeiros, o carro do Estado andará mil; sem os segundos, andará pior ainda. No dizer simples do povo, irá entrar o presidente Serpa, no período mais aperreado e perigoso de sua administração. De governo pobre e quase falido que era, ontem, passou a ser rico e demais, depositário de grandes somas que, embora destinadas a serviços públicos inadiáveis, muito mais fácil será esbanjar que conservar para os devidos fins. Não estamos acusando nem provocando desconfianças; mas, se quem me avisa meu amigo é, avisados deverão ficar os amigos. da situação de que, com a transformação financeira por que acaba de passar o Tesouro em vista do aumento das rendas e do produto do último empréstimo, cem vezes maior é a responsabilidade do chefe do Estado, nos últimos dias do seu governo. Os bons amigos hão de responder que à S. Exa., não faltam fiéis auxiliares, imprensa leal e por fim, uma assembleia só de cearenses dignos constituída. Sabemos de tudo isto e alguma coisa mais. Isto é: que os bons amigos, mais dificuldades que conselhos, lhe trarão, no final das contas; que a imprensa está preparada para defender e justificar todo erro ou loucura que vier do alto; que a Assembleia está pronta, com o seu apoio sem exame nem discussão, para aprovar tudo que vier de cima — E é mesmo nessa pujança de forças que não se sustentam senão com sacrifício da riqueza pública, que está o grande perigo. Correm notícias de que as arcas do Tesouro se encheram da noite para o dia; temos ciência de que o pobre funcionalismo irá ficar afinal, em dia; é notório que os trabalhos de esgoto e outros vão ser atacados sem demora; mas, uma coisa essencial, todos nós ignoramos e, em virtude dos grandes compromissos que acabamos de assumir, precisamos saber: a verdade e só a verdade, sobre as condições financeiras do Estado. A. M.
  • Nota social CARTA Sonetos [...] é capaz de verdade não se torna [...] recebidas de permanente publicação de digno Juiz de Direito aclamados por todos. Primeiro [...], seis pessoas que me pede, [...] do seu medicamento [...] me mostra ter, [...] o gosto de ver-me mais reconhecida) parado por J. Arthur. [...] depositários: [...] do Rio Branco, Pará (3ª e Mb.).
  • Anúncio "Asfixiante" Ltd. Emprego fácil. Os interessados com [...], Praça José de [...] / 3.
  • Anúncio [...] Agentes no Ceará
  • Nota social (Conclusão) Foi o que fez João Brígido quando intentou estudar a etimologia da palavra Quixeramobim. «Quixeramobim é Quixeramobim, ou Kieramobi, informa o conhecido jornalista; como se lê na sesmaria concedida a Gregório de Britto Freire, em 1704». «Na concessão indicada, se disse que o gentio chamava Rimaré ao rio, que hoje corre à esquerda da cidade, e pela frente da igreja». «Nos parece, no entanto, que, no manuscrito oficial aquela palavra foi grafada com descuido costumado, dando lugar a equívocos». «Dever-se-ia ter escrito Rinmaré, isto é, rio baço, turvo, pardacento, etc.» (J. Brígido — R. do I. do Ceará). «Quixeramobim viria, pois, de Rinmaré (Wn — rio, marZ-baço), interpretação com a qual não concorda o Dr. Thomaz Pompeu Sobrinho (pág. 225 do R. do I. do Ceará), para quem a antiga grafia do vocábulo seria Kieramobim. «Kiera, diz ele, é corruptela de quierá ou kira (pássaro) e obim (verde)». Deixemos, por instantes, a palavra Canindé que já se vai tornando coerente, e passemos a apontar as contradições, que julgamos encerrar seu artigo, contradições essas, fruto por certo da excessiva pressa com que foi o mesmo redigido. Diz v. s.: «... porque em verdade o tapuia não é um idioma, e sim o nome que tomaram os primitivos tupis que chegaram em terras do Brasil, e que quer dizer impiedoso, antropófago, etc.» E acrescenta «o termo bim, rejeitado por nós, não existe no tupi-guarani, como no dialeto tapuia (?)». «A língua, quer dos chamados propriamente tapuias, quer dos guaranis, é uma só soberana e geral, que se estendeu em todo continente». Perdão, ilustre patrício, v. s. se embrenha em labirinto terrivelmente intrincado. Afirmar que todas as línguas americanas são dialetos do tupi, que tapuias e tupis são um único povo invasor do Brasil em épocas diversas, encerra proposições que se me afiguram revolucionárias e tão complexas que não ouso analisar aqui, mas sobre as quais voltarei, se v. s. assim o determinar. Ainda devido à malfadada pressa — a pressa é inimiga da perfeição, reza o ditado — comete v. s. um gravíssimo engano que estou certo, não aconteceria se houvesse refletido um pouco. Ei-lo: «Tabajara ou Tabalara, nunca significou uma casta ou família de índios, e sim determinadas pessoas. Quando falamos em tabajaras, quisemos apenas fazer referência aos senhores das nossas aldeias, ou simplesmente aos índios cearenses, que inegavelmente eram os donos das suas tabas. Precisamos confessar que os índios cearenses não eram quase todos tapuias, mas quase todos tupi-guaranis.» Desculpe-me, rogo. Os Tabajaras ou Tabalaras existiram sempre como tribo; neste particular não há a menor discrepância entre os autores. Se formos ao berço do nosso Ceará veremos que Pero Coelho trouxe em 1603, com seus 65 soldados, largo número de índios tabajaras chefiados por Mandiocapuba, Bitan e Caragatini, e índios potiguares, sob o mando de Garaquinquira. E até v. s. afirma em seu livro (pág. 42) que eles habitavam Pernambuco conjuntamente com os Caetés. Para findar. A interjeição é, bem o sei, um grito espontâneo da alma e o grau de cultura ou desenvolvimento intelectual não impede formule qualquer indivíduo locuções interjetivas, pois até o cão, v. s. no-lo diz, é capaz de lançar interjeições. Ousei contestar apenas pudesse o índio, em grau de cultura embrionária, rudimentar e atrofiada, criar locuções interjetivas que devessem exprimir saudade, pois julgo ser um sentimento, por demais nobre e requintado. Mui respeitosamente, C. Studart Filho Em 3 de Março de 1923.
  • Nota social O relógio Invadindo a mudez de uma noite sombria O relógio roufenho e soturno escuto, E não sei que de mão sua voz pressagia, Fazendo-me cismar na tristeza e no luto. Demolidor voraz — impassível, porfia. O pêndulo oscilante é o camartelo bruto: — Todo o Passado já tomou em minoria E o Presente faz ruir, minuto por minuto. Com sinistro ponteiro em lâmina sinistra, Marca as horas de dor, moroso, lento, lento, E instantes de prazer precipita e registra. E nessa mesma voz, que ouço da noite em meio, Ele, que proclamou meu primeiro momento, Há de um dia anunciar meu derradeiro anseio. de Julio Maciel
  • Nota social RUY BARBOSA Na embriaguez da música do Infinito, ouve o balbuciar comovido da psique angustiada de um encarcerado. Nele se esvai todo o perfume de um peito juvenil que te adora o caráter, te admira as cintilações da fronte e te bendiz a memória. É a prece que, neste transe de luto, te fazem os lábios do mais infeliz dos brasileiros. Infeliz porque não é livre! Que o teu Espírito no seio da Onipotência divina suplique a Deus o cálice da Justiça para esta alma de crente, para este coração despedaçado, que, por digno fundo do cárcere, morre de delírio. À luz terrena, teu grande Espírito, tua pujante cerebração fechou os olhos. Pode-se muito bem dizer: apenas parou o dinamismo fisiológico do teu coração. Porque teu nome cintilante permanecerá na história; tua recordação viverá no peito agradecido dos brasileiros conscientes; a exuberância de tua genialidade, como uma fantástica visão de ouro, palpitará na rigidez marmórea de tuas obras. E, como um símbolo, um grande exemplo feito dos capítulos viris de tua existência iluminada, norteada sempre para o Bem, a sombra de teu caráter se projetará na consciência da mocidade brasileira. A tua vida é uma lição viva pregada no templo da Virtude e no altar da Justiça. Consumiste-a na pira dos mais santos Ideais pela Humanidade e pela Pátria, pela grandeza cívica do Brasil, pela máxima expansão do regime democrático neste amado trecho do Continente, que adoraste tanto com a juventude arrebatada e perene de teu coração... Somente a tua cabeça pediu à neve da velhice a sua cor alvíssima. Em teu cérebro e em teu peito de ancião estrugiam as magnificências do ardor primaveril da mocidade. Em tudo no mundo viste o reflexo da Onipotência divina, palpitando na luz, estremecendo nos lábios que perdoam, impondo a Caridade evangélica e iluminando os assombramentos do Universo, no mecanismo eterno das leis que o regem, em meio à orquestração das harmonias do Infinito. Foste um crente. Elevaste o nome da Pátria aos céus, pregaste perdoar aos inimigos; aos a quem porventura ofendeste, pediste perdão, cultuaste a Família no sacrário do lar. Sofreste entre os oprimidos. O teu Espírito como um grande pássaro de asas abertas, pairando nas alturas da amplidão da Liberdade, não poucas vezes interceptou a projeção candente do fogo da desgraça por sobre a causa amargurada dos infelizes e desprotegidos. De ânimo sereno, carregaste a cruz sagrada de tuas aspirações, o Calvário do Ideal que te conduz. A esta hora, no seio da sua orquestração etérea, tem a Justiça Divina a tua alma de justa. Olavo Rego