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O Nordeste

Maio de 1923 · 14 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • A manifestação de Jesus Cristo Os homens que não vivem escravizados a preconceitos admitem que, dentre todas as ciências de que se ufana a humanidade, nenhuma existe que se possa comparar à ciência da religião, o conhecimento de Deus. É contra ela que se desencadeiam as tempestades tremendas das perseguições satânicas; os maus lhe declaram guerra encarniçada, retirando-a das escolas, dos livros adotados e dos lábios dos professores. Felizmente, não é dado ao simples mortal roubar a sua beleza intrínseca, nem a primazia da sua doutrina e ensinamentos. Consola ver que surgem a trechos, no correr dos tempos, almas verdadeiramente apostólicas que se dedicam, com profundo zelo, ao ensino sublime e fecundíssimo da religião. Não há apostolado que se possa comparar ao da catequese. O homem moderno não gosta do esforço intelectual, tem horror a estudos abstratos, consagra-se a assuntos leves e de importância quase nula. Faz pena presenciar a volubilidade do seu pensamento na indomável fascinação das suas paixões. A história da humanidade atesta de modo eloquentíssimo a extrema ignorância em que se precipita o espírito humano, desajudado da ciência do Céu. Os povos que precederam a vinda de Jesus Cristo deram mostras da vileza do homem degradado pelo vício e aviltado pela ignorância das ciências divinas, revelou Jesus Cristo verdades desconhecidas e imperscrutáveis, mesmo pelas mais elevadas criaturas, comunicou-nos ciência sobrenatural, conhecimentos dos profundos mistérios da natureza de Deus. Não resta dúvida, "sem Jesus e por Jesus nós conseguimos conhecer e aprender a Deus do próprio Deus, mas de um Deus que se fez homem e por isso se tornou acessível à nossa mente". Jesus revelou-se Verdade por essência. Quem não gosta da luz? Sacia os nossos olhares, facilita a visão dos objetos e das pessoas que nos rodeiam. Assim a luz sobrenatural, a Fé, nos proporciona uma vida divina, nos descortina os horizontes da eternidade. É pela Fé que descobrimos nas dobras mais profundas da nossa alma as nossas vocações, que experimentamos a vida da graça, que sentimos os efeitos salutaríssimos do verdadeiro amor de Deus. E o homem que se distancia da Fé, que despreza as luzes celestiais, torna-se um verdadeiro cego, cai, a cada momento, em abismos, abraça crendices ridículas, expõe-se a irrisões. Deixar no mar tempestuoso da vida um navio seguro, como é a Barca de Pedro, pelas tábuas quebradiças de credos que se firmam em hipóteses ou sobre o lodo da corrupção, faz dó, excita compaixão em todas as almas sérias e esclarecidas! Os homens que recusam os ensinamentos da Igreja Católica apegam-se a crenças tão rasas e tolas que surpreendem desagradavelmente a todos os seus conhecidos, a todos os seus amigos. Com efeito desprezar um credo revelado por Deus, ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo, pregado por milhões de missionários e selado pelo sangue de milhões de mártires de todas as posições sociais e de todas as capacidades intelectivas causa espanto aos mais indiferentes, escandaliza as almas mais compassivas e caridosas. Mas ali! Não é a Fé que espanta a tantos homens dignos de melhor sorte; o que lhes apavora é o Decálogo, é a moral que lhes impõe a Fé Católica. O homem vencido pelo vício, acovardado pelas paixões procura o bem-estar na ilusão da descrença, não tem coragem de pensar na imortalidade da alma, sufoca a lembrança da eternidade das penas, não pensa absolutamente no inferno. E tudo isto existe, queira ou não queira a humanidade. Padre TABOSA
  • A data do Trabalho Livre Comemora, hoje, o operariado a data consagrada à conquista da liberdade de trabalho. Foi esta uma aquisição de altas vantagens, não somente para as classes operárias, como para as industriais. A festa do trabalho livre teve origem em Chicago, nos Estados Unidos, dali passando a ser celebrada nos centros operários do velho mundo. Na Europa, as manifestações do dia de hoje têm quase sempre caráter agressivo às instituições vigentes. A feição dada pelos socialistas radicais às comemorações de 1º de Maio tem sido muitas vezes, francamente, hostil à ordem constituída. Entre nós, porém, onde a luta de classes não dissemina a sua esteira de ódios e prevenções ruinosas, a festa do trabalho livre constitui uma consagração do regime salutar, único compatível com a dignidade da natureza humana. O operário patriota e cristão, que tem a oficina humilde de Nazaré, como modelo de sua tenda de operosidade na terra, representa o elemento insubstituível da grandeza industrial de nossa Pátria. A sua blusa, ensopada de suor, é o emblema do sacrifício empreendido em bem da prosperidade do país. O trabalho honrado é, na verdade, o grande crisol das virtudes sociais. A paga de quem emprega o seu tempo em tarefa útil está na própria consciência do dever cumprido. Nada é mais consolador para a nossa inteligência do que o reconhecimento de que colaboramos, direta e proveitosamente, para a felicidade da família, da sociedade e da Pátria! Tem, portanto, o operário honesto a convicção de que a felicidade é uma função da consciência tranquila. O labor honrado constitui a base sólida do nosso bem-estar íntimo. Sejamos bons e seremos felizes, na certeza de que não se pode ser bom sem se ser útil!
  • A PRORROGAÇÃO DO ESTADO DE SÍTIO O decreto do governo da República, assinado pelo presidente Bernardes e por todos os seus ministros, acaba de prorrogar o estado de sítio até o dia 31 de dezembro do corrente ano. Votado em 5 de julho do ano passado, quando rebentou a sedição com que militares sem patriotismo, açulados por politiqueiros desmoralizados, tentaram subverter a ordem constitucional, o estado de sítio fora prorrogado, já, por autorização do Congresso, em 31 de dezembro findo, até 30 de abril corrente. Agora, o governo da República resolve, ainda uma vez, estender o prazo dessa medida excepcionalíssima, em que se cerceiam as garantias constitucionais dos cidadãos, até o fim do ano em que vamos. Força é confessar que não há nenhum fundamento plausível para mais essa dilatação do estado de sítio. Primeiramente, faz-se notar que essa prorrogação se dê justamente nas vésperas de se reabrir o Congresso, quando este poderia muito bem, se houvesse conveniência da medida, decretá-la legalmente. O sítio decretado na iminência da abertura do Congresso é não só, ao nosso juízo, uma infração ao conceito constitucional da medida, como, ainda, moralmente condena uma vez. Parece que o governo, se não espera pelo Congresso, é que teme lhe fosse a medida negada; logo, esta não tem com que se justificar seriamente. E, na verdade, não o tem. De fato, quando, pela constituição, se pode decretar o estado de sítio? «Quando a segurança da República o exigir, em caso de agressão estrangeira, ou comoção intestina.» E quem o decreta? O Congresso. Só não estando reunido este, e na incidência daqueles motivos, é que o governo pode fazê-lo. Mas, porventura, se verifica a agressão estrangeira, ou a comoção intestina? Não. A intervenção federal no Estado do Rio, com que se fundamenta o decreto de prorrogação, se fez tão facilmente e a situação de normalidade que a ela se seguiu é tão patente, que o argumento é, evidentemente, apenas um pretexto. Por outro lado, não basta que o governo alegue que sabe de tramas contra a ordem, para que seja tal um fundamento sério do decreto. Se o governo sabe disso e possui documentos que o comprovam, nada lhe é mais necessário senão agir contra os que tentarem subverter a ordem, agir com energia e decisão no momento preciso. Antes, porém, não se justifica. Combatemos com desassombro sempre os vis processos dos politiqueiros que quiseram subir ao poder custe o que custasse, os que se opuseram à candidatura do atual presidente. Mas a consciência desse dever cumprido é que nos dá, agora, mais uma vez, a necessária força moral para condenar a dilatação ilegal do estado de sítio, por mais 8 meses, com cerceamento das garantias constitucionais, sem que nada o justifique. Não há de ser assim que se salvará a República, já esgotadas as suas energias pela politiquice insociável que nela ferve...
  • O charco de Fernandes Vieira Estão empenhados os médicos da Comissão de Profilaxia da Febre Amarela em sanear a cidade. Fazem expurgos penosos nos prédios, onde se têm registrado casos do terrível mal e em toda a vizinhança. Os matamosquitos, calçados com suas grossas botinas, andam sobre as telhas a deixar o teto cheio de goteiras, e derramam toda a água das jarras e potes, onde há larvas de muriçoca. Isso, porém, não é nada, desde que se trata de serviço inestimável de saneamento da nossa terra. O povo sofre esses incômodos, pacientemente, certo de que esse sacrifício é útil ao bem comum. Mas, tanto trabalho e os vexames consequentes não serão eficazes, se a cidade ficar envolvida em charcos e pântanos. Em Fernandes Vieira, por exemplo, há um terreno enorme alagado inteiramente, o que representa um perigo para a saúde do povo, um foco vivo de miasmas. Convinha que a Comissão da Febre Amarela tomasse uma providência a respeito, obtendo da Prefeitura que fosse aberto um vazadouro para aquelas águas estagnadas. Pedimos para o caso a atenção do Dr. Gavião Gonzaga e do Sr. Ildefonso Albano, desde que se trata de uma questão de interesse coletivo.
  • A situação do ensino no Ceará Continuamos a publicar, hoje, os dados colhidos pelo recenseamento escolar, nos diversos municípios, e que demonstram a situação do ensino no Estado: Jardim População total, 12.979. População escolar, 1.920. Escolas estaduais, 3; Matríc., 181. Escolas municipais, 4; Matríc., 208. Escolas particulares, 2; Matríc., 90. Crianças em escolas, 25%. Crianças sem escolas, 75% Juazeiro População total, 22.067. População escolar (est.), 2.758. Escolas estaduais, 3; matríc., 78. Crianças em escolas, [...]; sem escolas, [...]. Lages População total (est.), 9.000. População escolar, 871. Escolas estaduais, 3; Matríc., 205. Escolas particulares, 2; Matríc., 30. Crianças em escolas, 27%; sem escolas, 73%. Laranjeiras População total, 11.711. Escolar, 1.210. Escolas estaduais, 0; Matríc., 158. Escolas particulares, 4; matríc., 68. Crianças em escolas, 18%. Sem escolas, 82%. Lavras Pop. total, 17.360. Escolar, 2.005. Escolas estaduais, 7; Matríc., 335. Escolas particulares, 1; Matríc., 03. Crianças em escolas, 20%. Sem escolas, 80%. Limoeiro Pop. total, 18.512. Escolar, 1184. Escolas estaduais, 5; Matríc., 136. Crianças em escolas, 8%. Sem escolas, 94%. Maranguape Pop. total, 25.396. Escolar, 3.564. Escolas estaduais, 25; Matríc., 114. Escolas municipais, 1; Matríc., 30. Escolas particulares, 3; Matríc., 256. Crianças em escolas, 40%. Sem escolas, 60%. Maria Pereira Pop. total, 10.273. Escolar, 1.938. Escolas estaduais, 4; Matríc., 215. Crianças em escolas, 11%. Sem escolas, 89%. Massapé Pop. total, 11.457. Pop. escolar, 1968. Escolas estaduais, 7; Matríc., 295. Crianças em escolas, 10%. Sem escolas, 90%.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Redação: Dra. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo
  • Telegrama As árvores saneiam, valorizam e embelezam o terreno em que te erguem, para o bem e o gote dos homens. Antônio Sales
  • Expediente ANO I Fortaleza — Terça-feira, 1 de Maio de 1923 NÚM. 252
  • Nota social A sociedade «Deus e Mar» realiza, hoje, uma passeata, havendo à noite, às 19 horas, uma sessão comemorativa do 1º de Maio. Também realizam sessões comemorativas o «Centro Artístico Cearenses» e a «Sociedade Artística Beneficente».
  • Telegrama Publicações «A Jandaia» Sobre a nossa banca de trabalhos temos o último número da revista elegante hebdomadária: «A Jandaia», que ao publica em Fortaleza. Nesse número vêm colaborações em prosa e em verso e clichês de senhorinhas do círculo social da cidade. A capa é um belo trabalho em policromia, em que se veem as praias dos «verdes muros» e um soneto do poeta O. de Castro: «O coqueiro».
  • Anúncio Guardai cupons para os pobres das Conferências de São Vicente de Paulo. Um cupom vale um real.
  • Telegrama Palmeira da serra Ó palmeira da serra Que eu vejo todo o dia A batalhar em guerra Com a ventania, Ó palmeira da serra, A mim também me agita o seio esta agonia! A minha vida inteira É contínua ansiedade; É como tu, palmeira, Na tempestade. A minha vida inteira: Aspiração, amor e tristeza e saudade! Ó palmeira da serra, Quando repouso um dia Há de ter nessa guerra Com a ventania? Ó palmeira da serra, Quando verei também findar esta agonia. Alberto de OLIVEIRA
  • Telegrama Telegramas DO EXTERIOR As novas propostas alemãs BERLIM, 28. — A nota afetada, contendo as novas propostas para o pagamento das reparações, pronta terça ou quarta-feira da semana próxima. Condenado à morte LONDRES, 28. — Telegramas de Moscou que a conferência das igrejas decidiu a morte do patriarca Tikhon. A conferência de Lausanne LAUSANNE, 28. — Os trabalhos da conferência oriental prosseguem ativamente. A comissão de estudo das cláusulas financeiras não chegou a nenhum acordo após várias reuniões por tempo indeterminado. O general Pelle, que preside a comissão, seguiu para Paris a fim de conferenciar com Poincaré e o general Weygand. As cláusulas políticas tratavam sobretudo das questões territoriais e das políticas. Resolveu-se uma comissão conjunta que se encarregaria de estabelecer uma fórmula satisfatória para a questão das capitulações. O chefe da delegação britânica, Humbold, propôs que a área de Burgos a Andrinopla seja do território comum da Liga. O gabinete iugoslavo BELGRADO, 28. — Davidovitch, líder do partido democrata, foi encarregado de formar novo gabinete, depois de ter Pachivitch declinado do convite que lhe fora feito pelo rei Alexandre. Perdeu-se um aviador francês ROMA, 28. — O aviador francês, capitão Madon, partiu de Roma em seu aeroplano, com destino à capital, no dia 26, sendo escoltado pelo aviador italiano Papa. Penetrou em densas nuvens, sendo então perdido de vista por Papa. Não se teve mais notícia dele. Reina imensa apreensão nos círculos aeronáuticos. O governo expediu ordem a todos os aeródromos de Centocelle para procurarem o aviador. Telegrafou-se para todas as localidades do país, sem sucesso. Receia-se que o capitão Madon tenha caído ao mar. Para visitar a Exposição BUENOS AIRES. — A bordo do Tomaso di Savoia, partiu um grupo de excursionistas da Câmara de Comércio Italiana para a exposição do Centenário. Julgamento adiado BERLIM, 28. — O Tribunal Militar resolveu adiar o julgamento do recurso interposto pela União Nacional alemã, até que esteja terminado o inquérito sobre os atos sediciosos de que é acusado o tenente Rothebeck. BRUXELAS, [...].
  • Telegrama DAS RUSSAS