Hemeroteca
O Nordeste
Maio de 1923 · 25 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Pela Câmara | Homenagem a Ruy Barbosa. O combate à febre amarela RIO, 19. — A Câmara realizou uma sessão em homenagem a Ruy Barbosa, comparecendo todos os deputados trajados de preto. Houve um único orador, o deputado baiano João Mangabeira. Assistiram à sessão fúnebre os ministros do Exterior e da Agricultura. — A comissão de diplomacia da Câmara elegeu seu presidente o Sr. Alberto Sarmento, e o Sr. Augusto de Lima, vice-presidente. — O deputado Dionísio Bentes, entrevistado, declarou-se favorável ao aumento dos deputados, na proporção de 1 por 120 mil habitantes. — O deputado Arlindo Leoni vai apresentar um projeto de combate à febre amarela no norte do Brasil, de acordo com as ideias expendidas na mensagem do presidente Bernardes. Entrevistado, o Sr. Arlindo Leoni declarou que a extinção da febre amarela não pode ficar a cargo dos governos dos Estados, pois toda a zona desde a Bahia até o Ceará é assolada pelo mal. Discutirei o projeto na Câmara, mas acredito que nenhum dos meus colegas duvidará da sua razão de ser. Muito breve, o norte do Brasil estará livre desse mal, sendo uma questão de boa vontade, de algum tempo e de algum dinheiro.
- Luta no sertão da Bahia RIO, 19. — O sertão da Bahia está conflagrado. Forças do Cel. Francisco Lobo, chefe oposicionista, marcham contra o município de Santana, a fim de combater a gente do deputado Raul Alves. Outras notícias da cidade de Remanso, naquele Estado, dizem que se estabeleceu luta entre fazendeiros e a família do deputado Raul Alves, achando-se aqueles em estado de guerra.
- Incidente na audiência de inquirição de culpa dos militares RIO, 19. — No processo de formação de culpa dos sediciosos de 5 de julho, houve um incidente entre o juiz Henrique Vaz e o advogado Heitor Lima, por ter o juiz cerceado a palavra ao mesmo, com fim prolatório. O advogado declarou que ia dar denúncia e queixa-crime contra o juiz, o qual respondeu que podia fazê-lo, mas o que não admitia era o desacato de sua autoridade, na sessão de audiência. Em seguida, o juiz procedeu à qualificação do General Potiguara, primeira testemunha a depor na audiência de hoje.
- Vários informes RIO, 19. — O presidente da República continua enfermo. — Foi nomeado o Sr. Melchiades Boche Menezes para agente do Lloyd em Buenos Aires. — Chegaram, a bordo do vapor Munda, 80 aeroplanos adquiridos em Nova York pelo governo brasileiro. — Na sessão do Senado, hoje, não houve nenhum orador. — O governo do Piauí apresentou o nome do Sr. Ribeiro Gonçalves para deputado, na vaga do Sr. Pires Rebelo, que acaba de ser escolhido senador. — O partido situacionista da Paraíba apresentou a candidatura João Suassuna à vaga do deputado Otacílio de Albuquerque. — Conferenciaram, no Catete, os ministros da Justiça, Exterior, Agricultura, Marinha, Guerra, Viação e Fazenda. Estiveram também no Catete o General Bonifácio Costa, o Dr. Ipanema Moreira e o Dr. Salvador Conceição, chefe de polícia fluminense. — Foi nomeado o Sr. José Araújo Porto, coletor federal de Ubá. — Foi exonerado o capitão-tenente Eugênio Teixeira Castro, do cargo de comandante da Escola de Aprendizes Marinheiros, da Paraíba. — Foi designado o capitão de corveta Arnaldo Valle para dirigir os serviços de construção do centro naval de Santa Catarina. — Pediu reforma o General Bonifácio Costa. — O Dr. Godofredo Viana, governador do Maranhão, telegrafou ao senador José Eusébio, pedindo-lhe representá-lo como padrinho na solenidade da sagração de D. Otaviano, bispo do Maranhão.
- Dinheiro miúdo RIO, 19. — O ministro da Fazenda visitou, demoradamente, a Casa da Moeda, verificando e ampliando todos os serviços para assegurar a produção mensal de 18 mil contos, em dinheiro miúdo.
- Política mineira RIO, 19. — O presidente Bernardes telegrafou ao Dr. Bueno Brandão, agradecendo à bancada mineira a nova eloquente afirmativa de apoio e solidariedade e prometendo envidar todos os esforços para corresponder inteiramente a ela. Também o Dr. Raul Soares telegrafou ao mesmo deputado, dizendo estar certo de que o Sr. Bueno, como líder, continuará a desempenhar essas funções com irrepreensível correção política e alta visão dos interesses gerais do Estado e do País.
- O movimento gaúcho A luta e a estrada de ferro PORTO ALEGRE, 19 — Sob a direção do chefe de polícia, prossegue o inquérito sobre o atentado na estação da via férrea. O diretor da Estrada de Ferro acusa os revolucionários de depredações nas estações.
- A vitória dos revolucionários PORTO ALEGRE, 19 — Uma força revolucionária, sob o comando de Jango Padre, assaltou e ocupou o povoado do Arroio, fazendo muitas mortes. A força legalista encarregada da defesa passou-se para além da fronteira de Santa Catarina. [...] mil revolucionários, não tendo tomado parte dois mil revolucionários do Cel. Horácio Lemos e 1.600 do General Zeca Neto que cobriam a retaguarda.
- Declarações do deputado Maciel Júnior RIO, 19 — O deputado Antunes Maciel, que fazia parte da coluna revolucionária do Coronel Portinho, chegou, hoje, a chamado urgente do Dr. Assis Brasil. Entrevistado, declarou que o movimento estava generalizado por todo o Estado e assumira proporções extraordinárias. Todos os elementos da oposição estão, firmemente, unidos, formando uma frente única, batalhando pelo ideal comum. Para avaliar o grau do estoicismo dos revolucionários, basta saber-se que lutam em plena invernia furiosa, em regiões inóspitas, contra o governo armado de todos os recursos e de dinheiros com material de guerra, com a via férrea à sua disposição, e com a imprensa em seu favor.
- Mais notícias RIO, 19 — Dizem de Porto Alegre que o governo do Estado decretou a organização de mais um corpo provisório, em Santa Maria. — Pessoas vindas de Santa Catarina dizem ser muito provável que breve seja travada nova grande batalha entre as forças rebeldes, calculadas em seis mil homens, e os legalistas, calculados em 3.800. — Está constando que o General Estácio Azambuja tomou a ofensiva, seguindo a tropa legalista.
- A chegada do Sr. Mello Franco RIO, 19 — A bordo do «Comandante Verde», que amanhecerá, são esperados o Dr. Mello Franco e demais membros da embaixada brasileira à 5ª conferência pan-americana. Estão preparadas aos membros grandes manifestações populares e oficiais.
- Notícias da Bahia BAHIA, 19 — O poeta cearense Saboia Ribeiro escreveu, hoje, no «Diário da Bahia», brilhante artigo de crítica literária sobre o livro «O Reino do Kiabo» de Rodolfo Teófilo, causando ótima impressão no meio científico-literário. — O Supremo Tribunal concedeu «habeas-corpus» ao juiz Juvenal Silva, pronunciado por crime de prevaricação, até que corrija a sentença, votaram a favor da ordem seis desembargadores. Sugestões aos presidentes de Estado RIO, 19. — O Jornal do Comércio, aludindo a que os presidentes de Goiás, do Espírito Santo, do Pará e de Santa Catarina já visitaram a Exposição, diz que seria da maior conveniência que todos os governadores, antes do encerramento, viessem colher observações diretas do grandioso certame.
- Um apelo ao diretor da C. de Ferro de Baturité A redução dos trens diários, com que o Dr. Luciano Vera muito melhorou as condições de transporte da Baturité, constituiu uma medida salutar e de grande proveito para o Estado. Sucede, todavia, que os horários não dão rendimento ao serviço de transporte na aludida via férrea. Os carros, todos os dias, são poucos para conter os viajantes. Assim sendo, impõe-se uma nova providência da parte do diretor daquele próprio nacional. Há um trem de passageiros que diariamente parte de Guaiúba, pela manhã, para esta capital e regressa à tarde, ali pernoitando. Esse trem poderia prolongar sua viagem até Baturité, com o que altamente lucraria o público, facilitando-se, desta forma, o movimento de passageiros, com o descongestionamento dos horários, que já viajam atopetados de gente. Sendo trem misto, poderia transportar cargas e bagagens aliviando o tráfego, que mantém, de há muito, dois trens de cargas diários de Baturité para esta capital. Em favor desta medida de reconhecido proveito público, solicitamos do Dr. Luciano Vera sua atenção e boa vontade.
- Jardim cercada por cangaceiros MILAGRES, 20 — Consta aqui que Jardim foi cercada por numeroso grupo de cangaceiros. Para ali, seguiram as forças desta cidade e mais as de Missão Velha e Brejo dos Santos. Milagres ficou sem um soldado sequer, estando a cadeia guarnecida por paisanos.
- População total do Estado (recenseamento federal de 1920): 1.319.228. População em idade escolar total (serviço do cadastro escolar realizado pela Diretoria da Instrução Pública, em 1922): 161.500. Total das crianças matriculadas nas escolas estaduais: 25.725. Idem nas [escolas particulares]: 2.616. Idem nas [escolas municipais]: 3.005. Matrícula geral de todas as escolas: [...]. Percentagem das crianças que frequentam escolas: 22%. Idem das crianças sem escolas: 78%. Número das escolas estaduais: 505. Idem, idem particulares: 205. Idem, idem municipais: [...]. Total das escolas: [...]. A situação do ensino no Ceará Concluímos hoje a publicação dos dados colhidos pelo recenseamento escolar, nos diversos municípios, e que demonstram a situação do ensino no Estado: Tauá População total: 13.756. População escolar: 1.209. Escolas estaduais: 0; Matrícula: 237. Crianças em escolas: 19%; Crianças sem escolas: 81%. Tianguá População total: 14.401. População escolar: 1.432. Escolas estaduais: 2; Matrícula: 62. Crianças em escolas: 4%; sem escolas: 96%. Ubajara População total: 9.250. População escolar: 1.490. Escolas estaduais: 3; Matrícula: 110. Escolas particulares: 3; Matrícula: 65. Crianças em escolas: 12%; sem escolas: 88%. União População total: 15.371. População escolar: 1.606. Escolas estaduais: 5; Matrícula: 112. Escolas municipais: 2; Matrícula: 77. Escolas particulares: 1; Matrícula: 75. Crianças em escolas: 22%; sem escolas: 78%. Várzea Alegre Pop. total: 11.350. Pop. escolar: 1.004. Escolas estaduais: 2; Matrícula: 103. Crianças em escolas: 6%; sem escolas: 94%. Viçosa Pop. total: 19.315. Pop. escolar: 1.862. Escolas estaduais: 5. Escolas municipais: 1. Escolas particulares: 2; Matrícula: 147. Crianças em escolas: 14%; Sem escolas: 86%.
- ESGOTO DE FORTALEZA Todo trabalho de semelhante ordem obedece, inevitavelmente, a um de dois extremos — ou melhora e conserva, ou arruína e gravemente compromete a salubridade da vida pública. É este segundo extremo que, a todo custo e por todos os meios, os poderes públicos de Fortaleza, a bem da saúde comum, rigorosíssima obrigação têm de evitar; se porventura não conhecessem o perigo próximo, ainda lhes pesaria grave responsabilidade em prevenir o mal remoto; mas, se o perigo é manifesto, é próximo, é de todos conhecido, como se justificar a formalidade do perigo, não prevenido a tempo, mas antes conhecido, querido, e, enfim, ostensivamente praticado, como estão fazendo os senhores da situação? Suponha-se que alguém levante a seguinte interrogação: — Mas o abastecimento e esgoto de Fortaleza são um melhoramento de primeira ordem, que necessariamente se impõe a toda cidade populosa, como, e há tanto tempo, é a nossa, por que não se fazer? Se o abastecimento e esgoto se fazem em condições de melhorar a salubridade pública, concedemos; se as condições determinantes de salubridade pública são negativas, sob qualquer ponto de vista, nega-se; não se deve fazer, mas por todos os meios e a todo custo, é força evitar a bem da saúde pública. De todos os males o menor. É muito menor não ter abastecimento e esgoto, do que os ter com perigo próximo da saúde pública, como se está fazendo. Ora, o rio Acarape, de onde pretendem derivar as águas para o abastecimento e esgoto de Fortaleza, já suspendeu sua corrente, secando até o pó, em períodos quase sucessivos e variáveis de três, de cinco, de sete, de nove e mais anos; logo é muito menor mal não ter esgoto, nem abastecimento, do que ter abastecimento e esgoto se o rio Acarape repetidamente e sempre secar. O público inteiro sente a necessidade de um abastecimento que lhe serve a vida, mas não um abastecimento que lhe traga morte prematura pela má qualidade das águas, é o que veementemente tememos para a infelicidade e desventura, a pertinácia no erro e a má vontade dos responsáveis. Algum dia, talvez. Mais uma interrogação, e tudo imprudente e mal. Se o abastecimento e esgoto do Acarape do Ceará não [ilegível].
- A devastação dos mangues em Soure Soubemos que os pobres da vizinha vila de Soure estão alarmados com a notícia de que vão ser arrendados os mangues daquela localidade para o corte de madeiras. Trata-se de um ato autorizado, aliás, por lei, mas que constitui uma verdadeira calamidade para a pobreza dali. Os mangues aludidos são considerados terrenos de marinha e como tais arrendáveis. Sucede, porém, que, devastada a mata, o rigor do sol afasta os mariscos, de que vive uma população de gente necessitada. Além disso, os terrenos cedidos aos particulares não oferecem amparo às famílias desfavorecidas, que já não gozarão o direito de exercer a pesca, livremente. O rendimento que provirá para a União será insignificante, enquanto os vexames de que estão ameaçados os pequenos pescadores são, realmente, angustiosos. Nos mangues vão buscar recursos de vida todos os habitantes das classes pobres daquela redondeza. Pedimos, pois, ao Sr. Delegado Fiscal que, acima da pequena vantagem que há de ter a Fazenda Federal com o arrendamento, coloque os interesses da pobreza daquela zona. Sobre ser um ato de humanidade, com ele evita-se a destruição das únicas nesgas de matas, ainda poupadas ali à obra de extermínio do machado devastador.
- Habeas-corpus a dois jornais PORTO ALEGRE, 19 — O juiz federal concedeu «habeas-corpus» aos diretores dos jornais «A Opinião Pública» e «O Rebate», de Pelotas, para poderem afixar e publicar notícias sobre o movimento revolucionário.
- O combate de D. Pedrito PORTO ALEGRE, 19 — A propósito do combate de D. Pedrito, o «Correio do Sul», jornal idemista de Bagé, assim se expressa: As forças do Cel. Pedro Severo, pertencentes às colunas do General Estácio Azambuja, tiveram um encontro com as tropas comandadas por Cláudio Lereira, Francisco Flores, Nepomuceno Saraiva e Negrito Barro. No primeiro choque, os revolucionários tiveram algumas baixas, devido ao inesperado do encontro. O combate terminou às 17h30, com avultadas perdas de ambos os lados. As forças empenhadas na luta eram: 2.300 legalistas, além de dois mil revolucionários, não tendo tomado parte dois mil revolucionários do Cel. Horácio Lemos e 1.600 do General Zeca Neto que cobriam a retaguarda.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente Redação: Dr. Andrade Furtado e João Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Ano I Fortaleza — Segunda-feira, 21 de Maio de 1923 Número 268
- Telegrama Devemos considerar o dever acima de todos os sofrimentos, angústias ou tormentos que nos possam oprimir. Dr. F. de Macedo Costa
- Telegrama TELEGRAMAS DO PAÍS Festas a D. Jerônimo BAHIA, 18 — Continuam os preparativos do Clero para as festas jubilares de D. Jerônimo.
- Telegrama DO EXTERIOR O valor do marco BERLIM, 13. — O Reichsbank fixou em 140 mil marcos, papel, o valor de 20 marcos ouro.
- Telegrama A Itália e a Inglaterra na questão das reparações PARIS, 13 — São conhecidos os textos integrais das respostas da Itália e da Inglaterra à última proposta do Reich para solução do problema das reparações. Tanto a nota do «Foreign Office» como da Itália exprimem o desapontamento que a ambos os governos causaram as ofertas da Alemanha, e terminam, convidando o Reich a apresentar novas propostas que possam ser examinadas pelos Aliados.
- Nota social Círculo São José Reuniu-se, ontem, com a presença de toda a diretoria e a maioria dos sócios, em assembleia geral extraordinária, esta associação de operários católicos, a fim de ser criada a «Mutuária», ideia de há muito almejada no seio desta benemérita sociedade. Depois de estudadas anteriormente pela diretoria as bases da atingida «Mutuária», foi, ontem, apresentada, em assembleia, a todos os sócios presentes, e aprovada, esta obra tão meritória para as famílias dos sócios do «Círculo S. José». Com esta utilíssima obra, a família do associado que falecer, terá um pecúlio que lhe mitigue as agruras de um pesado luto. Além de vários sócios, falaram ainda Marcos Silva e Manuel dos Santos, congratulando-se com o «Círculo» pela criação desta obra meritória, e o reverendíssimo padre Guilherme Waessen, sobre o mesmo assunto, mostrando a utilidade da mesma. A contribuição será de 1$000 por sinistro, tendo sido resolvido que ficassem de pé duas contribuições, antes de cada óbito, e que fossem dados 30 dias para a formação dos dois primeiros. Ontem mesmo, inscreveram-se cerca de 200 sócios, prova de que os operários compreenderam ser de grande utilidade esta obra que o «Círculo S. José» acaba de juntar às muitas já executadas. «O Nordeste» congratula-se com o «Círculo» por mais este benefício a seus associados e faz votos a Deus para que sempre lhe inspire ideias úteis, como esta.