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O Nordeste
Maio de 1923 · 17 trechos transcritos
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- Aviso Eclesiástico Fortaleza, Quarta-feira, 30 de Maio de 1923 No dia 31 de maio - quinta-feira próxima - dia de Corpus Christi, haverá Missa cantada na Catedral, às 8 e meia; e às 17 horas, sairá a procissão solene com o Santíssimo Sacramento, percorrendo o seguinte trajeto: Rua das Flores, Major Facundo e Praça dos Mártires até a Santa Casa, onde se dará a primeira bênção; dali pela rua Rio Branco, dobrando na Praça do Ferreira, e seguirá pela rua Floriano Peixoto até o Hotel Bitú, onde terá lugar a segunda bênção, e logo depois para Catedral, encerrando-se com a terceira e última bênção. Lembro aos reverendíssimos sacerdotes a obrigação de assistirem a essa solenidade, podendo os reverendíssimos Vigários permanecerem em suas Matrizes. Convido os Colégios, as Associações e Irmandades religiosas. Na Catedral haverá Missa no altar de São José de Ribamar, às 6 e meia da manhã, para distribuição da Sagrada Comunhão aos Irmãos que terminarão naquele dia o seu retiro espiritual. Lembro aos fiéis desta capital a piedade e o respeito profundo com que se devem portar naquela majestosa cerimônia. É Jesus Cristo Sacramentado que vai atravessar trechos da nossa cidade, abençoando as famílias católicas cearenses. Confio que os meus queridos patrícios tomarão na devida consideração o apelo supra, como também espero que as excelentíssimas famílias ornem, quanto possível, as portas de suas residências, tão honrados nesse dia com a passagem de Jesus Sacramentado; Fortaleza, 27 de maio de 1923 Pe. Antônio Tabosa Braga Vigário Geral.
- Atualidades Vinde todos a mim... Nós que mourejamos neste vale de lágrimas, neste mundo de ilusões efêmeras e ridículas, precisamos de uma força inabalável para resistir às tempestades da vida e aos reveses incessantes e temerosos da existência. Não precisamos levantar as mãos para o Céu e pedir a Deus, como os Israelitas, que nos envie o Redentor; porque já O possuímos no Sacrário, chamando caridosamente aos viajores da terra que vão à sua presença repousar das suas labutas diárias e das suas aflições sem tréguas. Ele é um Deus com poderes infinitos, é Vítima com merecimentos superabundantes e é amigo com ternuras inexcedíveis. «É caminho sem erradas», é verdade isenta de mentiras, é vida sem noite. Está no Sacrário feito «centro de todos os sacramentos, foco de todas as luzes e abismo de todas as graças; é o desdobramento da Encarnação do Verbo, é a vida permanente do Messias, é a perpetuação do Sacrifício do Calvário.» Ali se ofusca a impiedade com o seu orgulho, consolam-se todas as aflições, acalmam-se todas as dificuldades. Dá audiências aos [...] sem marcar hora, recebe os ricos e os pobres, os pecadores e os justos, os fortes e os fracos, os sábios e os ignorantes, tendo para todos doutrina que instrui, moral que nobilita, fé que [...], esperança que encoraja e caridade que anima e conforta o heroísmo. Que pena haver homens, inúmeros homens, que trocam tão precioso tesouro de virtudes, pelas lentilhas dos prazeres sórdidos do mundo, pelas orgias e os meios desvairados, não bebem as puríssimas águas deste manancial de vida, para sorverem o néctar mortífero da corrupção na cisterna podre dos vícios. O amor abnegado é a vida de todas as obras de Deus; a Eucaristia é a obra-prima desse divino amor. Causa compaixão ver o desamor com que é tratado o maior dos amores, o mais distinto dos amigos. É muito para o homem viver com Deus, possuir os tesouros da sua sabedoria e sentir perto de si o pulsar do seu divino Coração. «Na Eucaristia nos confundimos com Deus», diz São João Crisóstomo. São Paschasius não teve receios de dizer que na Eucaristia nos transformamos em Cristo. São Gregório chama aos que comungam homens celestes, homens divinos. Somos elevados até Deus, formamos um todo com Ele, na frase do mesmo autor. A Eucaristia é mesmo o epílogo de todas as maravilhas de um Deus cheio de caridade e de misericórdia. «É o oceano de todas as graças, é a fonte de todas as honras que ao Eterno a terra envia, é o acontecimento decisivo dos destinos humanos.» Como são felizes os homens que de Jesus se aproximam e vivem da sua vida e do seu amor! Nele encontram os tíbios fervor; aos fracos distribui fortaleza, dá ciência, a verdadeira ciência, aos ignorantes; dos pobres faz ricos; transforma os pecadores em justos: a pessoa alguma nega graças; salva a todos os arrependidos. Correspondamos ao seu Divino Amor com o nosso amor e dedicação. Padre Tabosa
- A moeda divisionária.— Diz o «Correio da Manhã» que os clamores levantados de norte a sul do Brasil contra a falta de moeda divisionária bem provam as deficiências da Caixa da Moeda. Pode-se afirmar que a circulação brasileira tem um déficit de cerca de cento e cinquenta mil contos de réis de moeda divisionária. Esse déficit está se formando há mais de oito anos. Desapareceram da circulação [...] 1.000.000$ de moedas de prata, 30.000.000$ de níqueis, dilaceraram-se seguramente de cinquenta e sessenta mil contos de réis de notas miúdas, nesse período. Entretanto, a fabricação para preencher essa falha não passou de uma média de 5.000:000$ por ano. O déficit continua causando os mais sérios embaraços ao comércio e a todas as administrações pagadoras em geral. Estão tomadas as providências para a fabricação mínima de 15 mil contos de réis por mês.
- A colônia cearense em Minas e a saúde do presidente do Ceará BELO HORIZONTE, 20 — A colônia cearense aqui domiciliada mostra-se deveras pesarosa com as notícias da enfermidade do presidente Serpa e acompanha com carinho e interesse os informes vindos de Fortaleza sobre a moléstia de sua excelência.
- A festa de Corpo de Deus Celebra amanhã a Igreja Católica, de maneira magnífica, a festa de Corpo de Deus. A instituição da Eucaristia, na véspera da morte de Jesus, não é comemorada na Quinta-feira Santa de maneira festiva e suntuosa, em razão do luto que envolve os altares, naqueles dias focos da Grande Semana. É por isso reservada a [...] de amanhã para a comemoração majestosa do dogma da Divina Eucaristia. Jesus-Hóstia, cúmulo da bondade, prisioneiro do Amor nos Tabernáculos, representa a suprema consolação da humanidade, a fonte perene da Fé, que vivifica, da Esperança, que alenta, da Caridade, que congraça os fiéis na comunhão da Verdade e do Bem. A Eucaristia é o centro e a base da nossa sagrada Religião, é o maná indispensável ao fortalecimento da alma, e o Pão que robustece o espírito e purifica os corações. É este milagre permanente da Virtude, vencendo todos os veículos do mal, todos os tentames das tenebrosas potências do meio e do erro! Sem a força da Eucaristia, a Igreja não teria mártires, a humanidade não teria santos! Qual o sistema filosófico capaz de dar ao mundo um São Vicente de Paulo, a caridade evangélica personificada; um São Francisco de Assis, a mansidão elevada ao mais alto expoente; um São Tomás de Aquino, aureolado com o extraordinário fulgor angélico da pureza e do gênio? Só a Religião de Jesus Cristo é capaz de operar tão belas, tão inauditas maravilhas de santidade, que ofuscam todos os clarões da glória humana e são outros tantos focos de luz espiritual a orientar, no caminho da perfeição, indivíduos, famílias, gerações e povos. E donde vem essa coragem sobre-humana que faz os mártires e essa bondade inexcedível que faz os santos, senão do vivo e eterno manancial da força e do bem, que é a Divina Eucaristia? O mundo católico, nas grandes festas de amanhã de Jesus Sacramentado, encontra o ensejo de manifestar a sua gratidão aos benefícios recebidos do Céu e de render o culto de sua adoração ao Deus três vezes santo. [...]
- Item, Senhor do Universo. Peçamos a Jesus-Hóstia prosperidade e paz para o Brasil, fidelidade constante do nosso povo à Religião nacional e tradicional, para que a nossa gloriosa Pátria, sob as bênçãos do Cruzeiro, atinja o futuro brilhante que a sua fé invencível lhe assinala.
- O paraíso das rameiras «Sr. redator. O artigo de fundo do vosso conceituado vespertino, de sábado último, intitulado «O meretrício e o caftismo», e a promessa que ali se contém de ser ele o início de uma campanha de moralização social, veio ao encontro de uma das maiores aspirações da população de Fortaleza. A capital desta encantadora terra de Iracema, famosa pela singeleza de seus hábitos e tradicional severidade de costumes, acha-se transformada, atualmente, no paraíso das rameiras. Como o germe da lagarta rósea, que permitiram criminosamente ser importado, para roer o âmago alvinitente dos capulhos de nossos algodoeiros, da mesma sorte estão consentindo a invasão das «borboletas do amor», como verdadeira praga, que vêm se alojando ao pé das nossas famílias, ao lado das nossas filhas, viciando o ambiente com as exalações deletérias de seu contato. Mesmo na licenciosa Roma de outrora, verifica-se pelos escritos de Juvenal, Tito Lívio, e pelas descrições de Petrônio, intendente dos prazeres, da corte de Nero, que, «os sítios onde as decaídas exerciam o seu vil mister, eram fora dos muros da cidade, nos bairros afastados, nas ruas retiradas, nos arredores do circo, do estádio, ou por entre os túmulos (singular aproximação). O vaguear pelas ruas da cidade só lhes era permitido depois da nona hora, em razão de já então se haverem recolhido à casa as damas de bom viver, do que vinha àquelas infelizes o nome de — nonárias.» As mulheres públicas não se confundiam com as famílias honestas, pois se distinguiam até pelo vestuário obrigatório e a cabeleira loira. «A túnica que vestiam, como a dos homens, só descia aos joelhos; a toga, passado certo tempo, era o seu distintivo, aberta por diante, a ponto de serem indistintamente chamadas «meretrizes» ou «togata mulieris».» «Usavam sempre cabeleiras loiras (atributo de torpeza) e traziam na cabeça um barrete de forma cônica, com dois birimbotes que elas puxavam para as faces.» Este rigor, esta preocupação de separar o joio do trigo, vem de longe. [...] pela [...] deste estabelecimento de devassidão passam o dia à porta, e, à noite, põem as cadeiras à calçada ou vagueiam de uma esquina para outra do quarteirão, conversam em altas vozes, perturbando o sossego noturno. É urgente, pois, senhor redator, uma medida severa para afastar estes espetáculos deprimentes, que tanto nos aviltam, prejudicando o bom nome da família cearense. A nova lei do inquilinato, no § 2º do seu art. 6º diz: «o despejo terá lugar se o inquilino usar a casa para fins ilícitos e desonestos.» Bastava, portanto, que os proprietários das casas alugadas para tão vil mister auxiliassem a ação moralizadora da autoridade. Daqui, fazemos, neste sentido, um apelo ao dono do prédio n. 356, da rua Major Facundo, que é um conceituado comerciante desta praça, cavalheiro pertencente a distinta família, que julgamos obrigado a concorrer para o saneamento moral de sua terra, a que não pode nem deve conservar-se indiferente. Essas mulheres não podem continuar a morar onde estão, é preciso que saiam de qualquer maneira.
- Recebemos ainda, sobre o assunto, a carta infra, para a qual chamamos a atenção do ilustre senhor doutor chefe de Polícia: É de lamentar que, hoje, entre nós, se descuide de tal maneira da localização do meretrício, a ponto de virem elas desassombradamente se encravar no coração da cidade, nos lugares mais centrais, como acontece na rua Major Facundo, n. 350. Há ali um prostíbulo, talvez o mais afoito, o mais audacioso; ostenta-se à luz meridiana, sem pejo e sem receio, e contra o qual têm sido impotentes, infrutíferas as reclamações diárias, contínuas, ininterruptas de muitas famílias, das mais conceituadas de nossa sociedade, que vivem coagidas e obrigadas a aceitar, contra a vontade, tão humilhante situação. Trata-se de uma casa suspeita, onde se explora a portas abertas o indigno comércio do caftismo. Não há muito, houve ali uma cena de sangue, alarmando a vizinhança; dias atrás foram chamadas à polícia aquelas indesejáveis, por um escândalo dado às 3 horas da tarde. Ali há bebedeiras, descomposturas, gritos, choros, etc., os automóveis param durante o dia e a noite, constantemente, num barulho infernal de buzinas e descargas. E ainda mais: as mulheres [...] pioradas pela [...] deste estabelecimento de devassidão passam o dia à porta, e, à noite, põem as cadeiras à calçada ou vagueiam de uma esquina para outra do quarteirão, conversam em altas vozes, perturbando o sossego noturno. «Sr. redator do O Nordeste». Tendo o seu jornal iniciado uma campanha meritória contra o despudor que reina em Fortaleza, venho apresentar-lhe a minha solidariedade a essa moralizadora iniciativa, pois estou morando vizinho de um prostíbulo, com a minha família, coagida, sem poder chegar à janela! Tenho feito diversas queixas à polícia, mas cada dia o descaramento é maior. Parece que a população honesta terá de retirar-se do centro da cidade, pois, hoje, as meretrizes são as donas disto. Agora mesmo, no boulevard Duque de Caxias em casa de uma Maria Pavão, cafetina célebre nos anais da prostituição, está havendo escândalo grosso, cacetadas e descomposturas, o que se ouve de longe! (São 8 horas da noite). É preciso que haja uma alma caridosa que tome a peito seriamente esta campanha de saneamento moral, do contrário o nosso Ceará, de saudosa memória, estará irremediavelmente perdido. Do amigo, obrigado. Fortaleza, 27-05-1923.
- A PALESTRA DO IMEDIATO DA ESCOLA DE APRENDIZES SOBRE A CONFERÊNCIA DE SANTIAGO Conforme noticiamos sábado, o nosso ilustrado colaborador tenente Dias Costa, imediato da Escola de Aprendizes Marinheiros, realizará, domingo próximo, 3 de Junho, uma palestra sobre a conferência de Santiago. É a segunda vez que, sobre esse assunto, esclarece o público o tenente Dias Costa. Da primeira, tratou somente da proposta brasileira quanto à tese de desarmamento naval, discutida em Santiago. Desta vez, versará sua conferência sobre todas as propostas, inclusive a chilena, relatada por Hunneus, e a argentina, desenvolvendo largamente o tema, subordinado ao seguinte sumário: A fraternidade universal. A Pátria. A guerra. Os [...] bélicos. Análise das propostas argentina, brasileira e chilena, em Santiago. Virtude e dever no militar. A justiça na guerra. Deus existe para a justiça e «o Céu concede as palmas da vitória aos que se preparam na paz e ganham as batalhas antes de combater». (Almirante Togo). O tema da conferência é sumamente sugestivo e oportuno. Na verdade, estava o público na necessidade de ter esclarecimentos sobre as [...] em Santiago, que tão de perto dizem respeito à tranquilidade e segurança nacionais, e ainda, especialmente, sobre o modo de portar-se da nossa embaixada, o qual a brevidade dos telegramas mal deixa perceber que esteve à altura dos nossos créditos, da nossa dignidade e dos nossos interesses. O imediato Dias Costa, que, como já acentuamos, possui admiráveis qualidades de discorrer, correção da frase, propriedade de expressões, método e clareza de exposição, estava, mais do que outro qualquer entre nós, no caso de tratar do assunto, em cátedra, dada a sua competência profissional e ainda o conhecimento que tem de todos os passos da Conferência de Santiago, que vem acompanhando de perto com patriótico interesse. A conferência de [...] para a qual são convidadas todas as classes militares de terra e mar, estudantes e povo em geral, realizar-se-á às 10 horas na Phoenix Caixeiral.
- Mensagem de pacificação BELO HORIZONTE, 29 — Os centros [...] desta capital, de acordo com a União dos Moços Católicos, estão redigindo um manifesto de pacificação que será enviado aos patrícios do Rio Grande.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O Nordeste Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I NÚM. 276
- Telegrama DEUS, sendo sapientíssimo, não soube dar mais; sendo poderosíssimo, não pôde dar; sendo riquíssimo, não teve mais que dar, senão a Eucaristia. Santo Agostinho:
- Expediente “O NORDESTE” Amanhã, dia santificado, não circulará esta folha.
- Telegrama WESTERN TELEGRAPH Acha-se retido nesta repartição um cabograma procedente de São Vicente para Clemente.
- Nota social Aves trinando em júbilo; Alvorece O lindo mês da Santa mais formosa As árvores florindo em larga messe, Nos sorrisos de amor em cada rosa. As brisas mansas têm rumor de prece O reino vegetal palpita e goza, Por sobre o monte solitário desce Do sol de Maio a bênção luminosa. A Natureza reflorece e brilha. Mas, no meio de tanta maravilha, O pranto amargo dos meus olhos corre. O sol de Maio límpido e fecundo, Que faz de flores ressurgir um mundo, Não ressuscita um coração que morre! Ramos NETTO
- Nota social ECOS A leitura dos últimos jornais da Capital da República deparou-nos uma alvissareira notícia para o Ceará intelectual. Acaba de estrear-se na tribuna do júri dali, o talentoso moço cearense Hortêncio de Alcântara Filho, descendente do nosso digno amigo e ex-Hortêncio de Alcântara. Hortêncio, que toda a mocidade cearense dedicada à cultura do direito, admirava no espírito folgazão, brilho da sua inteligência, e na sua propensão a orador, tantas vezes demonstrada em nosso júri, transferido para o Tribunal de Contas, logo se iniciou nas questões do foro criminal da Capital da República. E fê-lo, vitoriosamente, logrando um belo triunfo na sua defesa, é o que nos informam, ainda, os referidos jornais do sul. «O Nordeste», em que Hortêncio conta afetuosos admiradores de sua inteligência, felicita-o cordialmente.
- Telegrama BENEFICENTE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE FORTALEZA Entrada de mês, [...] em [...] da Santa Casa de [...] do [...] Andrade. 1º de junho. [...] de [...] de [...] de [...] do [...]