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O Nordeste

Junho de 1923 · 21 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • DO PAÍS Mercado do algodão RIO, 12 — O mercado do algodão está bem colocado, firme. O movimento, hoje, foi ativo. As cotações foram as seguintes: sertões 3$000 a 6$500 o quilo; finos, sortes, 6$200; medianos, 6$900 a 10$000; paulistas, 6$000 a 6$200. O movimento constou de 767 fardos entrados e 406 saídos; ficando 12.561 em depósito.
  • Para Buenos Aires RIO, 12 — A artista francesa Mistingueth passou por esta capital, em trânsito para Buenos Aires.
  • Companhia Italiana, no Municipal RIO, 12 — Na próxima sexta-feira estreará no Municipal a companhia italiana Maria Melato.
  • Chega a Fortaleza o exmo. sr. D. Quintino Pelo horário de ontem, chegou a esta capital o exmo. sr. Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, ilustre Bispo da Diocese do Crato. D. Excia. Revdma. seguiu, hoje, a bordo do "Itapuhy" para a Bahia, onde vai assistir às grandes festas cívico-religiosas, comemorativas do Centenário do 2 de Julho e do jubileu do exmo. sr. Dom Jerônimo Thomé da Silva, Arcebispo Primaz do Brasil. Acompanha o exmo. sr. Dom Quintino, o reverendíssimo padre Raimundo Bezerra, no caráter de seu secretário particular. Da Bahia, o ilustre sr. Bispo do Crato irá ao Rio de Janeiro, a fim de tratar de palpitantes interesses da sua Diocese. "O Nordeste" que vê no eminente Prelado um operoso e incansável propugnador da ação social-católica no seio de seu fiel rebanho, cumprimenta respeitosamente o exmo. sr. Dom Quintino, augurando a S. Excia. e ao seu digno secretário ótima viagem e feliz estadia no sul do país.
  • Com a Prefeitura É do conhecimento público o péssimo estado de asseio em que se encontra a Travessa José de Alencar, no trecho compreendido entre as ruas Senador Pompeu e Imperador. Aquela via pública está completamente abandonada, sendo de notar que o quarteirão onde funciona o Tesouro Nacional vai se tornando verdadeira rampa, devido à lama empossada e à grande quantidade de lixo. Esperamos que sejam tomadas providências no sentido de ser restituída aquela rua às condições de asseio que a saúde do povo exige.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente O Nordeste Redação: Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo OS trabalhos desta vida também são um gênero de martírio, se o levamos com paciência por amor da virtude. Padre Manuel Bernardes ANO I Fortaleza — Quarta-feira, 13 de Junho de 1923 NÚM. 287
  • Telegrama Telegramas Paraguai: 9 — Os revolucionários apoderaram-se de Puerto Embalse, situado no alto Paraná. Acredita-se que os revolucionários contribuirão para que fracassem as negociações que haviam sido entabuladas com o governo para a paz. ASSUNÇÃO, 9 — Os jornais noticiam que, ontem à noite, o oficial radiotelegrafista Martinez e o Cadete Porta tentaram intimidar o sargento da guarda, exigindo dele a entrega do quartel. Em virtude da resistência oposta pelo sargento, o oficial enfureceu-se e, sacando de um revólver, disparou-o contra aquela praça, ferindo-a gravemente. O criminoso tentou fugir, com seu cúmplice, mas soldados acudiram ao estampido do tiro e conseguiram prendê-los.
  • Telegrama DO EXTERIOR França PARIS, 9 — O sr. René Viviani foi acometido de violento ataque de afasia, quando, ontem à tarde, fazia a defesa de um seu constituinte no tribunal. Readquiriu a voz duas horas depois. Os médicos assistentes aconselharam o ex-presidente do Conselho a fazer uma estação de repouso, durante algumas semanas.
  • Telegrama Suíça GENEBRA, 9 — Na reunião da comissão de redução de armamentos, da Liga das Nações, o Cel. Requin apresentou um projeto, que está sendo examinado com interesse. O delegado francês imaginou um plano de assistência mútua entre as nações. O plano prevê acordos sobre o caráter das despesas militares e determina a assistência que os Estados contratantes se prestariam eventualmente. O projeto Requin permitiria a redução dos armamentos, em razão das garantias dadas ao acordo.
  • Telegrama Argentina BUENOS AIRES, 9 — O campeão argentino de xadrez, Lynch, venceu o campeão europeu Blumenfeld, atualmente nosso hóspede.
  • Telegrama Hungria BUDAPESTE, 9 — A polícia húngara efetuou a prisão de um indivíduo de nacionalidade alemã, suspeito de espionagem. Parece tratar-se de um agente de aproximação entre os comunistas alemães e os bolchevistas.
  • Telegrama Dinamarca COPENHAGUE, 9 — O Rigsdag aprovou a ratificação do acordo comercial celebrado entre a Dinamarca e o governo dos sovietes.
  • Telegrama Iugoslávia BELGRADO, 11 — Logo depois das primeiras notícias da revolução búlgara, houve reunião coletiva dos ministros, sob a presidência de Fashilch. Nessa reunião, ficou decidido que a Iugoslávia não podia ficar indiferente aos acontecimentos búlgaros, se as estipulações do Tratado de Neuilly fossem, acaso, atingidas pelo novo governo.
  • Telegrama Noruega CHRISTIANIA, 11 — Os navios Fam e Funt, destinados a prestar socorro ao explorador Amundsen, chegaram a Advent Bay, em Spitsberg. Ao mesmo tempo comunicam de Hamburgo que um dos dois aeroplanos enviados em auxílio de Amundsen, foi obrigado a aterrar na ilha Falslir.
  • Telegrama Letônia RIGA, 11 — A polícia letônia descobriu uma conspiração revolucionária, suspeitando-se tenha sido organizada pela delegação comercial dos sovietes. Já foram efetuadas cerca de 15 prisões. As autoridades apreenderam documentos esclarecedores, por ocasião de buscas a que procederam, quando efetuavam a prisão de alguns conspiradores.
  • Nota social O espiritismo nos sertões Os nossos colegas d'«A Tribuna» estranharam que fosse publicado, nos «ineditoriais» desta folha, um artigo firmado pelo sr. Moreira, contra um dos seus redatores. Entenderam os colegas que, pelo motivo de ser interrompida a publicação aludida nos ineditoriais deste jornal, por acaso subscrevemos os conceitos desairosos ali externados. Não têm razão os confrades. Se esta fosse a regra a prevalecer, suprimiríamos a seção dos «ineditoriais», porquanto, em geral, o que ali se insere é matéria e não interessa senão a educação diferentes. E, tendo em conta os exercícios de Religião prática, muitas consciências terão sofrido abalos morais por ocasião daquelas aglomerações operárias. Os males sociais que invadem assustadoramente as grandes capitais do País, de vez em quando, como a hidra de sete cabeças, estendem ramificações no âmago dos sertões brasileiros. Os males urbanos invadem, de mansinho, o campo, outrora terreno apto para germinar a boa semente do Evangelho. Neste particular, nem tudo está ainda perdido, que o sertanista ainda conserva ressaibos dos velhos moldes de outrora. Nem sempre os lares honrados dos sertanejos acolhem os pregadores de nova religião, de novos meios de conquista do céu, neste mundo pleno de desilusões e misérias. As obras contra o flagelo das secas periódicas no Ceará importaram, para o local dos trabalhos iniciados, grande número de pessoas de vários Estados da União, muitos deles estranhos ao meio, versados em hábitos diametralmente opostos às tradições cearenses. Dentre esse número de operários, práticos engenheiros, dirigentes de turmas, etc., que se transportaram para o interior dos dois Estados mais flagelados — Paraíba e Ceará — talvez em número limitado existissem alguns que contivessem os bons princípios da religião e moral cristãos no meio do torvelinho e do fervoroso opus dos labores. Número limitado, repito. Afora vícios perniciosos, hauridos [...] de tantas pessoas. Os prosélitos de várias seitas têm aproveitado o ensejo para, de mansinho, propagar doutrinas contrárias à Fé. Afora princípios socialistas e anarquistas já percebidos num grupo de operários que regressaram aos penates desiludidos das tais pagas de salário, outros diversos males morais são originados naquele meio onde tumultuaram vários cérebros no afã de conseguir dinheiro, a mola vital da época, o grande pivô da objetivação de muita gente na época atual. Volte-se, porém, o leitor para o título enunciado: «O espiritismo nos sertões». É ridículo, senão lamentável, o ingresso do espiritismo em muitos lares sertanejos. Compram-se, tomam-se por empréstimo livros vários de médiuns, publicações espíritas de vários autores, entre os quais predomina o célebre Allan Kardec, e transportam certos operários melhor contemplados nas obras contra as secas, para o interior dos sertões, estes livros perniciosos que gravam dolorosos males em certos espíritos. Devo, porém, confirmar o meu asserto: Ali para o extremo sul do Estado, regressando um moço, chefe de família, dos labores de Orós, afora revistas ilustradas, gravemente mundanizadas, conduziu também o célebre «Livro dos Médiuns», de Kardec. Noites de vigília são empregadas na leitura da ciência do espiritismo. Informações colhidas no próprio lar do novel espírita, confirmam o prurido de curiosidade do pobre moço que antes tinha Fé, praticando os deveres religiosos. O espiritismo, mal da época, invadiu-lhe a inteligência, para, talvez, de futuro, atirá-la para o abismo da perversão e talvez da loucura. O espiritismo é, pois, um dos males atuais que invadem os santuários de lares cristãos, outrora pacíficos e dignos, donde têm saído rútilas inteligências que honram a Religião e ao Brasil de 1923. Padre Alboino Pequeno
  • Telegrama Alemanha BERLIM, 9 — O Reichstag discutiu, longamente, a situação econômica e novas medidas tendentes ao aumento da receita pública. O ministro do Trabalho, tomando parte nos trabalhos, expôs os novos projetos fiscais, com a remodelação completa dos impostos. O governo faria promessa de proceder a uma aplicação rigorosa da nova disposição sobre moedas. Segundo números oficiais, a dívida flutuante da Alemanha subiu, na última década de maio, à importância de um bilhão e trezentos e sessenta e dois bilhões de marcos. BERLIM, 9 — O teor da nota enviada aos governos aliados, contendo as novas propostas da Alemanha, para o pagamento das reparações, deu causa a manifestações exaltadas por parte de elementos nacionalistas. Os extremistas atacaram vivamente os termos da nota e prenunciam a volta da «política de execução». Por outra parte, os populistas mostraram-se contrários a essa exaltação dos grupos intransigentes. Informações de Eberfeld anunciam a realização das exéquias em memória de Schlageter, agitador alemão, acusado por ato de sabotagem, que foi recentemente julgado e executado pelas autoridades francesas do Ruhr. A cerimônia tivera o caráter de manifestação nacionalista. BERLIM, 9 — Na reunião da comissão especial encarregada de proceder a um inquérito sobre a depreciação do marco, o subsecretário do Estado, Frendlenburg, combateu, longamente, a ideia de criação do instituto que se denominaria ofício central das moedas. O Reichsbank vai lançar, brevemente, em circulação, notas de um milhão de marcos, com o intuito de facilitar as transações, em vista da desvalorização da moeda alemã.
  • Nota social O ébrio (Ao eminente escritor sr. Rodolpho Theophilo) Para esquecer os golpes da Desgraça, O mísero rapaz busca a taberna. Levanta um copo cheio de cachaça. — Paixão maldita que se faz eterna. Ele faz rir a turba mais devassa, Longe dos olhos da Visão materna. Desventurada mãe que a dor traspasa, Cujo sofrer nas lágrimas se externa. Por fim, já farto de [...] fumo, Dentro da noite escura, [...], Arrasta o passo, tropeça, sem rumo... Ao longe, a voz da sentinela brada... Ele, fechando as pálpebras com sono, Tropeça e cai, dormindo na calçada. Sonho do ébrio Roncando, sonha na calçada fria! Transpõe um vale, agora uma montanha. Ante os seus olhos, no esplendor do dia, Surge uma plaga de beleza estranha. Arfa-lhe o peito aos estos da alegria: O povo em festa os passos lhe acompanha. Sonha galgando a larga escadaria De um palácio e bendiz glória tamanha. Prossegue o Sonho luminoso e lindo... Descerra os lábios como num delírio... Eis que desperta, as pálpebras abrindo! Foge-lhe o encanto da Visão etéreia: Desperta, vendo a Cruz do seu Martírio No Calvário sombrio da Miséria! Ramos NETTO
  • Nota social Selos & Cupons Por intermédio de um acadêmico de direito recebemos 8.400 selos usados para a obra da Santa Infância.
  • Nota social PELA MORALIDADE SOCIAL Esteve nesta redação o signatário da carta infra que nos solicitou a publicação da mesma: Ilmo. Sr. Redator d’O Nordeste Tenho lido com entusiasmo a campanha contra o desrespeito à moralidade pública que vem de ser iniciada pelas colunas de seu apreciado jornal. É uma coisa digna esta que o ilustre Redator defende e oxalá que vejamos surtir brilhantes resultados. Alio-me ao criterioso defensor da causa do bem e prometo de hoje em diante, e o quanto me for possível, apontar vários antros de perdições onde se falta com respeito à moral, às barbas da polícia. É incrível a ousadia das rameiras em nossa terra. Casos há em que essas criaturas infelizes desejam intimidar as próprias famílias, a fim de que elas, ofendidas, não possam procurar os seus direitos. É um horror! Um proprietário de meia dúzia de casas à rua Juvenal Galeno, casas essas adquiridas por se ter casado com uma viúva, entendeu, dada a não observância da Lei do Inquilinato, aumentar o valor dos seus aluguéis. Por esse motivo acabrunhador, retiraram-se moradores bons, honestos, gente de família. Depois entendeu o referido proprietário fazer de uma das suas, talvez porque achasse ser o seu dever como um cidadão de bom raciocínio; fez sua inquilina uma mulher que, pelos modos, deu-se logo a conhecer. Essa mulher faz o maior absurdo! Não há quem possa suportar: pilhérias a uns, insultos a outros, palavras ofensivas ao decoro das famílias. Devido a essa situação, ou as famílias se recolhem cedo a fim de não ouvir palavras obscenas, ou leem de suportar tudo sem dizer nem uma palavra; porque do contrário se iria deflagrar terrível tempestade. Clame, sr. Redator, contra esse cancro social que é a imoralidade, e contra os abusos de muitos proprietários que alugam suas casas (no meio das famílias e mulheres livres que estão sempre prontas a ofender o decoro público). Senhor Redator: Um inquilino ofendido deu parte à polícia e contou minuciosamente o que esta mulher fazia em nosso meio. O sr. Delegado prontificou-se a providenciar. Mandou chamá-la. Ficamos esperando o resultado. Quando ela voltou da delegacia, ah! sim!, fez o pior espalhafato! Maltratou a tudo e a todos! O mais engraçado de toda a cena, foi ela dizer abertamente e com voz retumbante: «Há males que vêm para o bem. Pensavam que o Delegado me mandava retirar daqui! Agora moro nesta rua o tempo que eu bem entender...» É possível que as nossas autoridades cruzem os braços e não cooperem em prol da moralização dos nossos costumes?! É vergonha para essa formosa terra que homens insignes denominaram «Terra da Luz». Bem, sr. Redator, estou me tornando demasiado. Agradeço a publicação destas humildes linhas e de notícias que se seguem para a cidade, e desde já subscrevo, F. Pereira Rua Juvenal Galeno, 41
  • Nota social Recebemos ainda a simples carta infra: Sr. Redator d'«O Nordeste» Saudações. [...]