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O Nordeste
Junho de 1923 · 20 trechos transcritos
Manchetes desta página
- A amabilidade dos ilustrados colegas do 'Correio' para conosco tinha de durar apenas o espaço de horas. Voltaram, anteontem, a discutir as excelências do relatório Adaucto. Não conseguiram ser rápidos, mas em compensação, foram medonhos... A intromissão do 'Correio' na nossa vida, devem lembrar-se os leitores, foi porque censuramos a imodéstia do sr. Adaucto em seu relatório policial. Incorremos no desagrado dos colegas, simplesmente por não levarmos muito a sério as glórias que ali o delegado usurpa. Somos, agora, nós, uns vaidosos de força maior. Possuímos a obsessão das [...]. Tudo o que de louvável se decidem a praticar as autoridades do Estado, logo apregoamos como resultado das nossas campanhas. Se os colegas dissessem isso do sr. Adaucto, em relação ao relatório, estaria tudo muito bom; mas de nós outros, não; é ferir de frente e, mais que tudo, abertamente, a verdade. Não vivemos a alardear prestígio nem êxito. Combatemos, energicamente, o jogo e publicamos as comunicações da polícia sobre as providências tomadas. Era isso uma coisa tão natural! Somente os colegas foram capazes de enxergar aí a tentação da vaidade. Toda a gente terá visto neste nosso modo de proceder um simples gesto de lealdade, em tornar pública a ação que reclamávamos das autoridades. No início da campanha, a polícia nada fazia; diante, porém, da nossa insistência em combater o desenfreamento do vício é que o ilustre dr. Abílio Martins, vindo à nossa redação, deu-nos ciência das medidas que iam ser postas em prática. Aí está: a delegacia agiu, mas por ordem superior. São, portanto, ao nosso ver, exagerados os lauréis que o delegado disputa, o que não priva os colegas de pensarem o contrário de nós. Da nossa parte, com relação ao jogo, apenas cumprimos elementar dever de profissão e não temos vaidade nem tão pouco. Os colegas declaram que não, portanto, não respeitam a sinceridade das nossas convicções. É pena que não viajem a perceber as calúnias que, na sequência dessa grosseria, vai maior desaire para o seu jornal, que outrora se intitulava de órgão católico, do que para nós outros que, de fato, empunhamos a pena para a defesa sagrada do nosso ideal. Ao terminar a leitura do 'sucinto' em resposta ao 'O Nordeste' ficamos deveras possuídos de piedade para com os estouvados colegas. Estávamos pensando na necessidade de um jeito para o caso, quando logo na coluna seguinte do 'Correio' encontramos, traduzida especialmente para aquele jornal, a preconização de um remédio novo, que, talvez, desse algum resultado: a vacina contra a besteira.
- Em todo o ano, não há mal na Bahia. A lisonjeira opinião dos médicos de lá. O 'Santos' adia a partida. Viagem do presidente Serpa Sua excelência é esperado na Bahia BAHIA, 16 — O governador do Estado providenciou a respeito do pedido do vice-presidente do Ceará, em exercício, sr. Ildefonso Albano, no sentido de conseguir que médicos notáveis visitem o presidente Serpa, em sua passagem por este porto. Foram escolhidos os drs. João Garaez Fróes e Caio Moura que seguirão em companhia do sr. dr. J. J. Seabra, em lancha especial, para bordo, à chegada do vapor. Também irão a bordo, em visitas ao ilustre enfermo, o sr. Arcebispo D. Manuel e o representante do 'O Nordeste'. Não chegaram notícias, até agora, sobre o ilustre enfermo, além das enviadas a respeito da sua partida de Fortaleza, tendo isto despertado cuidados nos amigos. A chegada do presidente Serpa à Bahia. Sua excelência vai fazendo viagem regular. Homenagens prestadas ao ilustre enfermo. BAHIA, 17 — Acaba de chegar o vapor 'Santos' em que viaja o presidente Serpa. O excelentíssimo senhor D. Manuel, Arcebispo de Fortaleza, seguiu para bordo, acompanhado do representante d''O Nordeste', a fim de visitar sua excelência o dr. Justiniano de Serpa, que, apesar da prescrição médica de não receber visitas, abriu exceção para o sr. D. Manuel, que palestrou com o ilustre enfermo alguns minutos. O governador do Estado, dr. J. J. Seabra, seguiu também para bordo, logo após a entrada do paquete, acompanhado dos drs. Caio Moura e João Garaez Fróes em visita ao seu colega. O dr. J. J. Seabra palestrou demoradamente com o deputado Hugo Carneiro, pedindo que visitasse o dr. Serpa em seu nome. Os médicos assistentes tiveram longa conferência no salão de bordo com os médicos levados pelo governador. À hora em que desembarquei, os médicos estavam no camarote presidencial, fazendo o exame do doente. O governador deixou o seu assistente militar à disposição do presidente Serpa. Várias pessoas gradas foram visitar o enfermo, exibindo algumas delegações de pessoas do Ceará para apresentar cumprimentos ao ilustre viajante. O deputado Hugo Carneiro disse que o dr. Serpa vai sem novidade, passando regularmente. Visitei o eminente enfermo em nome desse jornal. BAHIA, 17. Felizmente os médicos que examinaram o dr. Justiniano de Serpa opinaram poder salvá-lo, operando-o, hoje mesmo, a bordo do 'Santos'. Os facultativos garantem que sua excelência há de chegar bem ao Rio de Janeiro. O vapor adiou a sua partida para amanhã, às 10 horas. O governador J. J. Seabra tem empenhado esforços em cercar o dr. Justiniano de Serpa de todo o conforto possível. O excelentíssimo senhor Arcebispo de Fortaleza procura, com toda solicitude, frequentes notícias do Presidente do Ceará, que somente seguirá viagem, depois de operado. Enviarei notícias sobre o resultado da intervenção a que se vai submeter o ilustre enfermo.
- Comentários d''O País' em torno da política cearense RIO, 16 — 'O País', tratando da política cearense, publica o seguinte tópico: 'O estado de saúde do dr. Justiniano de Serpa, presidente do Ceará, não [...] em seus implacáveis detratores, em certa imprensa [...], com a atitude [...] e de fidelidade de sua política honesta de que a atual situação federal, foi uma série de inverdades [...] em torno da política. Disseram, por exemplo, que o dr. Justiniano de Serpa [...] somente prisioneiro do presidente do Ceará, o qual [...] de assumir [...] a paz estabelecida [...]'
- Capelães (Do nosso serviço telegráfico) BELO HORIZONTE, 10 — Foram publicadas as resoluções tomadas pelos reverendíssimos bispos da Arquidiocese de Mariana, recentemente reunidos, em concílio em Juiz de Fora. O capítulo intitulado: 'Defesa da Fé e dos Costumes' proíbe os sacerdotes de frequentarem bailes, cinemas, jogos de [...] e espetáculos públicos. Às famílias católicas aconselha a absterem-se de danças e vestes indecentes. Deverão ser impedidas quaisquer festas religiosas onde haja jogos a dinheiro.
- Inspetoria realiza o pagamento aos empregados da fábrica militares: [...] o sr. Eduardo Pinheiro faz [...] da [...] cidade do sentimento religioso na vida dos povos e dos indivíduos; e os srs. dr. Garabi da Rocha e [...] de Cimento Conforme ontem noticiou o 'Diário do Ceará', o dr. Hélio Novaes, engenheiro-chefe do 1º Distrito das Obras Contra as Secas, realizará, hoje, o pagamento das quinzenas atrasadas ao pessoal da fábrica de cimento, dirigida pela firma norte-americana Dwighi Robinson & Co. O atraso, pelo que nos informaram os operários da fábrica, queixaram-se na redação, é de cinco quinzenas. Ontem, o dr. Hélio Novaes, na [...] ao [...] Bispo de Beja, que [...] um grande patriota e um grande português, informou ao governo que é apenas por duas quinzenas. Louvamos aquele engenheiro pela solução dada ao caso e garantimos que os serviços fiquem depois de [...] normalizados.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O Nordeste [...] ANO I NÚM. 291 Fortaleza, segunda-feira, 18 de junho de 1923
- Telegrama Maria Aviso Eclesiástico Lembro aos Reverendíssimos Sacerdotes de Fortaleza que na quarta-feira próxima (20), terá lugar, às 9 horas, a nossa reunião mensal, no Seminário. Convido a todos a comparecerem ali naquele dia. Fortaleza, 18 de junho de 1923 Padre Antonio Tabosa Braga Vigário Geral
- Telegrama Telegramas DO PAÍS Homenagem a D. Jerônimo BAHIA, 16 — A colônia cearense fará uma reunião, amanhã, a fim de homenagear o excelentíssimo senhor D. Jerônimo, Arcebispo Primaz, por motivo das festas jubilares, tomando parte na mesma o representante do 'O Nordeste'.
- Telegrama De Minas BELO HORIZONTE, 15 — Após o encerramento do congresso das municipalidades, o dr. Presidente do Estado tem recebido, de toda parte, telegramas de felicitações pelo êxito do mesmo, destacando-se os do presidente da República e dos ministros. — O presidente do Estado recebeu do dr. Justiniano de Serpa a comunicação da passagem do governo ao sr. Ildefonso Albano, o qual comunicou haver assumido o cargo de presidente do Ceará. — Ontem, 14,º aniversário da morte de Afonso Pena, foi a data comemorada com pesar, nesta capital. — Encontra-se em Ouro Preto o padre Natuzzi, que a convite do vigário dali, fez uma série de conferências em louvor à festa de Santo Antônio, sobre os seguintes temas: Origens e destinos humanos. O problema da vida e a imortalidade da alma. A verdade, bem supremo. A Igreja e a sociedade moderna. O sacrifício, base do mistério do amor.
- Nota social Efêmero esplendor Deslumbrando nas pompas da riqueza, regurgita o salão. Teu vulto assoma. Orgulhosa mulher de alta nobreza, de ti se evola um sugestivo aroma. Surges deixando a multidão surpresa. O teu sorriso maravilha e doma! Popéia, a flor de lírica beleza, brilhava menos nos salões de Roma! Chamam-te lírio de celeste alvura, anjo esculpido em luminosa tela. Mas o que vale a tua formosura? Que vale o orgulho que teu peito inflamou? Se o corpo seja da mulher mais bela, será, de certo, transformado em lama? Ramos NETTO
- Telegrama CARLOS LOBO RIO, 15 — Esteve, ontem, no Catete, com o excelentíssimo Vieira Cristo, a quem pediu transmitisse as suas homenagens e despedidas ao presidente Bernardes, o dr. Carlos Lobo, que segue para esse Estado, a bordo do 'Ceará'. — Também esteve no gabinete do dr. ministro da Viação, a quem apresentou, pessoalmente, as suas despedidas.
- Telegrama Liga de Defesa Nacional RIO, 15 — Será eleito presidente da Liga de Defesa Nacional o dr. Miguel Calmon devido à renúncia irrevogável do dr. Homero Batista. Os demais membros retiraram o pedido de renúncia.
- Telegrama DO EXTERIOR Coisas da China. O presidente volta ao cargo PEQUIM, 15 — Li Yuan Hung voltou atrás de seu pedido de demissão do cargo de presidente, alegando que se demitira na ocasião em que, tolhido em sua liberdade, em Tianjin, fora obrigado a isso. Reassumindo suas funções, o presidente baixou decretos, aceitando a demissão anteriormente pedida por Chang-shou-tseng, e mandando abolir os cargos de inspetores gerais das tropas e governadores militares. Na mesma ocasião, Li Yuan Hung nomeou Li-en-Yuan para primeiro ministro e Chin-yun-Sen, para a pasta da guerra.
- Telegrama Foi encontrado o selo presidencial PEQUIM, 15 — O selo presidencial foi entregue ao ministério. À vista disso, foi posto em liberdade o presidente Li Yuan Hung, que se achava detido em Tianjin.
- Telegrama O 'Times' e o problema das reparações LONDRES, 15 — O 'Times', comentando o problema das reparações, declara que estudou os pontos de vista da França e da Inglaterra, e reconhecia francamente as razões em que se escudavam os dois países. Considerava, entretanto, que, para a Inglaterra, subsistia a dificuldade de reconhecer a ocupação do Ruhr.
- Telegrama Greve terminada BERLIM, 15 — O congresso silesiano dos conselhos operários de Breslau resolveu que todos os operários que lhe são ligados, voltem ao trabalho. Por esse motivo, considera-se terminada a greve dos mineiros e metalúrgicos daquela região.
- Telegrama Demite-se o gabinete belga BRUXELAS, 15 — Demitiu-se o gabinete. Os jornais consideram que essa demissão veio causar, no momento, uma situação embaraçosa. O rei Alberto encarregou Theunis, presidente do gabinete demissionário, de organizar outro. 'La Dernière Heure' assegura que Theunis aceitou o encargo.
- Telegrama Crise ministerial na Pérsia LONDRES, 15 — Telegramas de Teerã informam que a situação criada pela crise ministerial continua insolúvel. Nenhum dos chefes políticos consultados pelo soberano persa conseguiu reunir elementos que permitiam aceitar a reorganização do gabinete. Os telegramas continuam na segunda página.
- Telegrama ÍNDIA Conversões em massa O governo do longínquo [...] promulgou uma lei proibindo a entrada nos [...] a qualquer pessoa. [...] [...] região suburbana, e [...] O soldado é um campo de [...] que ninguém [...] Naquela região [...] religiosa. Será dada pelo capelão militar do inimigo, porque [...] falta sacerdotes! Infeliz Pátria! [...] Acudiram alguns daqueles [...] aos missionários, taparam-lhes o que [...] e pediram recebê-los em sua igreja. Imagine se o [...]
- Telegrama Ainda a revolução búlgara LONDRES, 14 — Telegramas de Sófia [...] um dos [...] daquela [...]. 'O ex-chefe do [...] foi morto quando fugia às perseguições das tropas do novo governo. [...] A [...] pelo general [...] religiosa.'