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O Nordeste

Setembro de 1923 · 12 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • A LIBERDADE É A PRÓPRIA VIDA: NASCE E CRESCE DÔR.
  • NATIVIDADE DE MARIA: A LIÇÃO DA REALIDADE
  • O Brasil fez, ontem, um século de vida nação soberana. É oportuno verificar se o País penetrou em período de existência autônoma, decidido, verdadeiramente, a encaminhar destinos para as possibilidades que promete a abundância de recursos naturais.
  • Nós, infelizmente, vivemos mal. Evidentemente, mal, no século da vida livre. Desaproveitamos os recursos naturais que temos. Malbaratamos a fortuna do País. Comprometemo-nos com emissões, empréstimos ruinosos, um regime de gastos mal empregados e a constância de déficits nos levaram à situação de insolvabilidade.
  • A política econômica, ligada diretamente àquela, não tem sido a de estimular as grandes potencialidades do comércio, da indústria, da riqueza nacional; ao contrário, tem sido a de sugá-las, até exauri-las, acabrunhá-las com impostos e taxas.
  • Educação popular: fraca, abatida, de modo precário. A imprensa e o estado de sítio que um pequeno número de privilegiados frequenta cursos superiores, a imensa maioria vegeta na instrução primária e educação profissional.
  • Deixamos de lado a educação cívica do povo e entregamo-nos, no regime de liberdades e princípios, a processos que só aproveitam às populações de larga cultura democrática; a forma resultante disso foi a extravagância de uma constituição liberal que afasta sentimentos coletivos, e a execução sofre a influência viciadora de processos de politicagem a que estamos acostumados.
  • Deixamos inexploradas as grandes riquezas do subsolo nacional e a energia das quedas d'água. Não estimulamos, como devíamos, o comércio e, principalmente, a indústria, de modo a fartos de riqueza.
  • A ordem, contendo a força e a energia elétrica, contendo ferro, metais e matéria-prima especial para o impulso industrial, estamos, em particular, em dependência total do estrangeiro.
  • Esquecidos da condição precípua do desenvolvimento comercial de um povo, está a expansão das vias de comunicação interna. Deixamos, por descuido, este problema, que nos alça de pés e mãos, impedindo os surtos de progresso em nossa vasta e imensurável nação.
  • É imprescindível o desenvolvimento da aviação. A nação, cuja base de riqueza sólida tem sido e será, com o tempo, o complexo de condições sociais e físicas, é a indústria agrícola. Desprezamos a agricultura, descuramos a necessária educação técnica do povo, praticada em processos rotineiros dos tempos coloniais.
  • Não demos instrução profissional agrária, não demos instrumentos de progresso, e não incentivamos, em ponto algum.