Hemeroteca

O Nordeste

Setembro de 1930 · 9 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Eleições inúteis: Amanhã será dia de eleições de prefeitos no Estado. Eleições perfeitamente inúteis, mascaradas e a República é pejada. Vontade, parecer vivemos num regime democrático. Tapeação, baboseira. Ninguém desconhece como se fazem eleições no Brasil.
  • O povo tem o direito de votar em quem quiser, contanto que seja apontado pelos maiorais da politicagem reinante.
  • O presidente da República indica o seu sucessor. O presidente indica os governadores do Estado. O governador do Estado nomeia deputados federais, estaduais e prefeitos. Camaradescamente, em família, no ambiente que dá cá e lá, o povo é o único desautorizado a falar e o único a ser chamado para botar o bolo gostoso nos cargos elegíveis.
  • É simulação desnecessária? O poder é só um, devia acabar a história de legislativo, executivo e judiciário.
  • A República é o governo singular, dirigido pela vontade única do presidente, nome do povo, que dirige o país.
  • Amanhã, vai haver eleições no Estado. O mundo já sabe quem serão os candidatos vencedores na maioria dos municípios. Por que, então, simular um pleito inútil?
  • Não só inútil, como em recursos indecentes se reveste. O acordo, as eleições serão feitas a pena. É, nas paredes, o homem só representará a procuração do colégio eleitoral, e imitará e falsificará as firmas dos eleitores.
  • É a República. É a República. É o mundo que está caminhando para as ditaduras. O povo prefere o tirano ao fingido. Sabe onde está a verdade do tirano, mas o democrata fanfarrão vive a interrogar o ambiente, como quem diz: Arabem, pantomimas eleitorais. Evitam-se os desgostos, os desperdícios de dinheiro, as intrigas mesquinhas e a mentira oficializada, entronizada, desbragadamente, publicamente.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Expediente: Imprensa Carahol, 2647