Manchete · O Nordeste · 6 de março de 1935
Carnaval de 1935: tiros e pânico na Praça do Ferreira
O Nordeste noticiou três mortes na última noite de folia; a autoria nunca foi apurada.
Na noite de terça-feira de carnaval, 5 de março de 1935, a Praça do Ferreira estava cheia quando, por volta das 20 horas, três homens fantasiados atiraram contra um sargento da Guarda Cívica perto do Polytheama. Morreram o sargento, um primo dele, guarda civil, e um guarda de veículos; várias pessoas ficaram feridas. No dia seguinte, O Nordeste publicou a matéria "Momentos de terror na Praça do Ferreira" e levantou a hipótese de vingança pessoal.
Três dias depois, o mesmo jornal atacou o bloco carnavalesco Galinha Verde, que havia satirizado o integralismo e o clero, e publicou telegrama da Liga Eleitoral Católica ao presidente Getúlio Vargas negando responsabilidade pelo "conflicto de Fortaleza entre corporações militares".
Décadas depois, o memorialista Daniel Carneiro Job, no livro "A Praça do Ferreira", de 1992, chamou o episódio de "Chacina Integralista" e o descreveu como represália premeditada ao bloco. Essa autoria é a versão do livro e não foi confirmada pela imprensa da época; segundo o próprio autor, o inquérito nada apurou. O ano de 1935 marcou o auge da polarização entre a Ação Integralista e a esquerda, meses antes do levante comunista de novembro.