Foto · Unitário · 1º de maio de 1958
1958: retirantes da seca abrigados na Maternidade Popular ainda em obras
O Unitário pediu a conclusão do prédio no Porangabuçu e registrou o nascimento de uma menina no bloco inacabado.
Em 1º de maio de 1958, em plena seca, o Unitário abriu a capa com a manchete "Mil flagelados para a Maternidade Popular". Os Diários Associados lançavam uma campanha para apressar a obra do prédio, no Porangabuçu, e usar sua área coberta de 2 mil metros quadrados para abrigar mil retirantes. As fotos mostram famílias em redes armadas entre paredes de tijolo.
O texto contava que, no bloco B, ainda em construção, havia nascido uma menina, Maria de Fátima, filha de um casal de retirantes de Iguatu, e que dias depois nasceu ali uma segunda criança, filha de retirantes de Quixadá. A foto de baixo mostra dona Francisca, a mãe, numa rede com a recém-nascida, sob a legenda "Maria de Fatima inaugurou a Maternidade". A mesma página informava que a Hospedaria Getúlio Vargas acolhia cerca de 3.000 flagelados.
A pedra fundamental da Maternidade Popular havia sido lançada em 1956. O prédio viria a ser a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, ligada à Universidade Federal do Ceará. A capa registra a pressão da seca de 1958 sobre Fortaleza e a improvisação que transformou uma obra hospitalar em abrigo.