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Biografia

Tristão de Alencar Araripe Junior

1848–1911

Fortaleza Bacharel
Este nome aparece em outro verbete do acervo Tristão de Alencar ARARIPE JÚNIOR 1848–1911 · Fortaleza
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Filho do Conselheiro T. de Alencar Araripe, de ultimo citado, e de D.a Argentina de Alencar Araripe, nasceu em Fortaleza a 27 de Junho de 1848

Bacharelando-se em sciencias jurídicas e sociaes na Faculdade de Recife em 1869, foi Secretario do governo da Provincia de Santa Catharina, de que foi exonerado por Decreto de 30 de Dezembro de 1871, juiz Municipal de Maranguape de 1872 a 1876, official da Secretaria de Estado dos negocios do Império (1886), director da Secretaria do Interior, director geral da Directoria do interior do Ministerio da Justiça e Consultor Geral da Republica (1903), cargo que illustrou até morrer.

Casara com D.a Antonia Moreira dc Araripe, já fallecida, e houve desse consorcio cinco filhos: D.a Argentina Araripe Borges, casada com o Dr. Cesar Borges, engenheiro da Prefeitura do Rio; D.1 Maria Esther Araripe Pestana de Aguiar, casada com Octavio Pestana de Aguiar, escripturario da Casa de Detenção ; D.a Antonieta Araripe; Capitão de corveta Fernando Araripe e Hugo Araripe, esteja fallecido.

Era um dos membros fundadores da Academia Brazileira de Letras e fazia parte do Instituto do Ceará como socio correspondente.

Em trabalhos de critica literaria ninguém no paiz lhe levava a primazia.

Falleceu na Capital Federal a 29 de Outubro de 1911. Desempenhava, como eu disse, o alto cargo de Consultor Geral da Republica em que foi substituido pelo Dr. Rodrigo Octavio.

Na sua cadeira de membro da Academia Brasileira de Letras substituiu-o Felix Pacheco, cujo discurso de recepção, muito para ser lido por quem quizer conhecer Araripe Júnior como homem de letras e critico, está publicado no Jornal do Commercio de 15 de Agosto de 1913.

Publicou23

  1. Contos Brasileiros, 1868, sob o pseudonymo de Oscar Jagoanhara. Era então academico do 5.° anno.
  2. Carta sobre a litteratura Brazilica. Rio de Janeiro, 1869, in 8.o de 24 pp. Typ. de J. A. dos Santos Cardoso, Rua de Gonçalves Dias n.o 60.
  3. O ninho do beija-flôr. Ceará, Editor A. M. Souza. Typographia Constitucional, 1874.
  4. O Papado. Conferencia de 12 de Julho de 1874 na Eschola Popular. Fortaleza, Typ. Brasileira, Rua Formosa,

    1874, 47 pp.

  5. Jacina, a marabá, chronica do século XVI. S. Luiz,

    1875. Com varias notas.

    Sobre Jacina escreveu Rocha Lima um estudo critico na Constituição, de Fortaleza, Junho de 1875.

  6. Um motim na aldeia, narrativa do tempo do governo de Feo e Torres no Ceará, publicado na Constituição, de Fortaleza, em 1877.
  7. O reino encantado, chronica sebastianista, Rio de Janeiro, 1878, 156 pp., in-4."
  8. Luizinha, romance de costumes cearenses, Rio de Janeiro, 1878, in-8.° de 252 pp.

    O Guayanaz, romance Brazileiro, editor B. L. Garnier, Rio de Janeiro.

    Tratando delle disse o Cruzeiro, Rio;

  9. A casinha de sapé, romance, 1 vol.
  10. O Quilombo de Palmares, chronica do século XVII, 3 vols.
  11. José de Alencar. Perfil Litterario. Publicado em 1881 na “Revista Brazileira”, foi tirado em livro, que teve duas edições, uma em 1882 e outra em 1894.
  12. Litteratura Brasileira. Dirceu. Rio de Janeiro, Typ. Universal de Láemmert & C.a, 66 Rua do Ouvidor, 1890.
  13. Força velha, publicada n'A Semana, Rio de Janeiro.
  14. Retrospecto Litterario do anno de 1893. publicado n'A Semana.
  15. Gregorio de Mattos, Rio de Janeiro, 1894,150 pp Teve 2.-1 edição em 1913, Casa Garnier
  16. -Esthetica de Pae Eschylo. A tragedia grega. O mundo shaksperiauo. Publicada na “Revista Brazileira”, 1895.
  17. Martim Garcia Merou, perfil litterario, Rio de Janeiro, 1895, in-8.J de 108 pp.
  18. Parecer sobre a representação do corpo docente do Gymnasio Nacional, 1898.
  19. Exposição relativa ás bases do Regulamento n.o 2857, de 30 de Março de 1898. 1898.
  20. .4 Educação moderna; Instrucção publica; linhas geraes das reformas por que tem passado a legislação sobre o ensino primário e secundário no Brasil, 1898
  21. Miss Kate, com prefacio do Dr. Afrânio Peixoto, Livraria Clássica, Lisboa. 1909.
  22. Diálogos das novas grandezas do Hrazil, Typ. do “jornal do Commercio”, 1909, sob o pseudonymo de Cosme Velho.
  23. Consultor Geral da Republica, Pareceres, tomo I, 1903-1905, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1911.

É uma narrativa do genero das de José de Alencar, verdadeiramente indígena na concepção e nà escolha das imagens e valioso subsidio para a nossa nascente litteratura. O autor da Jacina e do Reino Encantado excedeu-se, porem, nesse livro, que lhe eleva e muito os foros de que já gosava É grato applaudir tentativas dessa ordem quando as coroa tão feliz resultado. As scetias culminantes da narrativa são escriptas com extraordinário vigor e o enca-deiamento dos episódios é perfeito e admirável.

Tratando desse trabalho, Valentim Magalhães chama Araripe Junior de critico filiado ás doutrinas de Spencer e Taine, cheio de bom senso, vendo largo e longe sem preconceitos de escola e sabendo ver, o que é melhor ainda, e o considera superior a Sylvio Romero por não ter dependência de escola nem exclusivismo por determinados aucto-res e saber imprimir ao estylo movimento e colorido.

Esses mesmos conceitos são reproduzidos na Encyclopedia Portugueza Illustrada.

Esse estudo, o Perfil de José de Alencar e o Reino Encantado serviram de base á proposta de Araripe Junior (7 de Abril de 1893) para membro do Instituto Histórico Brazileiro. A proposta, que foi unanimemente acceita, é firmada por Joaquim José Gomes da Silva Neto, Henri Raffard, José Luiz Alves e João Xavier da Motta, sendo o parecer da respectiva Commissão assim concebido :

“Obedecendo as determinações do Instituto Histórico, a Commissão de historia vem dar seu parecer, relativo á proposta do Sr. Dr. Tristão dé Alencar Araripe Junior para sócio effectivo.

Este nome já é vantajosamente conhecido na Republica das Lettras pelo seu constante lidar na imprensa, demonstrando amor ao estudo, ao trabalho, e variados conhecimentos em diversos ramos de litteratura, tudo escripto em linguagem clara, corrente, sem circuitos e expressões sesquipedaes, que demonstram pedantismo, e não poucas vezes em quem d'isto não necessita

De á muito que em todos os paizes cultos busca-se propagai conhecimentos históricos e geographicos por meio do Romance, que com forma mais amena attrae a attenção dos leitores, e destroe a aridez propria de estudos d'essa ordem.

O Sr. Dr. Araripe Junior veio collocar-se ao lado d'esses escriptores. e em boa hora o fez pois escreveu o Reino encantado, onde nos conta as scenas sanguinolentas, que em Pernambuco, com grande offensa dos seus créditos, representou o mais desenfreado fanatismo, fazendo-se muitas victimas, gastando-se muito dinheiro da fazenda publica, arruinando-se muitas fortunas particulares, cançando-se o exercito, e até indo a esses lugares um venerando sacerdote, que foi nosso consócio, e cujo nome, Monsenhor Joaquim Pinto de Campos, o Brazil repete com saudades, com o humanitário fim de acabar com esse estado tão selvagem, o que infelizmente não obteve.

0 seu trabalho sobre a vida e feitos do infeliz Gregorio de Mattos, estudo serio, e de escavações históricas e de tal mérito, que a commissão anima-se a recommeudar a todos os consócios que o leiam; não indigita um ou outro logar, não marca um ou outro periodo porque acha tudo digno de detida leitura.

Já se vê por estes ligeiros traços que ao Sr. Dr. Tristão de Alencar Araripe Júnior devem ser abertas de par em par as nossas portas, e ser recebido com satisfação e ad-mittido em nossas officinas de trabalho, onde por certo ha de continuar a honrar o nome do seu venerando pae, o nosso probidoso Thesoureiro, que já no inverno da vida nós encontramos sempre em nosso caminho, illuminando-nos com as luzes da sua brilhante intelligencia, guiando-nos com a avultada soturna dos seus conhecimentos históricos. 5 de Maio de 1893. O Relator Dr. Cesar Augusto Marques. Dr. João Severiano da Fonseca, Augusto Victorino A. Sacramento Blacke”.

Araripe Júnior eollaborou em vários jornaes e revistas como Mosaico, de Recife, Fraternidade e Constituição, de Fortaleza, Novidades (A Terra de Emilio Zola e O Homem de Aluizio Azevedo), Revista Brazileira, Paiz, Jornal do Commercio. Gazeta da Tarde, A Semana, Gazeta de Noticias, do Rio de Janeiro, Revista do Brazil, de S. Paulo, Província do Pará. Agora mesmo estava a illustrar as paginas do Jornal do Commercio. sendo seus.últimos trabalhos um estudo sobre a Doutrina de Monroe o Cajueiro do Fagundes.

“Com os tres vols, que lhe envio agora, receberá o meu Cajueiro de Fagundes, publicado no Jornal do Commercio. A casa Comes Pereira está editando essa crônica, que lhe é dedicada, porque das suas obras, e especialmente da monographia sobre Féo e Torres, tirei a substancia do romance. Desculpe a liberdade.

Tenho um retrato meu para ofertar-lhe. A carantonna é de velho octojenario, porquanto, quando o tirei, já andava muito desfeito pela doença, que me derribou e com uma mascaro hepática. Em todo cazo, o retrato em si é ótimo”.

Com Svlvio Romero redigiu Araripe Lucros e Perdas, chronica mensal dos acontecimentos do Império, 1883, Rio, Livraria Contemporânea de Faro e Lino, 74, Rua do Ouvidor.