VP

Biografia

Vicente Alves de Paula Pessoa

nasceu em 1905

Fortaleza Engenheiro
Este nome aparece em 2 outros verbetes do acervo Vicente Alves de Paula Pessoa 1828–1889 · Sobral Vicente Alves de Paula PESSOA 1828–1889 · Sobral
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Filho do precedente, nasceu em Fortaleza, á rua Formosa n.o 88, a 30 de Abril de 1857.

Menino ainda, mostrou sempre inclinação para a profissão, que mais tarde adoptou. A' força de insistir no desejo de ir para o Rio de Janeiro, por querer um campo mais vasto para seus estudos, conseguiu a licença de seu pae e se dirigiu para a Corte em 1872. Feitos os preparatorios, matriculou-se na Escola de Engenharia e concluiu o curso completo de engenharia civil no anno de 1880.

Seguiu, logo depois de formado, para a commissao da Estrada de ferro de Porto-Alegre a Uruguayana no cargo de conductor.

No Rio Grande desempenhou diversas commissões technicas na mesma Estrada, o que prova a confiança e conceito de que gosava. Sentindo-se exautorado em uma questão de execução de serviços de construcção, pediu sua demissão da estrada em 1884 e, para que não pairasse a menor duvida sobre si, recorreu á imprensa explicando detalhadamente os motivos, que o levaram a exonerasse.

Installado de novo no Rio de Janeiro, foi incumbido pela companhia Leopoldina de um serviço perigoso e difficil a direcção do projecto e construcção do trecho do ramal de Muriahé, comprehenaido entre Tombes e Santa Luzia, serviço difficil pelos accidentes de um terreno convulsionado como são geralmente os de Minas-Geraes.

Os elogios e a consideração merecida que obteve após esses trabalhos deram logar a ser logo chamado para estudar uma questão importante, a de consolidação de taludes na parte antiga em trafego, com a qual muito se havia despendido. O projecto que apresentou foi acceito e executado, e de tal modo resolveu a- questão que nunca mais se produziu o menor movimento naquella massa enorme de terras.

Concluido esse serviço, foi surprehendido com a inclusão de seu nome para dirigir os serviços de exploração do prolongamento do ramal de Muriahé, em demanda do Espírito Santo. Fez a exploração dos rios José Pedro, Manhuas-sú e Rio Doce, atravessando colossaes mattas virgens, abrigo de assassinos de quasi todo o Brazil e repletas de indios botocudos, contra os quaes houve necessidade de acautelar-se todo o pessoal. Isso na margem direita do Manhuassú; na margem esquerda ninguém jamais penetrou, porque dominam ali exclusivamente os mais ferozes botocudos, tribus de canibaes que de tempos a tempos invadem a outra margem, causando estragos e mortes. Nessas mattas teve o engenheiro Paula Pessoa de luctar com mais um outro inimigo, traiçoeiro como os botocudos, — a febre palustre — desenvolvida pela abertura das picadas, que expunham ao sol pela primeira vez um solo coberto de trinta centímetros de folhas apodrecidas.

Dentre os innúmeros episodios d'essa exploração destacam-se dous assaltos que soffreu dos assassinos para roubarem-no. No primeiro deram-lhe um tiro de garrucha, que errando o alvo foi apanhar um pobre trabalhador a seu lado, que cahiu fulminado. Com coragem admirável atirou-se o Engenheiro Paula Pessoa á fera humana e ajudado por outros prendeu o assassino, que se achava até ha pouco na cadeia de Ouro Preto cumprindo sentença.

No segundo deram-lhe um café preparado com narcótico, que o tonteou no pouso em que estava. Contando com a acção enérgica da substancia empregada, os assassinos ladrões atacaram o rancho logo depois, sendo repellidos a tiros de rewolver e garrucha disparados pelo explorador e seus fiéis camaradas.

De volta dessa commissão arriscada e perigosa esteve o Engenheiro Paula Pessoa em tratamento de sesões adquiridas durante 8 mezes. Foram feitos os estudos até á Pedra do Urubu, limite de Minas com o Espirito Santo.

A commissão terminou em Junho de 1888 e só em Agosto elle poude chegar ao Rio.

Em Novembro do mesmo anno apresentou ao governo um piano geral de uniformisação da viação férrea e fluvial no Brazil e requereu a concessão de uma estrada de ferro em Goyaz, partindo de um ponto trafegado da Mogyana—no Jaguára.

A concessão foi obtida em Outubro de 1890.

Por occasião do inicio da construcção d'essa linha o Jornal do Commercio de 8 de Janeiro de 1897 na sua secção -—Varias Noticias—expressou-se em termos elogiosos a respeito do Dr. Paula Pessoa.

Creada pelo governo geral a repartição de estatística de estradas de ferro, a Companhia Leopoldina, 10 dias depois, chamou o Engenheiro Paula Pessoa para dirigir a nova secção de estatística. Abi esteve até que, extincta a do governo, se extinguiu também a da Leopoldina

Feito o contracto para a construcção das linhas Mineiras, foi o Engenheiro Paula Pessoa convidado para occupar o cargo de director teehnico da companhia, que para esse fim foi organisada na Europa.

Occupou também o cargo de director teehnico da companhia do Alto-Tocantins.

Apresentou um projecto de melhoramentos de uma parte da cidade do Rio de Janeiro, e fez para isso contracto, que não foi executado por não ter a Intendência obtido do governo os favores a que ficou obrigada na forma do mesmo contracto. Apresentou também e fez contracto paraia illuminação a gaz da cidade da Victoria.

Publicou7

  1. Noções de estatística das estradas de ferro, acompanhadas de um estudo original sobre Utilisação dos wagons de mercadorias, em collaboração com o Engenheiro civil Henrique Amaral. Publicado pelos editores Laemmert e Comp. á rua do Ouvidor n.o 66, em Abril de 1893 e impresso na Comp. Typ. do Brazil á Rua dos Inválidos n.- 93, sendo de 1.000 exemplares a edição, que se adía exgotada.
  2. Quadro das linhas pertencentes e administradas pela Leopoldina, tendo as dimensões de 0"'70X0m42 e contendo as extensões em trafego, em construcção, a construir, em projecto, as que se acham soba inspecção da União e dos Estados, capitães garantidos, taxas de garantias, etc. Impresso na Papelaria Mendes, Marques e Comp. á rua do Ouvidor n.o 38 e publicada em Junho de 1893, esgotado.
  3. Quadro geral das estações da Leopoldina, com as dimensões de 0m82X0mX65, dando o nome de cada uma, quantidade em cada linha e cada rede (fluminense, mineira e espirito-santense), posições kilométricas e altitude de cada uma, Estados e municipios em que se acham e observações explicativas. Impresso na mesma Papelaria acima e publicado em Julho de 1894, esgotado.
  4. Relatório dos trabalhos executados na Empresa Espirito Santo e Minas, desde o inicio dos reconhecimentos das linhas até a sua construcção. Publicado em Junho de 1896 e impresso na Papelaria Mendes, Marqúese Comp. á rua do Ouvidor n.o 38, esgotado.
  5. Guia da Estrada de Ferro Central do Brazil, em 2 vols. Impressa na Imprensa Nacional, 1902

    O Instituto Polytechnico Brazileiro votou unanimemente um parecer conferindo ao Dr. Paula Pessoa a honrosa medalha Hawkshaw por esse seu trabalho.

    A Revista da Semana, Rio, de 29 de Março de 1903 trazo retrato do premiado e o fac-simile da medalha Hawkshaw. Outras medalhas, uma de ouro e a outra de prata, obteve elle como se vê das pp. 165 e 171 do livro Brazil at the Luisiana Purchase Exposition.

  6. Discurso pronunciado na reunião de eleitores da freguezia de Engenho Velho em 30 de Outubro de 1902.
  7. Guia da Provinda do Rio de Janeiro, 1905. Officinas Graphicas de E Bevilacqua & C.a, 33, Rua Chile, Rio de Janeiro.

    Para confeccional-a o auctor foi incumbido pela Commissão Directora do 3.° Congresso Scientifico Latino Americano.

    Na Renascença, Rio, de Abril de 1905 ha de Vicente A. de Patda Pessoa uma noticia sobre um fóssil por elle offertado ao Prof. John Cásper Branner.