Filho do Major Manoel Francisco de Moraes, Pernambucano, fallecido em Sobral em Fevereiro de 1884 aos 67 annos de edade, e de D.a Carlota Maria de Moraes, Sobralense, e irmã do Conselheiro Francisco Domingues da Silva, nasceu em Sobral a 21 de Dezembro de 1845.
Seguiu muito cedo para a cidade do Recife, onde fez o curso completo de humanidades, encontrando-se uma menção mui honrosa a seu respeito nas Memorias de viagem do finado Imperador do Brasil, D. Pedro II, pelas províncias do Norte, á fl. 120, II volume.
Matriculado na Academia do Recife, formou-se em sciencias sociaes e jurídicas em 1867.
De volta ao Ceará, exerceu os cargos de promotor, por duas vezes, na comarca de Baturité, tendo sido na primeira vez removido para a da Capital, e de procurador fiscal da Fazenda Provincial.
Com Pergentino da Costa Lobo redigiu a Gazeta Forense, apparecida em 1876 em Fortaleza.
Por muitos annos foi professor de Inglês no Lyceu do Ceará, sendo aposentado por Acto de 16 de Agosto de 1898 e até bem pouco na Academia do Ceará foi o cathedratico de Direito Commercial, matéria em que era o primeiro entre o% seus pares.
Foi membro fundador e 2.° vice-presidente da Academia Cearense e thesoureiro do Instituto do Ceará desde a sua fundação. Neste posto de responsabilidade mostrou-se inexcedivel.
Cultor notável da sciencia do Direito, mormente em assumptos commerciaes, possuia extensíssima clientela, não tendo conta os trabalhos, que produziu e publicou.
Consorciado na importante familia Caracas de Baturité, deixou de seu consorcio com D.a Cândida Moraes um filho, o Dr Virgilio A de Moraes, que acaba de publicar o trabalho Responsabilidade Civil do Estado, largamente documentado, e duas filhas cuja educação esmerada promoveu com assiduo e desvelado carinho.
Falleceu de aneurysma da aorta ás 8 horas da noite de 6 de Maio de 1914 esse inesquecível patrício, cuja vida, de austeridade provada, conquistou em todos os círculos da sociedade cearense o máximo respeito, todo acatamento