Irmão de Alfredo Bomílcar da Cunha, e de Alvaro Bomílcar, dos quaes tratei e como elles natural do Crato, tendo nascido a 22 de Fevereiro de 1869, teve por paes o advogado Fenelon Bomilcar da Cunha e D.a Anna de Alencar Bomilcar.
Aos dez annos mudou-se para Fortaleza, matriculándose no “Atheneu Cearense”. Destinando-se á carreira das letras, ao concluir o seu curso de preparatorios, teve de inierrompel-o com o fallecimento do pae.
Em 1885 foi nomeado Secretario da Capitania do Porto do Ceará. Em 1886 exonerou-se desse cargo para continuar os seus estudos no Rio de Janeiro, para onde partiu sendo a sua intenção formar-se em engenharia, aspiração que, todavia, não realisou, e dedicou-se então ao magisterio particular ao mesmo tempo que trabalhava na revisão de jornaes.
Em 1888, descoroçoado com essa occupação, entrou para a carreira commercial na qual, com o preparo que já tinha e com os conhecimentos práticos que adquiriu dÉ algumas línguas vivas, lhe foi fácil salientar-se, tendo occupado altos cargos em boas casas commerciaes e bancos, sendo que em 1894 foi eleito vice-presidente do Club dos Guarda-livros do Rio de Janeiro.
Em 1895 depois de longos e pacientes estudos de actuado e de estatística demographica, publicados alguns ora nos jornaes do Rio ora em folhetos, fundou uma sociedade anonyma de seguros, que se tornou muito conhecida pela originalidade do seu plano e por introduzir no Brasil o seguro contra accidentes individuaes, tão commum na Europa.
Em 1897 uma companhia ingleza o incumbiu de divulgar no Rio um apparelho de incêndios denominado “Grinnel’s Sprukler” tendo elle feito uma experiência publica largamente commentada pela imprensa do Rio, salientando-se o Jornal do Commercio, que delia deu longa e circumstanciada noticia; mais tarde transferiu a residência para o Estado do Pará.
Escreveu1
- Sellagem dos Papeis, folheto de pp., Typ. e Encadernação de Pinto Barbosa e C.a, Belém, 1901, e Novas Tabeliãs alphabetadas do Sello Federal organisadas de accordo com o Regulamento de 22 de Janeiro de 1900, Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 158 rua da Prata, 1902.
Traduziu :
O Brasil em Haya por William T. Stead da Review of Reviews Notas sobre a Conferencia seguidas dos Discursos (a que se faz referencia no texto) do Conselheiro Ruy Barbosa (Revistos pelo Autor), 1908.
Bibliografia2
- Conflagração Europeu, Typ. Commercial, 1914, in-8.", 22 paginas.
- Armagedon, revista da guerra, publicação mensal (1." n.o é de Maio de 1915), Typ. Minerva, in-8.° de 22 pp.
Alem da traducção do O Brazil em Haya de William Stead, a illustre victíma do naufrágio do Titanic, tradusiu do Inglês Os Discursos e Conferencias pronunciados na America do Norte por Joaquim Nabuco.
No fim de 1898 transferiu-se do Rio para o Pará, donde partiu para a Europa em 1901, regressando 14 mezes depois, tendo estado alguns me-zes na Rússia e outros paizes, demorando-se mais tempo em Berlim.
Regressando ao Rio, resolvido a abandonar de vez a vida commercial na qual, entretanto, devido á sua vontade enérgica fora sempre bem compensado, teve ainda que entrar para a casa dos engenheiros electricistas Aschoff e Guinle, sahindo delia por morte do seu amigo Dr. Aschoff.
Só então (1904) foi que poude ver realizado o sonho de sua mocidade que era viver de sua penna e “sem patrões”. Artigos e traducções suas começaram a apparecer nos jornaes do Rio, principalmente no “Jornal do Commercio” e nos do Pará e Santos. “O Careta” publicou também sonetos de sua lavra.
Em 1910 foi para a America do Norte colligir e traduzir com auctorisação da viuva de Joaquim Nabuco os discursos e conferencias feitos alli pelo Embaixador do Brazil, e publicou um volume prefaciando-o elle mesmo.
“Esse prefacio”, disse a “Tribuna”, do Rio de Janeiro, “é um trabalho excellente, já considerado literariamente, já como juiso sobre o auctor das Conferencias. Em tudo que já se disse de Joaquim Nabuco nada foi ainda tão brilhante e tão profundo como o estudo do Snr. Arthur Bomílcar?.
Regressando para o Rio em 1912 tornou sá sua actividade de jornalista e traductor quando, em Maio de 1913, um desastre de automóvel lhe fracturou uma das pernas, 'sobrevindo-lhe uma paralysia parcial.