o Canoa Douda, como era alcunhado. Nasceu no Crato, e nessa villa como em Quixeramobim, Lavras, Jardim, Icó, etc, deixou em sua meninice e juventude provas de completo desequilíbrio mental, que a edade não modificou para melhor nem os desenganos e desgostos a que deu origem sua vida de desregramentos e de luctas contra todos e contra tudo.
Ordenado padre no Seminário de Olinda, foi vigário de Lavras em 1831, e, mais tarde, de Cantagallo no Rio de Janeiro, quando fugitivo do Ceará.
Redigiu em Fortaleza o Juiz do Povo, jornal de propaganda nativista; o Sete de Setembro; O Coelho, de que publicou uma só edição, em represália ao Furão; e ultimamente A Liberdade na administração do Presidente José Bento, a quem fez uma guerra desabrida em conseqüência da qual foi preso e processado em 1864, assim como o foi por varias vezes antes e depois d'essa épocha.
Eleito deputado provincial, serviu na legislatura de 1848 e na d'aquelle anno (1864).
O Aracaty foi o penúltimo theatro de suas façanhas; prostrado ali por grave moléstia, viu-se forçado a vir pedir o leito da morte ao hospital de misericórdia de Fortaleza.
Falleceu a 18 de Outubro de 1872. Dez annos antes, a 21 de Fevereiro de 1862, fallecera em Fortaleza D.a Feliciana, sua mãe, tendo 83 annos de edade.
Alexandre Verdeixa publicou o seguinte folheto: O Trafico—Representação—A' Assembléa Geral Constituinte e Legislativa—Do Império do Brasil—Sobre a Escravatura,—por José Bonifácio de Andrada Silva,—Deputado á dita assembléa pela província de S. Paulo—Ceará:—Typ. Cearense, Impresso por Joaquim José de Oliveira.—1851, 24 pp. in 4o.
É precedido de uma carta ao Presidente da Província, em que Verdeixa, mostrando a utilidade da leitura da representação supra, diz que determinou imprimil-a para fazer circular por toda a província as idéas ali tão sabiamente emittidas sobre a escravidão e sobre a derrubada das mattas, que tão inconsideradamente vão sendo destruídas pelo ferro assolador dos nossos imprevidentes comprovincianos; e, para que a distribuição da referida memória tenha toda a acceitação, pede ao presidente que a tome sob seu patrocínio, enviando os precisos exemplares a todas as câmaras municipaes, que muito poderão aproveitar com a sua leitura pelo que diz respeito á conservação das mattas, fazendo posturas adequadas.
Em seguida a esta carta vem a transcripção de um artigo publicado no n.° 39 do “-Juiz do Povo”, com o seguinte titulo : “O Trafico dos Africanos”, “O Philantropo”, “Nossos Rios e Fontes”.
Termina o folheto com a transcripção de uma noticia do “O Philantropo” intitulada “A abolição do trafico dos africanos”, em que vem uma relação de diversos paizes seguidos dos annos em que aboliram o trafico.
Sobre esse Padre, cuja existência é uma serie de anedoctas e de factos curiosos, escreveu o Coronel João Brigido vários artigos n'A Republica, de Fortaleza.
Creio ser elle igualmente o autor das seguintes notas ap-parecidas em 1901 na Reforma, jornal também de Fortaleza:
Em vida deste homem, Padre Verdeixa, dos mais excêntricos do Ceará, nunca se pôde apurar onde, em verdade, elle nascera.
Disião uns ter sido em Olinda, outros no Crato, outros finalmente que no Rio-do-peixe
Elle mesmo se aprazia de traser em confusão os curiosos, que lhe querião saber as origens. A alguém disse, nesta cidade, ter nascido no Crato, no sobradinho de madeira, que está na avenida, que vai da praça da matriz para o Piza. Ao padre Luiz, vigário do Cascavel, natural do Rio-do-peixe, disse ser esta a sua terra.
Outra cousa se ignorava: porque viera a ter o nome de Alexandre Francisco Cerbelon Verdeixa, ou por que transformações chegou até um velacho tão estranho.
O sr. Miguel Carlos Peixoto, hábil escrivão de orphãos do Icó, paciente indagador, revolvendo o seo cartório, chegou á verdade.
Joaquim Theotonio Sobreira, mestre particular de latim, que esteve no Jardim, Crato, Icó e Quixeramobim, exercendo o seo magistério, era natural de Olinda, e casara com D.a Feliciana, que já tinha um filho — o celebre Alexandre. Quem fora o pae delle, ainda não se sabe.
Em Desembro de 1820, estudando latim no Jardim, elle servio de testemunha n'uma approvação de testamento, disen-do-se nascido no Crato, e assignando — Alexandre Francisco Sobreira.
Em Outubro de 1827, em uma audiência do juizo de orphãos do Icó, requereo com o nome de Alexandre Francisco Sobreira, e assignou Alexandre Francisco Sobreira Verdeixa.
Em Novembro, porem, do mesmo anno, em outra audiência do juizo indicado, já requereo e assignou com a addição acima, de Verdeixa.
A substituição do Sobreira por Cerbelon parece ter sido logo após a ordenação de Alexandre.