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Biografia

João Franklin da Silveira Távora

morreu em 1888

Bacharel
Há outro cearense de mesmo nome no acervo João Franklin da Silveira TÁVORA 1842–1888 · Piauí
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Bacharel em direito pela Academia do Recife para onde seguiu em edade muito tenra, director da instrucção publica e membro da Assembléa Provincial de Pernambuco, membro do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro e correspondente do Instituto Archeologico Pernambucano em cujo seio fez seu necrológio o Dr. M. Lopes Machado (Revista n. 36).

Não é do Piauhy como o suppoz Valentim Magalhães na sua Litteratura Brasileira, nem de Pernambuco como escreveu Oliveira Lima, mas naiceu em Baturité a 13 de Janeiro de 1842, sendo seus paes Camillo Henrique da Silveira Távora e D.a Maria de Sant’Anna da Silveira.

Falleceu no Rio de Janeiro a 18 de Agosto de 1888 occupando as funcções de 1.o official da 3.a Directoria do Ministério do Império. Matou-o uma hemorrhagia pulmonar.

Publicou16

  1. A Trindade maldita, contos no botequim, Recife, 1861. Esse trabalho revela a empolgante influencia de Alvares de Azevedo sobre o espirito de Franklin Távora.
  2. Um mysterio de família, drama em 3 actos, com l.a e 2.a edic, 1861 e 1877. Delle se occupou Ernesto Biester na Revista Contemporânea, Abril de 1862. A edição de 1877 sahiu da Typ. do Imperial Instituto Artístico.

    Diz Clóvis Beviláqua (Rev. da Acad. Cearense, 1904) que Uni Mysterio de família foi composto em 10 dias.

  3. Os índios do Jaguaríbe, romance histórico, 1862, Recife, em 4 vols.

    Uma 2.a edição desse bello romance indianista, tirada em 1870 nas officinas do Jornal do Recife, não passou do l.a volume.

  4. A casa de palha, romance, Recife, 1866.
  5. Um casamento no arrabalde, historia do tempo em estylo de casa 1869, Recife, com 2.a edic. em 1881 no Rio de Janeiro pela Imprensa Nacional e uma 3.a em 1903 pela Casa Garnier, Rio.
  6. Tres lagrimas, drama em 3 actos e 7 quadros, Recife, 1870, Typ. Mercantil.
  7. Cartas a Cincinato por Sempronio, estudos críticos, com I.” e 2.a edic, 1871 e 1872.

    Nesse livro, que mereceu as melhores referencias de Alexandre Herculano e Castilho, Távora submette á critica as producções literárias de José de Alencar.

  8. Notas Bibliographicas.
  9. O Cabelleira, narrativa Pernambucana, Rio, 1876, Typ. Nacional.

    . —O matuto, chronica Pernambucana, Rio, 1878, Typ. Perseverança.

  10. Lendas e tradições populares, publicadas em 1878 na fílustração Brasileira.
  11. Sacrifício, romance publicado na Revista Brasileira,

    1879.

  12. Os patriotas de 1817. Uma sessão do Governo provisório. Revista Brasileira, 1880, pp. 3 7.

    A Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, tomo I, n. 60, reprodusiu Os patriotas de 1817.

  13. Lourenço, chronica Pernambucana, publicada na Revista Brasileira (1881), e tirada em edições especiaes na Typ. Nacional (1881) e Casa Garnier (1902).
  14. Quem muito abarca pouco abraça.
  15. Os escriptores do Norte do Brasil, publicado na Semana, do Rio de Janeiro.
  16. Estudo Critico de Fagundes Varella na edic. organisada por Visconti Coaracy, Havre, 1886.

    Com José Baptista de Castro e Silva redigiu A Consciência livre, Recife, 1869 e 1870, com Ayres Gama redigiu A Verdade, semanário consagrado á causa da humanidade, Recife, 1872-73 e no Rio de Janeiro foi um dos fundadores da Revista Brasileira, Maio de 1879, editada por N. Midosi e desapparecida em Dezembro de 1881.

    Como secretario e orador do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro, deixou vários discursos e orações fúnebres.

Ajuntar á bibliographia1

  1. Parecer da Commissão de Estatutos e Redacção do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro, Rio de Janeiro, Typographia, Lithographia e Encadernação a vapor Laemmert & C.a, 71, rua dos Inválidos, 1887, folheto in-8.o gr. 16 pp. Esse parecer é assignado por Távora e Augusto Fausto de Souza.

Falando de Franklin Távora, diz Sylvio Romero no Livro do Centenario, artigo A Litteratura, a' pagina 117, que “seu mérito não tem sido devidamente aquilatado e que elle é o mestre mais perfeito no tradicionalismo aldeão com O Cabelleira, O Matuto, e esse admirável Lourenço, um dos melhores livros de nossas letras”.

O illustre critico já se havia pronunciado sobre a organisação literária de Franklin Távora no stu livro Epochas e Individualidades, qualificando-o de fundador da escola, que se poderia chamar de naturalismo tradicionalista.

Nas Epochas e Individualidades fala-se de um livro de Távora O Norte, que permanece até hoje inédito.

Távora tomou a peito pregar a differenciação de duas literaturas, a do Norte e a do Sul, dentro da literatura Brasileira, e seus romances visam claramente tal fito; O Norte será naturalmente mais um documento dessa preoccupação e a defesa dos motivos em que ella se alicerça.

Sobre esse meu patrício lêam-se o Discurso do Senador Taunay professado perante o Instituto Histórico e Geographico Brasileiro em commemoração do seu passamento (Revista Trimensal vol. 51), o trabalho de Lopes Machado na Revista do Instituto Archeologico Pernambucano n. 36 e o magnifico estudo de Clóvis Beviláqua publicado nas paginas da Revista da Academia Cearense, 1904-1905. Nesse estudo a data do nascimento de F. Távora é 2 de Janeiro de 1824.