Bacharel em direito pela Academia do Recife para onde seguiu em edade muito tenra, director da instrucção publica e membro da Assembléa Provincial de Pernambuco, membro do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro e correspondente do Instituto Archeologico Pernambucano em cujo seio fez seu necrológio o Dr. M. Lopes Machado (Revista n. 36).
Não é do Piauhy como o suppoz Valentim Magalhães na sua Litteratura Brasileira, nem de Pernambuco como escreveu Oliveira Lima, mas naiceu em Baturité a 13 de Janeiro de 1842, sendo seus paes Camillo Henrique da Silveira Távora e D.a Maria de Sant’Anna da Silveira.
Falleceu no Rio de Janeiro a 18 de Agosto de 1888 occupando as funcções de 1.o official da 3.a Directoria do Ministério do Império. Matou-o uma hemorrhagia pulmonar.
Publicou16
- A Trindade maldita, contos no botequim, Recife, 1861. Esse trabalho revela a empolgante influencia de Alvares de Azevedo sobre o espirito de Franklin Távora.
- Um mysterio de família, drama em 3 actos, com l.a e 2.a edic, 1861 e 1877. Delle se occupou Ernesto Biester na Revista Contemporânea, Abril de 1862. A edição de 1877 sahiu da Typ. do Imperial Instituto Artístico.
Diz Clóvis Beviláqua (Rev. da Acad. Cearense, 1904) que Uni Mysterio de família foi composto em 10 dias.
- Os índios do Jaguaríbe, romance histórico, 1862, Recife, em 4 vols.
Uma 2.a edição desse bello romance indianista, tirada em 1870 nas officinas do Jornal do Recife, não passou do l.a volume.
- A casa de palha, romance, Recife, 1866.
- Um casamento no arrabalde, historia do tempo em estylo de casa 1869, Recife, com 2.a edic. em 1881 no Rio de Janeiro pela Imprensa Nacional e uma 3.a em 1903 pela Casa Garnier, Rio.
- Tres lagrimas, drama em 3 actos e 7 quadros, Recife, 1870, Typ. Mercantil.
- Cartas a Cincinato por Sempronio, estudos críticos, com I.” e 2.a edic, 1871 e 1872.
Nesse livro, que mereceu as melhores referencias de Alexandre Herculano e Castilho, Távora submette á critica as producções literárias de José de Alencar.
- Notas Bibliographicas.
- O Cabelleira, narrativa Pernambucana, Rio, 1876, Typ. Nacional.
. —O matuto, chronica Pernambucana, Rio, 1878, Typ. Perseverança.
- Lendas e tradições populares, publicadas em 1878 na fílustração Brasileira.
- Sacrifício, romance publicado na Revista Brasileira,
1879.
- Os patriotas de 1817. Uma sessão do Governo provisório. Revista Brasileira, 1880, pp. 3 7.
A Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, tomo I, n. 60, reprodusiu Os patriotas de 1817.
- Lourenço, chronica Pernambucana, publicada na Revista Brasileira (1881), e tirada em edições especiaes na Typ. Nacional (1881) e Casa Garnier (1902).
- Quem muito abarca pouco abraça.
- Os escriptores do Norte do Brasil, publicado na Semana, do Rio de Janeiro.
- Estudo Critico de Fagundes Varella na edic. organisada por Visconti Coaracy, Havre, 1886.
Com José Baptista de Castro e Silva redigiu A Consciência livre, Recife, 1869 e 1870, com Ayres Gama redigiu A Verdade, semanário consagrado á causa da humanidade, Recife, 1872-73 e no Rio de Janeiro foi um dos fundadores da Revista Brasileira, Maio de 1879, editada por N. Midosi e desapparecida em Dezembro de 1881.
Como secretario e orador do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro, deixou vários discursos e orações fúnebres.
Ajuntar á bibliographia1
- Parecer da Commissão de Estatutos e Redacção do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro, Rio de Janeiro, Typographia, Lithographia e Encadernação a vapor Laemmert & C.a, 71, rua dos Inválidos, 1887, folheto in-8.o gr. 16 pp. Esse parecer é assignado por Távora e Augusto Fausto de Souza.
Falando de Franklin Távora, diz Sylvio Romero no Livro do Centenario, artigo A Litteratura, a' pagina 117, que “seu mérito não tem sido devidamente aquilatado e que elle é o mestre mais perfeito no tradicionalismo aldeão com O Cabelleira, O Matuto, e esse admirável Lourenço, um dos melhores livros de nossas letras”.
O illustre critico já se havia pronunciado sobre a organisação literária de Franklin Távora no stu livro Epochas e Individualidades, qualificando-o de fundador da escola, que se poderia chamar de naturalismo tradicionalista.
Nas Epochas e Individualidades fala-se de um livro de Távora O Norte, que permanece até hoje inédito.
Távora tomou a peito pregar a differenciação de duas literaturas, a do Norte e a do Sul, dentro da literatura Brasileira, e seus romances visam claramente tal fito; O Norte será naturalmente mais um documento dessa preoccupação e a defesa dos motivos em que ella se alicerça.
Sobre esse meu patrício lêam-se o Discurso do Senador Taunay professado perante o Instituto Histórico e Geographico Brasileiro em commemoração do seu passamento (Revista Trimensal vol. 51), o trabalho de Lopes Machado na Revista do Instituto Archeologico Pernambucano n. 36 e o magnifico estudo de Clóvis Beviláqua publicado nas paginas da Revista da Academia Cearense, 1904-1905. Nesse estudo a data do nascimento de F. Távora é 2 de Janeiro de 1824.