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Biografia

José Martiniano de Alencar

1794–1860

Senador
Há 3 outros cearenses de mesmo nome no acervo José Martiniano de Alencar 1829–1913 José Martiniano Peixoto de Alencar 1841 · Fortaleza JOSÉ Martiniano Peixoto de ALENCAR 1841 · Fortaleza
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Segundo Diccionario Bio-bibliographico Cearense

Nasceu no povoado de Barbalha, então pertencente ao Crato, a 16 de Outubro de 1794 e teve por mãe uma heroina, D.a Barbara Pereira de Alencar, mulher que era do negociante português José Gonçalves dos Santos e filha do Capitão Joaquim Pereira de Alencar e de D.a Theodora Maria de Alencar.

D.a Barbara falleceu aos 67 annos de edade na sua fazenda Touro, limite do Ceará com o Piauhy e foi sepultada na Capella do Poço da Pedra, freguezia do Araripe.

Tendo seguido para Pernambuco, entrou para o Seminário de Olinda, e simples diácono e estudante de rhetorica mereceu por seus talentos, ligações de família e princípios liberaes, que professava, ser escolhido pelos revoltosos de 1817 para rir ao Ceará a serviço das novas idéas. Contava-se em beneficio da revolução principalmente com a influencia que elle exercia sobre o animo do padrinho e protector, o Vigário do Crato Miguel Carlos da Silva Saldanha, grande amigo do popular Capitão-mór Filgueiras.

A 3 de Maio Alencar proclama do púlpito a republica entre alegrias e adhesões. mas, logo alguns dias depois, faltando-lhe o apoio de Filgueiras, que se declarara pela contra-revolução, vê-se preso com sua mãe e mais pessoas salientes da família, algemado e conduzido a Fortaleza, de cujas apertadas prisões foram enviados ás do Recife e posteriormente ás da Bahia.

Serenadas ás paixões e restituído Alencar ao Ceará, foi elle eleito 1.o supplente nas eleições a que se procedeu no Brasil a 24 de Dezembro de 1821 para deputados á Constituinte Portuguesa e porque o deputado José Ignacio Gomes Parente não poude por doente tomar assento, foi elle representar ali o Ceará.

Manietados em seus tentamens patrióticos, mal vistos e perseguidos, vários dos representantes Brasileiros, e entre elles Alencar, abandonaram as Cortes de Lisboa fugindo para Falmouth na Inglaterra, onde publicaram manifesto explicando as causas do seu proceder.

No entretanto, operava-se no Brasil o 7 de Setembro e D. Pedro convocava uma Constituinte a reunir-se no Rio de Janeiro. Para esse conclave de Brasileiros illustres por seu saber e patriotismo designou o Ceará a Alencar como um dos seus representantes, mas dissolvido o Parlamento voltou Alencar ao Ceará e veio tomar parte na Confederação do Equador, da qual foi um dos deputados eleitos e cujas idéas e programma, aliás, desconfessou em uma celebre Supplica, cujo original tenho em meu archivo, Supplica que preparou o terreno para que fosse julgado innocente pela Commíssão Militar, que a outros menos protegidos levou ao patíbulo.

A partir de 1830 a vida publica de Alencar se enche de factos memoráveis. Naquelle anno o Ceará e Minas Geraes o escolhem para deputado e elle, como era natural, prefere a província natal, sendo substituído em Minas pelo respectivo supplente João Antonio de Lemos.

Seguem-se o 7 de Abril e os successos que occasionaram a abdicação do 1.o Imperador; após vem sua escolha para Senador por Carta de 10 de Abril de 1832, em substituição ao Marquez do Aracaty (João Carlos Augusto de Oeynhausen) cuja cadeira fora declarada vaga por haver elle sem licença acompanhado Pedro I para Europa, para presidente do Ceará por Carta de 23 de Agosto de 1834, período em que teve logar o assassinato jurídico. de Pinto Madeira e se installou a Assembléa Legislativa Provincial, de novo para presidente do Ceará em 1840 por Carta de 10 de Setembro, deixando o cargo pela demissão do Ministério da Maioridade cujo delegado era.

Cumpre aqui consignar que em casa de Alencar á Rua do Conde foi que se fundou a 15 de Abril de 1840 a Sociedade Promotora da Maioridade do Imperador D. Pedro II ou Club da Maioridade, e que foi elle quem redigiu os respectivos Estatutos e poz-se a testa da propaganda da idéa em pouco vencedora.

Sempre considerado um dos próceres e mentores do partido liberal, o Senador Alencar falleceu no Rio de Janeiro a 15 de Março de 1860. Foi victima de um accesso pernicioso.

Alem de seus innumeros discursos parlamentares escreveu7

  1. Supplica que ao Imperador D. Pedro I dirigio o Padre José Martiniano de Alencar, Ouro Preto, na Officina Patricia de Barbosa e C.a, 1825. Encontra-se também publicada em. appenso á Parte Segunda do Esboço Histórico sobre a Província do Ceará pelo Dr. P. Theberge, Fortaleza, Typ. Studart, Rua Formosa 46, 1895.
  2. Oração fúnebre que pelo motivo da morte da muito alta e muito poderosa Imperatriz do Brazil, a Sereníssima Senhora D. Maria Leopoldina Josefa Carolina, recitou no funeral que fez a Camara da Capital da província do Ceará no dia 13 de Fevereiro de 1827, Ceará, in 8.o de 12 pp.

    Foi reimpressa na Exposição das exéquias de Sua Ma-gestade a Imperatriz do Brasil etc., Rio de Janeiro, 1840.

  3. Carta, que, aos eleitores da província do Ceará dirige José Martiniano de Alencar, deputado pela mesma província, Rio de Janeiro, Typ. de Torres, 1830, 20 pp.
  4. Precizo dos sticcissos que occazionaram o Grande Acontecimento do Faustozo dia Sete de Abril, dirigido aos Cearenses pelos seus Deputados abaixo assignados, Rio de Janeiro, na Typographia de Torres, 1831, 3 pp. in folio. Assignaram também esse documento Manoel do Nascimento Castro e Silva, Vicente Ferreira de Castro Silva, Antonio Joaquim de Moira, Manoel Pacheco Pimentel e Francisco de Paula Barros.
  5. Relatório com que o Exm.o presidente da Província abrio a 3.a sessão ordinária, Ceará, Typ. Patriótica, 1837, in foi., 4 pp.
  6. Resposta dada ao Senado pelo Senador José Martiniano de Alencar sobre a pronuncia contra elle feita pelo Juiz Municipal da 2.a vara Bernardo Augusto Nascentes de Azambuja no processo organisado na Corte pelos movimentos de S. Paulo e Minas, Rio de janeiro, Typ. Nasc, 1843, m 4.e de 13 pp.
  7. Cartas do Senador José Martiniano de Alencar ao ministro Manoel do Nascimento Castro e Silva. Vem publicadas na Revista do Instituto do Ceará, anno 1908. Os originaes estão na Bibliotheca Nacional, Rio, lata n. 1.

    Alencar é o único cearense de que trata o Anno Biographico, de Macedo. Delle também se occupa o Dicc. de Innocencio, vol. XIII, p. 128.

Segundo 1001 Cearenses Notáveis

Grafado como José Martiniano de ALENCAR

Nasceu em Barbalha, 16 de outubro de 1794, filho de José Gonçalves dos Santos, negociante português radicado no Crato, e de sua mulher Bárbara Pereira de Alencar. Mandado estudar no Seminário de Olinda (PE), fez excelentes amizades, que lhe valeram ser escolhido conto emissário das forças revolucionárias de 1817 à região do Cariri, onde proclamou a república no dia 3 de maio; uma semana depois, foi preso e mandado para prisões de Fortaleza, Recife e Bahia. Em dezembro de 1821 foi eleito Deputado pelo Ceará junto às cortes de Lisboa com a proclamação da Independência d9 Brasil, refugiou-se na Inglaterra, retomou ao Brasil e foi escolhido para representar sua província natal na Assembléia Geral Constituinte reunida no Rio de Janeiro. Foi um dos líderes da Confederação do Equador (1824) e em 1830 foi escolhido como Deputado; dois anos depois, ascendia ao Senado. Presidente da província do Ceará em 1834 e 1840, realizou produtiva administração. Foi o organizador do chamado Clube da Maioridade, de cuja atuação resultou que D. Pedro II assumisse o papel de Imperador com apenas 15 anos de idade. Casado com sua prima Ana Josefina, teve como primogênito o incomparável escritor José de Alencar. O Senador Alencar foi poeta. e autor de cartas, relatórios e discursos parlamentares.