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Biografia

Laurindo justiniano Douétts

nasceu em 1847

Jardim Padre
Este nome aparece em outro verbete do acervo Laurindo Justiniano DOUÉTTS 1847 · Jardim
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Filho do Capitão Leonardo José Douétts, lcóense, e de D.a Maria Thereza de Jesus Douétts, natural do Jardim, nasceu em Jardim no Cariry a 31 de Dezembro de 1847, sendo baptisado no principio do seguinte anno pelo vigário da freguezia, Padre Antonio Manoel de Souza, o celebre Benze-cacêtes.

Fez em Icó os primeiros estudos com o Padre Antonio Joaquim dos Santos.

Em 1860 mudou-se com sua família para a cidade de Souza, na Parabyba, onde, sob a direcção do Padre Thomaz de Aquino, tanto adiantou-se nas letras, principalmente latinas, que, entrando para o Seminário da Fortaleza no começo de 1868, concluio em seis annos os estudos.

Recebeu o presbyterato das mãos de nosso primeiro Bispo, Dom Luiz, no dia 30 de Novembro, de 1873.

Em Março seguinte foi nomeado vigário de S. Bento do Cascavel, tomando posse no dia de S. José (19 de Março de 1874).

Ahi passou com a família, que mandara buscar para sua companhia, a tremenda secca de 1877-1879.

Em 1883, por encommodos de saúde, teve que deixar o Cascavel indo para o seio da família, que havia regressado para Souza.

O Governo Diocesano de Olinda aproveitou ali os seus serviços, nomeando-o pro-parocho e depois parodio de Souza, regendo ao mesmo tempo Pombal e S. José de Piranhas. Cinco annos carregou a cruz de tão penoso parochiato retirando-se em 1888 para a cidade do Triumpho, antiga Baixa-Verde.

Em 1899 fizeram-no vigário dessa importante cidade do alto sertão Pernambucano.

Neste mesmo anno proclamou-se a Republica. Com os ímpios Decretos do Governo Provisorio, despertou-se o sentimento religioso da nação. Formou-se o mallogrado Partido Catholico, que teve em Triumpho no vigário Douétts um cliefe ardente e poderoso. Os adversários acharam se sem eleitores. O povo da freguezia, profundamente catholico, acompanhara, como é natural, o seu bom parodio. Era preciso fazel-o sahir da freguezia. Para as eleições municipaes, em Setembro de 1891, tramou-se a sua deposição ou a sua morte.

Avisado em tempo, Padre Douétts deixou a cidade alta noite, e no Riacho do Navio reuniu e armou 600 homens. Os Coronéis Cruz e Loureiro juntaram-se-lhe levando cada um 300 homens.

A frente de mais de 1.200 sertanejos bem armados marchou sobre Triumpho. Felizmente os chefes contrarios cederam. Mandaram chamar em Villa-Bella o Visitador Conego Torres, o qual indo ao encontro do Padre Douétts convenceu-o a acceitar o accordo, que lhe offereciam. Lavraram-se novas actas e o vigário formou com os seus a maioria do Conselho, tomando a presidencia.

No anno seguinte (1892) foi eleito Prefeito. Exercia este cargo, quando Barbosa Lima, ditatorialmente, decretou a dissolução de todos os Conselhos Municipaes do Estado. O vigário de Triumpho comprehendeu que a resistencia á mão armada não condizia com sen caracter sacerdotal Aconselha a paz a seus amigos Não sendo attendido, deixa o governo municipal e vae até o Recife. Na sua ausência os coronéis Cruz e Loureiro rechassam 70 praças, que o Governador mandara para os prender.

No Recife o vigário Douétts é accusado de ter ido comprar munições para os revoltosos. Barbosa Lima chama-o a Palacio. O Padre respondeu briosamente ao Governador, deante do qual, naquella epocha de terror, todos tremiam, e foi enviado á prisão, onde esteve sete dias quasi incommunicavel, sendo solto por protestos de Dom João Esberard e por convencer-se Barbosa Lima de sua innocencia.

Continuando a lucta em Triumpho, para pôr-se ao abrigo de qualquer perseguição e a conselho do citado Bispo, foi para a Bahia, onde demorou-se oito mezes. Em Julho (1892) esteve no Ceará, em visita a sua terra natal. Pacificado o Município, voltou ao Triumpho já não como vigário” resolvido como estava a não ser mais parodio.

A fortes instancias, porém, de Dom João Esberard, que muito o queria e admirava, acceitou a freguezia de S. José de Bezerros no Estado de Pernambuco, e tomou posse a 4 de Outubro de 1892. É das freguezias mais piedosas da. actual diocese Olindense essa que o Padre Laurindo cultiva com zelo e óptimos fructos.

O nome Douétts vem-lhe de seu avô paterno, francês de nação, o qual fazia parte de uma communidade de Jesuítas em Pernambuco, quando o pérfido Marquez de Pombal expulsou esses beneméritos Religiosos. Muito moço e sem ter-se ligado ainda por votos ou Ordens Sacras, conseguiu evadir-se, e ganhando o sertão, veio ao Umary, onde constituiu família.

Ali, vendo a difficuldade com que-eram conduzidos os cadáveres para ser sepultados no Cemitério do Icó, animou a idéa da construcção de uma Egreja, pondo-se a frente desta empreza. Assim foi que se construiu a Matriz de S. Gonçalo, sede da actual freguezia do Umary.