LM

Biografia

Luiz Francisco de Miranda

1838–1905

3 min de leitura 627 palavras

Segundo Diccionario Bio-bibliographico Cearense

Nasceu em Sobral a 10 de Outubro de 1838.

Filho de pies pobres e orphão desde a edade de 3 annos, aos 12 entrou na vida como aprendiz de ferreiro, profissão que exerceu até 1861 quando foi nomeado Promotor Publico do Ipu na administração Duarte de Azevedo por indicação do Dr. Domingos Jaguaribe, que se lhe affeiçoara desde o tempo em que fora Juiz de Direito da Comarca de Sobral.

Posto em concurso o tabellionato do Ipú, Luiz de Miranda obteve provimento em 1863, sendo Ministro da Justiça o Cons.or Cansanção de Sinimbu, renunciou, porém, o officio ern l872e entregou-se ás labutas de advogado a principio em Ipú e Tamboril e depois em Fortaleza, onde se fez notável pela merecida reputação do seu saber jurídico e pela vasta clientela, que o procurava.

Falleceu a 15 de Maio de 1905, victima de lesão cardíaca e tal fora o seu desprendimento que os amigos e admiradores se cotisaram para lhe fazer o enterro.

No Imperio. Luiz de Miranda militou nas fileiras conservadoras e redigiu oPedro II desde a morte de Gustavo Gurgulino de Souza até o desapparecimento do jornal por terem seus correligionarios adherido ao novo regimen surgido a 15 de Novembro de 1889.

Assim isolado entre os seus, retirou-se da politica militante para continuar a affirmar a sua profissão de fé como monarchista, como partidario dc regimen decaindo.

Do seu valor como advogado e dos seus grandes sentimentos como homem disse assim auctorisado orgam da imprensa de Fortaleza em conceitos tanto mais para serem apreciados quando sempre esteve em desaccordo com as ideias politicas de Luiz de Miranda:

Aos 67 annos de idade cerrou hoje os olhos á visão da terra, que engrandeceu pelo coração e pelo talento, esse que foi na sua voluntaria obscuridade e na sua extrema pobreza o patrono de todos os que tinham sede de justiça.

O homem popular cuja banca se achou sempre rodeada de discípulos, de pleiteantes e de amigos, com os quaes elle partia a mancheias as moedas da sua generosidade e do seu conselho, teve o leito mortuário velado pela familia e por innúmeras dedicações.

O mestre ferreiro, emergindo do fundo de uma forja as mais altas culminações do saber jurídico, deveu ao trabalho as horas mais fecundas da sua existencia e só cessou a sua incansável actividade chegado o momento de ceder ás leis fataes, que presidem no espaço e no tempo os destinos da humanidade.

Monarchista, nunca deixou de ser entranhadamenle conservador; crente, o foi fervorosamente catholico; advogado illustrou a sua profissão honrando-a como a mais nobre e elevada funcção que o homem exerce no interesse da civilisação, da moral e da patria.

Entretanto, por mais que almejasse viver na penumbra tornou-se conhecido em todo o paiz pelos seus escriptos de pratica processual largamente divulgados e por suas quotidianas lições de foro.

Luiz de Miranda foi figura saliente na imprensa do ex-império, redigindo com brilho inexcedivel diversos jornaes conservadores da província, nomeadamente o Pedra II”. Escreveu:

Bibliografia3

  1. Incompatibilidades.
  2. Custas forenses ou compilação das feis, decisões dos tribunaes, regulamentos, avisos, assentos, doutrinas dos praxistas sobre custas, sentenças, recursos, execuções sobre ellas, acções dos empresados e outras disposições relativas ao Regimento de Custas, com annotações, Rio de Janeiro, 1879.
  3. Guia theorica e pratica dos escrivães, tabelliães e officiaes de registro, ou compilação das leis, regulamentos, resoluções, avisos, arestos e doutrina dos praxistas relativamente á organisação dos officios, desannexações e incompatibilidades, penas administrativas, correições e princípios geraes de jurisprudência eurematica, etc. Rio de Janeiro, in 8.o.

Bibliografia2

  1. A idade em suas relações Jurídicas, 1885;
  2. Diccionario jurídico de Pereira e Souza, 1887.

    Luiz de Miranda tinha notável estro poético; é de sua fayra a muito conhecida poesia A cachaça.

Segundo 1001 Cearenses Notáveis

Grafado como Luiz Francisco de MIRANDA

Nasceu em Sobral, 10 de outubro de 1838. Órfão aos 3 anos de idade, não teve maiores estudos e começou a vida como aprendiz de ferreiro. Prestativo, ganhou as simpatias do Dr. Domingos Jaguaribe, que o recomendou ao Prefeito Duarte de Azevedo e foi designado Promotor Público. Em 1863, aprovado em concurso, assumiu o cargo de tabelião de Ipu, a que renunciou em 1872 para dedicar-se à advocacia. Em Fortaleza, para onde se transferiu, conseguiu fama como advogado. Militou na imprensa, tendo sucedido a Gustavo Curgulino de Souza na redação do jornal “Pedro II”, em que trabalhou até 15 de novembro de 1889, quando a república foi proclamada e a publicação foi suspensa. Católico, monarquista, continuou advogando até morrer, em 15 de maio de 1905, vitimado por uma lesão cardíaca. Como poeta, tem uma poesia, A Cachaça, que alcançou grande ressonância popular. Publicou: Incompatibilidades, Custas Forenses (compilação da legislação e doutrina até o ano de 1879) e Guia Teórica e Prática dos Escrivães, Tabeliães e Oficiais de Registro.