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O Nordeste
Janeiro de 1963, página 84 · 2 trechos transcritos
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- CARTA ABERTA A ISMAEL PORDEUS Fortaleza, 6 de janeiro de 1963. Caro Ismael Pordeus: pax! Tenho acompanhado, com interesse, os meus artigos em O NORDESTE em forma de carta a Luís Barros sobre a fundação de Fortaleza. Devia esperar pelo último, para escrever-lhe esta, mas como tenho de viajar, em breve, para outro Estado, apresso-me a dizer-lhe algo sobre a questão em foco. A tese em favor de Matias Beck, que Serafim Leite acha insustentável, e diz ser uma onda, que passará com o tempo, é muito mais complexa do que à primeira vista parece. A meu ver a esse respeito não se disse ainda a última palavra, o que se tem que provar, à luz da História, é se Matias Beck foi ou não o fundador de Fortaleza. Que seja ele o fundador de um forte, todos o sabemos. O que nos resta saber e ninguém mais indicado do que você para dizê-lo) é se a cidade, como tal, veio desse forte Schoonenhorch, quais foram as causas da nucleação primeira, qual o nexo que existe entre ESSE forte e a cidade. Para se provar que a cidade foi fundada por Matias Beck, dever-se-ia mostrar que ele fez algo neste sentido, que a nucleação vem do tempo dele. Você como pesquisador que é dos mais eminentes, citado inúmeras vezes por Gustavo Barroso, em sua obra póstuma -A Margem da História do Ceará”, sabe muito bem o que era Fortaleza entre 1.700 e 1.720 ao se fundar a vila. Desde a saída de Matias Beck (1654) até à primeira aglomeração mediou muito tempo. Se a cidade vem dele, Beck nunca soube (é o que se infere do Diário e da carta de Barbados) que deixara aqui uma cidade. Eis porque acho muito afirmar-se, como o fez R. Girão numa entrevista com Nertan Macedo, no “Unitário,” há pouco.: «Depois que os portugueses retomaram o Ceará (1654), mudaram o nome do Schoonenborch holandês, em torno do qual NASCEU e se DESENVOLVEU a Fortaleza, para Nossa Senhora da Assunção. Aí a cidade tomou a sua fisionomia católica e lusitana”. Isto é fácil de dizer, prová-lo é que é difícil. Qualquer leitor desprevenido, lendo o trecho acima citado, fica certo que em 1654 os portugueses, ao voltarem ao Ceará, encontraram uma cidade NASCIDA e DESENVOLVIDA (grifos nossos) em torno do fortim de Matias Beck. E nós sabemos quanto essa afirmação é gratuita e falsa. Os portugueses, nessa data, não encontraram cidade nenhuma, nem vila, nem povoado: encontraram unicamente, um forte de paliçada; com nome estrangeiro, que reformaram e reconstruíram uma e muitas vezes depois, mudando-lhe o nome, até que surgisse o povoado. Há um raciocínio muito simples que diz: Beck fundou o forte; ora, a cidade nasceu DESSE forte; logo ele fundou a cidade, e eu pergunto: quando é que nasceu a cidade? Mais de 50 anos depois de ele sair daqui. Esta conclusão «FUNDOU A CIDADE’ é maior do que as premissas... "Conclusio latius patet”... No entanto esta tese está, praticamente, vitoriosa; jornalistas falam em cidade de Matias Beck, de oitiva é claro! e nas escolas e colégios do Ceará, não em todos, felizmente! as crianças repetem esta asneira sem nome: Fundador de Fortaleza, Matias Beck! Não é possível que essa balela histórica ganhe foros de verdade e de verossimilhança em nossa terra; por isso peço-lhe que, ao invés de atirar fora do alvo, esclareça, como só você sabe fazer, os seguintes pontos: 1) Se os holandeses vieram ao Ceará com ânimo de ficar, ou apenas para, temporariamente, explorarem minas de prata; 2) Onde é que nasceu a vila, qual a sua distância do Forte, como aglomeração humana; 3) Qual o nexo causal imediato entre o forte de Matias Beck e a cidade atual? 4) Se, com a saída forçada dos portugueses, houve solução de continuidade quanto ao domínio da terra; 5) Da leitura do Diário de Matias Beck e da Carta de Barbados pode-se concluir que ele fundou esta cidade”. 6) Por que não fez Matias Beck, em sua famosa carta, nenhuma referência, por mais leve que fosse, a aldeia que fundasse aqui? Olhe que a carta é uma alegação de bens perdidos e de serviços prestados à Cia das Índias Ocidentais. 7) O fato de ter existido um forte holandês à margem do Pajeú quase um século antes da povoação e da Vila (1726), forte várias vezes reconstruído, credencia o seu primeiro autor à glória de fundador da cidade? Se estas perguntas forem respondidas serenamente, com objetividade histórica e imparcialidade, a questão ficará definitivamente esclarecida. Assim o espero, e conto com a sua reconhecida competência e boa vontade. Do admirador e amigo: AIRES DE MONTALBO.
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- Nota social Bor Um Mundo lidado dna honestidade do aTrasador dós pais na mônio, da integração do sexo, no sentido do amor, da transição de uma vida individual para uma “vida a dois”, da educação da pro le, dos direitos e deveres dos cônjuges e da santida- de e da vida da graça no matrimônio. O Pe. Beltrão sua missão de esposos e de pais de família? Seria co- mo tirar água de pedra. Ou, como acontece nas nossas Metrópoles onde os jovens, preparados nas es- colas dos espetáculos imo- rais, do rádio, da televisão, das revistas de imoralidade educação dos filhos, de ma- neira particular, nas horas mais precisas, como na ida- de da adolescência e da pu- berdade, como quando co- meçam a nascer, naqueles jovens corações, as primei- ras simpatias, os primeiros afetos, a instintiva necessi- dade de carinho e as primeiras decepções amorosas. Entristece, esses apóstolos, o fato de verem a juventude abandonada a si própria ou debatendo-se nas garras en- sanguentadas do monstro cruel do materialismo e do hedonismo moderno. Alarma, esses apóstolos, o fenômeno humilhante da prostituição dos menores, o fenômeno aviltante das ca- sas de recurso, da insensibi- lidade social face ao mui- tério, à infidelidade, ao des- gaste da família, ao divor- cio. Estimulados, portanto, sentem-se esses apóstolos a trabalhar sem descanso com desprendimento admi- rável, para criar uma barra- gem ao avanço ameaçador destes males sociais, para ajudar a mocidade na arran- cada tão árdua da prepa- ração ao matrimônio”. Magistério, Educação MU MCA E CANTO NA ESCOLA PRIM Heitor Vila Lobos, grande maestro brasileiro de quem luu.uo nus ui guinamos, tor- Comunicação JOSE’ ALCI SIQUEIRA tem o prazer de comuni- car o início das obras de construção do Balneário PÍR APORA PA LACE Avisa também que para poder processar a todas as contruções previstas e já levadas ao conheci- mento do público, encerrou as atividades totais do antigo e tradicional Balneário Pirapora. 4a. Incorporação JOSE’ ALCI SIQUEIRA, o Bal- neário PIRAPORA PALACE será o principal centro de atração turística de todo o Norte e Nor- deste brasileiro. Se no que diz respeito à política, sentimos, nas nos- sas próprias carnes, as con- sequências da falta de uma séria preparação para en- frentar os tremendos pro- blemas que agitam hoje o mundo político e social, não menos chocante se nos apresenta o espetáculo es- candaloso de um reveza- mento contínuo de divór- cios, de famílias desajusta- das, de lares em plena dis- córdia e intimamente infe- lizes. O psicologo, o psiquiatra, o médico, o sacerdote encon- tra-se, todos os dias, com problemas sempre mais difí- ceis e às vezes realmente insolúveis, diante da hodierna situação fami- liar e, normalmente, a res- posta que se ouve é: “Fal- tou preparação...”. “TIRAR AGUA DA PEDRA” * “Como é possível — renou obrigatório o ensino de canto orfeônico nas es- colas do Brasil, em 1956, criando o Observatório Na- cional de Canto Orfeônico. Daí passou-se a conhecer as suas belas músicas, suas imortais criações, seus ar- ranjos, trazendo ao conheci- mento de todas obras es- quecidas de outros autores que viveram a música. Hoje vemos nos ginásios, escolas normais, colégios particulares, a realização de Vila Lobos. Ouvimos pe- quenos e grandes orfeões, números de canto, danças, bandinhas rítmicas, tudo o que completa o ensino da música e canto orfeônico nas escolas do Brasil. Entre as composições e ar- ranjos de Vila Lobos nos chama atenção a ‘ Canção do Marinheiro” que Fi- gueira Sampaio chama de “Cisne Branco” para ser cantada nos grupos e escolas primárias. O “Irapuru” da interessante lenda do Amazonas e outras. A Secretaria de Educação e Saúde desde 1961 esco- lheu uma turma de Professoras estaduais primárias para fa- zer o curso de aperfeiçoamento de canto orfeônico no Conser- vatório de Música Alberto Ne- pomuceno e assistir aulas de solfejo, teoria, prática, His- tória da Música, coral, or- feão, tornando-se esta turma de professoras capaz de des- empenhar a missão que lhe foi confiada pela Secre- tarias dos seus Grupos. Nossa turma cujos ensina- mentos foram confiados aos professores Orlando Leite, Rita Plutárco Vasconcelos e Luza Barreto, a iníquo real- izou durante o ano letivo, demonstrando vaça, coragem e amor à arte, não só no conservató- rio como no programa exe- cutado nos Grupos. O canto orfeônico como sabemos, descobre voca- ções, disciplina, ensina sen- tido artístico na criança e no adolescente, alegrando-os, fazendo esquecer os pro- blemas difíceis do lar e da fama. Muito realizamos com os adultos, muito mais ainda com os do sexo feminino. Tivemos oportunidade de receber em nosso Grupo B^c^ar autor.daaes do en Sxiu paia-assistir canto, orfeões e outras demonstra- ções da música como a professora Ivonise Feres do setor de Recife, as Técnicas Edeivita Bessa Presidente do Cermapce, Rita Plutárco Vasconcelos que nos minis- trou o curso da Camec levando as mesmas a melhor impressão sobre os números de danças folclóricas. Que este melhoramento se firme e continue. Que se faça justiça e nós as professoras de canto Or- feônico que fizemos este curso de aperfeiçoamento no Conservatório Alberto Ne- pomuceno, sejamos conser- vadas e aproveitadas no serviço de canto orfeônico no Ceará, pois ficamos ca- pacitadas ao mesmo sem favor das tradicionais pis- tolces. Nosso ideal é trabalhar pelo progresso da Educação e Instrução no setor ar- tístico, acima de tudo. DORACY SOBREIRA prossegue s. revdma. -*- que os nossos jovens, mui- tas vezes menores, como Acontece comumente nos nossos interiores, (e quem é vigário de interior, sabe- o de longa data), só por se terem encontrado, numa sala da dança e por terem cometido algumas tolices, se casam ou sejam obrigados a se casarem e depois en- frentem e resolvam os grã- ves problemas da vida fami- liar e atendam, na fide- S. J., gaúcho, profundo co- nhecedor dos problemas so- ciais da hora presente e apóstolo do MFC, tem, vá- rias vezes, afirmado, no Retiro Espiritual tão ori- ginal e magistralmente pre- gado ao Clero de Fortale- za no começo deste ano, que o MFC do Rio Grande do Sul está cumprindo verda- deiros prodígios de bem, na preparação dos jovens pares de noivos ao casa- mento. Têm-se dado, até, casos de conversões. Diz a propósito o padre Fernando Meloseli: “Quem analisa a realida- de familiar de hoje, vê claramente que ela atra- vessa uma crise difícil: gra- ves problemas a oprimem, entre os quais, o de maior evidência, a frequência alarmante dos divórcios, das reparações legais, do desmoronamento do lar. Eu creio que, examinando alentamente as causas desta dolorosa situação, po- deríamos apontar sem he- sitação alguma, entre as mais evidentes, a falta de preparação ao matrimônio. “Para tudo, hoje, em dia, o homem se prepara — afirma André Berge. As- sim o médico, o cirurgião, o advogado, o físico nuclear, o monge e até o barbeiro, o engraxate, o auxiliar de pedreiro têm que fazer o seu tirocínio, mais ou menos longo, para sa- tisfazer as exigências do mundo moderno. Só para duas coisas não há prepa- ração: para a política e para o casamento...” barata, dos jornais e dos rotocalcos das manchetes sensacionais, dos clubes, do “jazz”, do “rock and roll”, do “twist”, das praias e das modas desenfreadas, chegam ao casamento já sá- cios de prazeres, atordoados, cansados?” “FERMENTO BOM LEVE- DANDO A MASSA...” Conclui o vigário de São João do Tauape: * “Preparação séria no casamento’. 77 este um dos objetivos mais impor- tantes do MFC, dêste movi- mento providencial de apóstolos da família, que eu considero o pinguinho de fermento bom, destina- do a levedar para o bem toda a massa. Angustia, esses apóstolos, o fato de assistirem, tão freqüentemente, ao desc u- LIVRARIA PIO XII Livros em geral — Papelaria — Artigos Escolares — Material de Escritório — Missais — Terços — Ima- gens — Bíblías — Santinhos e Livrinhos de 1a. 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