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O Nordeste

Janeiro de 1963, página 85 · 1 trecho transcrito

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  • MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO Supl<e>mento dominical de O NORDESTE TERCEIRA PAGINA «Os homens de hoje não são piores que os de ontem; porém, pelos meios técnicos, à sua disposição, mais facilmente se deixam iludir pela miragem terrena» — «Para tudo, nos dias atuais, o homem faz o seu tirocínio. Só para duas coisas não há preparação: para a política e o casamento: — Dissolução do lar, menoridade abandonada, miséria social na meta do Movimento Familiar Cristão Caracterizando a dolorosa situação de decadência da família, que Rui considerou o embrião da Pátria, o dr. Wilson de Norões Milfont, Juiz da 4a. Vara Cível e do Menor, insistiu sobretudo nestas duas faces do gravíssimo problema social moderno. Em primeiro lugar, a do abandono puro e simples do lar em Fortaleza, como em outros centros citadinos, onde, em cada 100 casos de desquite, pode haver um apenas, que fai formalizada. E' o desquite de luxo privativo do “sociely” que só êste pode pagar, os custas do advogado. No plano das classes proletárias, o que se verifica é a deserção pura e simples do casal, que vai dividir-se em duas mancebias, quer, “se casem ou não os separados. . . na Igreja brasileira (entre os ricos é o casamento do Uruguai)! E ainda o numeroso contingente daqueles que sempre se marginalizaram, no tocante à instituição familiar, o caso dos que nunca casaram e vivem maritalmente, numa prática mais comum, entre os párias da favela. Com “palavras de fogo”, o dr. Wilson de Norões Milfont discorre sobre o outro trágico corolário da dissolução matrimonial: a menoridade abandonada da capital, onde se multiplicam os órfãos de “pais vivos”, constituindo uma infância “sem amanhã”, uma juventude marginal, que não se educa, não se profissionaliza. À falta de meios próprios e ao Juizado (que não tem verba sequer para papel) e ao Departamento de Proteção ao Menor (onde alguns trabalham no estilo dos “voluntariados da Paz”). E aquela autoridade lança o SOS da multidão dos “filhos de ninguém”, da desventurada legião dos “marcados pela sureta”, computados em 10.000, num cálculo otimista nesta capital. MORAL DOS RICOS E DOS POBRES * Realmente versado nas Ciências Sociais e servido daquele sexto sentido dos que têm a visão prática dos “casos e das coisas”, o dr. Juiz de Menores reportou-se, ainda, à tragédia sócio-econômica da imensa área proletária da sociedade hodierna, indicando a desoladora realidade da miséria extrema de muitas famílias — fruto dêste tremendo desajustamento e injustiça social que marcam a Era da Máquina. E embora reconheça a verdade de que “é preciso um mínimo de conforto, para a prática da virtude;’, insiste no argumento tradicional e corroborado pela experiência dos fatos de que pobres e ricos são iguais perante a Lei, a moral, o que vale dizer que a questão do caráter individual independe de fator econômico, podendo serem bons ou maus, uns e outros, mesmo com as privações ou apesar das abastanças. Indiferentemente, entre pobres e ricos, podemos encontrar o vício e a virtude, porque a questão essencial, aí, é de ordem interna, espiritual, subordinada aos dotes morais e métodos de formação pessoal. Podemos, avançar um pouco mais e dizer que a riqueza, até, influi, às vezes, negativamente...” A ocasião faz o ladrão. . . roubar” e não “A ocasião faz o ladrão” — é o grande fundamento da Escola de Direito adotada pelo dr. Norões Milfont e que esposamos integralmente, seguindo as linhas mestras dos ensinamentos da Doutrina cristã, sôbre o livre arbítrio, a responsabilidade e o destino do homem, no governo da Providência. Não se pode negar, sem dúvida, e isto é outra face da crise, o contraste chocante entre as condições de vida de uma minoria privilegiada de nababos no Brasil, e um proletariado, cada vez mais sufocado pela pressão econômica, chegando-se à miséria social extrema, em que vive a esmagadora maioria dêste país — os “pobres lázaros” do mocambo e das aldeias, num nível muito diferente da pobreza representada pela Sagrada Família de Nazaré — acentuou aquela autoridade. MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO * “Estamos no píncaro de uma montanha (a presente crise social) pendendo para um lado e para outro. Faz-se mister, por todos os motivos, uma clarinada de salvação. E o Movimento Familiar Cristão implica na urgente execução de um plano de apostolado leigo, que, recuperando a família, vem salvar o mundo” disse-nos o Juiz de Menores de Fortaleza. RESTAURAR TUDO EM CRISTO * Em todos os quadrantes do globo, a cristandade celebra, hoje, o Dia da Sagrada Família, num chamamento aos povos de todas as latitudes, através do Magistério da Igreja, para a urgente e urgente cruzada de renovação cristã da sociedade, guiada pelo exemplo da pregação divina e milenar do humilde e santo lar de Nazaré. Passamos, aqui, a palavra ao revdmo. padre Fernando Méloseli, MSÇ, assistente do Movimento Familiar Cristão e operoso vigário de S. João do Tauape (comunidade do Sagrado Coração), que abordará alguns aspectos da monumental jornada por um Mundo Melhor. A Igreja celebra, hoje, em todos os quadrantes do globo, o Dia da Sagrada Família de Nazaré. E num chamamento aos cristãos do mundo inteiro através do Movimento Familiar Cristão, ela mobiliza entre sócios e leigos, uma monumental frente de apostolado católico pela “Restauração da Sociedade em Cristo”, pela salvação de um mundo que se debate entre as garras sangrentas do monstro cruel do materialismo e do hedonismo moderno. Não se pode negar neste país o contraste chocante entre as condições de vida de uma minoria privilegiada de “nababos” e um proletariado, cada vez mais premido pela penúria, chegando-se à miséria extrema, muito diferente daquela Mãe Pobreza de São Francisco e a santa modéstia do pobre mas divinamente feliz lar de Nazaré! Na foto, um flagrante da vida trágica no interior de um mocambo, na Bela Vista — um cubículo de um só compartimento (3x4), onde vivem (?) 8 pessoas. . . A mulher. . . tuberculosa. As criancinhas. . . famintas e sem futuro. O pai, desertado... talvez! Não era esta “O programa de S. Pio X “Restaurar tudo em Cristo”, mantém inalterada a urgência da sua realização em nossos dias, como no início do século XX. Deste século, que, apesar dos seus estupendos progressos científicos, apresenta-se oprimido por uma série infinita de problemas, humanamente insolúveis. E’ um fato incontestável que o mundo de hoje não é feliz. As máquinas mais aperfeiçoadas, o alcance facilitado de maiores comodidades, o aumentado número de providências sociais, os recursos econômicos mais fáceis, as descobertas fabulosas no campo da medicina, bem pouco têm contribuído para a felicidade dos homens, para a paz da humanidade. Os homens de hoje não são piores do que os homens de ontem; porém pelos meios técnicos, que têm em suas mãos, mais facilmente se deixam iludir pela miragem terrena, falsa felicidade terrena, que avidamente buscam, esquecendo a fonte da verdadeira felicidade que é Deus, que é Cristo. A Mensagem Evangélica está quase esquecida; Cristo está sendo sempre mais desconhecido pela massa dos cristãos: consequentemente a humanidade está tornando-se sempre mais infeliz. E’ nesta altura que se inserem, na história da Igreja, os grandes movimentos de restauração cristã, pregados e estruturados pelos Papas em pessoa. Basta recordar Pio XI, Pio XII e João XXIII, gloriosamente reinante, que lançaram e com mãos firmes guiaram os exércitos da Ação Católica à conquista do mundo a Cristo, certos de que, restaurando o mundo em Cristo, a humanidade teria podido alcançar uma Era Melhor, mais feliz. Dentre estes movimentos destinados à concretização de um MUNDO MELHOR destaca-se nestes últimos tempos, o MFC, nascido com a finalidade específica de “Restaurar a família em Cristo”. PREPARAÇÃO PRÉ-NUPCIAL No II Encontro Nacional do MFC, realizado em São Paulo em julho do ano passado, e nas jornadas de Pastoral Familiar, debateu-se, em toda a sua extensão, o tema da preparação ao Matrimônio e foram até apresentados por uma equipe de sacerdotes do Rio e pelo grupo de casais representantes do RGS dados estatísticos e experiências consoladoras sobre o assunto em questão. Particularmente impressionante é o trabalho que desenvolve o MFC gaúcho. Na cidade de Porto Alegre, quase todos os meses há dois cursos para noivos, com data marcada de casamento, cursos, que têm visto numerosos pares acorrerem, desejosos de se prepararem seriamente ao grande passo. Só em Outubro último, duas turmas, a primeira de 41 pares e a segunda de 36, estavam sendo preparadas, por uma equipe especializada de casais do MFC; ao matrimônio. A equipe compõe-se de um médico, de um psicólogo, de um casal de educadores e um jurista, de um sacerdote. Os assuntos principais, a serem tratados geralmente em oito encontros (quatro por semana), são assuntos que se relacionam com os problemas de adaptação sexual, da harmonia conjugal, da regulação de nascimentos, das finalidades do matrimônio. (Conclui na pág. 2)
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