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O Nordeste

Fevereiro de 1923 · 32 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Impostos de consumo estadual. Publicamos a nota do Centro Industrial Cearense sobre o imposto de consumo estadual. Esteve, ontem, em nossa redação, uma comissão do «Centro Industrial Cearense», composta dos srs. coronel José Arruda, Pedro Philomeno, coronel João Caminha, Markan Philomeno, coronel Bento Lousada e Adriano Martins. Estes cavalheiros, diante da campanha aberta contra o imposto de consumo estadual, trouxeram-nos a seguinte nota, solicitando-nos a publicidade da mesma: «Não assiste razão aos que estão levantando grita formidável contra o estabelecido pela lei estadual n. 2.036, de 11 de novembro próximo findo. Gravando em igualdade de condições os artigos importados e os aqui manufaturados, a lei citada, sabiamente, armou o executivo com uma salutar autorização, cuja finalidade se resume na defesa da indústria local, sem o odioso caráter protecionista. Aliás é do conhecimento geral que todos os Estados da Federação mantêm em seus orçamentos, variando ao sabor de circunstâncias múltiplas, o agora malfadado imposto de entrada. O governo do Estado, antes de apelar para essa nova fonte de renda, ouviu os representantes de nossas correntes conservadoras que não se negaram a concorrer para a melhoria das condições financeiras do Ceará. Sobre o aumento do preço do milho é fácil desfazer as asseverações maldosas que estão sendo levantadas. Este produto estava sendo vendido a 630 réis por quilo tipo comum. Coincidindo a alta da matéria-prima com o imposto estadual, os industriais tanoeiros elevaram em 80 réis o seu preço por quilo. Como só de talho o consumo o salão está pagando por quilo 60 réis, evidente se torna que os senhores industriais abriram mão da nociva proteção industrial a favor do consumidor. Dessa maneira procederam os mais industriais de doces, massas, solas, etc., os quais, pelo menos até agora, não elevaram o preço desses produtos. O operoso sr. Secretário da Fazenda, com o critério e elevação de vistas que lhe são peculiares, teve a oportunidade de estudar, nas suas bases e na sua finalidade, o atual imposto de consumo, similar dos adotados nos mais adiantados Estados da República, concluindo pela sua utilidade social e perfeito equilíbrio legal.» Por lhes parecer que o novo imposto, ao contrário do que se quer fazer crer, trará à indústria a termo e aos seus operários, senão um eficaz impulso, ao menos o conforto de uma proteção. Os senhores industriais, mesmo por espírito de inteligência, não gravaram as suas manufaturas ou produtos, como se procura insinuar, apenas por haver coincidido o aumento de tributação federal com a alta extraordinária dos preços das matérias-primas e, ainda, com a elevação da mão de obra, que encarece dia a dia, e por isto mesmo encarece, se viram na contingência de, nos antigos preços de suas manufaturas ou produtos, juntarem as despesas atuais. Aliás é de fácil prova o que se afirma pelos exemplos que ora temos oportunidade de apresentar. Senão, vejamos relativamente à indústria de tabaco, por milheiro de cigarros: Selo federal, aumento: 2$500 Selo estadual: 2$500 Aumento na mão de obra: 1$000 Desconto que se concede aos revendedores relativo ao aumento: $530 Aumento no preço de fumo, conforme as faturas que poderão ser verificadas por quem entender: 1$900 Somma: 7$160 Ora, como o gravame para o consumidor, neste produto, foi apenas de 6$300 por milheiro, claro está que os industriais não aproveitaram a proteção que lhes está facultada por lei, caindo assim por terra a grita dos que estão a proclamar que existe exploração por parte dos fabricantes. A indústria do sal, tão gravada pelo fisco federal, por sua vez não elevou relativamente o preço deste artigo. O aumento ultimamente verificado está variando entre 17$ e 18$ por tonelada e provém unicamente do seguinte: Aumento no custo da sacaria, proveniente da alta do algodão: $800 Aumento de salário: 3$000 Imposto ao Estado: 20$000 Juros para o empate e risco de capital: 4$600 Somma: 35$500 Ora, como a lei em questão permite às indústrias locais uma bonificação que poderá se elevar até a 80% do imposto pago, claro está que o aumento de 17$ ou 18$ em tonelada de sal não corresponde absolutamente às despesas realizadas, ficando assim a descoberto o imposto que o Estado houve por bem arrecadar ultimamente.
  • Extorsão decretada contra o povo em benefício exclusivo da indústria. Dr. Ivo da Frota Braga.
  • Já perdeu de todo a tramontana a redação do «Correio», nesta impertinente polêmica que os colegas provocaram para o fim de atrair as bênçãos do senador João Thomé. Nada irrita mais do que a verdade e, por isso, os confrades de ânimo aturdido, em falta de argumentos, estão lançando mão de grosseiros insultos. Uma tática muito sovada, e reconhecidamente imprestável. Enquanto se mostram tão desejosos de que o futuro presidente seja julgado pela sua administração passada, não admitindo sequer que um jornal, absolutamente neutro em política, aceite artigos de colaboração sobre atos do governo aludido, não toleram que ao Dr. Serpa, no declínio do seu quinquênio, possamos chamar «venerando». É uma evidente mesquinhez dos confrades... Ainda que a sua excelência faltassem predicados, de ordem intelectual ou moral, para lhe concedermos aquele qualificativo, devem lembrar-se os colegas que uma onda de neve envolve a cabeça do atual presidente, e, para os cristãos, novos ou antigos, que se acostumaram a venerar a velhice, por educação, todas as coisas.
  • A extraordinária alta da borracha. MANAUS, 31 - A borracha está em alta extraordinária. Atingiu lá a 13$000 o quilo, a baia; 5$300 a fina; e 3$700 a semamby. O mercado está firme e a praça animada. A alta é devida à venda de todo o estoque brasileiro. Segundo as informações que se conhecem, existem, em Londres, somente 70 toneladas do produto do oriente. Acredita-se que esta ocasião é a mais oportuna para valorizar a borracha do Amazonas.
  • Preparam-se festas, no Rio, aos aviadores. RIO, 29 — Esteve reunida, hoje, na Associação Comercial, a comissão encarregada das homenagens aos aviadores. O conde Pereira Carneiro declarou, desde logo, que, como o sr. Affonso Vizeu subscrevia 5 contos de réis para os festejos, poria à disposição da Associação dois navios da Companhia Pereira Carneiro, para fora da barra, para irem receber os aviadores. Para tanto, bastaria a intervenção do governo federal. Foi aberta a lista dos subscritores com os nomes dos srs. Affonso Vizeu e conde Pereira Carneiro.
  • UMA BOMBA NA POLÍTICA Não nos apraz discutir estas futilidades. O Dr. Serpa é presidente do Estado, acatamos a autoridade que ele representa, elogiamos os seus atos que nos parecem acertados, do mesmo modo que criticamos os que, ao nosso juízo, merecem censura. Disso está perfeitamente ciente o público, que tem sempre presenciado, todos os dias, a franqueza das nossas atitudes, pouco se nos dando que ao «Correio» a nossa independência de agir, quer aqui ou de qualquer maneira... Os colegas levaram muito a mal que lhes aplicássemos o título de louvaminheiros do Dr. João Thomé. Mas não têm razão. Já se esqueceram até de que, na ânsia desesperada de agradar a sua excelência, chegaram a esta tão sensatíssima conclusão: se «O Nordeste» não publica artigos de A. M. contra Deus e a Igreja, também não deveria publicar contra o governo do Dr. João Thomé... E depois nos pedem, sem cerimônia, que apontemos quais as suas loas ao futuro presidente, neste arremedo de polêmica. O vício de louvaminhar a sua excelência é tão inveterado que perderam, realmente, a própria consciência dos seus excessos. Nós outros é que somos, no impagável julgar dos confrades, simples louvaminheiros do Clero! Com que desprezo nos tratam, assim! É, entretanto, uma verdade, com a qual não nos iludimos. Estamos sempre decididamente prontos a defender e elogiar tanto o episcopado nacional como esses abnegados curas de almas que, sertão adentro, continuam a obra de sacrifícios dos primitivos apóstolos, pregando a Verdade, orientando o seu rebanho para o Bem, cumprindo o seu nobre dever de derramar a sementeira da virtude no seio do povo. Fiquem os colegas a tecer gloriosos epinícios ao futuro presidente, que nos contentamos com a nossa humilde missão de honrar sacerdotes que não têm, por certo, outra recompensa a dar-nos que a sua amizade, mas amizade em Jesus Cristo, o que não trocamos, decididamente, pelas mais sedutoras, pelas mais gordas prebendas, com que os governos costumam premiar os seus turiferários.
  • Atos do Presidente da República. RIO, 29 — O Presidente da República assinou os decretos, aprovando o regulamento para a cobrança do imposto sobre os vencimentos e subsídios, e abrindo o crédito necessário ao pagamento correspondente às tabelas votadas pelo Congresso, para os vencimentos dos funcionários civis e militares da União.
  • Do Piauí. TERESINA, 29 - Faleceu o Dr. Benedito Sá, deputado estadual e conselheiro municipal, que foi vitimado pela infecção de uma espinha no lábio inferior.
  • O imposto sobre a renda das profissões liberais. RIO, 31 — Noventa e três médicas estão movendo uma ação contra a execução do decreto que estabeleceu o imposto sobre a renda das profissões liberais. Em seu despacho, o juiz federal declarou, nos autos, que apenas 40 dos 93 requerentes que constam da petição inicial, provaram o pagamento do imposto de indústrias e profissões. Os demais, completada a prova, poderão voltar, se quiserem.
  • A carta da Bahia. BAHIA, 30 — «A Tarde» publicou a carta que o sr. Geraldo Rocha dirigiu ao governador Seabra, rompendo as relações com o mesmo. Geraldo Rocha fora um dos implicados na sedição de julho. A carta estourou na sociedade baiana como uma verdadeira bomba. Traz acusações muito graves aos Monizes, combatendo a indicação do sr. Moniz Sodré para substituto do sr. Seabra. Conta o sr. Geraldo Rocha a história da depuração do desembargador Bráulio Xavier e de outros, na Câmara Federal. — Parece que o «Diário da Bahia», órgão do Partido Democrata, mudará de orientação.
  • Reúne-se o partido situacionista da Bahia. Declarações do sr. Seabra. BAHIA, 31 — Reunido o partido democrata, o governador declarou aceitar um acordo compatível com sua dignidade. Fora daí, aceitará a luta, mesmo que todos o abandonem, sacrificando até a vida, se preciso, na defesa da autonomia do Estado. Os interesses da Bahia — continuou — não permitem luta, convindo o aproveitamento dos elementos de valor real na política, com exclusão dos trânsfugas.
  • Fala o «Diário da Bahia». BAHIA, 31 — O «Diário da Bahia» lembra, hoje, a fase do governo Severino, em que os amigos políticos o abandonaram, ficando ao seu lado o Dr. J. J. Seabra. Os trânsfugas de todos os partidos, afirma o mesmo, continuam em oposição.
  • A entusiástica recepção dos aviadores. BAHIA, 31 — Os aviadores foram recebidos, no desembarque, deverá realizar-se ainda na noite de hoje, no cinema-teatro «Guarany». A colônia cearense participará das homenagens, devendo falar, em nome da mesma, o acadêmico escritor Herman Lima. Vários presentes serão oferecidos aos aviadores, salientando-se os da colônia portuguesa e do Centro Automobilista. O governador oferecerá um chá dançante em honra dos denodados aviadores. A mocidade acadêmica de todas as escolas recebê-los-á, incorporada, com os respectivos estandartes, no cais do porto. Os automóveis estão sendo alugados a preços elevadíssimos, e é possível encontrar-se ainda algum desocupado. Reina vivo entusiasmo em toda a população.
  • “Sampaio Correia” chegou à Bahia. BAHIA, 31 - Chegaram, às 10 horas, os aviadores, recebidos com delirantes aclamações populares, da massa de gente que se apinhava nas praças e pontos mais elevados, como nas torres dos sinos. Os sinos repicaram alegremente. Foram soltados numerosos morteiros e foguetes, que atroavam os ares. Ouviam-se, ainda, constantes vivas e grandes ovações aos denodados. A bandeira nacional foi hasteada. A população, efetuado o desembarque, organizou um préstito, com destino ao Palácio da Aclamação, onde os aviadores iam hospedar-se. Era crescente o delírio do povo. Pinto Martins foi especialmente festejado com muito carinho. Foi deslumbrante o aspecto presenciado na ocasião da América, que fazia veloz, na direção do porto.
  • O uso de armas. Da Secretaria da Chefatura de Polícia recebemos o seguinte: A Chefia da Polícia acaba de recomendar a todos os seus auxiliares o estrito cumprimento do Código Penal (art. 377), que pune o uso de armas proibidas. Nestas condições, toda a pessoa suspeita de andar armada, seja qual for a sua posição social, será revistada e, encontrada com armas, serão estas apreendidas, lavrando-se contra o infrator o respectivo flagrante.
  • Escola Normal. Os exames de admissão ao curso normal começarão no dia 3, às 8 horas, pela prova de língua vernácula. Os exames de 2ª época realizaram-se hoje.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente 2 O NORDESTE, Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 1923
  • Telegrama Soneto de Julio Maciel.
  • Anúncio VINHO DE AGRIÃO (iodo fosfatado) legítimo. Pharmacia Pasteur 20(2
  • Nota social O quinto rebento dos Andradas que entra para um convento. RIO, 31 - Hoje, em São Paulo, vai professar, no convento das Servas do Senhor, a quinta representante do tronco dos Andradas, senhorinha Antonietta Andrada, filha do falecido senador Antônio Carlos Ribeiro, irmão do deputado mineiro Antônio Carlos. Antes dela já professaram suas irmãs Gabriella, Julia Constança, Adelaide Carlota e Teresa.
  • Anúncio AUTOMÓVEIS Receberam A. SANTOS & Cia. PRAÇA GENERAL TIBÚRCIO, 152 e 154 BUZINAS ELÉTRICAS PARA QUALQUER TIPO
  • Anúncio LEITE DE COLÔNIA O melhor creme para o embelezamento da cútis. Torna a pele alva e aveludada, fixa muito bem o pó de arroz. Destrói as sardas, as espinhas e os panos. Vende-se nas Perfumarias e Farmácias.
  • Telegrama Telegramas DO PAÍS A procura da borracha brasileira, nos mercados estrangeiros, é extraordinária. Cada quantidade que chega do interior é imediatamente adquirida.
  • Anúncio O calçado KOX. BAHIANA!
  • Anúncio VINHO DE AGRIÃO. Cura tosse. Pharmacia Pasteur. 2/2
  • Nota social União do Clero. O Secretário desta Sociedade convida os reverendíssimos srs. todos, atualmente nesta capital, para tomarem parte na Assembleia Geral a realizar-se sábado, 4 do corrente, às 9 e meia da manhã, no Seminário Arquidiocesano. Nessa ocasião, será lido o relatório anual e proceder-se-á à eleição da nova diretoria para o biênio social 1923-1925.
  • Anúncio VINHO DE MASTRUÇO e malvarisco: tosses, bronquite e rouquidão. — Carneiro e Pastana.
  • Telegrama DO EXTERIOR. Os alemães praticam a sabotagem. PARIS, 29 — Comunicam de Dusseldorf que vão crescendo os atos de sabotagem, levados a efeito pelos alemães nas linhas ferroviárias, telegráficas e telefônicas do Ruhr, e em toda a Renânia. Os ferroviários franceses estavam, conforme os despachos, restabelecendo a ordem.
  • Telegrama Deportação de um agente comercial. LONDRES, 29 — A Agência Reuter recebeu telegrama de seu correspondente em Colônia, dizendo que a deportação de Meutr, comissário das licenças de importação e exportação, talvez tenha por consequência a paralisação do comércio do estrangeiro com a Inglaterra, França, Itália e Bélgica.
  • Telegrama AS 18 HORAS. BAHIA, 31 - À hora em que telegrafo, a população, ansiosa, espera os aviadores, que se sabe haverem partido de Maceió. O povo estaciona em grandes massas nos pontos elevados. O Arcebispo ordenou que, na ocasião da chegada, repiquem os sinos nas igrejas. O reverendíssimo veio de [...] para celebrar missa em ação de graças pela chegada dos aviadores. Uma grande orquestra [...]
  • Nota social Associação dos Srs. da Caridade. A Diretoria desta Associação avisa às suas associadas que a reunião mensal será na segunda sexta-feira.
  • Nota social Ecos. Há alguns dias foi aberta à rua Conselheiro Liberato Barroso, n. 8, uma casa de calçados, denominada «Bota Elegante», da firma Pio Rodrigues & Cia. Este novo estabelecimento é especialista em calçados finos para homens, senhoras e crianças.