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O Nordeste
Junho de 1923 · 21 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Ultrajes à moralidade É demais tanta afronta ao [...] decoro das famílias! [...] O desrespeito ao decoro público em nossa terra vai tomando proporções verdadeiramente inacreditáveis. Ontem, tivemos que comentar o fato de uma senhorita, agredida numa rua central da cidade, em pleno dia, por uma mulher à toa. Porque se registra um incidente assim afrontoso aos brios da família cearense? Exclusivamente, porque esta capital, na frase enérgica de um nosso colaborador, está passando a ser o paraíso das rameiras... É doloroso que uma terra de costumes puros, de tradições nobres, de passado tão edificante no que se refere à dignidade de sentimentos, vá sendo assim invadida pela onda de corrupção que, partida dos bordéis, tenta enlamear a honra dos lares. As filhas de família já se acham expostas, desta sorte, a desacatos ultrajantes, por parte de gente que antigamente não se atrevia sequer a ombrear-se com as damas da sociedade! Por outra parte, temos agora que registrar novo exemplo contristador da situação de perigo e insegurança, em que se encontram as famílias entre nós. É o caso que, de volta do «Cinema Pio X», atravessavam o Parque da Independência duas moças que se haviam adiantado um pouco dos pais que as acompanhavam. Um grupo de soldados, vendo as senhorinhas em meio à avenida, a elas se dirigiram com maneiras audaciosas e inconvenientes. Não fosse a intervenção do pai que, na ocasião, obstou ao desaforo, as jovens estariam expostas a maior vexame e susto. Isto nos foi relatado pelo próprio pai, justamente indignado com este estado de coisas. Onde está a polícia que não põe cobro a tanta desenvoltura dessa gente libertina que a ninguém mais respeita? Até entre os próprios soldados há elementos que desta forma ultrajam a farda que vestem, cometendo agravos à moral social, de que deviam ser defensores austeros! E, se já não se tem consideração às senhoritas da nossa boa sociedade, o que se passará em relação às moças pobres e honestas, tantas vezes indefesas e sujeitas a receberem os mais desabusados insultos ao seu pudor e dignidade, por parte desses libertinos de consciência poluída na lama em que se revolvem? Faz-se mister que o nosso brado em favor da honra dos lares chegue aos ouvidos dos Responsáveis pela garantia da ordem coletiva. Queremos providências!
- A impertinência d'A Tribuna, numa insistência digna de melhor aplicação, voltou, ontem, a dar o órgão mais opiniático que a famosa reação republicana conseguiu montar neste país... Leva o seu reacionarismo a extremos máximos, que nem os seus próprios chefes logram mais atingir. É por certo o único jornal no Brasil que, quando se ocupa do fracassado assalto político às instituições da República, perde ainda a calma e abala os [...] e torra com impropérios os mais violentos. Parece que ainda está nos tempos escuros em que a propaganda niilista chegou ao auge da sua exaltação. Não se rendem os colegas à verdade dos fatos. Ainda agora, tratando o A B C do caso do Rio, diz-nos que o mesmo será resolvido por um acordo, e acordo que o sr. Nilo endossará. O velho chefe fluminense volta à prática daquela política de transigências, de recuos e de negaças em que foi tão feliz outrora e de que se distanciou, pela primeira e última vez, para conhecer as mais tristes catástrofes... Foi-lhe macabro o lema revolucionário do custe o que custar. Substitui, agora, o sr. Nilo Peçanha, pela filosofia conformista do salve-se quem puder... O panfleto do sr. Paulo Hasslocher deve estar suficientemente informado a respeito. Já é tempo, portanto, de A Tribuna ir abrandando o gênio e se conformando com a realidade das coisas. Sempre lhe dissemos que a maioria da nação não podia consentir que triunfasse um grupo de exaltados, somente porque com a sua gritaria atordoava o país inteiro. Vão, pois, os colegas compreendendo, como o sr. Borges de Medeiros, que não há mau motivo para esperneios e zumbaias, e adotem a filosofia conformista do seu malogrado chefe. exibição do seu radicalismo partidário, tratando ainda do nosso editorial sobre a anistia. Os confrades já andaram mal em comentá-lo, visto como apenas conseguiram demonstrar, uma vez mais, a sua conhecida intolerância; e fazem muito pior em recalcitrar no erro, continuando a atacar-nos porque... temos opinião diversa da sua! Para os confrades, nós só podemos pensar como eles, ver como eles, observar como eles. Toda opinião que não seja a sua, é, senão incoerência, ao menos fraqueza, apesar de saberem muito bem que pouco nos importam as posições dos homens, vencidos ou vencedores, e de até já termos feito censuras ao atual governo da República. A verdade, porém, é que os confrades estão vendo tudo às avessas, num daltonismo de fazer piedade, no seu viciado modo de olhar os fatos, quando estes não lhes satisfazem os acariciados interesses políticos. Para eles, desordem e anarquia são patriotismo e dignidade; a desobediência aos superiores hierárquicos é a virtude que encerra a honra dos militares; a sedição passou a tomar ares de legalidade... Se todos os militares tivessem, da honra e do dever, essa compreensão invertida, era uma vez a tranquilidade pública, a ordem social, a garantia do regime! Felizmente, o exército todo, na indigna campanha niilista, não se deixou levar pelo canto de sereia dos que, estimulando-lhe falsos pontos de honra, o procuraram enveredar pelo caminho inglório da traição aos seus deveres mais sagrados; e a parte dos que se desviaram sofreu já, ou está sofrendo, ainda, o justo castigo de seu erro. Esta nossa opinião a respeito desses fatos não é, aliás, novidade, de que os colegas se pasmem. Foi sempre a que mantivemos, antes e depois da sedição de julho; e, se, hoje, censuramos os que combateram contra a lei, não fazemos mais do que ser inteiramente coerentes conosco próprios. Tampouco, é incoerência nossa mostrarmos simpatia pela revolução gaúcha, e combatermos os sediciosos de julho. De uma à outra, vai longa diferença. A sedição de julho foi um movimento de militares, presos ao legado da farda que vestiam, para não desonrá-la com a insubordinação. Mas, fiquemos aqui. Não nos convém discutir mais com «A Tribuna» sobre ponto em que é tamanha a sua intolerância partidária. Fique, apenas, de uma vez por todas, convencida a colega de que, queira ou não queira, nós nos havemos de manifestar sempre com absoluta liberdade e com isenção de ânimo (o que certamente lhe falta) sobre tais fatos, sem nos incomodar que a nossa opinião desassombrada vá, ou não, ferir ao seu melindroso despeito de vencidos.
- Pelo Superior Tribunal de Justiça O Dr. Sebastião Moreira de Azevedo requereu ao Superior Tribunal de Justiça uma ordem de «habeas-corpus» em favor do Cel. João Roberto Pereira, Vicente Roberto Pereira, João Theotônio de Menezes, Antholiano de Sousa Leão, Alcebíades [...], Antônio Barbosa e Miguel Cear, presos em flagrante em Jardim, quando do último tiroteio que ali se verificou. O Superior Tribunal de Justiça, em sessão extraordinária realizada quarta-feira última, concedeu unanimemente a ordem impetrada.
- Para a representação cearense? RIO, 15.— A revista «Atualidade» diz que o médico César Magalhães será indicado para a futura representação cearense, na Câmara Federal.
- Escola de Agronomia do Ceará Esteve, ontem, em nossa redação uma comissão de agronomandos, composta dos ara. Esaú Accioly, Hugo Salgado, Joacy Palhano e Sebastião [...] Alves, para nos convidar a assistirmos à cerimônia da colação de grau naquele estabelecimento, a qual se efetuará no próximo dia 23 às 20 horas, no Palacete da Phoenix. A turma deste ano compõe-se, além dos agronomandos acima citados, dos que se seguem: Francisco Ayres Cintra, Octávio [...], Milton Monteiro, Acelino Pontes Lima, José Pires do Carmo e João Martinho Ferreira Gomes, que é o orador da solenidade. O paraninfo da turma é o professor de matemáticas, tenente-coronel M. Ávila Goulart. Grato à atenção do convite.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente Redação: Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo
- Telegrama Olhai vossos deputados! Vede como eles votam, e aprendereis como deveis votar!
- Expediente ANO I Fortaleza—Sábado, 16 de Junho de 1923 NÚM. 290
- Nota social A colaboração de Julio Maciel Recebemos a seguinte carta: «Sr. Redator.—Leitora assídua dessa folha, acostumara-me ao sadio encanto dos belos e delicados versos com que Julio Maciel a honrava. O poeta da Terra Mártir é, a meu ver, dos que mais merecem lidos pelos que apreciam a delícia de uma arte fina, bem burilada, impecável, aliada ao que há de mais puro e mais mimoso na gama dos sentimentos. A poesia do vale cearense é assim e, por isso, nos prende, delicia e encanta. O Nordeste tivera, pois, uma agradável iniciativa, em ir publicando, em sutis colunas, os versos de Julio Maciel, alguns inéditos, outros trasladados de seu livro já publicado, mas todos, conhecidos ou não, com o mesmo valor do inédito para os que não se cansam de os ler e os admirar. De fato, quantos, como eu, impossibilitados de adquirir a obra de Julio Maciel, já esgotada, estavam colecionando, carinhosamente, as suas produções encantadoras. Por isso, sr. redator, lamento que O Nordeste tenha suspendido a sua publicação, a mais grata a grande número de seus leitores, e não me posso conter que não leve até essa redação o desprazer que isso nos causa a todos os admiradores do talentoso vate conterrâneo. Queira desculpar-me, sr. redator. Sou, sempre, de r. s., admiradora atenta e grata M. C. S.»
- Nota social N. da R.—Temos muito prazer em publicar a missiva acima, que nos enviou uma gentil conterrânea, mesmo porque a sua opinião, sobre a poesia de Julio Maciel, atina, perfeitamente, com a nossa. E teríamos, igualmente, muito gosto em satisfazê-la, se isto estivesse na nossa alçada, o que não se diz. Pomos, pois, nas mãos do nosso distinto colaborador, Julio Maciel, a satisfação a esse pedido da nossa leitora, que, com muito agrado, fazemos também nosso.
- Telegrama ECOS O sr. José Amaral pede-nos a publicação do seguinte telegrama que transmitiu para o Rio: «Presidente República Senador [...]. «Correio da Manhã», «Imparcial», «Boa-Noite». Governo federal deve cerca cinquenta mil contos a comércios particulares, provocando pavorosa crise. Maior parcela verbas destinadas a açudes tem sido desviada bolso fornecedores vão enriquecendo à noite. [...] em bem da moralidade pública. [...]. [...]. José Amaral. Fortaleza, 14 de junho de 1923».
- Telegrama Telegramas DO PAÍS
- Telegrama No Senado. Foi aprovado o projeto da lei da Imprensa RIO, 14 — No Senado, o sr. Paulo de Frontin fundamentou um voto contrário à lei da imprensa, combatendo o projeto e afirmando que, o ano passado, prometera obstruir, por todos os meios, a passagem do projeto. Não o tentara, porém, confiado na palavra dos amigos do governo, que declararam que o estado de sítio seria levantado depois da decretação da lei da imprensa. Se é assim, que se vote quanto antes o projeto, que reconhece ser mau, que não preenche os fins a que é destinado e que não está na altura dos créditos do Senado. Aqueles que o combateram ficam com o consolo de terem cumprido o seu dever, antes da decretação da lei, que será, por isso mesmo que é má, reformada o mais cedo possível. O sr. Chermont fez, também, uma declaração de voto contra o projeto. Foi assim, aprovado em última discussão o projeto regulamentando a liberdade da imprensa.
- Telegrama Várias RIO, 14 — O general Tasso Fragoso seguiu para Pirassununga, a fim de escolher o local onde se devem realizar as manobras militares. — Foi designado o sr. Alderico Bezerra Cavalcante para inspecionar as repartições de Fazenda do Rio G. do Norte. — O ministro da Agricultura designou o Dr. Parreira Horta para examinar a organização do serviço de combate à lagarta rosada. — Surgiu, hoje, aqui a revista «Frou-frou». — D. Octaviano, Arcebispo do Maranhão, segue para lá no 18 do corrente. — Foram transferidos: o sr. Dario Silveira, da 4ª brigada em Bagé, para esta capital; e o Cel. Jerônimo Furtado do Nascimento, do 3º regimento, de Dom Pedrito, para Bagé. — Na pasta do Exterior foi designado um decreto reconhecendo a independência da Hungria e seu atual governo.
- Telegrama O movimento gaúcho O sr. Borges desmentido
- Telegrama RIO, 10 — O procurador da República, em Porto Alegre, desmentiu que tivesse o sr. Borges de Medeiros prestado as informações requeridas a propósito da prisão do coronel Ernesto Anurante.
- Telegrama Os sucessos do Alegrete PORTO ALEGRE, 15 — O general Andrade Naves, comandante da Região, mandou abrir inquérito sobre os sucessos de Alegrete, em que esteve envolvido o general Fábio Azambuja, sendo o general Florindo Ramos encarregado de presidir ao mesmo.
- Telegrama As loucuras do governo gaúcho! PORTO ALEGRE, 15 — Parece que o governo do Estado vai contrair um empréstimo com o Banco Pelotense.
- Telegrama Os contendores estão de acordo...! RIO, 14 — Houve, ontem, uma reunião da bancada gaúcha, [...], na mesma, um telegrama do sr. Borges de Medeiros, declarando que não entrava em acordo de espécie alguma com os revolucionários. Sabe-se que o deputado Antunes Maciel recebeu um telegrama dos chefes revolucionários, dizendo que não deporiam as armas, antes da queda do Borges de Medeiros e da reforma radical da Constituição. PORTO ALEGRE, 14 — Consta que o Cel. [...] Lemos, comandante de uma brigada borgista, pedira demissão. — As forças revolucionárias aproximaram-se de S. José do Norte, ameaçando Pelotas, que está com todas as forças de proteção. — As forças do general Pertinho construíram ranchos na zona ocupada, para abrigar-se durante a invernia. — As forças revolucionárias dinamitaram as pontes e pontilhões da estrada de ferro vizinha a Herval, interrompendo as comunicações entre o litoral e o interior. Foram também levantados trilhos em grande extensão da via férrea, devido a Borges de Medeiros utilizar-se dela para o transporte de tropas.
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