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Biografia

Leandro Chaves de Mello Ratisbona

1824–1900

Crato Bacharel
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Nasceu em Crato a 1 de Maio de 1824 e aos nove annos começou os estudos primários e em breve substituía o fallecido pae no emprego de escrivão. Deixando esse officio, foi estudar na Academia de Olinda, onde recebeu em 1853 o titulo de Bacharel em sciencias jurídicas e sociaes. No tempo ainda de Academico, 2.a annista, foi eleito deputado provincial.

Representou com Bernardo Duarte Brandão, que foi Barão do Crato, o partido liberal da Província na Camara dos Deputados Geraes (12.a e 13.a legislaturas) e entrou em duas listas senatoriaes. Foi nomeado lente da Língua Nacional no Lyceu de Fortaleza em 1857 na mesma occasião em que o Dr. Esmerino Gomes Parente o foi para a cadeira de Rhetorica.

Mudando-se para Parahyba do Sul, mostrou-se advogado de grande fama, com clientela numerosa e ahi falleceu a 22 de Dezembro de 1900.

Era seu avô o Capitão-mór Joaquim A. Bezerra de Menezes, autor da Chronica do Crato, que se encontra no jornal O Araripe, bisavô o Brig. Leandro Bezerra Monteiro e irmãos o B.el José Ayres do Nascimento, jurisconsulto, e o Capitão Aristides Newton Saldanha de Alencar, nascido em Crato a 22 de Agosto de 1843 e casi.lo em 1862 com D.a Anna Carlina de Alencar, filha do T.e C.el Luiz Pereira de Alencar e de D.a Joaquina Carlina de Alencar.

O Capitão Aristides Newton foi filho adoptivo do Major Manoel Carlos Saldanha de Alencar.

Noticiando a morte de Ratisbona, disse com justiça a Republica, de Fortaleza:

Foi um talento de filigrana, com muitos dotes para a attracção dos ânimos, o illustre cearense, que se tinha finado, ha muito, para morrer hontem. Affectado de um derramamento cerebral, ha annos se tinha esterilisado o seu espirito ameno, delicia dos amigos e inveja dos que amam a vida intellectiva, preferindo os successos do saber aos gosos da fortuna áurea, ou do brônzeo poder.

Espirituoso, insinuante e duma palavra, que enleiava, era o que os franceses chamam caiiseur sublime, que dominava tanto os salões, ou rodas aristocráticas, como as palestras aldeiãs.

Competiria, nesta especialidade do talento, com Gonçalves Dias, o immortal, cuja palestra valia um livro bom para os serões, onde primasse a maior delicadeza de sentimentos.

Foi politico da escola liberal, na plêiade de Pompeu e Liberato, e vulto de primeira grandeza, ao influxo somente da sua capacidade.

Venciam-no, porem, os impulsos do coração, lhe tirando á vontade a fina tempera de aço, reclamada pelo attrito dos partidos. No melhor caminho, de momento retrocedia ao impulso de uma força estranha, que não era a de seu senso intimo, mas uma febre d’alma que o prostrava.

De par com as ambições da vida ostensiva e ostentosa,

aos haveres terrenos, quando foi sempre má e corrosiva toda politica, que não rendeu cultos a Plutus. Si foi sempre nobre, por ter vivido pobre, nunca conciliou o poder, porque este escapa aos que não podem conciliar o dinheiro. Foi homem á imagem de Saldanha. Sua força sempre residio nos modos, na elegância do pensamento, e no iman da palavra.

Depois de apparição ruidosa nas assembléas de. sua, terra, e da nação, e da achega de tantos amigos, que se comprasiam de cultivaras suas relações, necessidades da vida o fizeram prender-se ao cepo de uma banca de advogado, e o esquecimento se condensou em torno delle, na sua atmosphera de annos e de trabalho.

Bibliografia1

  1. Ceará. Eleição do 3.o districto, Rio de Janeiro, Typ. do Correio Mercantil, 1863, in 8.o de 13 pp.

    Irmão de Joaquim Secundo Chaves. Foi seu pae o Capitão Thomaz José Leite de Chaves e Mello.