Filho de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, o malfadado presidente dn Republica do Equador no Ceará e de D.a Anna Triste Araripe, nasceu em Icó a 7 de Outubro de 1821. Neto. portanto, de José Gonçalves Pereira e de sua mulher D a Barbara de Alencar, cujo nome está para sempre vinculado, como os dos filhos, á historia das lucras da liberdade no paiz.
Formou-se pela Faculdade de Direito de S. Paulo em 1845, tendo estudado o 1.a e 2.c annos na Faculdade do Recife,foi: juiz municipal da Fortaleza em 1847 por Dec de 20 de Fevereiro; deputado provincial pelo Ceará no biennio de 1849 a 1850 (presidente da assembléa; juiz de direito de Bragança no Pará em 1854 por Dec. de 15 de Fevereiro; chefe de policia do Espirito Santo em 1856 por Dec. de 4 de Abril; chefe de policia de Pernambuco em 1859 por Dec. de 1 de Fevereiro (desse tempo data seu abandono do partido liberal por questões com o chefe Nascimento Feitosa); juiz especial do commercio de Recife em 1861 por Dec. de 31 de Agosto; desembargador da Relação da Bahia por Dec. de 23 de Março de 1870, com exercício na Relação da Corte no mesmo anno; presidente da Relação de S. Paulo em 1874, com o titulo de Conselho; removido para a da Corte em 1875; Presidente do Rio Grande do Sul em 1876: deputado geral pelo Ceará nas legislaturas de 1869, 1872 e 1875; Presidente do Pará em 1885; ministro do Supremo Tribunal de Justiça em 1886; membro do Supremo Tribunal Federal em 1890, ministro da Fazenda e depois da Justiça e negócios interiores no governo de Deodoro da Fonseca.
Com esse illustre magistrado deu-se uma notável ironia do destino: seu pae, Tristão Gonçalves, o morto de Santa Rosa, proclamou a Republica no Ceará por haver o Imperador D. Pedro dissolvido a Constituinte; o filho. Conselheiro Araripe, assignou o decreto do Marechal Deodoro que dissolveu a 1.* assembléa geral da Republica que fora Constituinte, tendo feito e promulgado a actual Constituição de 24 de Fevereiro, antes de converter-se em ordinária.
O Conselheiro Araripe entrou 2 vezes em lista para a escolha de Senadores pelo Ceará, sendo que na 1.a nonupla, foram escolhidos os Drs. Paula Pessoa, Castro Carreira e Viriato de Medeiros, e na 2.;i o Dr. Nogueira Accioly.
Com Frederico Pamplona e mais tarde Pompeu dirigiu o Cearense, o notável jornal liberal apparecido em Fortaleza a 4 de Outubro de 1846.
Falleceu na tarde de 3 de Julho de 1908 na Capital Federal, vietima de arteriosclerose.
Era membro benemérito do Instituto Histórico Bra-zileiro, a que pertencia desde 21 de Outubro de 1870, da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, correspondente da Academia Cearense, honorário do Instituto do Ceará e de innumeras outras sociedades scientificas e literárias, e tinha o Oíficialato da Rosa,
Publicou25
- Eleição de 1863 em Pernambuco por Philopoemen, Pernambuco, 1863, in-4.° de 64 pp.
- Males presentes por Philopoemen, Pernambuco, 1864, in-4> de 65 pp.
- Historia da Província do Ceará desde os tempos primitivos até 1850. Recife, Typographia do Jornal do Recife, Rua do Imperador n.o 77, 1867, in-4." de 130 pp.
“Este trabalho, disse com muita justiça escrevendo delle o Dr. Araripe Júnior, resultado das primeiras pesquizas por elle realizadas nos archivos daquella ex-provincia, apezar dos que posteriormente appareceram de Theberge, Pompeu, João Brigido e Studart, ainda hoje prima pela concisão da forma e pela rigorosa exactidão dos factos. A exegese dos documentos relativos á povoação da terra e á civilisação dos indios constitue um dos melhores e mais completos subsídios para a historia definitiva da alludida região”.
- Ligeira analyse do folheto publicado na Corte sob o titulo O Rei eo partido liberal, Recife, 1869.
- Negócios do Ceará, Rio de Janeiro, Typ. Imp. e Const. de J. Villeneuve & e ", Rua do Ouvidor n.o 65, 1872, 63 pp. Sem o nome do autor.
É a reunião dos artigos publicados no /ornai do Commercio sub a assigiiatura O Tabajara acerca da questão suscitada pelo acto da suspensão do presidente da Camara Municipal de Sobral pelo vice-presidente da Província, Commendador Joaquim da Cunha Freire-
- A Questão Religiosa, o beneplácito e a desobediência, 1873. É a publicação em livro dos artigos que estampou em jornaes do Rio de Janeiro em 1872 por occasião da lucta travada contra os bispos pela maçonaria, associação de que fazia parte. Os artigos assignava-os com o pseudonymo de Verdadeiro crente.
- Discurso proferido na installação da Relação de S. Paulo em 3 de Fevereiro de 1874.
- Discurso em defeza ao parecer da Commissão especial nomeada pela Camara dos Deputados para examinar a denuncia apresentada contra trez Ministros d'Estado por crime de traição, proferido em sessão de 4 de Setembro de 1874, Typ. Imp. e Const, de J. Villeneuve & C.a 1874, 30 pp.
- Discurso proferido na Camara Temporária em sessão de 22 de Setembro de 1875 sobre os Limites do Ceará e Piauhy.
- Projecto apresentado na Camara dos Deputados sobre a liberdade de consciência com o discurso proferido em sessão de 17 de Junho de 1875. Rio de Janeiro, Typ. Imp. e Const, de. Villeneuve & C.a, 1875.
- Como cumpre escrever a historia pátria. Conferencia em 7 de Fevereiro de 1876. Rio de Janeiro, Typ. Imp. e Const, de J- Villeneuve & C.a, 65 Rua do Ouvidor, 1876, 32 pp.
- Patriarchas da independência. Conferencia em 12 de Março, de 1876 na Escola da Gloria na Corte. Porto Alegre, Typ. do Jornal do Commercio, 1876.
- Consolidação do Processo Criminal do Império do
Brazil, Rio de Janeiro, 1876, in-8.° de 752 pp., A. A Cruz Coutinho, editor.
- Discurso sobre as providencias relativas ás seccas do Ceará, proferido em sessão da Camara dos Deputados de 27 de Junho de 1877, Rio de Janeiro, Typographia de J. Villeneuve & C.a, 61 Rua do Ouvidor, 1877, in -8." de 33 pp.
- Primeiras linhas sobre o processo orphanologico por José Pereira de Carvalho, revistas de accordo com a nova legislação Brazileira, Rio de Janeiro. A. A. Cruz Coutinho, editor, 1879, in-4.°
- Pater-familias no Brazil nos tempos coloniaes, memoria lida em sessão do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro de 4 de Setembro de 1880.
- Visconde do Rio Branco na Maçonaria. Allocução proferida por Tristão de Alencar Araripe por parte do Grande Oriente do Brazil no acto de dar-se á sepultura o cadáver do grão-mestre Visconde do Rio Branco no Cemitério do Caju em 2 de Novembro de 1880, publicada na “Rev. do Inst. Hisf. e Geographico Brazileiro”, tomo 53, f. I, p. 304.
- Guerra civil do Rio Grande do Sul. Memoria acompanhada de documentos lida no Instituto Histórico e Geographico do Brazil. Rio de Janeiro. Typographia Universal de E. &-H. Laemmert, 71 Rua dos Inválidos, 1881, in-8.° de 245 pp. afora rectificação e additamentos.
“A Historia da guerra civil do Rio Grande do Sul, disse seu filho, já por mim citado, é um documento vibrante dos irresistíveis instinetos do Conselheiro Araripe para esse gênero de escriptos. Foi preparada e em parte elaborada ao tempo em que o autor exercia as funcçoes de Presidente da ex-província do Rio Grande.. E o que mais admira é que elle, em um período tormentoso, como foi o da-quella presidência, tivesse tido tempo e calma para revolver archivos e prestar attenção a assumptos tão antipathi-cos a quem se vê sollicitado, a todo instante, pela necessidade de estar em vigília diante de polUicos insofregos e amotinados por ambições eleitoraes”. /
- Noticia sobre a maioridade. Rio de Janeiro. Typographia Universal de H. Laemmert & C.a 71 Rua dos Inválidos, 1882. Essa memoria foi lida no Instituto Histórico e. Geographico do Brazil.
- 25 de Março. O Ceará no Rio de Janeiro. Discurso histórico na grandÉfesta da Sociedade Cearense Abolicionista no Rio de Janeiro. Fortaleza, Typ. do Libertador, 56 Rua da Palma, 1884.
- Classificação das leis do processo criminal e civil do Império do Brazil ou código do processo posto em ordem de matérias com toda a legislação referente nas suas duas partes: criminal e civil. Rio de Janeiro, 8o, 1884.
- Código civil Brazileiro ou íeis civis do Brazil dispostas por ordem de matérias em seu estido actual. Rio de Janeiro, 8.°, 1885
- Neologia e Neografia Geográfica do Brazil. Memoria lida em sessão da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e publicada em sua “Revista” n.o 2, tomo 1.°, 1885.
- Expedição do Ceará em auxilio do Piauhy e Maranhão. Publicado na “Revista do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro”, anno de 1885.
- -Independência no Maranhão. Memoria lida no Instituto Histórico e Geographico Brazileiro e publicada na “Revista” 48.°, parte 2.a, 2" semestre de 1885. Com alia e o anterior trabalho o autor procurou demonstrar, e com todo fundamento e successo penso, que a Independência foi devida mais á expedição cearense de Filgueiras do que aos esforços de Lord Cochrane.
Alguns trechos desse trabalho estão reproduzidos na “Revista do Instituto rio Ceará”, anno de 1901.
Bibliografia8
- Discurso proferido na sessão solene de 11 de Setembro de 1890 em commemoração aniversaria da Associação promotora da instrução, pelo orador official Conselheiro Tristão de Alencar Araripe. Rio de Janeiro, Typ. Universal de Laemmert & C.a 66 Rua do Ouvidor, 1890, 13 pp. in-8.o.
- Relatório apresentado ao presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil pelo Ministro de Estado dos negócios da fazenda em Junho de 1891. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1891, in-8.'
- -Movimento Colonial da America, memoria lida em sessão do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro, Rio de Janeiro, Companhia Typographica do Brazil, 93 Rua dos Inválidos, 1893.
- Primeiro navio francez no Brazil. Memoria lida etc, publicada na “Revista do Instituto Histórico Brazileiro”, vol. 49.
- Cidades petrificadas e inscripções lapidares no Brazil, publicado na “Revista do Instituto Histórico Brazileiro”. tomo 50, parte 1.", pag. 213.
- Carta ao Director da Revista do Instituto do Ceará (Dr. Guilherme Studart). Vem publicada na “Revista” de 1896. Occupa-se da mudança do nome Fortaleza, combate a substituição por Iracema, preferindo a de Morenopolis, proposta por aquelle director.
- Ao Marechal Manoel Deodoro da Fonseca. Rermniscencia. Soneto. Rio, 23 de Agosto de 1897.
- Primazias do Ceará. Está publicado no Livro Commemorativo da vinda dos primeiros portugueses ao Ceará, 1903.
Bibliografia5
- Ataque e tornada da cidade do Rio de Janeiro pelos Francezes em 1711 sob o cominando de Duguay-Trouin. Traducção publicada na Revista do Instituto Histórico Brazileiro, tomo 47, 1884.
- Vida do Padre Estanislao de Campos da Sociedade de Jezus, Sacerdote na Provincia do Brazil.
- Historia de uma viagem á tetra do Brazil por João de Leri, “Revista do' Instituto Hist. e Geog. Brazileiro”, tomo 52.
- Relação verídica e sucinta dos tizos e costumes dos Tupinambos por Hans Staden, “Revista do Inst. Hist. Brazileiro”, tomo 55
- Commentarios de Alvaro Nunes Cabeça de Vacca, adelantado e governador do Rio da Prata, redigidos por Pedro Fernandes, “Revista do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro”, tomo 56.
“O Conselheiro Tristão de Alencar Araripe, Independência do Maranhão, Memoria lida no Instituto histórico, geographico e ethnographico do Brazil, e publicada na Revista XLVIII, parte segunda, segundo semestre de 1885, propoz-se a provar que não a Lord Cochrane mas só a expedição cearense, commandada pelo Capitão-mór José Pereira Filgueiras, foi devida essa nova conquista do Maranhão. O assumpto não merecia tanto esforço de espirito nem o tão grande montão de documentos, na parte primeira do mesmo tomo.
A lei natural do synchronismo foi a maior e mais forte operariado facto da Independência do Brazil irüeuo; as resistências destruídas serviram apenas para attestar aquella lei em operação. Todavia é certo que a expedição cearense concorreu principalmente para o successo”-
Transcrevi os conceitos de João Mendes por causa da confissão final.
A biographia, de auctor ignorado, foi escripia ein Roma em 1765, e deve-se o conhecimento delia ao Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, que offereceu ao Instituto Histórico Brazileiro urna copia fiel do manuscripto original, trazido para o Brazil pelo Padre José de Campos, sobrinho do jesuíta biographado. A traducção por Araripe vem publicada, na “Revistado Inst Hist. e Geog. Brazileiro”, tomo 52.
Consta que deixou inéditos A Cabanada no Pará e parte da Historia do Ceará referente ao século XIX e traducções das obras de varios escriptores, entre elles Plutarcho.