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Biografia

Francisco Xavier de Castro Guimarães

1878–1907

10 min de leitura 1.940 palavras

Segundo Diccionario Bio-bibliographico Cearense

Filho de Luiz Xavier da Silva Castro e D.a Luisa Xavier Guimarães, nasceu na villa de Tamboril a 31 de Janeiro de 1878.

Em Fortaleza estudou primeiras letras com o professor Thomaz Antonio de Carvalho e no Collegio do Cónego Liberato D. da Costa, de onde sahiu para o Lyceu, em que fez o curso de preparatórios.

Redigiu com Marcolino Fagundes, Annibal Theophilo e Graccho Cardoso a revista literária “A Penna”, tendo sido um dos fundadores do “Centro Litterário”.

Abandonando os estudos, dedicou-se ao commercio em 1895, e nessa carreira se conservou como guarda-livros até ser nomeado 4.o escripturario da Alfandega.

Collaborou na imprensa deste e de outros Estados.

Falleceu a 2 de Maio de 1907.

Francisco Xavier Torres—Brigadeiro reformado do Exercito, fallecido na Corte do antigo Império a 25 de Março de 1873 e natural da cidade da Fortaleza, onde nasceu em 1803, sendo seus paes o Sargento-mór Francisco Xavier Torres e D.a Anna Torres, natural de Pernambuco.

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Assentou praça de cadete na Companhia de Artilharia

do Ceará a 5 de Agosto dé 1806, sem beneficio de soldo e pão, isto é, sem perceber vencimentos, por tel-os offerecido seu pae á Fazenda Nacional durante um anuo, até 5 de Agosto de 1807, deixando novamente de percebel-os de 1 de Agosto de 1808 a 23 de Março de 1812. A 28 de Março de 1814 teve baixa do serviço militar mas assentou praça novamente a 1 de Maio de 1821, passando a 1.o Cadete Porta-bandeira a 19 de Novembro do mesmo anuo.

Em 1822 marchou na Expedição Auxiliadora ás Provincias de Piauhy e Maranhão, regressando no anno seguinte-A 11 de Setembro de 1824 foi promovido a Alferes para o corpo de Infantaria do Ceará, que era o 22.o Batalhão de Caçadores de l.” linha, contando antiguidade de 21 de Novembro de 1821, e a 12 de Outubro do mesmo anno teve accesso ao posto de Tenente. Em 1824 foi nomeado Secretario do Cominando das Armas do Ceará, cargo que exerceu até o anno seguinte, quando seguiu com o batalhão para a Capital do Maranhão, ahi estando destacado durante dez mezes e regressando em 1826.

A 2 de Agosto de 1825 foi promovido ao posto de Capitão para o referido batalhão e a 20 de Outubro de 1828 a Major para o 72.u Batalhão de Caçadores de 2.a linha.

A 24 de Outubro de 1829 marchou para a comarca do Crato commandando a Força Expedicionária, que para alli seguiu de observação afim de obstar a proclamação do governo absoluto, e recolheu-se ao seu corpo a 6 de Agosto de 1830, recebendo elogios por ter restabelecido a ordem.

A 28 de Junho de 1831 foi nomeado Commandante Militar da Capital da Provincia pelo Coronel Commandante das Armas Thomaz Antonio da Silveira, que seguia para o Cariry e que, ao voltar, louvou-o pelo modo como desempenhou essa commissão; e a 19 de Outubro do mesmo anno assumiu interinamente o Commando das Armas, por ter sido demittido o referido Coronel.

A 15 de Janeiro do anno seguinte marchou para o centro da Província afim de tomar o Commando de todas as forças expedicionárias contra a rebellião de Pinto Madeira, e a 4 de Fevereiro seguinte foi dispensado do logar de Commandante das Armas interino, por ter sido o mesmo extmcto, e elle nomeado no dito dia Commandante daquellas foiças.

A 11 de Abril de 1832 foi elogiado pelo Presidente da Província pelo ataque dado contra as forças rebeliadas de Pinto Madeira na villa do Icó, a 4 do mesmo inez, e a 15 de Outubro de 1832 foi louvado em Ordem do Dia do General Commandante em Chefe das Forças da Província, pelo prompto cumprimento de suas ordens e serviços prestados no Commando Geral do Cariry. Ainda neste mez foi louvado pelo seu zelo e actividade e mandado recolher á villa tio Icó com o Estado-Maior do 22." Batalhão de Infantaria de 1.a. linha, cujo commando interino exercia.

A 25 de Outubro do anno seguinte recolheu-se á Capital da Província e a 18 de Novembro deixou o commando do batalhão por ter de seguir pieso para Pernambuco” de ordem do presidente da Província. A l0 de Dezembro recolheu-se solto ao seu batalhão e a 20 de Janeiro de 1831 seguiu para a Corte por ordem do Governo Provincial, recolhendo-se novamente a seu corpo em 1 1 de Maio do anno seguinte.

A 24 de Setembro de 1835 marchou commandando a força que expedicionou para a Província do Para, sendo louvado pela actividade e zelo que mostrou nesta marcha e na tomada da villa de Turyassú ; e a 27 de Abril do anuo seguinte foi nomeado Commandante Militar das villas de Bragança, Turyassú e Ourem.

A 28 de Agosto de 1838 foi promovido a Tenente-Coronel.

A 5 de Abril do anno seguinte foi louvado pelo Commandante das Armas do Pará pelo modo como desempenhou suas ordens, e a 11 de Maio seguinte regressou ao Ceará, assumindo a 14 do mesmo mez o commando da força de l.a linha aqui existente.

A 6 de Agosto do mesmo anno marchou com esta força sob seu commando para a villa de Sobral, recolhendo-a 12 de Dezembro seguinte, e sendo mandado fazer em seus assentamentos menção honrosa dos serviços prestados na comarca.

Por Ordem do Dia do Presidente da Provincia de 3 de Fevereiro de 1840 foi louvado pela prompta execução de suas ordens, disciplina de seus commandadbs e harmonia que sempre manteve com a presidencia: a 18 de Abril de 1840 assumiu de ordem da presidencia o Commando do Batalhão Provisorio de Caçadores organisado pela provincia e a 24 do mesmo mez foi nomeado Commandante em chefe das forças em operações na Comarca de Sobral e com ellas marchou para as fronteiras da provincia, recolhendo-se á Capital em 26 de Janeiro do anno seguinte.

Pela Ordem do Dia da Presidencia, de 2 de junho ainda de 1840, foi publico que dera com as forças sob seu commando tres ataques contra os rebeldes intrincheirados nas Algodoeiras (ou Algodões) e fazenda da Bahyba, ora riacho dos Angicos Brancos, Piauhy, e a 25 de Junho foi elogiado pelo valor e bravura que mostrou na tomada de Frecheiras a 15 do dito mez.

Achando-se gravemente enfermo, foi-lhe pedido pelo Presidente da Provincia que, a bem do serviço publico, continuasse no Commando em Chefe das forças, pelo que permaneceu em seu posto.

A 10 de Dezembro seguinte foi demittido pelo Presidente do Ceará do Commando em chefe das forças em operações e do Batalhão Provisorio de Caçadores e regressou á Capital da Provincia a 24 de Janeiro do anno seguinte, seguindo para a Corte a 8 de Fevereiro e recolhendo-se a 21 de Junho.

A 1 de Agosto do mesmo anno foi nomeado Instructor Geral da 1.a Legião da G. Nacional da Capital e a 16 do mesmo mez passou novamente a commandar o Batalhão Provisorio, de que foi dispensado a 21 de Setembro seguinte, afim de ir na cidade de Sobral responder ao Jury, que o despronunciou.

A 18 de Julho deste anno de 1842 assumiu novamente o commando do Batalhão Provisório e a 1 de Agosto seguinte foi encarregado do commando da Guarnição na ausência do Presidente da Província.

A 17 de Setembro de 1847 foi graduado em Coronel sendo confirmado neste posto a 16 de Novembro de 1850.

A 18 de março de 1847 foi nomeado Commandante do 4.o Batalhão de Caçadores, no Pará, onde se apresentou a 3 de Maio seguinte, e ahi esteve até o dia 10 de Novembro de 1850, quando embarcou com a ala direita do mesmo para Pernambuco, e, durante este período exerceu interinamente por tres vezes o commando das Armas da Província.

A 26 de Janeiro do anno seguinte embarcou em Pernambuco com o seu batalhão para a Corte e dahi para o Rio Grande do Sul a 17 de Março seguinte; ainda a 8 de Maio seguinte com o seu batalhão, que fora reorganizado e tomara o n.o 12 de Infantaria, de Porto Alegre, entrando em operações de campanha no Estado Oriental a 4 de Setembro.

A 4 de Janeiro de 1852 embarcou com o batalhão na Colônia de Sacramento, onde se achava, e seguiu com a brigada destinada a dar desembarque em Buenos Ayres, regressando a 6 para a dita Colônia, por não ser mais preciso o dito desembarque. A 13 de Fevereiro seguinte- chegou á Corte com o Batalhão e então foi condecorado com a medalha de ouro concedida aos que fizeram essa campanha e com a commenda de Christo.

Tendo ainda seguido no mesmo anno com o batalhão para Alagoas e no seguinte para Pernambuco foi ahi suspenso do respectivo commando e mandado recolher á Corte, por Aviso do Ministro da Guerra, que, por outro Aviso, determinou que não se lançasse nota alguma em seus assentamentos, ficando com direito á percepção de todos os vencimentos, menos a gratificação de commando, visto não ter sido suspenso por castigo e sim chamado á Corte por conveniência do serviço.

A 23 de Abril de 1853 regressou a Pernambuco e reassumiu o commando do Batalhão, seguindo com elle em Novembro para o Pará, onde chegou a 15, e exercendo ahi interinamente o commando das Armas por duas vezes em 1855 e 1857.

Em Novembro de 1855 seguiu para a Corte de ordem do Governo Imperial, regressou ao Pará em Agosto de 1856, e de Maio a Novembro de 1857 esteve no Ceará no gozo de uma licença, reassumindo o commando de seu Batalhão no Pará a 1 de Dezembro.

A 18 de Maio de 1859 foi transferido para o Corpo do Estado-Maior de 2." Classe, deixando a 25 de Junho o commando do batalhão e apresentando-se a 9 de Setembro na sede de seu corpo, na Corte.

A 19 de Novembro seguinte foi nomeado Assistente do Ajudante General no Maranhão, assumindo este cargo a 2 de Dezembro e sendo dispensado por extincção do mesmo a 12 de Novembro do anno seguinte.

Recolheu-se á Corte a 31 de Janeiro de 1861 e a 19 de Fevereiro seguinte foi nomeado para inspeccionar os corpos das Guarnições do Piauhy e Ceará, recolhendo-se á Corte, por haver terminado esta commissão, a 26 de Maio de 1863.

Em 1863 ainda foi nomeado para inspeccionar o 11.o Batalhão de Infantaria, e o deposito de Artigos Bellicos do Maranhão; também inspeccionou o 3.o Batalhão de Artilharia a pé.

A 22 de Fevereiro de 1865 foi nomeado Director do Arsenal de Guerra do Pará, (cargo que exerceu até Julho, sendo nomeado a 28 deste mez Commandante da Fortaleza de S. Cruz). A 23 de Novembro deste anno foi mandado servir no Exercito em operações fora do Império, seguindo a 12 de Dezembro e voltando de Montevideo a 27 de Janeiro de 1856.

A 31 deste mez e anno foi reformado no posto de Brigadeiro com o soldo por inteiro, por se achar soffrendo de uma moléstia incurável, que o tornava incapaz para o serviço do Exercito.

A 1 de Junho de 1867 foi novamente nomeado Commandante da Fortaleza de S. Cruz, cargo que exerceu até 15 de Maio do anno seguinte.

A 18 de Agosto de 1871 foi mandado ficar addido á Secretaria da Guerra, em commissão especial de serviço de que foi dispensado a 3 de Maio do anno seguinte.

Em remuneração aos seus serviços foi também condecorado com o Officialato da Ordem da Rosa.

Tal foi, em traços largos, a vida desse Cearense de grandes serviços militares ao Paiz e que se fez também saliente pela parte activa que tomou nas luctas partidárias da antiga Província mormente na administração Alencar, a quem combateu com as armas na mão.

Segundo 1001 Cearenses Notáveis

Grafado como Francisco Xavier de CASTRO GUIMARÃES

Nasceu em Tamboril, 31 de janeiro de 1878, filho de Luís Xavier da Silva Castro e Luisa Xavier. Guimarães. Estudou no Liceu do Ceará. Jornalista (“A Pena”, “Ceará” e “Estado do Ceará”; “Cearense”, de Belém - PA). Ajudou a fundar o Centro Literário. Presidente do Grêmio Literário Rocha Lima. Guarda-livros. Escriturário da Alfândega. Morreu em Fortaleza, 2 de maio de 1907.

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