Filho de Luiz Xavier da Silva Castro e D.a Luisa Xavier Guimarães, nasceu na villa de Tamboril a 31 de Janeiro de 1878.
Em Fortaleza estudou primeiras letras com o professor Thomaz Antonio de Carvalho e no Collegio do Cónego Liberato D. da Costa, de onde sahiu para o Lyceu, em que fez o curso de preparatórios.
Redigiu com Marcolino Fagundes, Annibal Theophilo e Graccho Cardoso a revista literária “A Penna”, tendo sido um dos fundadores do “Centro Litterário”.
Abandonando os estudos, dedicou-se ao commercio em 1895, e nessa carreira se conservou como guarda-livros até ser nomeado 4.o escripturario da Alfandega.
Collaborou na imprensa deste e de outros Estados.
Falleceu a 2 de Maio de 1907.
Francisco Xavier Torres—Brigadeiro reformado do Exercito, fallecido na Corte do antigo Império a 25 de Março de 1873 e natural da cidade da Fortaleza, onde nasceu em 1803, sendo seus paes o Sargento-mór Francisco Xavier Torres e D.a Anna Torres, natural de Pernambuco.
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Assentou praça de cadete na Companhia de Artilharia
do Ceará a 5 de Agosto dé 1806, sem beneficio de soldo e pão, isto é, sem perceber vencimentos, por tel-os offerecido seu pae á Fazenda Nacional durante um anuo, até 5 de Agosto de 1807, deixando novamente de percebel-os de 1 de Agosto de 1808 a 23 de Março de 1812. A 28 de Março de 1814 teve baixa do serviço militar mas assentou praça novamente a 1 de Maio de 1821, passando a 1.o Cadete Porta-bandeira a 19 de Novembro do mesmo anuo.
Em 1822 marchou na Expedição Auxiliadora ás Provincias de Piauhy e Maranhão, regressando no anno seguinte-A 11 de Setembro de 1824 foi promovido a Alferes para o corpo de Infantaria do Ceará, que era o 22.o Batalhão de Caçadores de l.” linha, contando antiguidade de 21 de Novembro de 1821, e a 12 de Outubro do mesmo anno teve accesso ao posto de Tenente. Em 1824 foi nomeado Secretario do Cominando das Armas do Ceará, cargo que exerceu até o anno seguinte, quando seguiu com o batalhão para a Capital do Maranhão, ahi estando destacado durante dez mezes e regressando em 1826.
A 2 de Agosto de 1825 foi promovido ao posto de Capitão para o referido batalhão e a 20 de Outubro de 1828 a Major para o 72.u Batalhão de Caçadores de 2.a linha.
A 24 de Outubro de 1829 marchou para a comarca do Crato commandando a Força Expedicionária, que para alli seguiu de observação afim de obstar a proclamação do governo absoluto, e recolheu-se ao seu corpo a 6 de Agosto de 1830, recebendo elogios por ter restabelecido a ordem.
A 28 de Junho de 1831 foi nomeado Commandante Militar da Capital da Provincia pelo Coronel Commandante das Armas Thomaz Antonio da Silveira, que seguia para o Cariry e que, ao voltar, louvou-o pelo modo como desempenhou essa commissão; e a 19 de Outubro do mesmo anno assumiu interinamente o Commando das Armas, por ter sido demittido o referido Coronel.
A 15 de Janeiro do anno seguinte marchou para o centro da Província afim de tomar o Commando de todas as forças expedicionárias contra a rebellião de Pinto Madeira, e a 4 de Fevereiro seguinte foi dispensado do logar de Commandante das Armas interino, por ter sido o mesmo extmcto, e elle nomeado no dito dia Commandante daquellas foiças.
A 11 de Abril de 1832 foi elogiado pelo Presidente da Província pelo ataque dado contra as forças rebeliadas de Pinto Madeira na villa do Icó, a 4 do mesmo inez, e a 15 de Outubro de 1832 foi louvado em Ordem do Dia do General Commandante em Chefe das Forças da Província, pelo prompto cumprimento de suas ordens e serviços prestados no Commando Geral do Cariry. Ainda neste mez foi louvado pelo seu zelo e actividade e mandado recolher á villa tio Icó com o Estado-Maior do 22." Batalhão de Infantaria de 1.a. linha, cujo commando interino exercia.
A 25 de Outubro do anno seguinte recolheu-se á Capital da Província e a 18 de Novembro deixou o commando do batalhão por ter de seguir pieso para Pernambuco” de ordem do presidente da Província. A l0 de Dezembro recolheu-se solto ao seu batalhão e a 20 de Janeiro de 1831 seguiu para a Corte por ordem do Governo Provincial, recolhendo-se novamente a seu corpo em 1 1 de Maio do anno seguinte.
A 24 de Setembro de 1835 marchou commandando a força que expedicionou para a Província do Para, sendo louvado pela actividade e zelo que mostrou nesta marcha e na tomada da villa de Turyassú ; e a 27 de Abril do anuo seguinte foi nomeado Commandante Militar das villas de Bragança, Turyassú e Ourem.
A 28 de Agosto de 1838 foi promovido a Tenente-Coronel.
A 5 de Abril do anno seguinte foi louvado pelo Commandante das Armas do Pará pelo modo como desempenhou suas ordens, e a 11 de Maio seguinte regressou ao Ceará, assumindo a 14 do mesmo mez o commando da força de l.a linha aqui existente.
A 6 de Agosto do mesmo anno marchou com esta força sob seu commando para a villa de Sobral, recolhendo-a 12 de Dezembro seguinte, e sendo mandado fazer em seus assentamentos menção honrosa dos serviços prestados na comarca.
Por Ordem do Dia do Presidente da Provincia de 3 de Fevereiro de 1840 foi louvado pela prompta execução de suas ordens, disciplina de seus commandadbs e harmonia que sempre manteve com a presidencia: a 18 de Abril de 1840 assumiu de ordem da presidencia o Commando do Batalhão Provisorio de Caçadores organisado pela provincia e a 24 do mesmo mez foi nomeado Commandante em chefe das forças em operações na Comarca de Sobral e com ellas marchou para as fronteiras da provincia, recolhendo-se á Capital em 26 de Janeiro do anno seguinte.
Pela Ordem do Dia da Presidencia, de 2 de junho ainda de 1840, foi publico que dera com as forças sob seu commando tres ataques contra os rebeldes intrincheirados nas Algodoeiras (ou Algodões) e fazenda da Bahyba, ora riacho dos Angicos Brancos, Piauhy, e a 25 de Junho foi elogiado pelo valor e bravura que mostrou na tomada de Frecheiras a 15 do dito mez.
Achando-se gravemente enfermo, foi-lhe pedido pelo Presidente da Provincia que, a bem do serviço publico, continuasse no Commando em Chefe das forças, pelo que permaneceu em seu posto.
A 10 de Dezembro seguinte foi demittido pelo Presidente do Ceará do Commando em chefe das forças em operações e do Batalhão Provisorio de Caçadores e regressou á Capital da Provincia a 24 de Janeiro do anno seguinte, seguindo para a Corte a 8 de Fevereiro e recolhendo-se a 21 de Junho.
A 1 de Agosto do mesmo anno foi nomeado Instructor Geral da 1.a Legião da G. Nacional da Capital e a 16 do mesmo mez passou novamente a commandar o Batalhão Provisorio, de que foi dispensado a 21 de Setembro seguinte, afim de ir na cidade de Sobral responder ao Jury, que o despronunciou.
A 18 de Julho deste anno de 1842 assumiu novamente o commando do Batalhão Provisório e a 1 de Agosto seguinte foi encarregado do commando da Guarnição na ausência do Presidente da Província.
A 17 de Setembro de 1847 foi graduado em Coronel sendo confirmado neste posto a 16 de Novembro de 1850.
A 18 de março de 1847 foi nomeado Commandante do 4.o Batalhão de Caçadores, no Pará, onde se apresentou a 3 de Maio seguinte, e ahi esteve até o dia 10 de Novembro de 1850, quando embarcou com a ala direita do mesmo para Pernambuco, e, durante este período exerceu interinamente por tres vezes o commando das Armas da Província.
A 26 de Janeiro do anno seguinte embarcou em Pernambuco com o seu batalhão para a Corte e dahi para o Rio Grande do Sul a 17 de Março seguinte; ainda a 8 de Maio seguinte com o seu batalhão, que fora reorganizado e tomara o n.o 12 de Infantaria, de Porto Alegre, entrando em operações de campanha no Estado Oriental a 4 de Setembro.
A 4 de Janeiro de 1852 embarcou com o batalhão na Colônia de Sacramento, onde se achava, e seguiu com a brigada destinada a dar desembarque em Buenos Ayres, regressando a 6 para a dita Colônia, por não ser mais preciso o dito desembarque. A 13 de Fevereiro seguinte- chegou á Corte com o Batalhão e então foi condecorado com a medalha de ouro concedida aos que fizeram essa campanha e com a commenda de Christo.
Tendo ainda seguido no mesmo anno com o batalhão para Alagoas e no seguinte para Pernambuco foi ahi suspenso do respectivo commando e mandado recolher á Corte, por Aviso do Ministro da Guerra, que, por outro Aviso, determinou que não se lançasse nota alguma em seus assentamentos, ficando com direito á percepção de todos os vencimentos, menos a gratificação de commando, visto não ter sido suspenso por castigo e sim chamado á Corte por conveniência do serviço.
A 23 de Abril de 1853 regressou a Pernambuco e reassumiu o commando do Batalhão, seguindo com elle em Novembro para o Pará, onde chegou a 15, e exercendo ahi interinamente o commando das Armas por duas vezes em 1855 e 1857.
Em Novembro de 1855 seguiu para a Corte de ordem do Governo Imperial, regressou ao Pará em Agosto de 1856, e de Maio a Novembro de 1857 esteve no Ceará no gozo de uma licença, reassumindo o commando de seu Batalhão no Pará a 1 de Dezembro.
A 18 de Maio de 1859 foi transferido para o Corpo do Estado-Maior de 2." Classe, deixando a 25 de Junho o commando do batalhão e apresentando-se a 9 de Setembro na sede de seu corpo, na Corte.
A 19 de Novembro seguinte foi nomeado Assistente do Ajudante General no Maranhão, assumindo este cargo a 2 de Dezembro e sendo dispensado por extincção do mesmo a 12 de Novembro do anno seguinte.
Recolheu-se á Corte a 31 de Janeiro de 1861 e a 19 de Fevereiro seguinte foi nomeado para inspeccionar os corpos das Guarnições do Piauhy e Ceará, recolhendo-se á Corte, por haver terminado esta commissão, a 26 de Maio de 1863.
Em 1863 ainda foi nomeado para inspeccionar o 11.o Batalhão de Infantaria, e o deposito de Artigos Bellicos do Maranhão; também inspeccionou o 3.o Batalhão de Artilharia a pé.
A 22 de Fevereiro de 1865 foi nomeado Director do Arsenal de Guerra do Pará, (cargo que exerceu até Julho, sendo nomeado a 28 deste mez Commandante da Fortaleza de S. Cruz). A 23 de Novembro deste anno foi mandado servir no Exercito em operações fora do Império, seguindo a 12 de Dezembro e voltando de Montevideo a 27 de Janeiro de 1856.
A 31 deste mez e anno foi reformado no posto de Brigadeiro com o soldo por inteiro, por se achar soffrendo de uma moléstia incurável, que o tornava incapaz para o serviço do Exercito.
A 1 de Junho de 1867 foi novamente nomeado Commandante da Fortaleza de S. Cruz, cargo que exerceu até 15 de Maio do anno seguinte.
A 18 de Agosto de 1871 foi mandado ficar addido á Secretaria da Guerra, em commissão especial de serviço de que foi dispensado a 3 de Maio do anno seguinte.
Em remuneração aos seus serviços foi também condecorado com o Officialato da Ordem da Rosa.
Tal foi, em traços largos, a vida desse Cearense de grandes serviços militares ao Paiz e que se fez também saliente pela parte activa que tomou nas luctas partidárias da antiga Província mormente na administração Alencar, a quem combateu com as armas na mão.