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Biografia

Leandro Bezerra Monteiro

1826–1911

Este nome aparece em outro verbete do acervo Leandro Bezerra MONTEIRO 1826–1911 · Crato
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1º. Filho do tenente-Coronel José Geraldo Bezerra de Menezes e D.a Jeronyma Bezerra de Menezes, nasceu em Crato a 11 de Junho de 1826. Segundo um estemma em meu poder é esta sua ascendencia paterna:

I Diogo Alvares Corrêa, Caramuru, casado com Catharina Alvares, Paraguaçú, paes de

II Apollonia Alvares,—João de Figueiredo Mascarenhas, Boatucá,—

III Gracia de Figueiredo,—Francisco de Barros,—

IV Luiza de Barros,—Manoel Lobo,—

V Francisco de Barros Lobo, Anna de Menezes,—

VI Euzebia Telles de Menezes, Miguel Alvares Campos,—

VII Luiza Telles, Sargento-mór Antonio Pinheiro de Carvalho,—

VIII Sargento-mór José Pinheiro Lobo, — Perpetua de Mendonça,—

IX Antonio Pinheiro Lobo,—Joanna Bezerra de Menezes,—

X Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro,—Rosa Jose-pha do Sacramento, —

XI Tenente-coronel José Geraldo Bezerra de Menezes, Jeronyma Bezerra de Menezes,—

XII Dr. Leandro Bezerra Monteiro.

Pelo lado materno são seus arós o Capitão Nazário da Rosa Muniz Barreto, descendente do celebrado Egas Muniz, e D.a Maria Silvana de Rezende, dos Rezendes de Sergipe, família ali das princípaes, como já dizia o Bispo do Maranhão Dom Marcos de Souza.

Foi baptisado por seu primo-irmão Padre Pedro Ribeiro da Silva, filho de sua tia paterna D.a Luisa Joanna Bezerra de Menezes, e do Capitão-mór Sebastião de Carvalho e Andrade, natural de Pernambuco. D.a Luisa Joanna foi a fundadora da Capella de S. Vicente, do Crato, como o Padre Pedro foi o iniciador da Capetla de N.a S.a das Dores, de Joaseiro.

Estudou preparatórios em Crato, onde teve por mestre seu primo Dr. Marcos de Macedo, em Jardim, Icó e Fortaleza.

Tendo-se bacharelado em sciencias sociaes e Jurídicas na Academia do Recife em 1851, viveu muitos annos na Província de Sergipe, que mais de uma vez o enviou por seu representante á Camara dos Deputados, como o fez egualmente o Ceará (1877). Como deputado da Nação tomou parte saliente na chamada Questão Religiosa, collocando-se ao lado da justiça e da verdade, isto é, da Egreja Catholica atrozmente perseguida pela Maçonaria, que governava então o Paiz.

Transportando-se para Parahyba do Sul em 1864, abi entregou-se á advocacia e ás obras de caridade e piedade, que lhe deram nome.

O Jornal do Commercio, o grande orgam Fluminense, occupando-se da Irmandade de N.a S.a da Piedade da Parahyba do Sul, da quat era Provedor o Dr. Leandro Bezerra, chama-o de benemérito da pátria e da humanidade por seus serviços á causa da pobreza e da instrucção. Tratando a dita Irmandade de tirar-lhe o retrato destinado a uma das salas do Asylo, Leandro Bezerra recusou a offerta pedindo que as quantias arrecadadas pela Commissão, a cuja testa estava o Barão ,de Palmeiras, fossem applicadas em dotes a orphans que se distinguissem por sua intelligencia, applicação e procedimento. A propósito travou-se uma edificante correspondência entre o Provedor e a Commissão, que vem publicada n'0 Provinciano de Abril de 1883 e Pedro II, n. 35, do dito anno.

Entre muitas distincções que elle recusou, por esse tempo, figura o titulo de Conde da Piedade.

Com o Parahybano fundou o Dr. Leandro na Parahyba a imprensa até então ahi desconhecida.

Falleceu a 15 de Novembro de 1911 em Nictheroi, deixando de seu consorcio celebrado em Sergipe com D.a Emerenciana de Siqueira Maciel Bezerra quatro filhas e dous filhos, o Dr. José Geraldo Bezerra de Menezes, casado com D.a Lucinda Montedonio, e o Dr. em Medicina João de Siqueira Bezerra de Menezes.

Sobre seus últimos momentos escreveu um dos filhos as seguintes linhas:

“Nictheroi, Gragoatá 5, 27 de Novembro de 1911.

Meu caro Dr. Felício dos Santos.

Venho agradecer-lhe as bellas e sentidas palavras d'“A Patria Brasileira” sobre meu pae dr. Leandro Bezerra Monteiro, fallecido no dia 15 na paz do Senhor. Morreu como um santo, tendo se confessado e commungado ha pouco tempo, sempre rezando, meditando e ensinando, até á ultima hora, a religião a um sem numero de creanças. Pela manhã leu, como de costume, depois de rezar suas orações e o rosário, a vida do santo do dia nos Bollandistas, a sua Imitação (I iv. IV, cap. III) e Pioger, A Deus!; depois, escreveu varias cartas, sendo a ultima para o Padre Cicero, e por fim, foi para a sala de jantar, deitando-se na rede, onde ainda tomou o seu café do meio dia, conversou com os filhos e veiu a morrer (de uma syncope cardíaca) á 1 l/4 da tarde, lendo a descripção da sepultura de Jacob em Pierre Loti— Jerusalém (pag. 18), cercado de pombos, que elle creava dentro de casa, e aos quaes estava dando comida. Minha mana Leonor teve ainda tempo de rezar em voz alta o acto de contricção, e fazel-o beijar um crucifixo dado pelo bispo do Pará Dom Antonio de Macedo Costa, mandado fazer especialmente em Jerusalém, e bento por Pio IX, com indulgência plenária da bôa morte. Elle era recebido no escapulário do Carmo e em outros, e com todos morreu.

Diariamente visitavam-n'o os óptimos frades franciscanos, seus confessores, e uma vez por mez um delles dizia missa em casa, por não poder meu pae ir ouvil-a fora (em. S. Lourenço).

O enterro delle foi uma procissão, abalando uma multidão enorme e para mais de 200 creanças—meninos e meninas—que o amavam de coração.

Conservou sempre perfeitas e apuradissimas todas as faculdades. Sua memoria era extraordinaria.

E assim se finou o meu queridíssimo pae, como um verdadeiro santo—grande defensor dos bispos na questão religiosa, prototypo da caridade, apostolo da infancia, fundador da Casa de Caridade e Asylo de N. S. da Piedade da Parahyba do Sul, amigo dos jesuítas e irmans vicentinas, e fervorosíssimo catholico.

Inclusas vão umas copias para o seu jornal, si servirem. A “Revista da Semana” traz o retrato do meu santo.

Leia sobre o Padre Cicero o “Paiz” de 13 (“Regulo assustado”) e 24 do corrente.

A Deus. Seu infimo am.o, adm.or obr.o — J. G. Bezerra dé Menezes.”

D.a Emerenciana, mulher do Dr. Leandro, nasceu a 9 de Dezembro de 1830 em Sergipe e falleceu a 9 de Janeiro de 1887 na Parahyba do Sul, sendo sepultada no Cemitério de S. Antonio da Encruzilhada. Foi educada na Bahia no convento da Soledade, das Ursulinas do Coração de Jesis onde ainda encontrou tias velhas, esse convento tendo sido fundado por pessoas de sua familia e pelo venerável Malagrida, da Companhia de Jesus.

O Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro era filho de pae Sergipano, Antonio Pinheiro Lobo, e mãe Pernambucana, D.a Joanna Bezerra de Menezes, que de Goyanna veio para O Ceará com o pae C.el João Bezerra Monteiro. Como Dante Garção etc. tomou o nome materno. D.a Rosa Josepha, sua mulher, eira filha do Capitão-mór Semeão Telles de Menezes (familia Ericeira e Marialva) e de D.a Luisa Maria da Conceição.

Escreveu o Dr. Leandro6

  1. Memorandum sobre as eleições da provincia de Sergipe de 1863, Rio de Janeiro, 1863, in 8.o, 44 pp. Assigna-o também o, Dr. Thomaz Alves Júnior.
  2. Eleição do l.o Districto de Sergipe. Discursos proferidos por Francisco de Paula da Silveira Lobo, Leandro Bezerra Monteiro e Thomaz Alves Júnior, Rio de Janeiro, 1864, in 8.o, gr., 32 pp.
  3. Discurso proferido da sessão de 18 de Junho de 1873 etc, Rio de Janeiro, 1873, in 8.o, 8 pp.
  4. Discurso pronunciado na Camara dos Deputados em 27 de Março do corrente anno, Rio de Janeiro, 1873, in 8.o, 47 pp.
  5. Discurso proferido na sessão de 4 de Setembro de

    1874 na denuncia dada contra os ministros do Império, da Fazenda e do Estrangeiro por machinarem contra a Religião do Império, Rio de Janeiro, 1874, in 8.o, 31 pp.

  6. Discurso proferido na sessão de 7 de (unho de 1875, Rio de Janeiro, Typ. Imp. e Const. de 7 Villeneuve & C., 1875, in. 8.o, 44, pp.

    Aos discursos de L. B. por occasião da Questão Religiosa fazem bellas e mui elogiosas referencias os Escriptos Catholicos de Hontem do Padre Senna Freitas, O Bispo de Olinda perante a Historia do Dr. Antonio Manoel dos Reis e O Livro do Centenario do Padre Dr. Julio Maria.

    Veja-se sobre Leandro Bezerra o que disse Moreira Pinto na Descripção da Parahyba do Sul, Jornal do Com-mercio, Novembro de 1901, e o que publicou O Fluminense, de Nictheroi, por occasião de seu 81.o anniversario natalício (11 de Junho de 1907).

Quanto á sua ascendência pelo lado de D.a Rosa Josepha do Sacramento consulte-se a “Revista do Instituto do Ceará”, anno de 1915.