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Biografia

Israel Bezerra de Menezes

nasceu em 1845

Maranguape T.e C.el
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Filho do Dr. Manoel Soares da Silva Bezerra e de D.a Maria Thereza de Albuquerque Bezerra, nasceu a 16 de Março de 1845, sendo, portanto, irmão de Antonio Bezerra de Menezes.

Fez toda campanha do Paraguay desde 6 de Abril de 1865 a 30 de Abril de 1870.

Foi o 1.o cearense a apresentar-se como voluntário da pátria ao presidente de então, Dr. Lafayete Rodrigues Pereira, logo que ao Ceará chegou a noticia de ter o Paraguay declarado guerra ao Brasil e de estar o Governo do Paiz appellando para o patriotismo de seus filhos.

Como essa gloria lhe tenha sido disputada por outro bravo cearense, o Sr. José Martiniano Peixoto de Alencar, resolvi obter esclarecimentos a respeito e do próprio Israel recebi a seguinte carta:

No dia 28 de Janeiro de 1865, por occasião da chegada do paquete do sul, e quando procurava receber na repartição dos Correios a correspondência do meu pae, um individuo, de cujo nome já não me recordo, recebia o Jornal do Commercio, e alli mesmo o lia. e com surpresa de todos disse que o Paraguay declarara guerra ao Brasil, e que o governo appellava para o patriotismo de seus filhos.
Sem mais esperar pela correspondência que tinha ido receber, e sem mais demora, isto ás 12 horas do dia mais ou menos, apresentei-me no Palacio do Presidente e pedi-lhe que desejava seguir como voluntário da pátria para a guerra contra o Paraguay.

Recebendo-me com a maior satisfação, o Presidente agradeceu o meu offerecimento e pediu-me que procurasse angariar o maior numero possível de voluntários, para o que punha á minha disposição o que julgasse necessário.

A's 2 horas da tarde retirei-me de Palacio na resolução de fazer uma passeiata a qual realisou-se, terminando ás 8 horas da noite, sendo nesta occasião alistados 53 voluntários.

Em vista de tão crescido numero de alistados, ordenou o Presidente que fossem estes aquartelados no quartel da Guarda Nacional, onde ficou sendo o deposito para receber os que quizessem se alistar.

Poucos dias depois do meu offerecimento fui mandado pelo Presidente em commissão a Mecejana, Soure, Maranguape, Pacatuba e Baturité e outras localidades afim de angariar voluntários, o que fiz com os melhores resultados e satisfação do governo.

Logo que se alistaram cerca de 500 indivíduos, o Presidente nos fez seguir para o Rio sob o commando do Coronel José Nunes a 6 de Abril no Jaguarehy, que por milagre não se perdeu de Pernambuco para o Rio, onde chegamos a 20 do mesmo mez.”

Até aqui o Tenente-coronel Israel. Chegado ao Rio, o contingente Cearense foi mandado para o Asylo S. Leopoldina, na Praia Grande e sob o commando do Dr. Godefroi, Major de engenheiros, afim de ser organisado e receber a precisa instrucção, e a 22 de Junho embarcou para a campanha sendo a bordo organisado e tomando a numeração de 26.

Por esta occasião Israel Bezerra foi nomeado Tenente.

Desembarcaram os voluntarios cearenses perto da Villa da Concordia da Provincia de Entrenós, Republica Argentina, e d'ahi partiram em direcção a Comentes tendo que atravessar por terra as duas Provincias e acamparam em frente ao forte de Itapurú, depois de muitos mezes de marchas forçadas e fadigas sem fim.

Poucos dias depois de acampados, por ordem do General em chefe foi Israel Bezerra nomeado instructor dos corpos 46 e 51, honra esta que não coube a nenhum voluntario, e que consta das Ordens do dia do Exercito.

Fez a passagem do Paraná a 16 de Abril e tomou parte nos combates de 17 do mesmo mez, nos de 2, 20 e batalha de 24 de Maio, sendo sempre elogiado e por isso agraciado com a condecoração da Ordem de Christo.

Seguiram-se os combates de 16 e 18 de Julho sobre a Linha Negra, sendo por motivo delles condecorado com o Habito da Rosa.

Marchando para Curusú com o 2.o corpo do exercito ao mando do General Conde de Porto Alegre, tomou parte nos combates de Curusú, Curupaity e 24 de Setembro, sendo ainda louvado pelo seu comportamento nos mesmos. Na véspera do combate de Curupaity. tinha elle baixado ao hospital, e sabendo que no dia seguinte os Brasileiros atacariam aquella fortificação pediu alta a fim de não consentir que sua companhia fosse commandada por outro official.

A 18 de Agosto foi promovido a Capitão para o 10.o de voluntarios no qual já marchava como Tenente.

Regressando o 2.o corpo do exercito para Tuyuty, foi este atacado no dia 3 de Novembro pelos Paraguayos, em numero muito superior, resultando grande perda de nossos poucos soldados, sendo elle neste combate gravemente ferido.

Tomou parte nos combates de 24 de Setembro, tomada do comboi, no combate de 16 de Novembro sobre Humaytá, depois de ter feito diversos reconhecimentos sobre aquella praça com os melhores resultados.

Tendo o inimigo abandonado Humaytá e se transportado para o outro lado do Paraguay, Caxias fez seguir uma força para bater o inimigo que tentava fugir; seu batalhão foi um dos que fizeram parte desta força, sendo elle neste combate levemente ferido.

Batido o inimigo no Chaco, seguindo para Santo Antonio, tomou parte no combate de Itororó, batalha de Avahy, combates de Lombas Valentinas e todos os reconhecimentos que se fizeram até Paraguary o que lhe valeu ser louvado em vários Ordens do Dia e ter a Medalha de Mérito com os passadores n.os 6, 11 e 21.

A 12 de Setembro de 1868 foi escolhido para commandar os atiradores sobre Peribibuy e foi o 1.o a escalar o forte luctando a arma branca e ficando gravemente lanceado e ferido na cabeça. O governo recompensou-o por esse feito com a Ordem do Cruzeiro e o General nomeou-o commandante do Posto do Rosario.

Morto Solano Lopes, foi promovido a Major e condecorado com a Cruz de Bronze da Campanha pelo governo Brasileiro e com as Medalhas de Campanha pelas Republicas Argentina e Oriental.

Por occasião da inauguração da estatua do bravo General Osorio teve a promoção ao posto de Tenente-coronel.

Voltado ao Ceará, obteve como recompensa de seus serviços a serventia vitalícia do Tabellionato de Baturité, desapossado do qual retirou-se para o Estado do Amazonas onde viveu como Director da Colónia Pedro Borges e administrador do Mercado Publico de Manaus. De volta ao Ceará em 1909, reside na sua fazenda Tronco ou Mamoré.

De seu consorcio celebrado a 9 de Setembro de 1871 com D.a Sabina de Castro Bezerra, filha do T.e C.el Thomaz

Lourenço da Silva Castro e de Da Rufina Cândida de Castro Barbosa, houve Israel Bezerra os seguintes filhos:

Eduardo Bezerra, nascido a 24 de Abril de 1874, estabelecido com pharmacia á Praça do Ferreira, casado a 14 de Abril de 1905 com D.a Antónia Corrêa Bezerra, filha de Antonio Corrêa de Mello, português, e de D.a Olympia da Costa Corrêa, natural de Maranguape; D.a Julia Bezerra Studart, casada a 24 de Junho de 1891 com o Pharmaceutico T.e C.el Osvaldo Studart e D.a Marieta Bezerra, já fallecida; Oscar de Castro Bezerra, morto por afogamento num igarapé da Amazónia a 27 de Maio de 1906; D.a Esther de C. Bezerra; D.a Diva Bezerra da Costa Theophilo, casada a 11 de Maio de 1907 com o Pharmaceutico Antonio da Costa Theophilo, nascido a 12 de Maio de 1883, filho de Antero da Costa Theophilo e de D.a Antónia Villaça Theophilo.

De seu consorcio Eduardo Bezerra tem tido os seguintes filhos: José Moacyr, Maria Consuelo e Eunice.

Sobre os filhos de Osvaldo Studart e D.a Juba Bezerra Studart veja-se adiante.

De seu consorcio Antonio Thephilo Bezerra e D.a Diva Bezerra da C. Theophilo tem, tido José Murillo, nascido a 22 de Abril de 1908 e Antonio, nascido a 21 de Outubro de 1910.