Nasceu em Aracaty a 3 de Agosto de 1808, sendo seus paes o Major Manoel Lourenço da Silva e D.a Maria do Carmo Sabina, casados a 12 de Maio de 1805.
Manoel Lourenço da Silva era natural da Parahyba e filho do Capitão das antigas milícias Thomaz Lourenço da Silva, português, e de sua mulher D.a Rosa Maria Telles de Mello; D.a Maria do Carmo Sabina, nascida a 30 de Junho de 1783, era filha do Capitão-mór José de Castro Silva 2.o e de D.a.Joanna Maria Bezerra, casados a 22 de Agosto de 1768.
Foram seus irmãos Thomaz Lourenço (vide esse nome), Major Antonio Lourenço de C. Silva, Joaquim Lourenço de C. Silva, Manoel Lourenço de C. Silva, D.a Carolina de C. Silva, D.a Thereza de Castro da Rocha Moreira, que casou com João da Rocha Moreira, D.a Maria Carolina, D.a Rosa de C. Silva, D.a Maria do Carmo da Silva Porto, que casou com Felippe da Silva Porto, D.a Maria Magdalena de Castro e D.a Maria Sabina de Castro.
Casou-se José Lourenço a 29 de Outubro de 1836 com D.a Maria Amália de Brito e Castro, nascida no Rio de Janeiro a 2 de Setembro de 1818, filha de João José de Brito, empregado do Thesouro Nacional, fallecido a 13 de Dezembro de 1840 e de sua mulher D.a Maria de Azevedo Brito, natural, como o espeso, do Rio de Janeiro, e fallecida em Fortaleza a 13 de Agosto de 1874 ás 6 1/2 horas da tarde.
Doutorado em medicina pela Academia Imperial do Rio de Janeiro, para onde seguira em Fevereiro de 1829, foi o Dr. José Lourenço um dos mais notáveis discípulos de Hypocrates, que ha contado o paiz.
Sua passagem pela Inspectoria de saude publica do Ceará e por nossos hospitaes deixou traços luminosos.
Nas epidemias de febre amarella e cholera-morbus foi o mais efficaz auxiliar da Presidência, segundo vê-se de vários relatórios offíciaes.
Como político, sua vida symbolisa entre nós a existência do partido liberal, ao qual dedicou todo o ardor de sua juventude e a experiencia e as luzes da edade madura: seu nome está ligado a todas as phases tempestuosas ou plácidas dos negócios políticos da província que, desde 1838, sempre o encontrou inquebrantável na tribuna e na imprensa.
Sua dedicação e apego ás idéas, que commungava, levaram-no até a lucta pelas armas, aos riscos da revolta.
Amnistiado e voltando ao seio da família continuou a prestar valiosos serviços á causa de seu partido, conseguindo apenas de innumeros sacrifícios ser eleito deputado nos bi-ennios de 1838-39, 1840-41, 1846-47, e figurar em uma lista senatorial em 1866.
Quem desconhece o quanto fez José Lourenço pelas idéas democráticas? Ninguém, sem duvida, dirão os que tiverem alguma noção de historia desse grande partido, ao qual foi tão dedicado o illustre jornalista de quem dizia o Senador Alencar: não me envergonho de ser cearense, porque existe um José Lourenço.
O Dr. José Loureuço foi Commendador da Ordem de Christo por serviços prestados á instrucção publica (1871), Cirurgião-môr da Guarda Nacional, director da instrucção publica e lente de Francês do Lyceu Provincial, substituto do juiz de direito e municipal do termo de Fortaleza.
Por deliberação unanime em data de 3 de Junho de 1882 e por proposta do vereador Antonio CyriUo Freire a Camara Municipal de Fortaleza deu o nome de rua do Dr-José Lourenço á antiga rua d'Assembléa.
O Sentinella Cearense na Ponta do Mucuripe foi um dos muitos jornaes de feição liberal, que José Lourenço redigiu ou em que collaborou.
Conheço delle os seguintes trabalhos : — Quatorze mezes de immoralidadc, ou a administração do. Snr. Manoel Felizardo de Souza e Mello', ex-presidente do Ceará, Ceará, Typ. Patriótica de Accursio, 1834, in 4.o peq. de -20 pp.
Bibliografia10
- A eleição de um Senador. Sobre esse folheto ha um Ofíicio do presidente de então Francisco de Souza Martins, endereçado a 13 de Maio de 1841 ao ministro da Justiça Francisco Ramiro de Assis Coelho, que é um documento frisante da alteração que já trabalhava o cérebro daquelle presidente e que depois se revelou de modo tão contristador.
- Aos nossos comprovincianos, aos nossos amigos e correligionários, Ceará, Typ. de J. A. de Oliveira, rua da Bôa-Vista n. 33, 1845.
Refere-se á sua exclusão da chapa dos candidatos á Deputação Geral.
- Defeza que, em Janeiro de 1840, publicou o Doutor José Lourenço, em consequência das arguições injustas, que lhe faziam seus adversários politicos, e hoje a imprimimos eliminando o que é extranho a Profissão do mesmo doutor, Ceará, 1845, na Typographia Constitucional.
Encontram-se também nesse folheto documentos valiosos em favor de José Lourenço firmados pelo Padre Antonio Francisco de S. Payo, seu professor de Latim (15 de Fevereiro de 1829), o monge benedictino frei Joze Policarpo de Santa Gertrudes, seu professor de Philosophia (Rio 17 de Dezembro de 1813) Dr. Domingos Ribeiro Guimarães Peixoto, director da Faculdade de Medicina do Rio, etc.
- Aos meus collegas e ao publico sensato. As contradicções e citações falsas do mentor do Snr. Dr. Manoel Mendes; seus louros por feitos imaginários com detrimento da probidade medica.
- O jiquirity nas ophtalmias granulosas. Vem publicado na “Gazeta dos Hospitaes”, tomo 2.o, Rio de Janeiro.
- Breves considerações sobre a climatologia do Ceará, precedidas de uma ligeira descripção da cidade e seus subúrbios. Vem publicado nos Annâes Brasilienses de Medicina, 1849—50.
- O rompimento do Cearense contra os Equilibristas. A desvantagem e sem razão de semelhante proceder. Opposição do Senador Alencar a este rompimento. Consequências perigosas das divisões dos partidos. A conciliação geral como único meio de salvar a província, Ceará, 23 de Fevereiro de 1847. Typ. de Joaquim Antunes de Oliveira, rua do Quartel n.o 3.
- Ligeiras observações sobre algumas enfermidades dos órgãos annexos ao globo occular e a Ophtalmia aguda em geral, these apresentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e sustentada a 27 de Maio de 1850. Foi approvada com distincção e louvor, impressa na Typ. de Francisco de Paula Brito, Praça da Constituição n. 64, Rio de Janeiro.
- Refutação ás calumnias de Antonio Theodorico, Fortaleza, 1866, Typ. Brasileira de João Evangelista, rua Formosa, n. 88, 8.o de 189 pp.
- A chegada nesta capital (do Ceará) no dia 26 de Junho dos presidentes: do Maranhão, o Snr. Commendador Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior; do Pará o Snr. Barão da Villa da Barra ; e do Amazonas o Snr. Dr. Domingos Monteiro Peixoto, etc, Fortaleza, 1872, 8 pp. de 2 colurnnas, in 4.o.
Um filho de José Lourenço, do mesmo nome, foi também medico, nasceu ali de Setembro de 1844 em Pesqueira, Pernambuco, mas viveu e falleceu no Ceará. Este é o autor do folheto Un Bresilien a Bruxelles aa correspondent de la Gazette a Rio de Janeiro. Foi um benemérito na secca de 1878. Casou a 16 de Agosto de 1873 com D.a Clara Demarteau, natural da Bélgica, onde se doutorou em medicina (1873), verificou o titulo perante a Faculdade do Rio de Janeiro em 1874, entrou para o quadro da Armada Brasileira em 1875 e falleceu a 14 de Dezembro de 1881 em Fortaleza na casa n. 23 da rua Formosa, hoje Barão do Rio Branco.
Em collaboração com Orlando Freire publicou1
- Manual dos Impostos de Consumo, Bahia, Litho-Typ. A. Gonçalves & Ct, Praça Deodoro da Fonseca n. 3, 1912.